Death No More
Stardust Crusaders X Isekai! Leitora
Capítulo 22: That's Not My Captain
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“Nós dois temos muito em comum, irmã. Você só se acha superior pois segue uma moral humana equivocada, mas assim como eu, passaria por cima dos seus seguidores se isso significasse a conclusão de um plano.” —Desamparo.
“Eles não são meus seguidores, não os mencione. Eu trago proteção aos justos e bons, os perversos recebem minha fúria, principalmente os que utilizam o meu nome para justificar os atos. ” —Compadecida.
A van apareceu alguns minutos após seu comentário indecente. Assim como mencionado por Joseph, os funcionários da fundação compraram o colchão acompanhado de edredom, lençol, travesseiro e fronha. O interior do veículo tinha menos assentos se comparado ao utilizado na casa de Holly, o transporte atual contendo capacidade para 15 pessoas (motorista incluso), porém com a remoção da última fileira de bancos, onde foram colocados os itens da estadia de Polnareff, a quantia máxima se transformou em 11.
—Querem uma mãozinha com a bagagem? —Um dos agentes perguntou, oferecendo ajuda com suas coisas junto às de Kakyoin.
—Não precisa, mas muito obrigada. —Você disse, ciente de que Noriaki também negaria a oferta.
A porta dos fundos da van estava aberta, o colchão dobrado ao meio, amarrado com cordas. Em cima dele ficou o conjunto de dormir, havendo espaço suficiente para sua mochila e a do ruivo. Você começou a caminhar até lá, acompanhada do usuário do Hierofante Green, de fundo conseguiram ouvir a voz do Joestar perguntando a um outro funcionário:
—Como está a saúde da minha filha? —A voz do grisalho ficou séria ao abordar o tópico, eliminando qualquer vestígio do idoso brincalhão de alguns minutos atrás.
—Bom… —O trabalhador soltou um suspiro, ciente de como as notícias do estado da loira seriam desanimadoras, na melhor das hipóteses. —Infelizmente igual, senhor Joestar. Ela chegou a acordar algumas vezes, entretanto só ficou consciente por alguns minutos antes de voltar ao coma.
O mais velho respirou fundo, embora fosse a resposta esperada, não deixou as coisas menos piores, mas não transpareceu além daquela expressão. Uma dúvida passou pela mente do pai de Holly, o fazendo piscar:
—Ela sabe que estamos aqui?
—Nós não contamos nada, como o senhor pediu, mas… —O agente fez uma pausa, desviando o rosto para baixo. —Ela percebeu a sua ausência junto ao Jotaro e Abdul, então bastou ligar os pontos.
O usuário do Hermit Purple franziu o cenho, porém se recompôs na hora. Quando a fundação chegou na casa da loira, Joseph pediu aos agentes manterem sigilo da filha o fato de estarem indo derrotar o Dio. A dona de casa sempre colocou o bem-estar dos outros como prioridade, motivo pelo qual não contou sobre a manifestação do Stand, agora seu pai gostaria de retribuir a gentileza: mantê-la desinformada sobre onde estavam e o que fariam era a melhor opção, pois contá-la só a sobrecarregaria, a última coisa desejada a alguém lutando para permanecer viva, no entanto o homem foi ingênuo em acreditar no desconhecimento da mãe do Jotaro.
Você mudou o foco, encarando Kakyoin. O ruivo também prestava atenção na conversa, os olhos centrados no chão e os ombros retraídos ao ouvir as respostas do contratado da Speedwagon. Apesar de todas as piadas sobre as supostas intenções do seu melhor amigo com a senhorita Holly, o quão cabisbaixo o rapaz ficou dizia o quanto ele se preocupava com a mulher recém-conhecida. Você colocou a mão no ombro de Noriaki, esfregando em uma tentativa de oferecê-lo algum apoio, ao perceber seu toque o universitário arregalou as sobrancelhas, antes de relaxar a postura, deixando de fitar o chão para te encarar, colocando a mão em cima da sua em um agradecimento silencioso.
—Não se preocupe, Kaky. —Falou a ele, dando um pequeno curvar nos lábios, querendo trazer alguma positividade ao usuário. —No final, tudo dará certo.
Até porque não se perdoaria se isso não acontecesse.
[...]
Após meia hora no carro, haviam chegado no porto. O navio já estava atracado e não conseguiu evitar de abrir a boca em choque ao encará-lo: a embarcação possuía três andares contando o porão, tendo um comprimento maior que a sua casa; o chão do barco feito de madeira de eucalipto maciça, brilhante ao ponto de parecer ser polido com cera diariamente. Você encarou os demais, tinha conhecimento do dinheiro quase infinito da Speedwagon, ainda assim achava o transporte muito luxuoso para três dias de viagem, algo que a metade concordava:
—Isso é um barco ou uma mansão, senhor Joestar? —Kakyoin perguntou, esboçando uma reação semelhante à sua.
