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Houve um tempo em que eu acreditava em tudo. Em mentiras, em promessas, em destino feito por nĂłs mesmos, em estrelas cadentes, em sorte e azar. Mas uma pessoa mudou isso em mim. Mudou o que eu pensava sobre tudo, minha visĂŁo sobre o mundo. Mudou meus planos, meus princĂpios e verdades, meus desejos e vontades. Mudou minha vida, me mudou. Eu acreditava que nĂłs fazĂamos o que quisĂ©ssemos, mas aprendi que nada Ă© por acaso. Tudo acontece por uma razĂŁo. Ele era uma pessoa comum, no inĂcio. NĂŁo era importante, nĂŁo fazia falta, mas isso mudou, e talvez tenha sido a melhor coisa que jĂĄ me aconteceu⊠Eu passava por ele, na rua ou em qualquer outro lugar e o cumprimentava apenas por educação. Era quase todo dia, em quase todo lugar que eu jĂĄ havia me acostumado com sua presença. Ă assim que uma amizade começa, mas nĂŁo foi assim que terminou. DĂĄvamos-nos as mĂŁos, como um gesto simples de carinho, que para nĂłs era comum. Abraçåvamos-nos sem malĂcia. ConversĂĄvamos sobre toda e qualquer coisa. FrequentĂĄvamos um a casa do outro, sempre. Todos comentavam e estranhavam, mas nĂłs nĂŁo nos importĂĄvamos. Certo dia, depois de tantas conversas, ele me perguntou algo que nunca havia perguntado. Me assustei, nĂŁo com a pergunta, mas com a forma como perguntou. Ele costumava falar num tom de voz baixo, mas sussurrou a pergunta, com a cabeça baixa, sendo que tinha o costume de olhar nos olhos da pessoa com quem conversava, quem quer que fosse ela. Ele me perguntou se eu jĂĄ havia amado alguĂ©m. Era estranho, pois nĂŁo havia nada que ele nĂŁo soubesse sobre mim, pensava eu. Apesar de estar espantada, minha resposta foi sincera e tĂmida. âNĂŁoâ, eu disse, observando seu rosto. Ele gemeu alguma coisa que eu nĂŁo entendi. Eu o observei por alguns longos minutos. Queria que aquela imagem ficasse para sempre em minha memĂłria. Quando foi que eu olhei para ele assim? Quando foi que eu procurei imperfeiçÔes nele, e nĂŁo encontrei? Como Ă© que eu nunca notei a pinta que ele tinha no queixo, suas sardas claras, o formato de sua boca ou a mistura de verde e caramelo que seus olhos tinham? Como foi que eu nunca notei sua beleza? Ele era lindo. IncrĂvel e absurdamente lindo. Queria ficar ali, para sempre, olhando-o sob a luz clara do crepĂșsculo. Suas bochechas coraram, e eu percebi que aquele silĂȘncio jĂĄ estava constrangedor. Foi difĂcil ir embora, mas eu fui. Quando cheguei em casa, naquela noite, subi as escadas sem hesitar na porta e fui direto ao quarto. Imersa em pensamentos, deitei na cama, afundando o rosto no travesseiro. O que estava acontecendo comigo? Senti a necessidade de ouvir a resposta de alguĂ©m. Do meu melhor amigo, talvez. Peguei o telefone e disquei o nĂșmero sem hesitar. Ele atendeu rapidamente, com a voz rouca. Eu nĂŁo disse nada. Algo na voz dele me imobilizou. Ele tambĂ©m nĂŁo disse nada. AtĂ© o som do silĂȘncio eu podia ouvir; era constrangedor. Eu quase pude ouvir seus pensamentos, junto a sua respiração. Queria perguntar mil e uma coisas, mas um nĂł se formou em minha garganta. Depois de alguns minutos, consegui falar. âComo Ă© amar?