Tom ecoou em meu rádio, sem querer. Pensei que tivesse apagado cada música e vestígios de nosso amor, mas numa sinaleira qualquer ele fala: "o amor, é a coisa mais triste, quando se desfaz!".
Tom, meu caro amigo, como fazes isso comigo? De todas as tuas letras não poderias ter escolhido uma melhor? E nos milésimos de segundo entre a sinaleira e sua voz, chorei. Desesperada em cada frase que dizia: "Eu amei, e amei ai de mim muito mais do que devia amar e chorei ao sentir que iria sofrer, e me desesperar".
Tantas lembranças invadiram meu pensamento, encostada com a cabeça no voltante deixei que as lágrimas rolassem ali, no meio de todo o trânsito. No peito a saudade da voz que acabara de escutar e a vontade de gritar para ele que eu não queria desligar, não queria ir embora e eu só queria que fossemos nós. No entanto, aceitar o fim do nosso amor tem sido o meu desafio diário.
Esquecer de mandar meu bom dia matinal e o desejo de bons sonhos. Não fazer planos para o fim de semana muito menos para uma vida inteira. Procurar outras pessoas para me ouvirem ou então deixar de contar minhas histórias mirabolantes. Resistir a tentação de usar tua blusa como pijama nesse frio que chegou de repente. Não poder cheirar a tua testa e muito menos teu perfume.
"Encontrei em você a razão de viver e de amar em paz e não sofrer mais, nunca mais". Esse era o plano, e como fomos imaturos em deixar tudo acabar. No peito sufoca cada angústia de não saber como consertar tudo isso e com isso conto com o tempo. Ah, meu velho Tom. Chorei mais uma vez ao te escutar e somente as buzinas alheias me lembraram que eu deveria seguir adiante, que olhar para trás não adiantará mais.