Lástimas de um jovem sem consolo.
Sinto-me indecente quando assumo tal constrangimento — sei que preciso de afago, sei que adoraria ser visto em lindeza, sei que amar também é uma proeza.
Desorientação, um completo estado de frouxidão de sentidos, hoje, busco saber o porquê de carregar um tão gélido coração. Mesmo sem sair do lugar, não me proíba as lamentações! Sair das lamúrias que tanto aconchegam soa como tomar de um filho o colo de sua mãe. Não retirem minha carência, se não, perderei tudo o que é luzidio em mim.
Sofro pela abstinência romântica, mas não me leia como viciado. Não quero entender a carência de consolo que procuro saciar em mim. Falta-me juízo e confiança, então coloco minhas emoções em jogo, exponho minhas confissões, pois amarei, custe o que custar.
Enquadro meu corpo numa turbulência enquanto subo ao palco, ao sentir o rubor esquentar minha jovem face, solto a voz submerso à vergonha de compadecer à nudez completa de alma, tão conhecida “honestidade”.
E ouso expor mais. Não me intriga a jovialidade da decepção, até porque pouco me interessa.
O quão velho devo ser para conhecer o amor? Meus devaneios ecoam infantis apenas pela minha arrogância? Não me satisfaz! Este tipo de razão não se diz fiel à honradez de minhas palavras, quero amar, não importa quando.
Confessar bem nenhum me trouxe, então procuro a vergonha com meus gritos. Talvez pouco dure o ímpeto, mas, com olhos vidrados, triunfo uma última vez:
Um dia, serei consolo de amor, pois carrego em mim coragem louvável! Lúcido sou quando afirmo, mais do que jovem, sou amável.