Allison odiava fim de mês. Enquanto todas as outras pessoas que conheciam ficavam animadas com a perspectiva de receber seus salários, o moreno via-se obrigado a deixar o conforto se sua casa, o conforto dos braços de seu marido e ir para um lugar onde seria pressionado a passar algumas horas com a irmã caçula. Ele sequer estava completamente acordado ali, era cedo demais. Em casa, John deveria estar dormindo; ele poderia também, mas seus pais ficariam desapontados. Os amava demais para feri-los de qualquer jeito que fosse, todas as suas ações eram pensadas e repensadas para ter a certeza de que nada afetaria os pais adotivos.
Agora, sentado na mesa mais distante da porta, o moreno mexia distraído em sua aliança no anelar esquerdo. O que o impedia de cochilar eram os barulhos das buzinas no meio da rua e o murmurar suave das pessoas dentro da cafeteria. O cheirinho de seu chocolate invadia suas narinas, mas continuava quente demais para que ele tomasse um gole experimental. Como um ato inconsciente, pedira para a irmã um pouco de chá e cookies, seu estado de sonolência era tão grande que ele nem hesitou em pedir para a garota, diferentemente de todas as outras vezes.
O barulhinho do sino preso na porta chamou sua atenção e o moreno ergueu a cabeça, por trás dos óculos, os olhos cansados piscaram repetidas vezes para tentar despertar a si mesmo. “Última mesa à esquerda.” ele falou mais alto, a voz rouca cortando o breve momento de silêncio que as pessoas presentes apreciavam. Endireitando-se em sua cadeira, ele suspirou baixinho. Ia ser uma longa manhã.
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