⠀ ⠀ ❚ ⠀ ⠀ ꒷ ⠀ ⠀XI ᅠ⁀ᅠ𝗌𝖾𝖽𝖾 ᵈ͟ᵉ ᅠ𝗃𝗎𝗌𝗍𝗂𝖼̧𝖺 ━┈ ei, você viu quem voltou para mais um ano? por um momento pensei ter visto 𝐂𝐇𝐀𝐒𝐄 𝐈𝐍𝐅𝐈𝐍𝐈𝐓𝐈, mas é melhor, é 𝐒𝐀𝐃𝐄 𝐀𝐌𝐀𝐇𝐋𝐄 𝐍𝐈𝐀 𝐎𝐊𝐎𝐑𝐎-𝐁𝐄𝐍𝐍𝐄𝐓𝐓! soube que ela está cursando 𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐋𝐎𝐆𝐈𝐀 aos 𝐕𝐈𝐍𝐓𝐄 𝐄 𝐂𝐈𝐍𝐂𝐎 e é uma 𝐋𝐄𝐆𝐀𝐃𝐎 da saint benedict hall. todas às vezes que encontrei com ela eu podia jurar que ela estava ouvindo 𝐅𝐄𝐄𝐋𝐈𝐍𝐆 𝐆𝐎𝐎𝐃 – 𝐍𝐈𝐍𝐀 𝐒𝐈𝐌𝐎𝐍𝐄. isso até combina muito com o quanto ela me lembra de 𝐓𝐇𝐄 𝐉𝐔𝐒𝐓𝐈𝐂𝐄. eu só acho que algo está diferente esse ano, melhor ficar de olho nela !
⠀ ⠀ 𓂃 ⭒ 𝐁𝐴𝑆𝐼𝐶 𝐼𝑁𝐹𝑂𝑅𝑀𝐴𝑇𝐼𝑂𝑁𝑆 & 𝐃𝑌𝑁𝐴𝑀𝐼𝐶𝑆 | 𝐃𝐸𝑉𝐸𝐿𝑂𝑃𝑀𝐸𝑁𝑇 | 𝐓𝐴𝑅𝑂𝑇 𝐶𝐴𝑅𝐷 ⭒ 𓂃
⠀ ⠀ ❚ ⠀ ⠀ 𝐬𝐚𝐢𝐧𝐭 𝐛𝐞𝐧𝐞𝐝𝐢𝐜𝐭 𝐡𝐚𝐥𝐥 𝐟𝐢𝐥𝐞𝐬 ━┈
𝒊. extracurricular activities & sports .
time de tênis, sociedade de filosofia aplicada, teatro clássico e clube de debates.
𝒊𝒊. persona .
pense numa escultura de mármore— a imponência, a classe, a silenciosa contemplação de algo que a depender dos olhos de quem vê pode sugerir beleza cativante ou um grande reflexo de algo que não simbolize nada além de um monte de superestimação. há quem diga que tal analogia soe familiar à sade; que ela é como uma escultura moldada por mãos severas. a verdade é que ela foi esculpida por si mesma. uma lapidação contínua, quase religiosa, onde cada pequena falha aparada se torna uma promessa de nunca mais ver a luz do dia.
sade é o tipo de pessoa a quem se atribui o ditado faça o que eu digo, não faça o que eu faço— a não ser que consiga fazer melhor. ela é um caso clássico de perfeccionismo que beira a obsessividade.
role model. ela mantém uma imagem impecável de integridade, ética e clareza moral desde quando passou a entender que um boa postura e as palavras ditas da maneira correta conseguem levar alguém longe— e com certeza podem haver más línguas que entortem as bocas para murmurar que ela também é dotada de uma honestidade seletiva, calculada e tendenciosamente manipuladora. ela detesta mentiras. mas só quando a mentira é dos outros; porque quando ela faz isso, mentir, manipular, competir, é como utilizar ferramentas; instrumentos para o controle, autopreservação e equilíbrio.
possui uma mente afiada, um olhar analítico e leitura social crítica; todas essas qualidades aprendidas com a mãe, a quem ela particularmente admira como um ícone inspiracional— lado a lado com diana spencer, a quem sade entende como o modelo ideal de performance mimética. e se tratando dela, lá no fundo, é tudo sobre isso: performance. ela age como se o mundo inteiro fosse uma espécie de jogo de realidade aumentada em que ela já entendeu como mexer nos botões e mantém alguns comandos nas mangas; é como a porra de uma realeza— sempre agindo discretamente, nada nunca está fora do lugar ou do controle, com um anonimato emocional que só se estrega aquilo o que é necessário.
e é de se imaginar que por baixo de toda essa cobertura de mármore polido haja rachaduras; um caos silencioso, algo que é bem guardado, por trás de sorrisos finos, por um charme enigmático e impassibilidade questionável.
𝒊𝒊𝒊. about her .
no centro da balança, um coração que não pesa— mede.
sade, do yoruba, que diz “honra concede uma coroa”.
amahle, “a bela” na língua zulu.
nia, que em suaíli é “propósito, objetivo”.
quando até o próprio nome sugere tanto significado e pretensões, não é esperado menos do indivíduo, que desde tão cedo sentia que precisava fazer valer tudo aquilo que parecia carregar.
