“ why are you really here? ” kaidan
𝑝𝑟𝑜𝑚𝑝𝑡𝑠 𝑓𝑜𝑟 𝑒𝑚𝑜𝑡𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙𝑙𝑦 𝑠𝑡𝑢𝑛𝑡𝑒𝑑 𝑖𝑑𝑖𝑜𝑡𝑠 ♡
era difícil olhar para o homem sentado à sua frente, mas parecia ser ainda pior para kaileen tirar seus olhos dele ; sempre atenta, sempre em busca de algo, talvez um sinal de que aquela situação toda não passava de um sonho ruim, que ela ainda tivesse o coração dele inteiro para si... oh, doce ilusão, porque a realidade era tão fria quanto a questão foi que jogada em sua direção, por pouco a mulher não perde a sua compostura, a máscara de indiferença quase deslizando do rosto imaculado, nem um sinal sequer das noites mal dormidas ou das constantes lágrimas derramadas. era egoísta, mas ele não precisava saber que ela também sofria com aquilo, afinal, que direito ela tinha? foi ela quem começou aquilo tudo com uma mentira, não era nada mais justo ela também terminar com uma – nunca te amei, yedam. você não significa nada para mim. –, palavras como aquelas carregavam um poder que até então kaileen não era capaz de entender, mas ficou claro quando seu coração foi parar ao chão junto com o dele assim que proferiu as malditas palavras. era quase poético, na verdade, dois corações no chão, um dela e ambos dele.
eu queria te ver. respondeu simplesmente, tudo em sua figura apontando para uma outra grande mentira, o que era ótimo e tornava ainda mais fantasioso qualquer tipo de esperança que pudesse vir a surgir daquele encontro que kaileen propôs depois de semanas sem forças para sequer responder uma mensagem dele. no entanto isso não diminuía a sua ânsia por notícias dele, não excluía a sua necessidade de conferir por si própria se ele estava bem, porque ele deveria estar bem, não? se livrou de uma mentirosa, afinal! alguém que não o merecia e estava longe de estar à altura de uma pessoa como dan. ele devia se sentir mais leve, será que finalmente deu uma chance para outra pessoa ou resolveu se afundar no trabalho? ele ainda passeava toda manhã com a droga do cachorro que kaileen havia se apegado tanto? será que você pensa em mim, dan? era o que tinha vontade de perguntar, mas como a perfeita covarde que era, preferia fugir como estava acostumada a fazer, quanto mais tempo passava ali, maior era a tortura do arrependimento que a assolava. na verdade, pigarreou, tirando da bolsa em seu colo uma pequena caixinha de joias e colocando-a com cuidado na mesa entre os dois. eu vim devolver isso. não era preciso muitas explicações do que aquela caixa guardava, mas talvez o nó em sua garganta fosse uma estimativa aproximada do peso que o anel escondido ali carregava. era realmente o fim.
o silêncio era esperado, mas de certa forma ainda conseguia incomodar kaileen, era difícil dizer o que ela realmente esperava com aquilo, uma parte fantasiosa talvez esperava que ele tentasse lutar mais uma vez por ela enquanto a sua parte racional só podia agradecer aos céus por ele não ter feito isso, porque para a mulher ceder faltava tão pouco. quando yedam pareceu querer dizer alguma coisa, ela foi mais rápida ao elevar a sua destra em um pedido silencioso para que ele parasse, movendo a cabeça em uma suave negativa enquanto colocava seus pensamentos em ordem e, acima de tudo, se certificava que sua voz e coragem não lhe falhariam ao dizer o que precisava dizer. não me procure mais, não tente me encontrar. começou, no entanto, teve que tomar uma pausa para tomar um gole da bebida que havia pedido ao garçom antes mesmo de dan chegar no restaurante, porque no fundo ela sabia que iria precisar. estou devolvendo tudo que você me deu. a frase foi completada com o tilintar das chaves que a mulher chocou contra a mesa, seus olhos fixos nos de yedam ao que deslizou as chaves para mais próximo dele junto com a caixa do anel, não há razão ‘pra gente se ver ou se falar de novo. não torne as coisas mais difíceis para você mesmo, yedam. seu tom era sóbrio, sem vida por trás das palavras ensaiadas para serem seu último aviso. não era o encerramento que kaileen queria, mas era o que ela merecia, as lágrimas só escaparam de seus olhos depois que deixou yedam sozinho na mesa com os objetos que um dia foram símbolo do que sentiam um pelo outro.










