"☁ = Ser pegos no meio de uma tempestade com eles." não sei o nome dos personagens, mas eu tentei hahaha ♥
Bella reagindo ao ficar presa em uma tempestade com o Daniel.
Chuva forte, vento gelado e celular sem bateria: a pior combinação possível para quem está fora do conforto de sua cama. Pelo menos eu não estava sozinha, Daniel estava comigo. Nós fomos ao cinema assistir Piratas do Caribe e a última sessão do dia era a única que não tinha esgotado. Agora estávamos aqui fora do cinema fechado – assim como todos os outros estabelecimentos da rua – e sem um lugar seguro para nos proteger.
— Eu ainda tenho chiclete aqui, você quer? – ele me olha com seus grandes olhos azuis que mais pareciam duas piscinas. Talvez fosse uma das características que eu mais gostava nele. – Bella? – ele chama meu nome me tirando dos meus devaneios.
— Sim, por favor. – dou um pequeno e rápido sorriso. Ele me estende o pacote e eu pego um.
— Se lembra daquele parque que eu, você e a Mel íamos sempre quando éramos crianças? – Daniel volta a falar pouco tempo depois e eu olho para ele assentindo com a cabeça. – Lá tem um coreto, nós podemos ficar lá até a chuva passar. Fica a uns dois minutos daqui e se a gente continuar indo pelos cantos nós chegamos lá sem molhar muito.
— Com certeza é uma opção bem melhor do que ficar aqui. – rio fraco ao olhar para a pequena que estávamos.
— Vamos apostar quem chega lá primeiro? – ele me olha com um sorriso divertido.
— No 3? – o garoto de olhos azuis concorda. – 1, 2… – começo a correr e deixo ele para trás rindo. Chego ao nosso destino mais rápido do que pensava e me encosta em uma das colunas ofegante.
— Você trapaceou! – ele aponta para mim e depois apoia as mãos no joelho para recuperar o fôlego.
— Eu gosto de jogar sujo, mas de qualquer forma eu te venceria. Apenas lide com isso. – sorri convencida e me viro para olhar o parque. – Eu amo esse lugar. – respiro fundo. – Traz tantas memórias boas…
— Você se lembra? – viro para trás e me deparo com o Dan na minha frente olhando para mim. Tal aproximação foi o suficiente para fazer meu coração acelerar.
— Lembro do que? – tento não gaguejar.
Como ele pode ser o único garoto que me deixa nervosa assim?
— Nós, aquela árvore. – ele aponta e eu me surpreendo por ele saber exatamente qual era.
— Desculpa, mas não me vem nada à mente. – me afasto para o lado e continua a observar a chuva que havia se tornado forte outra vez.
— Eu sei que é segredo, mas é o nosso segredo. Não precisa esconder de mim. – ele toca em meu braço esquerdo e eu me viro séria.
— É claro que eu me lembro. O que você quer? – pergunto calma. Demonstrar minha fraqueza era algo fora de questão naquele momento.
— Repetir nosso segredo? – ele me olha sorrindo e eu quase me derreto por inteiro. Se ele soubesse o efeito que causa em mim… Mas é claro que ele nunca vai saber. Então eu começo a rir.
— Meu deus, Daniel. Quão carente você está?
— O que? – ele me olha confuso.
— Você está dando em cima de uma das suas melhores amigas. – continuo rindo.
— Você também me beijou, Isabella. – ele retruca desapontado com a minha resposta.
— Isso faz anos, Daniel. Nós éramos crianças. Nas duas vezes. É uma besteira. – dou de ombros tentando convencer a ele e a mim mesma.
— É o que você pensa? – ele arqueia as sobrancelhas e ergue as mãos em rendição ao se afastar de mim. – Okay, isso não vai se repetir novamente. – ele fala como se estivesse magoado.
— Obrigada. – sorri sem mostrar os dentes e me encosto em uma das colunas voltando a olhar para a chuva.
O silencio se instaurou e tudo o que se ouvia era a chuva forte e sem previsão de parada. Para a nossa sorte o vento tinha parado, as roupas úmidas já estavam frias o bastante. De repente um trovão estrondoso faz meu corpo inteiro se arrepiar e me deslocar até o meio do coreto.
— Bella? Tá tudo bem? – Dan vem em minha direção preocupado e eu olho para o garoto de olhos azuis aflita. Um relâmpago clareia todo o parque por alguns segundos e eu corro para abraçá-lo.
— Estou com medo, Danny. – sinto ele afagar meus cabelos ruivos com uma mão e acariciar minhas costas com a outra.
— Eu estou aqui, não se preocupe. – suspiro me acalmando aos poucos. – Me desculpa por ter feito aquilo. Eu acho que toda essa situação me deixou carente. – ele ri abafado e eu sorri levemente.
— Tá tudo bem. Você é meu melhor amigo e eu não quero te perder. – deito minha cabeça em seu ombro.
— Você nunca vai me perder, Bella. Nunca. – ele me dá um beijo na testa e eu fecho meus olhos apenas apreciando aquele momento.
Não tenho certeza de quanto tempo aquele abraço durou, se foram horas ou minutos. Nada disso importava. Nossa amizade era mais importante, nós sempre podíamos contar um com o outro. E eu não deixaria nada mudar isso. Mesmo que significasse sufocar e trancar meus sentimentos dentro de mim.
















