Tem tanta coisa na minha cabeça agora, que eu nem sei por onde começar. Mas se formos por em ordem de aparição, em primeiríssimo lugar vêm as letras de música. De alguma maneira a parte "please, don't be in love with someone else/ please, don't have somebody waiting on you" fica se repetindo muitas e muitas e muitas vezes. Porque? Dizem que quando uma música gruda em sua cabeça, ela quer dizer algo pra ti. Essa ai, "Enchanted", com toda certeza me lembra você. Não só pelo fato que você me reapresentou a ela, mas mais porque ela sumariza tudo o que eu quero dizer-te. Eu sempre precisei de páginas e mais páginas para expor o que tá aqui dentro, esse texto é uma prova disso. Nunca fui concisa, só as vezes coesa. Sou sem nexo, falo/escrevo o que vier, só depois organizo. Mas essa música... Essa música nos descreve, digo, descreve meu eu para contigo. Uma garota no meio de muita gente, fingindo sorrir em um lugar tedioso. E de repente, não mais que de repente, ela o vê. Uma luz se ascende na multidão e ela o descobre. Ele é perfeito pra ela, e ela pra ele. No fim das contas, ela só tem um desejo: que ele, por favor, não ame alguém. Pois é, esse é o único desejo de quem ama: ter uma chance. Uma chance de dizer o que sente, como ele(a) é de verdade, longe dessas máscaras que somos obrigados a pôr. Uma chance para que aquele que é amado o conheça e veja quão maravilhoso tudo se torna quando se gosta de alguém de verdade, uma chance pra viver um amor ao seu lado. Por isso, tudo o que eu sempre pedi foi que você, por favor, não amasse mais alguém enquanto eu tentava te mostrar tudo isso. O problema é que minhas tentativas, tão tímidas e sutis, mal surtiram efeito e se algum dia você se interessou por esta que vos escreve, deixamos escapar. Não vi, nem tu mediste esforços pra me fazer perceber. Agora, enfim, não faz mais mal. Finalmente me sinto menos apegada a ti, não te vejo mais em toda mão agarrada na outra, em qualquer cinema barato de amorzinho. Pouco a pouco, aprendi a viver com essas migalhas, que pra quem tem fome pequena, basta. Ainda não és página virada, claro que não! Mas, graças aos céus, viraste um livro de cabeceira que, apesar de continuar lá, me cansei de ler.
Kamylla












