A saudade Ă© a urgĂȘncia de amar.
NĂŁo Se Apega, NĂŁo - Isabela Freitas

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A saudade Ă© a urgĂȘncia de amar.
NĂŁo Se Apega, NĂŁo - Isabela Freitas

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eu nĂŁo posso mais. eu nĂŁo quero mais te ver. e dizer isso aqui pra vocĂȘ Ă© totalmente hipĂłcrita porque eu o faço na esperança de que vocĂȘ me convença a ficar. porque aĂ eu vou achar que vocĂȘ se importa, quando, na verdade, eu tambĂ©m vou achar que nĂŁo passa de pura manutenção de ego. manutenção de egoĂsmo. serĂĄ? eu nunca sei. eu nunca sei se vocĂȘ me mantĂ©m porque massageio o seu ego ou porque vocĂȘ realmente se importa e me quer por perto. mas Ă© que eu nĂŁo consigo. mesmo que seja moderno. mesmo que todo o mundo faça. tĂĄ em alta hoje em dia, ne. ter um relacionamento aberto. eu, sinceramente, acho fantĂĄstico! atĂ© que eu vejo vocĂȘ dançando um pouco perto demais de alguma outra garota. sabe aquele dia que eu dormi aĂ? eu fui toda feliz porque a gente ia passar uma noite inteirinha junto. eu sei que a casa Ă© sua, a cama Ă© sua, a vida Ă© sua e que eu nĂŁo sou nada sua, mas aquele cheiro de perfume que tava no seu travesseiro e que nĂŁo era meu, me fez querer te matar. eu queria pedir a Deus coragem e toda a força do mundo pra meter o cotovelo bem no meio das suas costelas toda vez que vocĂȘ vinha me abraçar durante a noite. ou pra quebrar seus dedos quando vocĂȘ segurou minha mĂŁo com força e finalmente dormiu. mas eu sou adulta e acho super descolado ter um relacionamento aberto e casual. tĂŁo mais prĂĄtico! tĂŁo simples seria essa vida, meu Deus. mas aĂ entra aquele se. o se de se eu nĂŁo fosse complicada. gente complicada como eu, tem que complicar tudo, porque senĂŁo, perde a graça. na verdade, Ă© sĂł porque a gente Ă© maluco mesmo e Ă s vezes tem preguiça de ir a terapia enquanto a receita do benzo estiver em dia. salvem os benzos! salve a farmacoterapia! mas entĂŁo eu poderia simplesmente seguir em frente. te ignorar o resto da vida. talvez sorrir quando te encontrar pelas esquinas e bater aquele papo furado. ou eu podia te ignorar completamente, como se vocĂȘ nĂŁo tivesse significado nada pra mim, o que me faz pensar que em qualquer uma dessas situaçÔes, no final das contas, sou eu que me fodo. porque enquanto vocĂȘ passa com a sua cerveja cara, ri e recebe atenção de todos a sua volta, sou eu que me descabelo por dentro. porque por um bom tempo eu vou morrer com os seus olhares, porque eu sei que por mais que a gente separe e o tempo passe, vocĂȘ sempre vai me comer com esses seus olhos loucos e dissimulados. coitada de Capitu se achou que era a Ășnica a tĂȘ-los. vocĂȘ dĂĄ de dez a zero nela. e entĂŁo eu, usuĂĄria de benzos, vou ficar a analisar minhas indecisĂ”es, se todo esse seu olhar seria porque vocĂȘ sente minha falta ou se seria apenas porque eu sou sĂł mais um rabo de saia passando por aĂ, aleatĂłria como todas as outras que vocĂȘ olha do jeito que eu achava que era sĂł pra mim
amantelar
Eu adorei essa aparelhagem nova que vocĂȘ trouxe do estrangeiro. Deus, como eu amei essas luzinhas coloridas que vĂŁo mudando de acordo com a batida ou sei lĂĄ o que. Mas eu gostei mais ainda do jeito que vocĂȘ ficou batucando os dedos no peito, junto com a marcação do baixo. Eu tinha vontade de rir quando vocĂȘ dava uma batidinha na outra mĂŁo e depois voltava com a mesma dança louca dos dedos da sua mĂŁo direita. Me rendeu uns sorrisos muito danados de bons. Mas sabe, que bom que vocĂȘ tava de olhos fechados e nĂŁo viu. AtĂ© porquĂȘ, eu nĂŁo sabia se sorria ou segurava o choro de saudade apertada e entalada que eu tava teimando em enfiar mais um tempo pela goela abaixo. Por favor, eu pensei. Aguenta sĂł mais um pouco. Eu amo essa tua musicalidade. Eu amo como vocĂȘ Ă© todo musicalidade. Eu amo o fato de vocĂȘ nĂŁo perceber o quanto Ă© todo musicalidade. E eu respeito e admiro, como se fosse a Ășnica fonte de mĂșsica pura do mundo. Eu odeio cerveja. Bebo com os amigos, mas cĂȘ sabe da minha guerra pra perder essa barriguinha e ficar mais invejĂĄvel. Mas Ă© isso. Eu odeio cerveja de barzinho. Odeio o cheiro. Pode atĂ© ser Skol, mas desce quadrado. Mas amo o cheiro dela em vocĂȘ. Aprecio o fato de vocĂȘ nĂŁo ser apenas um daqueles caras sentados no botequim da esquina, mas um belo dum apreciador de cervejas. Gosto de gente que entende de bebida. Gosto de gente que entende o que eu nĂŁo aprendi ainda. Mas mais ainda, eu