Ekaterina nĂŁo sabia como acabara ali. Tecnicamente, sim, sabia. Tinha topado com mais uma mensagem do advogado que lidara com o funeral de seu avĂŽ, e depois de ter que novamente lidar com um pouco da papelada e do problema, acho que algo em seu cĂ©rebro clicara. Ela começara a refletir demasiadamente sobre tudo. Sobre o porquĂȘ estava ali, sobre o que tinha presenciado, o que tinha feito. Acho que principalmente, pensava sobre estar sozinha. NĂŁo que seu avĂŽ e sua avĂł fossem grandes companhias, mas pior que fossem, ela pensava que costumavam ser sua famĂlia. Agora ela tinha literalmente ninguĂ©m. NĂŁo tinha amigos, nĂŁo tinha familiares e, mais que definitivamente, estava sozinha num dormitĂłrio vazio, dentro de uma fraternidade onde todas costumavam interagir e ela se retraia. A verdade era que ali sua personalidade se sobressaia. NĂŁo falava muito, a nĂŁo ser que achasse extremamente necessĂĄrio fazer um comentĂĄrio sarcĂĄstico, nĂŁo gostava de bater papinho e de sair para as festas de universidade (as achava terrivelmente patĂ©ticas e uma desculpa para que as pessoas agissem como selvagens). Mas que inferno, sim? De supetĂŁo, vestiu-se bem, como costumava fazer sempre: uma calça de couro preta, uma regata branca, botas de marca e maquiagem impecĂĄvel, com seu marcĂĄvel batom vermelho. Algum momento no meio de todos seus pensamentos, sua cabeça decidiu que nĂŁo queria ficar mais sozinha, e ela mergulhou-se num mar de pessoas no bar-satĂ©lite menos decadente que ela encontrou. Foram alguns minutos lĂĄ dentro e a garrafa de vinho cara que conseguira comprar jĂĄ se vira vazia. Ainda comprara mais um copo de uĂsque e saĂra, indo sentar no meio-fio do lado de fora. ĐĐŸĐ¶Đ” ĐŒĐŸĐč ... ЧŃĐŸ Ń ĐŽĐ”Đ»Đ°Ń? (Meu Deus, o que estou fazendo comigo?) pensou, melancĂłlica, apoiando o braço no joelho e encarando o vazio, inexpressiva. Suspirou, sem sequer percebendo @bullstrodeâ, que a encarava.