—Para quê um navio tão grande? —Polnareff arregalou os olhos ao ver o tamanho da embarcação. —Não gostaríamos de sermos os mais discretos possíveis?
Joseph deu um sorriso de meio lábio ao ouvir as dúvidas, imediatamente respondendo:
—Dois motivos, monsieur: o primeiro sendo o conforto, afinal passamos por um acidente aéreo anteontem, nada melhor que ter uma viagem 5 estrelas agora, certo?
—O segundo? —Abdul questionou, erguendo uma das sobrancelhas. Diferente do ruivo e do platinado, o egípcio não parecia surpreso pelo transporte; tendo acompanhado o grisalho desde o Japão, ficou acostumado com algumas escolhas nada simples do senhor Joestar.
O sorriso do usuário do Hermit Purple aumentou ao receber a pergunta, fazendo o dominador de chamas soltar um suspiro, já arrependido por ter falado.
—Enfiar na bunda de curioso, inclusive, você e Polnareff já podem ir abaixando as calças. —O idoso soltou uma risada baixa.
Em resposta, um leve tom de vermelho apareceu nas bochechas do europeu, enquanto isso o controlador de fogo revirou os olhos, fixando-os no Jotaro, antes de dizer:
—Eu sou a favor da sua ideia de mandá-lo para o asilo.
A expressão brincalhona do mais velho sumiu na hora, substituída por um cruzar de braços acompanhado de um rosto indiferente.
—Vocês são cruéis, só por causa de uma piada?
—Vamos escolher um bem mequetrefe. —O Kujo ignorou o avô, focado no rapaz de Bantu Knots. —Velhos bancando o palhaço me irritam.
—Por isso prefiro minha neta de consideração. —O Joestar mostrou a língua à dupla.
Enquanto o trio discutia, a passarela de embarque desceu para vocês entrarem, revelando o falso capitão Tenille no topo. O cabelo loiro do salafrário balançava conforme o vento, a cabeça dele dando um leve aceno ao seu grupo, cumprimentando-os junto a equipe. Diante do gesto “gentil” do marinheiro de Taubaté, não conseguiu segurar a franzida de testa, contorcendo seu lábio superior em nojo ao encarar o homem. O Stand de peixe combinava com seu dono asqueroso, disposto não apenas a matar um inocente com o objetivo de usufruir de sua forma, mas sendo ardiloso ao ponto de já ter implantado bombas no navio, pensando na possibilidade de derrota.
—Você está bem? —Kakyoin perguntou, aparentemente sua carranca ao ver o parasita aquático era evidente.
—Apenas me lembrei de um momento vergonhoso de anos atrás. —Mentiu, forçando um sorriso, fingindo que seu desgosto era fruto de um devaneio, não do ser desprezível a sua frente. —Odeio quando isso acontece.
O ruivo assentiu, concordando.
Vocês seis subiram a rampa, enquanto isso os agentes da Speedwagon abriam o porta malas da van, pegando as coisas do Polnareff e trazendo-as ao barco. O convés principal estava vazio, exceto por algumas cadeiras de praia colocadas próximas a estrutura central, as acomodações do seu grupo e da tripulação ficando no andar inferior. Joseph apertou as mãos do projeto de monstro do Lago Ness, se desculpando:
—Peço perdão pela mudança súbita na quantia de passageiros e o tempo a mais para o descarregamento das coisas.
O sushi falante deu um aceno, descartando os lamentos do Joestar com um sorriso.
—Não há problema nenhum, só é uma pena essa alteração ter sido feita de última hora, poderíamos ter modificado um dos quartos se tivesse nos avisado com um pouco mais de antecedência. Gosto de oferecer o melhor aos meus passageiros. —O falsário concluiu, te fazendo se esforçar muito para não revirar os olhos.
“Gosta seu cu.” Pensou. O avô de Jotaro pediu à fundação que utilizasse um navio com uma equipe fixa, sem nenhum outro viajante além do sexteto. O fato dos funcionários dessa embarcação trabalharem em conjunto há 10 anos, diminuiu a suspeita do idoso em existir um inimigo infiltrado; com o objetivo de extinguir os resquícios de dúvida, o servo de Dio agia todo amigável, visando ganhar a confiança dos seus amigos ao mesmo tempo que se passava por inocente.
—Onde fica o banheiro? Vou trocar de roupa. —Você perguntou, cortando a conversa fiada do lacaio.
—Na estrutura central tem uma escada: basta descê-la, primeira porta à sua direita. —O inimigo explicou.
