O Reino do Submundo — ou, carinhosamente apelidado, o HADES;
A engrenagem invisível que sustenta todo ciclo de almas do planeta.
Muito além do inferno cristão, o submundo é o caminho de todas almas sem exceção - sejam boas ou não.
O Submundo é um reino imenso, fechado e autossustentável. É um sistema espiritual que organiza, gere e encerra ciclos de existência. Nele, nada é acidental. Um reino sem sol e sem calor; mas paradoxalmente confortável na noite terna. Por 6 meses, suas árvores são secas e mortas, pois ao pé do Deus Hades nada vive tempo o suficiente para florescer. O clima é absurdamente frio, ainda que as chamas azuis reluzam por toda extensão de seu reinado. O vento sobre as florestas possuem sons de gritos distantes a cada farfalhar, e o tom negro da obsidiana e o dourado de seu castelo podem ser vistos a distância.
Os cheiros sempre variam de metal quente, reina negra, pétalas queimadas, ozônio e enxofre. Depende o dia e a movimentação das águas, que carregam histórias e tormentos diferentes.
Ao contrário dos demais seis meses que possui Perséfone ao seu lado, com seus toques floris e primaveris não somente suportando a gélida existência de todos, mas trazendo cores vívidas e cheiros de rosas que o Reino não vê nos demais períodos do ano.
O Submundo não é somente a "Morada das Sombras", mas também o ventre fértil da Terra — o local de onde nasce a abundância. E o castelo central transborda a preciosidade das pedras que são nascidas direto do solo.
Antigo. Imutável. Impessoal. Inevitável. Um reino feito para funcionar — não para agradar.
Aos que juram lealdade ao Senhor desse mundo, igualmente ganham um espaço para se acomodarem. E assim segue a sua existência até hoje.
**Nota da narradora: existem aqui licença poética além da mitologia na construção do Mundo Inferior, devido a concepções próprias que possuo na construção do personagem.
Estrutura:
Entrada;
Onde Caronte entrega os recém-mortos. É uma zona cinza, silenciosa, com uma luz que não ilumina nada.
Rio Estige (juramentos e renegados): rio externo, que circunda todo o Submundo como uma fronteira. O limite entre o mundo dos vivos e o reino de Hades. Águas escuras, porém azuis. Rio mais distante do centro.
Rio Aqueronte (tristeza e confusão): travessia das almas, logo após o Estige. Porta principal do Submundo, a fronteira interna. Águas passam a assumir tons mais enegrecidos de acordo que se aproximam ao reino.
Rio Cocito (lamento e sofrimento): braço que nasce do Aqueronte, alimentando o note. Área mais fria, ligado as lagrimas congeladas daqueles que sofrem incansavelmente. Alimenta pântanos e zonas de lamentação. Aos que passam por esse rio, escutam choros e lamúrias constantes em suas águas azuis quase esbranquiçadas.
Rio Lete (esquecimento): associado a memória apagada e ao renascimento, localizado nos Campos de Asfódelos. Rio central, mais próximo da aérea da reconstrução das almas para novas encarnações. O rio é o único que corre ao lado do Palácio de Hades e Perséfone, devido a sua ligação direta ao ciclo de vida-morte-vida.
Rio Flegetonte (ira, dor, energia densa): lado oposto ao cocito, purificação e tormento. Corre pelas profundezas, próximo ao Tártaro. Lava pura, com o mesmo tom de azul fluorescente de todo o fogo do reino.
2. O Crivo;
Todos os mortos passam por uma triagem condensada em um véu de energia prévia ao julgamento do seu destino:
Lê a vibração geral da alma;
Detecta danos, vícios, fragmentações;
Identifica marcas, méritos, pendências kármicas;
Classifica o destino inicial.
As almas são então julgadas por três semideuses: Minos, Radamanto e Éaco na Sala de Julgamento. Não é possível mentir nessa sala, eles possuem acesso a tudo que se passou em vida, morte e pensamentos dos julgados.
3. O Marco;
Para almas extremamente cruéis ou reincidentes recebem um selo energético no Crivo. Não há mais recuperação, chance de nova reencarnação ou punições.
A Marca Irreversível é feita pelo braço direito do Deus - Thanatos (@joshsharlow). Se acende quando a alma reencarna, alerta Hades e entidades guardiãs sobre cada passo, controla seu destino pós-morte. Thanatos além de buscar almas na superfície, executa decretos de apagamento e entrega as almas à Érebo em seu abismo. Se a alma continua cruel, destrutiva ou sem evolução - em sua próxima morta já não há mais julgamento. É entregue direto para Érebo (@mescuridao) para apagamento de sua existência, pelo próprio braço direito do deus.
