i was good at feeling nothing, now i’m hopeless | lorcan and brianna
Borboletas apertavam seu estomago e não exatamente por uma boa causa. Dizia a respeito do seu acompanhante, mas não do jeito romântico. Brianna estava nervosa com a primeira impressão que causariam quando reconhecessem seu acompanhante. A bruxa não tinha certeza como estavam os ânimos dos bruxos, mas acreditava que se havia bruxos dispostos a dar o benefício da dúvida, estariam presentes no casamento de Eithne e Jacob. Havia estudado com os dois, assim acreditava que seus colegas de turma também estariam por ali. Além do mais, quem acreditaria que os noivos realmente convidado alguém que pregava contra nascidos-trouxas e até mestiços? Contudo, Clearwater não deixou transparecer em suas feições o seu nervosismo e assumiu um sorriso corajoso. Sua família se surpreendeu com sua companhia e piscou para Drew, para que ela entendesse que depois conversariam sobre sua escolha. A loira tinha esse jeito otimista de observar o mundo, onde conseguia colocar de lado seu medo e assumir riscos, quando tinha certeza absoluta do que estava fazendo. Muitos colegas já haviam se perguntado porque Brianna não havia sido selecionada para Gryffindor em seus anos em Hogwarts, ela certamente era corajosa e destemida. No entanto, sua qualidade mais intrínseca é que ela era leal. Se havia um dia onde conseguia ver seu futuro sem que Lorcan pertencesse a ele, não conseguia nem mais se lembrar se houve algum momento assim. Ele era seu melhor amigo, sim, mas também se tornado sua família. Pelo menos, era o que sentia com a ligação que possuíam, era muito mais profundo do que apenas amizade. E se desafiassem a presença dele no casamento, Brianna sairia em sua defesa. Assim como trazê-lo era um desafio à comunidade bruxa, mostrando que ele era apenas um garoto em buscas dos seus sonhos de ser cantor, não um revolucionário com sede de sangue. Seja para o que fosse, estavam juntos nessa.
Ela segurou em seu braço para levá-lo até as cadeiras para a cerimônia. Estava mais atenta aos convidados do que na troca de votos que acontecia. Um alívio lhe atingiu quando percebeu que não precisava ficar numa postura defensiva, estava tudo bem, ela iria poder cumprir sua promessa de distrações e entretenimento. Logo a recepção começou e todos ao seu redor pareciam desfrutar de um clima leve e amistoso. Acompanhou Lorcan até a mesa de bebidas, claro que ele precisava de um copo ou dois. Mesmo que ambos parecessem mais relaxados, ainda tinha uma pequena nuvem pairando no ar como se qualquer momento pudesse aumentar e cair uma tempestade em cima deles. A pergunta lhe pegou desprevenida, não estava com pensamentos voltados para assuntos tão importantes e profundos. Sua mente estava focada em sobreviver a noite e conseguir arrancar sorrisos do melhor amigo. “Gosto de acreditar que sim. Eu sou uma romântica. Eu armei um namoro falso para tentar conquistar uma pessoa, pelo amor de Morgana.” Soltou uma risada. Bebericou o líquido do copo que ele lhe entregou. Não era uma fã de bebidas alcoólicas, mas bebericava de vez em quando. Apostava que se Lorcan não bebesse o resto do conteúdo, levaria a noite toda para terminar o mesmíssimo copo que segurava. Estava seguindo os passos dele e percebeu que estavam em um ponto mais afastado, perto das cercas. Assim como haviam brincado anteriormente, quando o convidou. “Eu tive exemplo dos meus pais. Da história de amor dos meus avós. De Rosa e Luca. Mas honestamente? Você não precisa ter um exemplo porque cada casal é diferente. O que importa é achar alguém que seja sua pessoa favorita no mundo. Dizem que quando é a pessoa certa, você sabe, simplesmente sabe.” Deu de ombros. Estendeu seu copo praticamente cheio na direção dele com um sorriso para que bebesse o resto. “Você… Você já sentiu algo forte por alguém? Já pensou que, talvez, tenha se apaixonado?” A pergunta lhe escapuliu, sendo uma curiosidade alimentada durante anos. Mas a loira sempre evitava de falar sobre sentimentos com ele como se fosse o assustar. Agora a brecha poderia estar diante dos seus olhos.