nascida da união entre amara okoro, uma diplomata britânica descendente de uma das famílias negras mais tradicionais e ricas da inglaterra, e harris bennett, um consultor político estadunidense que estava longe de ter prestígio equivalente; sade aprende sem que precisasse de palavras ditas que a transparência era uma ilusão cuidadosamente articulada. tudo parecia perfeito ao que se referia os okoro-bennett; eles mostravam um casamento sólido, um fruto perfeito, uma carreira prestigiada e nenhum ressentimento— mesmo que a linhagem dos okoro da inglaterra fosse muito mais relevante do quê o bennett dos estados unidos pudesse ser. era uma narrativa bem apresentada e inspiradora, aquela em que uma mulher negra britânica mostrava mais potência que o marido branco norte americano; eles se conheceram e se aproximaram durante uma conferência internacional política e custou muito para que harris conseguisse chamar a atenção de amara— afinal, custava muito mais para ele conseguir algo com aquela proximidade do que para ela. e ele conseguiu. era insistente e tinha propósito e foi exatamente isso o que conquistou a okoro, porque era isso o que ela havia aprendido a valorizar. propósito. objetivos.
como ser a melhor da turma de política e relações internacionais em saint benedict hall; como conquistar um papel ascendente na carreira, saindo de analista de políticas públicas para eventualmente um posto prestigiado na ONU; como se casar e ter uma família pequena, para quem pudesse passar o legado. harris era fácil. diferente dos homens de alto escalão com quem tempo após tempo se acostumou a lidar, o bennett era fácil de lidar. e claro, a familiaridade e a facilidade guiou ao contentamento. ele era— ou pelo menos passou a sentir que era— como uma acessório bem colocado, para compôr um todo. nunca a peça principal. um esposo troféu, que no segundo ano de vida da filha, fez uma viagem de volta para a terra mãe em uma missão política e lá, longe da vida que se construiu no reino unido, encontrou um acalento para o ego ferido em uma noite descuidada com um antigo affair da época de faculdade.
nove meses mais tarde as consequências do erro dele nasceu.
esconder uma traição era fácil. esconder que havia uma criança provinda disso era diferente. amara soube desde o início sobre o “erro”, sobre o carma agindo contra harris. mas ela não fez um grande escândalo sobre. não podia. havia prestígio em seu nome. havia a necessidade de proteção da própria imagem e do que estava construíndo, degrau por degrau. então o que ela fez foi encobrir o erro. o silêncio da amante foi comprado com um bom cargo público, dado por indicação; e por anos os okoro-bennett foram responsáveis por uma pensão generosa para a outra criança. em contrapartida, o casamento morreu. mesmo que nos bastidores, por baixo dos panos; eles não eram mais um casal. era uma relação de tolerância. não se podia rasgar a bela tapeçaria que era exposta e somente quem olhasse de muito perto seria capaz de ver que havia alguns fios arrebentados em suas beiras.
e sade sempre percebeu que havia algo de errado ali— naquela dinâmica de casamento. eles pareciam parceiros de negócios, mas nunca marido e mulher; pareciam sócios que compartilhavam uma ação conjunta, sendo ela e a própria reputação essa ação. não amantes. não cúmplices. associados.
e definitivamente isso a ensinou como enxergar o outro.
cresceu entendendo que relacionamentos podem ser poderosos quando bem arquitetados. também entendeu que ela precisava servir a um propósito. precisa acompanhar os passos ou ficaria para trás— e diferente do pai, que via na própria inferioridade um motivo de descontentamento e fraqueza silenciosa, ela encarava como estímulo. precisava ser tão boa quanto. precisava ser melhor. e por anos, ela se condicionou a ser isso. a filha perfeita. a estudante perfeita. a figura exemplar. era como viver numa redoma, onde tudo era perfeitamente administrável e nada fugia de sua direção. então ela apareceu.
vinte e um anos de vida até sade descobrir que não era filha única como cresceu acreditando. o destino trouxe, em suas linhas tortas e garranchos que ela se recusava a tentar entender, uma falha no plano; uma meia irmã. uma versão diferente do que se podia provir de harris bennett— e no fundo, alguém com quem ele podia se relacionar, porque em todo aquele tempo de convivência ficou claro que ele e sade não tinham tanto em comum quanto um pai e uma filha deveriam ter. a história foi jogada no colo de sade como quem passa uma bomba relógio tiquetaqueando em uma roda de jogadores num jogo arriscado. ela imediatamente se negou a abraçar aquela realidade. estava fora de seu quadro. uma meia irmã, fruto de uma traição de um momento em que ela nem havia aprendido a falar direito, aparecendo na sala de estar como quem retorna de um longo recesso de primavera? definitivamente não.
uma prima de segundo grau, era a versão dos fatos para sade.
uma prima que havia chegado na inglaterra para ter uma melhor educação e um intercâmbio cultural sob a tutela de um tio; um tio fraco e que fez crescer em sade um paradoxo internalizado sobre o peso da verdade: a verdade é um instrumento perigoso, quando deixada na mão dos outros— então, que seja controlada.
𝒊𝒗. about owen .
sade não considerava owen um amigo, tampouco um inimigo. na verdade, eles eram opostos em um sentido que sempre pareceram flutuar em polos divergentes; ainda assim, owen foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de dizer honestamente a sade o que pensava ou sentia quando a olhava. as rachaduras. isso a assustou, também a deixou inclinada à ele. owen nunca pareceu alguém a quem ela podia usar, mas também parecia tão fácil de se brincar— alguma coisa nele a travava nisso. ele parecia transparente demais sobre os próprios sentimentos e sensibilidade que dividia sade em julgá-lo como vulnerável demais, mas também, honesto demais. ela não tinha nada de ruim para dizer sobre ele; ele sempre pareceu atento e admirado sobre ela, como um objeto de estudo fascinante e isso a deixava desarmada. era como se ele tivesse uma facilidade incômoda de tentar entender o que se passava na cabeça de sade. podia parecer invasivo, mas, flertava com uma atenção mais cuidadosa que ela não estava acostumada a encarar.















