14 de maio de 2026
Sinto pena dos meus mutuals. Deve ser forçoso seguir uma pessoa que, de repente, num ato narcísico inegável, se exibe sem mais nem menos. Aposto que já pensaram em me deixar de seguir uma, duas, três vezes. Eu entendo. Não culparia ninguém, tampouco me ressentiria. Talvez uma tristeza me acometesse ao perceber a saída à francesa, mas, como disse, é compreensível. Aqui, em teoria, é um espaço personalizado onde escolhemos o que queremos ver e com o que interagimos. Nada mais comum que evitar vulgaridade não consensual, podar os ramos que por ventura cresceram insuspeitos. Para ser sincero, acho que é sempre uma questão de tempo até a censura cair sobre minha cabeça mais uma vez. E eu sempre digo que não volto, mas cá estou. Hipocrisia? Não olha assim pra mim, somos todos contraditórios. Não sou nenhum santo e estou longe de garantir meu cantinho no firmamento. E eu nem sou tão autocentrado desse jeito para me debruçar extensivamente e sem necessidade sobre as impressões que as pessoas podem ter de mim, cuspindo algumas palavras sem importância que sequer serão lidas. Talvez a terapia esteja fazendo falta... É que comecei a escrever anteontem, ontem e hoje mais um texto torto se materializa diante de meus dedos. Dizem por aí que o hábito faz o monge. Quem sabe meio inconscientemente eu esteja tentando retomar a escrita, assim com pensamentos bobos, apenas para desenferrujar. Quem sabe eu esteja apenas racionalizando mais uma vez em excesso pequenos gestos que não signifiquem nada. Que não vão dar em nada. Não há intenção alguma por trás desta escrita, destas palavras, a não ser deixar a mente fluir sem amarras. Mas não todas, é claro. Ainda me resta um pingo de decência, embora na peleja contra a falta de vergonha na cara não sobre muito do bom moço que costumeiramente sou por aí. Essa multiplicidade que nos atravessa e que escolhemos mostrar aos outros encerra em si a impossibilidade de uma essência. De uma alma. Quem eu sou não importa tanto quanto quem estou sendo. E, nesse momento, encarar a mim mesmo no espelho não me dá certeza alguma daquilo que vejo. E essa dispersão já não está fazendo qualquer sentido, e eu não sei mais como encerrar tamanha abominação. Talvez seja só melhor parar por aqui.












