It was like a time bomb set into motion, we knew that we were destined to explode || Krice
ambermargaery:
Nunca fora fĂĄcil para Amber Kravitz admitir que estivera errada. Desde pequena a teimosia fora sua principal caracterĂstica, e ela se orgulhava disso. Era simplesmente quem ela era. Jake era o inteligente, Timmy o charmoso, Amber a teimosa, sempre fora assim. Ela sabia que aquela caracterĂstica tinha consequĂȘncias boas e ruins, mas mantinha-se daquela forma atĂ© o fim e lidava com ambos os casos. Quando era pequena e inventara de aprender a andar de bicicleta, teimava em voltar para cima da bicicleta mesmo quando jĂĄ tinha sofrido vĂĄrias quedas e estava toda arranhada e sangrando. Quando brigava com a mĂŁe por qualquer motivo besta, gritava e escandalizava para quem quisesse ouvir, sempre na crença de que estava certa, mesmo que no fundo soubesse nĂŁo estar e mais tarde se sentisse arrependida por ter gritado. Aquela era quem era ela, e nĂŁo se arrependia, afinal aquilo tambĂ©m era a mais pura forma de teimosia. NĂŁo mudaria quem era apenas porque as pessoas nĂŁo se sentiam agradadas por aquele fato.
PorĂ©m, depois de dezesseis anos brigando contra Deus e o mundo apenas para nĂŁo mudar uma Ășnica opiniĂŁo, Amber finalmente se via diante de uma encruzilhada que nĂŁo sabia como superar. Theodore Price era, com toda a certeza, a maior contradição de sua vida. Ela o conhecia desde que pisara em Hogwarts pela primeira vez. Fora a primeira pessoa com quem falara, antes mesmo de fazer amizade com Mina, e tambĂ©m a primeira pessoa que a irritara profundamente ali. Mas faziam uma boa dupla nas aulas, tinha que admitir. Sempre fizeram, mesmo que nunca o tivesse dito isso. Ele jĂĄ era iludido por si sĂł, se admitisse algo como aquilo ele nunca mais sairia de seu pĂ©. Na verdade tinha a impressĂŁo de que ele nĂŁo o faria mesmo sem isso. Por isso ela o afastava com vigor, por mais que tivesse curiosidade de conhecĂȘ-lo melhor Ă s vezes, sabia que o estava conhecendo de qualquer forma. Mesmo quando nĂŁo estava nem um pouco afim de falar com ele acabava o fazendo e assim podia dizer, para qualquer um que perguntasse, que o conhecia. PorĂ©m algo havia mudado naquele Festival. Sabia que havia se segurado a ele como se fosse seu Ășnico porto seguro e que, naquele momento ele fora mesmo, e aquilo a assustava muito. Mas ela precisava tomar uma atitude quanto a isso. Quando conversaram depois daquilo fora extremamente rude, e aquilo nĂŁo fora justo com ele. Estava na hora de Amber Kravitz deixar de lado sua teimosia e admitir algumas coisas sobre si.
A primeira delas: ela era grata por tĂȘ-lo ao seu lado no momento mais assustador de sua vida. Se nĂŁo fosse por Theo, nĂŁo sabia o que teria feito naquele momento. Sempre se julgara corajosa, mas o pĂąnico que sentira naquele momento o dissera o completo oposto, porĂ©m ter o Price com ela havia mudado completamente a perspectiva das coisas. A segunda: ela nĂŁo fora justa com ele durante todos aqueles anos. Era rude e muitas vezes extremamente desagradĂĄvel a preço de nada, simplesmente porque achava que era a coisa certa a se fazer, mesmo sabendo que nĂŁo era. A terceira: ela estivera errada todo esse tempo. Acreditava em sentimentos, acreditava que uma pessoa podia gostar da outra assim como acreditava que o prĂłprio Theo poderia sentir algo por ela, por mais chata e desagradĂĄvel que ela tivesse sido com ele durante aqueles anos. Ela sempre acreditara, mas pensava que tratando-o mal acabaria mudando sua opiniĂŁo, porĂ©m isso pareceu surtir o efeito contrĂĄrio. A quarta: ela estava cansada de ficar apenas o afastando, essa sensação começara pouco antes do Festival e sĂł aumentava, atĂ© chegar ao seu ĂĄpice naquele ataque. E Ă© claro, a quinta e Ășltima coisa, que talvez fosse a mais difĂcil de se admitir: ela talvez tambĂ©m tivesse sentimentos por ele. Aquilo era difĂcil, e apenas dizer em seus pensamentos jĂĄ era difĂcil, mas ela precisava dizĂȘ-lo. Se mantivesse dentro de si era capaz de explodir. Por isso ela o procurava por Hogwarts, mas sem pressa. DoĂa admitir, mas estava nervosa com aquele fato. E Amber nunca ficava nervosa. Com certeza devia estar ficando maluca.
