Após a aula de mitologia, Amara precisava de um momento de paz. Desde o Natal, a necessidade de se isolar a consumia. Não era sempre tristeza; às vezes, era um vazio profundo. Sua mente turbulenta fazia uma pausa, era apenas uma casca quebrada. A filha de Dionísio vagou sem rumo, mas inevitavelmente subiu até o punho de Zeus. Tornara-se um hábito, sentar e contemplar, murmurando suas queixas contra Zeus. Não temia os rumores sobre o local; afinal, ele já havia arruinado sua vida. O que mais poderia fazer? Matá-la? Em dias assim, não lhe parecia uma má ideia. Talvez pudesse renascer como algo normal, uma planta ou qualquer coisa que não fosse uma semideusa. Seu cantil estava quase vazio, ela avistou Addie surgindo. Mesmo apenas vendo a silhueta da mulher, pois ela vinha da direção do pôr do sol, conhecia-a tão bem que a reconheceu instantaneamente. ❝ Olha só, é minha esposa! ❞ ela riu, erguendo o cantil em um brinde imaginário. ❝ A única coisa boa em toda sua eternidade miserável. ❞ sussurrou para o Punho, antes de se erguer, permanecendo encostada nas pedras. ❝ Não me diga que está sentindo falta do papai. ❞