Setores:
CAMPO DE ASFÓDELO — O Plano dos Neutros
Almas comuns, plano da estagnação. Onde as almas vivem uma existência apática, repetitiva. Não foram nem boas, nem ruins. Medíocres, sem maldades e sem maiores proveitos de suas habilidades. Não possuem desejo claro de reencarnar, por isso vivem na constância do limbo.
Todas possuem a oportunidade de novo retorno de encarnação, desde que se apresentem aptas. Não há opção de Extinção Voluntária, pois não concluíram seu ciclo de evolução. Atmosfera: planícies infinitas de flores cinzas, céu branco que nunca muda, vento sem direção, sem dor, sem emoção, sem nada. Tudo é baixo, sem vozes, ausência de pensamentos e de sons.
CAMPOS ELÍSIOS — O Plano dos Elevados
O mais semelhante ao conceito do paraíso cristão. Ainda que, nas palavras de Hades, ele se refira como um plano de recuperação, descanso e paz aos merecedores.
As almas que assim são encaminhadas aos Campos de Elísios podem curar suas feridas emocionais, contemplar a alegria de momentos vividos em suas existências e buscarem a evolução. Podem escolher permanecerem nos campos para estudo e posterior elevação dentro da estrutura espiritual, ou optarem por novas encarnações para resolução de Karmas pendentes. Não são seres perfeitos que possuem espaço no Elísio, mas as intenções por trás das suas ações que te permitem a evolução através da calma e do afeto.
Atmosfera: luz dourada, arquitetura harmônica e igualmente em ouro fosco, florestas, rios, jardins impossíveis no mundo físico. Casas estruturadas e confortáveis para que as almas se sintam próximas à Terra, ao longo que se desliguem de dos vícios e costumes carnais. O clima é sempre fresco, confortável, aconchegante. Os sons são leves e frescos, naturais.
ILHAS DOS BÉATOS — O Paraíso Absoluto
Um local fora do tempo. Almas que cumpriram todos os ciclos de aprendizagem e não mais necessitam da reencarnação. Podem optar por se tornarem guias, mentores ou súditos de Hades em seu Reino. Aos que não mais querem existir, é oferecido a Extinção Voluntária para que não mais sejam presas a sua existência.
TÁRTARO — Prisão e Reformatório
Os condenados de almas perigosas, altamente fragmentadas ou destrutivas. Criminosos impossíveis além da humanidade, como Titãs, monstros e criaturas que precisam ser contidas. Aqui há tortura como punição, mas também a aniquilação por ela mesma. Celas não seguram o corpo de muitos, pois Hades os deixa soltos para que eles próprios se sufoquem. No entanto, com limites, pois não permite espaço para tirania ou que subjuguem. A escuridão consciente os contamina e traz terror a mente de cada um por jamais conseguirem o mínimo sinal de luz ou espaço para libertação. E correntes energéticas se espremem no pescoço, pulsos e pernas de cada um quando limites extremos são ultrapassados.
A geometria é impossível, não se sabe onde começa ou termina. Aqui abriga também os tiranos, assassinos em série, almas com vícios profundos e espíritos cruéis de maneira reincidente. O arrependimento genuíno é a única forma de ter a chance de sair do presídio, após o cumprimento da pena definido pelos juízes. Os sons são os piores possíveis, pois ninguém se comunica a não ser através de dor, sofrimento e gritos.
Dentro do Tártaro possuem duas Grandes Torres - chamadas Torre da Ruína. Que são:
Vale dos Suicidas - Dentro do Tártaro;
A morte prévia é uma das maiores punições dentro do Mundo dos Mortos, e isso inclui a deferida contra si próprio. A zona é de uma dor emocional pura.
As almas revivem sempre a última sensação, o último momento, enfrentam seus próprios fantasmas em repetidas vezes até serem resgatadas para outros setores quando estabilizam. É um lugar triste, mas não cruel. Aqui não existe punição, a não ser o eco emocional dentro da suas próprias mentes.
Atmosfera: nevoeiro denso, cores frias, árvores com troncos partidos, rios que refletem memórias e não paisagens. Lágrimas, silêncio, raiva, os sons variam.
2. Limbo dos Esquecidos — Dentro do Tártaro;
Uma região sem forma, apenas sombras humanas caminhando lentamente. Cheiro: nada. Som: nada. Cor: preto fosco. É onde ficam almas que perderam consciência após séculos de vícios ou dor. São feitos resgates na tentativa de soluções, mas ao passo que o Destino e Livre Arbítrio somente a elas pertencem, vagam a esmo até desistirem e serem encaminhadas para Zona de Extinção.
ZONA DE EXTINÇÃO — O Vazio de Érebo
A escuridão primordial absorve e assim é selado o pacto entre Hades e Érebo. As almas que receberam a Marca no Crivo são encaminhadas por Thanatos para Zona de Extinção após a última tentativa.