ConfusĂŁo. Aquela era uma palavra definitivamente simples demais para descrever a situação no castelo nos dias que seguiram ao Festival dos Fundadores. Certo, haviam coisas voltando ao normal, as aulas haviam sido mantidas, ainda tinham de fazer seus deveres, mas o clima no ar, ah, aquele era certamente diferente de qualquer coisa que os jovens um dia poderiam ter sentido naquele que julgavam ser o lugar mais seguro no mundo bruxo. Enquanto alguns estudantes ainda se recuperavam do ataque ao vilarejo de Hogsmeade na enfermaria (e outros no hospital St. Mungus, em Londres), Aurores e Hit-Wizards andavam de um lado para o outro, carregando suas varinhas e pergaminhos, fazendo a segurança de Hogsmeade e tambĂ©m de Hogwarts, e tambĂ©m fazendo a investigação do que havia acontecido, afinal, todos queriam respostas sobre aquele evento traumĂĄtico na vida dos jovens.Â
Theodore nĂŁo poderia mentir e dizer que nĂŁo sentira muita vontade de abordar um ou dois Aurores durante aqueles dias e lhes perguntar o que estava acontecendo, se sabiam de algo, ou se poderiam dar alguma explicação, mas se contivera, achando que mais atrapalharia do que ajudaria naquele momento. E, ainda assim, haviam coisas mais importantes ocupando a mente do jovem rapaz (outras pessoas nĂŁo julgariam mais importantes, obviamente, mas para ele era): o que acontecera entre ele e Amber naquele dia de terror completo? A explicação coerente era: Amber estava apavorada, assim como ele tambĂ©m, e segurar sua mĂŁo fora um ato involuntĂĄrio numa tentativa de buscar conforto, nem que fosse com ele, o garoto que ela tanto detestava.Â
Mas ah, o coração de Theodore não era lógico, e muito menos seguia as explicaçÔes que seriam mais óbvias. Era por aquele motivo que estava martelando em sua cabeça cada pequeno detalhe dos momentos que passara com Amber em Hogsmeade, tentando entender a reação da garota e tentando achar uma brecha que poderia lhe dizer que sim, ela poderia sim sentir algo por ele. Seria perfeito.
Apesar disso, ele nĂŁo a procurara. Nem um dia sequer. Achara melhor, depois de analisar a situação, dar um tempo para ela colocar as ideias no lugar, pensar no que havia acontecido, e claro, superar o choque que os dois e muitos outros alunos haviam sofrido numa noite que deveria ter sido apenas de comemoração. AtĂ© porque, ele mesmo precisava de um tempo para esfriar a cabeça e entender tudo de uma perspectiva mais clara. Fora em uma dessas tentativas de pensar melhor em tudo o que vinha acontecendo, que Theodore esbarra justamente em Amber em um dos corredores que levavam atĂ© a biblioteca. Por alguns instantes, nĂŁo soube o que dizer a ela, nĂŁo sabia se a cumprimentava, se ela iria lhe cumprimentar ou lhe evitar, mas respirou fundo, pigarreou e enfiou as mĂŁos nos bolsos da calça do uniforme que utilizava, se aproximando da garota e entĂŁo dizendo, com a voz mais baixa, mas decidida: âAmber... Ei. Acho que nĂłs precisamos conversar.â
















