Na segunda vez jĂĄ era ainda mais certo do que na primeira. Na segunda vez o beijo jĂĄ se conhecia, a mĂŁo jĂĄ era um pouco menos tĂmida na hora de procurar a outra. Na primeira vez a gente se reconheceu, na segunda a gente se encaixou. E assim foi, nas incontĂĄveis vezes de nĂłs dois sentados em um banco qualquer ou deitados numa cama confortĂĄvel. Desde a segunda vez nĂłs jĂĄ estĂĄvamos em casa, e, olha, sendo sincera, eu nunca pensei que existia mesmo um lar por aĂ para mim. Eu nĂŁo costumo descansar, nĂŁo que considere falta de tempo, apenas nĂŁo sei desacelerar, vocĂȘ percebeu isso de cara: a minha voz devagar sĂł engana. E desde entĂŁo vocĂȘ Ă© um lar para deitar a cabeça e sĂł deixar rolar, mesmo que tudo lĂĄ fora se perca enquanto eu me encontro. Na primeira vez eu bati Ă porta. Na segunda minha escova de dente jĂĄ estava contigo. Na metĂĄfora da vida eu te quis desde o primeiro segundo. Na corrida dos dias eu ainda tropeço para nunca, nunca te deixar partir.
Camila Costa - trechos de nĂłs.