Você agradeceu, caminhando para o local. Em comparação ao Gray Fly, o capitão da Temu havia sido discreto na realização dos planos, não cometendo nenhum deslize capaz de incriminá-lo por enquanto, embora o vermezinho marinho não merecesse cordialidade, sabia que tratá-lo mal prejudicaria a forma como os Crusaders te enxergavam; pois do ponto de vista deles, estaria sendo rude sem motivo com um funcionário inocente. Você respirou fundo ao entrar na cabine, o cômodo quadrado era uma mistura de sala de descanso acompanhada de uma cozinha simples: no canto inferior esquerdo havia um sofá de cinco lugares com duas poltronas aos arredores, havendo uma mesa de centro no meio deles; um pouco acima estava um balcão com alguns bancos; na parte superior se encontrava uma geladeira posicionada próxima a pia; o fogão e a bancada ficando ao lado. A escada mencionada pelo Popeye do mau se encontrava ao lado dos objetos de culinária. Ela possuía uma forma em espiral, ao descê-la, se encontrou em um corredor com diversas portas, a maioria sem dúvida possuindo quartos no interior.
Você seguiu as instruções, chegando ao banheiro, entrou em uma das cabines sanitárias, se trancando. Ao virar a chave, abriu sua mochila; diferente dos outros, tinha conhecimento prévio da jornada, se preparando de acordo: Haviam toalhas, roupas e produtos de higiene o suficiente considerando o tempo longe de casa, objetos pessoais (como o telefone) e pertences úteis no longo prazo (como o chiclete favorito do Iggy) também marcaram presença na bolsa. No entanto, não estava focada nesses itens, revirou as coisas até encontrar Copycat, retirando o livro junto a uma caneta do seu estojo.
—Quanta tranqueira. —A gata familiar rosa apareceu flutuando ao seu lado, dessa vez utilizando a aparência felina ao invés do Crazy Diamond. Apesar de Lourandes ter consciência, era uma expansão implantada divinamente a sua alma, tendo acesso completo aos seus pensamentos atuais e fragmentos das memórias da sua primeira vida. Ela sabia que você não veio aqui só para trocar de roupa, uma dúvida percorria sua mente:
—Lourandes… —A chamou, fazendo uma pausa. —Sua capacidade de imitar as manifestações variam de acordo com o quão forte mentalmente o usuário é em comparação a mim, não é?
A bichana assentiu, lambendo uma das patas.
—E tanto a força mental quanto os Stands tem relação com a vitalidade da pessoa, correto?
A gata parou de se limpar, te direcionando um olhar sério, já sabendo aonde isso iria chegar, respondeu:
—Quanto cu doce para alguém que só quer saber se pode usar Stands de defuntos.
Você arregalou as sobrancelhas, surpresa em como a gata havia te descoberto rápido. Mesmo sem a felina precisar, por conseguir ver seus pensamentos, considerou sua expressão uma afirmativa, se alongando no ar enquanto te explicava:
—A maioria das pessoas não tem resiliência o suficiente para virarem fantasmas após a morte, então a força mental delas acabam no instante que fecham os olhos. Então sim, é permitido usar Stands de mortos, as habilidades serão ampliadas inclusive.
O comentário sobre fantasmas te fez piscar, a imagem de Reimi passando pela sua mente. A existência de assombrações havia sido um fato confirmado no universo de Jojo, mas pouco dito no quesito origem. Várias perguntas se formaram na sua cabeça sobre o assunto e iria verbalizar cada uma delas, porém no instante que abriu a boca, Lourandes desapareceu, o som de passos pesados sendo audíveis no cômodo, em seguida ocorrendo uma batida na porta do outro lado da cabine:
—Morreu aí dentro? —Jotaro perguntou, franzindo o cenho. Embora usasse o tom apático, o fato dele ter vindo checar o motivo da sua demora demonstrava uma pitada de cuidado. —Os agentes da Speedwagon já saíram e a tripulação está prestes a içar a âncora. Está tudo bem com você?
—Cem por cento, não se preocupe. —Respondeu. —Apenas estou com dificuldades em encontrar minhas roupas na mochila. —Mentiu.
O homem soltou um suspiro. Já sabia que você carregava vestimentas suficientes para semanas fora todo dia, no entanto aparentemente sua precaução não se limitava às vestes. Ele tinha a certeza da existência de tantas coisas na sua bolsa, que se encolhesse e entrasse nela, acabaria em uma realidade paralela.
—Mas que saco. —O universitário apertou a ponta do nariz, respirando fundo. —Apenas seja rápida. —Você o ouviu se afastando.
Suas perguntas a Lourandes sobre fantasmas poderiam esperar. Abriu sua bagagem novamente, pegando a primeira camiseta e shorts que viu, não querendo passar calor diante da tarde ensolarada.















