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ִ ࣪𖤐
Sei que o mais próximo do céu foi quando me olhou.
O mais perto de Deus, foi quando me dizia
"eu te amo"
Mesmo que eu soubesse que seria falácia,
ou só tentei me convencer que era.
Você me olhou com seriedade e amor nos olhos,
e, com toque terno e atencioso,
traçou a minha pele, e decorou cada pinta e marcas em meu corpo.
Achei que odiaria.
A minha pele é áspera, gelada e sem graça.
Meus olhos são vazios e mortos,
minhas pupilas não são capazes nem de dilatar.
Percebi que tu estava sendo verdadeiro(a) comigo.
Pensei:
"Vai ser só questão de tempo para me conhecer de verdade,
e me odiar."
De novo, estava errado.
Você me amou mais ainda depois de me conhecer.
Dizia-me todos os dias cada característica que apreciava:
Meu jeito de olhar,
do mau humor de manhã,
meu cabelo rebelde,
até minhas falhas.
Gostava dos meus hábitos,
até dos negativos.
E ainda sim, tentei me convencer
que você forçava gostar de mim.
Não consegui sentir seu amor, mesmo que você sacrificasse a sua própria vida.
Caí na minha própria ruína, camada por camada do inferno.
Sentindo que não era digno disso tudo.
E mesmo assim, teve paciência comigo.
Te arrastei para cada armadilha
do meu próprio inferno.
Percebi o erro que cometi, de maneira tardia:
Não podia te arrastar comigo, era injusto.
Você me trouxe o seu céu
e eu te puxei para meu inferno.
Mesmo assim, insistiu em ficar no inferno comigo.
Não entendia.
Quem escolheria ficar num local tão sombrio e doloroso?
Ao passar do tempo,
eu via sua exaustão em tentar ficar comigo.
Deixei você exausto(a).
Ficar comigo era uma prisão.
Não pode ficar aqui por mim,
nem por amor.
Volte para o céu.
Lá existe o amor da maneira mais pura
e sem dor.
Amor não pode doer
No inferno não há amor.
Principalmente quando não conseguimos sair dele.
-max-
23/12/25.
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