TĂŁo intensa que pensava saber o que era o amor...
NĂŁo existe nada que possamos fazer para que alguĂ©m nos ame. NĂŁo se manda no coração. âCoração nĂŁo Ă© tĂŁo simples quanto pensa.â
O amor nĂŁo Ă© complicado. Ă simples: ou ama, ou nĂŁo. Acontece.Â
Mas, quando a gente nunca soube o que Ă© o amor, como faz para perceber que aqueles carinhos, aqueles gestos, aqueles sorrisos, aqueles abraços, aquelas conversas, para a outra pessoa, eram comuns, enquanto, para mim, eram raros? EntĂŁo, a gente se confunde? Parece que simâŠ
Mas agora, apesar de nĂŁo ser recĂproco, sinto que agora sei alguma coisa sobre o amor.
O amor não é dançar e errar os passos e gargalhar de rir.
O amor não é ter conversas profundas no meio da noite e ir dormir com o coração quentinho por ter encontrado alguém gentil em meio ao caos.
O amor nĂŁo Ă© sair por aĂ andando e falando besteiras da vida, enquanto toma um banho de chuva.
O amor não é ir de garupa numa bicicleta depois da premiação do Oscar e comer um lanche na madrugada.
O amor nĂŁo Ă© fazer companhia, rir de besteiras e dormir de conchinha no meio da semana.
Não⊠O amor não é nada disso. Isso são momentos bons.
Mas, para alguém tão intensa como eu, isso pareceu amor.
Porque eu nĂŁo dedico meu afeto e meu tempo para qualquer pessoa.
E isso não me faz melhor que ninguém⊠Só me faz alguém com medo.
Medo porque o amor Ă© importante demais para mim.
E ele nĂŁo avisa quando chega, nem a quem vai escolher.
Ele sĂł acontece.
E eu, que nem me permitia viver isso, (como se pudesse controlar o que sinto), que sempre fugia, que apesar de querer, nunca confiei totalmente em ninguém, em tão pouco tempo me entreguei inteira, sem reservas. Porque o amor aconteceu.
E agora dĂłi.
Dói perceber que tudo o que eu pensei que fosse amor⊠não era.
E o que Ă© o amor pra mim agora que tudo que pensei nĂŁo era?
O amor é querer muito alguém e, ainda assim, deixar que essa pessoa seja de quem quiser.
O amor Ă© cuidar, mesmo quando o outro nĂŁo precisa, ou nĂŁo quer ser cuidado por mim.
O amor Ă© querer ver o outro feliz, mesmo que essa felicidade nĂŁo seja comigoâŠ
O amor também é saber se escolher e ir embora de certas situaçÔes, mesmo quando um olhar e um abraço ainda fazem parecer que ali é abrigo.
O amor tambĂ©m Ă© ser grata, mesmo quando precisa mudar de forma e aprender a existir como amizade, mesmo quando o que sinto em mim nĂŁo vive no outroâŠÂ
Ăs vezes ser intensa pesa.
Como naquela conversa com o meu pai, em que me abri e falei tudo o que sentia e, no fim, ele resumiu tudo a ciĂșmes.
Ser intensa não é bom, como quando insisti em me casar com alguém que não me amava o suficiente para que esse desejo partisse dele.
NĂŁo Ă© bom, como mais uma vez aconteceu agora com outro personagem, quando, numa conversa sobre o futuro, perguntei se o que tĂnhamos viraria algo sĂ©rio e ele disse que ânĂŁo tĂŽ afim um relacionamento sĂ©rio agora.â
Ser intensa Ă© doloroso, porque vocĂȘ se entrega, confia que o afeto Ă© recĂproco, se expĂ”e, tenta entender⊠e, em troca, recebe, em palavras como ânĂŁo sinto que sejaâ, que te pegam desprevenida.
Toda essa intensidade, por um instante, parecendo nĂŁo valer nadaâŠ
Para quĂȘ ser tĂŁo intensa? Me pergunto.Â
SĂł que eu nem sei se consigo ser diferente. Provavelmente nĂŁo.
Eu sĂł nĂŁo quero confundir o que Ă© comum com amor.
NĂŁo quero me diminuir para ter o que poderia ser recĂproco.
Quero algo que seja inteiro, porque nĂŁo me contento com partes.
Mas também não quero deixar de sentir.
Eu quero ser intensa para amar e ser amada.
E nĂŁo ter que chorar assim mais uma vezâŠ