Para alguém que queria apenas se divertir falando mal das vestes dos convidados, Lorcan tinha mergulhado de cabeça em uma situação que estava evitando há anos. Culpou a atmosfera romântica do casamento e a bebida que lhe subiu à cabeça rápido demais, ou talvez deveria culpar Brianna por estar especialmente bonita naquele vestido. Algo dentro de Lorcan se remexeu quando a loira mencionou toda a situação com Edgar Bones, com inveja do que o rapaz quase teve nas mãos e deixou escapar. O meio-vampiro teve que lembrar a si mesmo que ele também deixara Brianna escapar, anos atrás. Ele ainda se lembrava do gosto dos lábios da amiga naquela tarde que passaram juntos em seu quarto. Se lembrava mais vividamente do que gostaria e se pegava revivendo o momento em suas memórias vezes demais. Lorcan podia sentir a tensão se acumular por pontos do seu corpo, enquanto ouvia Brianna falar sobre como amor sempre esteve presente na sua vida. Às vezes ele a queria tanto que quase se esquecia de que ele não sabia amar ninguém além de si mesmo. Tinha sido abandonado pelos pais ainda bebê, tinha sido privado de muitas experiências durante a infância apenas por ser diferente e teria sobrevivido sozinho se não fosse a menina loira que sempre estava na loja que sua avó fazia compras nos fins de semana. Brianna merecia mais do que um jovem roqueiro que ninguém sabia se um dia chegaria às paradas, que poderia ir para Azkaban a qualquer momento. Lorcan estava tentando não pensar nessa última parte, mas uma parte de si já vinha se preparando para o pior desde que entendeu a gravidade do acontecimento.
Estava imerso em seus próprios pensamentos e foi trazido de volta à realidade pela proximidade da amiga lhe estendendo o copo ainda cheio. Já seria o terceiro ou quarto dele, mas ele nunca se importou muito com a quantidade que bebia. O meio-vampiro se surpreendeu com a pergunta de Brianna, tinha sido ingênuo demais em pensar que poderia sair ileso daquele assunto. Deixou que seu olhar vagasse pela recepção, observando os convidados se divertindo enquanto os noivos pareciam estar no seu pequeno mundo particular. A verdade é que Lorcan não fazia ideia da resposta para aquela pergunta. Ele já tinha beijado muitas garotas noite à dentro, mas era sempre algo rápido e desinteressado; algo para aplacar o desejo e nada além disso. E existiam Brianna e Tallulah, que ainda permeavam sua vida, mesmo ele sendo um completo imbecil e canalha de tempos em tempos. — Eu... Eu não sei, sendo muito sincero. — Já tinha escrito algumas músicas românticas, mas nunca tinha parado para pensar sobre o que exatamente elas significavam para ele. Achava que eram apenas um punhado de clichês que colecionava de outras músicas que ouvia, mas talvez fosse mais do que isso. — Não entendo muito sobre amor como você, Brianna. Eu sei um bocado sobre as merdas da vida, as coisas ruins que fazem a gente querer sumir por um tempo. Mas sobre as coisas boas? Eu não posso dizer que sou muito experiente nisso. — Ele estava sendo mais sincero do que gostaria, a língua solta pela bebida. Lorcan parou por um momento, tentando clarear a mente e voltar à si mesmo antes que fizesse algo que se arrependesse, no entanto já estava despido de todas as suas barreiras. Há dias vinha sentindo cada uma delas ruir lentamente, desde que tinha ouvido Brianna lhe falar sobre o que tinha acontecido no hospital. A cada dia que passava ao lado da amiga, sentia o concreto que tinha dentro de si rachar. Tentou inutilmente tapar os buracos, reconstruir os pedaços que faltavam, mas ele sabia que faltava pouco para tudo cair por terra. — Mas... Eu tenho você e isso é mais do que eu poderia pedir. — O gosto das palavras gentis era estranho na sua boca, tão acostumada a mentir e fingir o tempo todo.