౨ㅤ⠀˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀໒ㅤ⠀𝐜𝐥𝐨𝐬𝐞𝐝 𝒔𝒕𝒂𝒓𝒕𝒆𝒓 ꗃ tintin .
o começo da temporada tinha sido péssimo, pelo menos na cabeça de vincent. no papel, um pódio em duas corridas com um carro novo eram resultados sólidos, até impressionantes para alguém ainda se adaptando. ele sabia disso. qualquer um saberia. ainda assim, não conseguia se convencer. não era o carro que o incomodava. o problema tinha nome, rosto e sotaque espanhol, e vinha ocupando espaço demais na sua cabeça desde o casamento da irmã de valentín. desde então, vincent simplesmente não conseguia se concentrar como antes. pensava em valentín no briefing, no simulador, no carro, nos momentos em que deveria estar analisando dados ou estratégias. não tinha como provar, mas tinha quase certeza de que valentín tinha percebido. talvez por isso ele tivesse o ajudado naquela corrida, segurado posição, interferido no ritmo de propósito. em qualquer outra circunstância, vincent teria agradecido. aquilo era trabalho em equipe, era exatamente o que se esperava de dois pilotos da ferrari. mas não daquela vez. o media day tinha sido um desastre. valentín ainda tentou manter alguma normalidade, mas vincent não colaborou com suas respostas atravessadas. mal se olhavam fora do estritamente necessário, e mesmo nas reuniões de equipe as palavras eram poucas. então como ele ousava ajudá-lo na pista? como se nada tivesse acontecido entre eles, como se aquele beijo não tivesse mudado absolutamente tudo. vincent tinha ficado puto. foi por isso que acabou naquele bar no centro de shanghai. ele sabia que tinha um problema com bebida, mas também sabia seus limites. nunca antes de corrida, nunca comprometendo o esporte. sempre depois. só que daquela vez tinha passado do ponto. estava ali havia pelo menos duas horas, tinha virado doses demais e, embora ainda conseguisse se manter em pé, não enganava ninguém. estava bêbado. estava acompanhado de algumas pessoas conhecidas, gente com quem dividia noites assim, mas que não chamaria de amigos.
bastou se afastar por alguns minutos para cometer o primeiro erro. pegou o celular, rolou o feed sem pensar, até a publicação de valentín surgir na tela e ele ficar encarando a foto por alguns segundos. o segundo erro veio logo em seguida. abriu o facetime e ligou para o espanhol. nem chegou a pensar no que diria. e nem teve tempo já que valentín atendeu logo em seguida. ‘ o que você tá fazendo acordado? ’ vincent franziu o cenho, aproximando o telefone do rosto e tentando focar na imagem escura. não esperou resposta do outro lado da chamada. ‘ eu só liguei pra te dizer que você é um idiota. o maior dos idiotas, na verdade. o que você achou que estava fazendo hoje na pista? eu já disse que não preciso da sua ajuda. ’ fez um gesto vago com a mão livre, quase perdendo o equilíbrio. ‘ eu sou um grande piloto. eu conseguiria segurar aquela porra de mclaren enfiada no meu rabo por… ’ levantou os dedos, tentou contar mas desistiu. ‘ sei lá, por várias voltas. você não precisa bancar o bom samaritano. todo mundo já sabe que você é um excelente segundo piloto. certinho, rápido, confiável. é claro que qualquer equipe vai querer você ano que vem. então não faz isso de novo. porque vão achar que eu sou fraco. ’ ele bateu o dedo no próprio peito. ‘ e eu... eu não sou fraco! eu tô sendo forte pra caralho, na verdade. forte o suficiente pra entrar todo dia naquela maldita sala de reunião e fingir que nada aconteceu depois que você me… beijou. ’ virou um pouco o rosto, murmurando o final. a palavra saiu quase soletrada, baixa demais para saber se valentín tinha ouvido. vincent mal conseguia enxergar a tela naquele ponto, mas continuou falando, sem saber se estava sendo escutado ou ignorado. ‘ eu sou forte mesmo quando não consigo parar de… ’ foi interrompido por um grito ao fundo. certamente dava para ouvir na ligação um dos conhecidos falando ‘’vincent! sai desse telefone, cara! vamos tomar mais uma rodada!’’ ele olhou para o celular mais uma vez. os olhos estavam derrotados. por um segundo, pareceu que ia dizer mais alguma coisa. não disse. apenas desligou a chamada, rápido, como se aquilo fosse apagar tudo o que tinha acabado de fazer.