É um vazio negro, sem chão, luz, cor, forma, consciência. Érebo decide quando as consumirá, enquanto elas permanecem no vazio. Aqui elas são apagadas, como se nunca tivessem existido, nem mesma a memória de terrenos que as conheceram.
Outros lugares:
Caverna no Submundo - Reino de Hipnos (@controlalted & @pasisthea)
Se encontra no LIMIAR - não um lugar, mas um estado de ser. O território entre o submundo e o mundo desperto, entre a vida e a morte, entre o sono e a vigília.
Suas fundações se ancoram profundamente no reino dos mortos, com corredores específicos que levam a outras regiões do submundo. É possível, conhecendo os caminhos, alcançar os Campos Elísios, o Tártaro, ou as margens do Estige e até mesmo as demais florestas presentes no Reino.
Castelo de Thanatos @joshsharlow — Floresta de Olythros
Como presente de Hades, um castelo no meio da floresta de Olythros foi dado ao deus para fazer como sua morada. A Floresta de Olythos é chamada de a Floresta do Silêncio Antigo, um local que sabia que seria de tranquilidade para o seu servo mais leal.
As folhas da árvores são escuras, mas suas cascas contêm veios dourados. Quando balançam, produzem um efeito cintilante, como ouro tremendo em sombra. O chão é coberto por raízes que se movem lentamente e a floresta emite um som da própria madeira vibrando. É aconchegante, sem flores, por saber que Thanatos não gosta.
O castelo é do mesmo tom de obsidiana negra feito do próprio Senhor do Submundo. Possui passagens diretas para o reino de Hipnos e igualmente para o castelo de Hades. A floresta somente Hades e Thanatos possuem acesso, pois fica encoberta por uma camada escura de nuvens que as oculta de outros seres. Dessa forma, somente entram os que possuem convite do deus da morte.
O Bosque de Pyrkarion — Carvalhos Ardentes
O bosque contém carvalhos enormes com seiva dourada incandescente, como brasas dentro da árvore. As árvores parecem queimando por dentro, mas não consomem a si mesmas. Luz dourada quente, jamais afetam a ninguém e brilham como lanternas naturais.
É o espaço de acordos selados, com uma árvore para cada um que negociou pacto direto com o deus. Criaturas espectrais nascem dos tronos, e morrem ao passo que alguém não cumpre a promessa. É aberta aos habitantes, desde que não danifiquem as árvores. A mera tentativa, ocorrem punições severas.
Possuem árvores dedicadas a muitos, incluindo Hipólita (@qcharliebouchan), Métis (@hprudencia), Odisseu (@oscarabrackenridge), Caronte (@tieachary), Erebo (@mescuridao), Megara (@callhermegs), Demeter (@beacaravaggio), Hipnos (@controlalted), Pasiteia (@pasisthea).
Na lateral da floresta, próximo a uma caverna, possui um carvalho de luz negra destinado a Thanatos (@joshsharlow). No meio da floresta há um carvalho único e reluzente em luz branca e não dourada. Aqui tem o selar da promessa com Hera (@herafiel) e o futuro que teriam após o termino da profecia.
Próximo a um lago existe o maior de todos, ancestral, o único florido. Esse é o selar da promessa de proteção eterna com @persysphony.
A Floresta de Thesmarion — O Bosque das Sombras Raiz
A floresta serve como um portal guardião para as três profundezas de riquezas do mundo - tanto do seu Reino, quanto o que é disponibilizado para humanidade. São trabalhadores em cada nível que formam o que é visto no mundo dos vivos.
Carvalhos gigantescos com raízes que descem dezenas de metros no subsolo. As copas são tão densas que nada ilumina o caminho, mas entre as raízes permanecem os veios dourados que gotejam como lágrimas. As sombras são densas, conscientes e sussurram tudo para Hades. A floresta é guardiã de segredos, de criaturas antigas e das cavernas profundas. Possui guardiões para todos os lados, principalmente invisíveis. Cada nível é ligado por túneis e escadarias para ir ao próximo.
Nível 1 — O Domínio das Sombras
Escuro, silencioso, com pedras negras somente. Material usado para construção da cidade, palácios, com poeira dourada suspensa.
Nível 2 — As Cavernas da Terra Fértil
Ligadas simbolicamente ao ciclo das sementes. Esse nível representa a riqueza que nasce e retorna ao solo. Pedras preciosas dos mais diversos tipos, não tão raras.
Campos de cogumelos bioluminescentes (azul ou dourado).
Árvores petrificadas com resina dourada.
Raízes gigantes descendo do teto, brilhando por dentro, como se carregassem ouro líquido.
Nível 3 — O Salão do Ouro
Cavernas de estalactites douradas, lagos subterrâneos com partículas brilhantes, pedras das mais raras e preciosas disponíveis. Todos os contos épicos envolvendo taças, objetos místicos e espadas não ligadas diretamente à divindades tiveram sua origem no Salão do Ouro. Contém uma forja mágica para molde dos objetos em questão.