gosto do teu cheiro. Eu tenho um olfato um pouco sensĂvel demais e uma mania eterna de associar cheiros, momentos e pessoas. Mas nĂŁo Ă© do cheiro do cabelo, do perfume ou dos desodorantes que vocĂȘ usa. Ă da pele mesmo. Aquele de gente. Aquele cheiro Ășnico que ainda fica mesmo depois que a gente se separa. Como quando eu passo a mĂŁo no rosto, ou faço algum tipo de movimento e eu sinto ele ali. Ou entĂŁo quando eu sĂł lembro mesmo e sinto meio que imediatamente do alĂ©m. AĂ Ă© aquele cheiro que vem com um gosto de saudade tambĂ©m, sabe. Eu gosto quando vocĂȘ fala coisas sem nexo porque ta com sono. Voce resmunga igual a um velho. Meu Deus, eu nunca vi ninguĂ©m que ta conversando comecar a cochilar do nada e a roncar e tudo em menos de 30 segundos. Comassim, Deus? Que ciĂȘncia explica isso? Mas eu nĂŁo gosto quando vocĂȘ nĂŁo fala nada de propĂłsito. Quando vocĂȘ finge que nĂŁo se importa. Quando vocĂȘ finge que nĂŁo ouve. Eu nĂŁo gosto quando voce fala de Zumba. Eu nĂŁo gosto porque quando eu finalmente criei coragem pra desintalar e falar que ia sentir sua falta, vocĂȘ tava falando de como ia se apresentar quando fizesse aula de Zumba e continuou falando de Zumba. E eu tentei de novo e te disse que nĂŁo ia voltar e vocĂȘ falou que ia me chamar pra apresentação de final de ano e continuou falando de Zumba. Maldita, Zumba. Eu recolhi minha insignificĂąncia, desejei boa sorte na sua apresentação e fui embora. Meu Deus, eu fui mesmo embora! NĂŁo chorei quando o porteiro perguntou mas jĂĄ ou nĂŁo vai ficar ou qualquer outra coisa. Eu sĂł me preocupei em apalpar bem os bolsos do short e o do coração e pela primeira vez vi que tava tudo ali. Pela primeira vez eu nĂŁo tive vontade de voltar correndo ou de ficar acampada na porta pra chegar mais rĂĄpido. Eu nĂŁo olhei pra trĂĄs. Eu me tinha. Eu me tenho. Como uma luva, depois de uma dia de cĂŁo e de uma mesa de bar eu entendi que eu me basto. Que eu nĂŁo quero metades, metades de laranja nĂŁo me enchem os olhos. Tampouco migalhas. Nasci pra ser daquelas que se completam e pedem por algo que transborde. Eu sei que amanhĂŁ eu vou gritar de dor e querer voltar correndo pra essa procura louca-eterna da tal metade perdida da laranja, mas aĂ eu vou lembrar tambĂ©m da Zumba. Eu nĂŁo gosto de Zumba, meu bem. NĂŁo dessa Zumba que voce tĂĄ fazendo agora, de propĂłsito com meu coração. NĂŁo dessa Zumba que vocĂȘ usou pra evitar de perceber que eu tava realmente indo embora. E aliĂĄs, eu sempre achei que essa coisa de alma gĂȘmea fosse sĂł pro FĂĄbio Jr vender mĂșsica. Boa sorte na apresentação de final ano. Eu realmente torço pra que vocĂȘ seja o melhor dessa sua turma de Zumba de um sĂł.
VocĂȘ nem dança Zumba. E eu tambĂ©m sei que nĂŁo vai fazer aula de Zumba.
A tristeza esvaziada Ă© a Ășnica felicidade real.
Tati Bernardi
Eu nunca gostei de nada. De ninguĂ©m. Gostei de vocĂȘ. E como se nĂŁo bastasse tanta estranheza, queria que vocĂȘ gostasse de volta tambĂ©m. Assim. Por livre, espontĂąnea e encantada vontade. Como se fosse a coisa mais simples e normal do mundo. Como se vocĂȘ fosse desses que gosta de alguĂ©m tambĂ©m. A gente era igual. A mesma peça quebrada. Mas eu, na minha ingenuidade, achava que por saber o que era nĂŁo ter, por saber da falta, do medo, do perigo e torpor da solidĂŁo, achava que vocĂȘ poderia considerar e que eu podia consertar. Eu. Que mal me aguentava. Que me arrastava. Que mal funcionava por causa dessa maldita peça quebrada. Peça tal que em 20 anos ainda nĂŁo foi identificada. Eu. SolitĂĄria. Sonhadora. Iludida. Decepcionada. Esperançosa. Eu. Quebrada. Vazia. InstĂĄvel. Eu. Que queria consertar com um nĂł. Atrelar vazio com vazio. Virar um sĂł. Eu. Que levei a gente ao outro sentido de sĂł. NĂŁo de Ășnico. NĂŁo de um. DevocĂȘeuvaziosmasjuntosecoladinhosassim. Foi aquele sĂł de somente sĂł. Aquele sĂł espaçoso. Aquele conhecido. Aquele de sempre. Aquele de fim. EntĂŁo. Agora. Que esqueça. Que passe. Como quem limpa o pĂł. E eu. Eu que nĂŁo gosto de ninguĂ©m. Voltando ao natural. Deixando mais uma ilusĂŁo de lado. Aceitando. Como sempre. Enfim. Ă vontade em ser sĂł. Aceitando, humilde, mais um fim.
amantelar

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Eu vou dar o meu desprezo Pra vocĂȘ que me ensinou Que a tristeza Ă© uma maneira Da gente se salvar depois
Um Trem Pras Estrelas
Me ensina a solidĂŁo de ser sĂł dois.
Laranjal
Porque o coração trabalha como uma bĂșssola e errar o rumo tambĂ©m faz parte.
Lulu Santosl