Entrevista com a enfermeira Rosana Freitas.
Em entrevista com a Enfermeira Rosana Freitas, que trabalha no Hospital Bahia e no Hospital Geral do Estado, ela nos contou um pouco sobre a sua área de trabalho e as dificuldades que se encontram nos hospitais nos dias de hoje.
Vanessa - É muito difícil trabalhar na área de saúde?
Rosana - Acredito que depende de cada um, eu por exemplo, por gostar muito do meu trabalho, e por exercer com muito amor, não acho difícil. Mas, independente de qualquer coisa, no momento em que você está lidando com uma pessoa na beira da morte, é sim muito difícil trabalhar nesta área.
Vanessa - Para trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva no HGE é necessário ter muito controle emocional?
Rosana - Para conseguir fazer um trabalho interessante temos sim de ter controle emocional, pois temos que estar preparados para tudo, do mais tranquilo dos pacientes ao caso mais complexo que se possa imaginar. Se envolvermos sofrendo com cada paciente que chega até nós, não conseguiremos passar confiança, muito menos ajudá – lo. A equipe que o paciente confia pode lhe trazer tranquilidade e segurança, ajudando assim no tratamento do mesmo.
Vanessa - Que tipos de doenças são mais frequentes nos hospitais?
Rosana- Bom, no HGE, na maioria das vezes os pacientes estão com dengue, pneumonia, virose, entre outros. Porém, na área em que trabalho, é mais constante a chegada de pessoas com machucados provocados por acidentes. Já no Hospital da Bahia, os pacientes que chegam no meu setor já estão perto do fim de sua jornada, e na sua maioria são por Acidentes Vascular Cerebral, ou também por acidentes de carro ou outros.
Vanessa - Há muita diferença entre o Hospital Público e o Particular?
Rosana - Há claro, uma grande diferença, principalmente na sua estrutura. No hospital público, como vemos na televisão, há diversos pacientes sem locais para se estabilizar, faltam equipamentos para esses pacientes, ou então ficam nos corredores na maca, mas, da mesma forma, a situação é alarmante.Totalmente diferente do Hospital particular, onde há espaço para os pacientes, e equipamentos para atendê-los.
Vanessa- A senhora acredita que, essa diferença é causada pela falta de investimento do governo na saúde e do alto preço dos convênios?
Rosana - Sim, sem dúvidas, afinal, hoje nós vemos os problemas que existem no governo, e é totalmente perceptível a falta de investimento na área de saúde. Mas também, há a falta de capacitação de muitos funcionários nos hospitais, existem muitos que não gostam do que fazem, e atendem os pacientes de uma forma indecente. O alto preço dos convênios também pode ser um fator dessa diferença, já que, hospitais particulares tem menos pessoas para atender, justamente pelo alto custo, e a população mais necessitada é a que mais sofre com isso.