Aqui ficam os tesouros perdidos que tiveram que ser retirados das mãos da humanidade.
A Cidade-Trono — A Capital;
Uma metrópole de obsidiana negra polida, veios de ouro vivo e arquitetura que mistura colunas gregas corroídas com torres góticas e arcos flamejantes de chama azul. Local onde os habitantes que variam de deuses menores, semideuses e humanos permitidos vivem no Reino do Submundo.
Pontos Principais:
O Fórum das Almas
É o coração burocrático do submundo. Registro de todas vidas já vividas, lista das próximas encarnações, karmas pendentes, decisões de destino. Lugar altamente silencioso, assim exigem suas funcionárias. Aqui são convidadas as almas evoluídas o suficiente se desejam continuar suas encarnações ou assumirem trabalhos burocráticos ou como guias no reino.
Mercado
Tendas padrões para disponibilização de comida e aspectos necessários para a vida de residente e transeuntes. Não há forma de pagamento interno no reino aos que tem permissão de ali habitarem. As tendas são de pano negro que brilham dourado.
O Jardim das Mil Almas
Pacífico, com árvores metálicas e folhas douradas. Lagos negros com chamadas azuis e caminhos de obsidiana que contornam flores espectrais. Estátuas vivas que observam tudo. É o local onde as almas permanecem até serem chamadas ao Julgamento.
Castelo de Hades & Perséfone — @persysphony
Todo feito de obsidiana negra translúcida, com veios de ouro líquido circulando pelas paredes como sangue. Um castelo vivo, quase consciente. Ele se remodela em suas torres góticas para comportar as salas que eles precisarem ter, principalmente nas decisões da esposa em trazer festividades nunca vistas antes ao Submundo.
Possui torres altas que perfuram a escuridão, espelhos de ouro polido nas paredes, pilares entralhados com cenas da criação do mundo, salões enormes e portas que abram e fecham sozinhas quando almas ou eles próprios caminham por ali.
Sala do Trono das Sombras
A sala mais temida. O trono de Hades é uma peça maciça de obsidiana e ossos fossilizados, com chamas azuis na base. O trono de Perséfone está ao seu lado, mas possui toques de flores douradas alocadas por toda sua extensão. Essa sala específica a utiliza para julgamentos que dependem de sua presença física.
Salões de Baile
Vários, de diversos tamanhos e extensões, criados especificamente para Perséfone poder decorá-los da forma que bem entendesse. Seguem o padrão obsidiana negra e dourado que Hades criou para seu reino, mas possui muito mais ornamentos que qualquer parte interna do palácio.
Jardins Externos
Território entregue para a amada, mas chamar de jardim é pouco para a floresta que contém aos arredores do castelo. Da parte de Hades, árvores petrificadas, troncos negros e folhas douradas quase translúcidas. Lugar usado como meditação. As plantas possuem esse toque de veios dourados, como se o ouro fosse seiva. O espaço é entregue para Perséfone decorá-lo quando está em seu reino, trazendo flores reais e vivas para compor as árvores secas que Hades traz em sua essência.
A Ossaria Dourada — Biblioteca
Câmara onde estão as regras originais do Submundo, escritas em ouro e cinzas mortais. Esse escritório possui livros que escrevem sozinhos a história de cada pessoa da humanidade, o fechando assim que a morte as toma e realocando nas prateleiras corretas de acordo com cada julgamento. Possui um escritório pessoal quando precisa de silêncio.
Leis:
Ciclo: Toda alma nasce para evolução e a estagnação prolongada gera marca;
Marca: Alma que falha repetida das vezes será condenada a extinção;
Não-Retaliação: Nenhuma alma pode atacar a outra em seu domínio, salvo situações permitidas no Tártaro. Thanatos intervém imediatamente.
Fronteira: Nenhuma alma cruza Estinge sem Caronte. E nenhum vivo entra no domínio sem permissão direta do Rei, tudo deve ser comunicado.
Pactos: Todos os acordos selados tem validade eterna e somente Hades pode rompê-lo — o que jamais o fez.
Escolha Final: Almas podem optar por não existir mais somente se já tiverem cumprido seus ciclos de reencarnações. A escolha é irrevogável e sua existência igualmente apagada.
Palavra de Hades: exige igual respeito à palavra de Perséfone, assim como o de companheiros leais e conselheiros diretos. Mas, principalmente, a sua. A decisão de Hades é absoluta e irrevogável, a não ser por ele próprio. Nenhum deus, mortal ou titã interfere em seu domínio. A invasão significa guerra.
Em seu Reino Hades sabe tudo, o reino e seus súditos lhe obedecem no respeito como se fossem um corpo único. E não há espaço para traidores.


