â, perguntei num sussurro fraco e rouco. Foi meio estranho perguntar. Um silĂȘncio cruel e doloroso preencheu o ar. Queria acreditar que o som que rompeu esse silĂȘncio, nĂŁo era o som de suas lĂĄgrimas. Alguns outros minutos de silĂȘncio se seguiram. âOuvi falar que Ă© estranho. E realmente Ă©âŠâ, ele começou. Esperei. âOuvi falar que a gente perde o chĂŁo, que Ă© como se um abismo tivesse se aberto abaixo dos pĂ©sâŠâ, completou. Ele parecia mais seguro agora. âE Ă© assim?â, perguntei. âComigo foi diferente. Foi como se, pela primeira vez, o chĂŁo estivesse ali. Como se eu soubesse que poderia caminhar sem que nada me derrubasse.â Fiquei em choque, sem conseguir dizer muito. âQuem Ă© ela?â, me arrependi de ter perguntado. Ele soltou um suspiro pesado. Pude sentir a dor dele. NĂłs tĂnhamos algum tipo de conexĂŁo. Se ele sofria, eu sofria tambĂ©m e vice-versa. NĂŁo tinha como evitar. SilĂȘncio. Novamente. Mais um suspiro e percebi que ele nĂŁo responderia. Enfim, ele desligou. Meus joelhos cederam e as lĂĄgrimas escorriam pelo meu rosto. NĂŁo tentei controlar, apenas voltei para a cama e abracei meu travesseiro. Percebi, entĂŁo, que nĂŁo era o travesseiro que eu sentia a necessidade de abraçar. Eu nĂŁo tinha idĂ©ia do que estava acontecendo comigo. Queria tĂȘ-lo por perto, para que ele pudesse me abraçar e confortar, com uma intensidade que nunca desejei antes. Eu jĂĄ estive apaixonada antes, mas nunca foi assim, tĂŁo forte que me fez chorar. A vontade de tĂȘ-lo comigo, quase me fez levantar imediatamente e ir atrĂĄs dele. E entĂŁo eu adormeci. No outro dia, acordei com olheiras profundas e pesadas. HavĂamos combinado que nos verĂamos nesse dia, como de costume. Eu estava tĂŁo feliz, tĂŁo animada com a idĂ©ia de que veria ele novamente que, depois de passar horas em frente ao espelho, achei que estava realmente bonita. Mas ele nĂŁo apareceu. Esperei por alguns minutos. Nada de ele chegar. Eu nĂŁo conseguia acreditar que ele nĂŁo estava ali. SĂł conseguia pensar que alguma coisa tinha acontecido. Ele nĂŁo teria esquecido, nem tampouco feito para me magoar. Liguei para ele. Ele nĂŁo atendeu. Estava começando a me preocupar, entĂŁo liguei na casa dele. Sua mĂŁe atendeu, e me disse que ele havia saĂdo algumas horas atrĂĄs; nervoso e sem dizer para onde ia. SĂł havia dois lugares para onde ele ia quando estava nervoso. Para a minha casa ou para um prĂ©dio abandonado, onde ele gostava de ir para pensar. Se ele nĂŁo estava comigo, ele sĂł poderia estar lĂĄ. Fui atĂ© lĂĄ, sem pensar em outras hipĂłteses. Quando cheguei me senti aliviada por encontrĂĄ-lo. Ele estava de costas e nĂŁo me viu. Queria me aproximar e perguntar o que estava acontecendo, mas nĂŁo disse nada, apenas fiquei parada, olhando para ele. Ele ficou de pĂ©, depois se virou para mim. Seus olhos estavam cheios de lĂĄgrimas. Era quase impossĂvel controlar o impulso de sair correndo e abraçå-lo. Quando dei alguns passos Ă frente, ele ergueu a mĂŁo direita, como se estivesse pedindo que eu parasse, e entĂŁo parei. âNĂŁo podemos mais nos verâ, sussurrou, tĂŁo baixo que foi difĂcil ouvir. Talvez tenha sido difĂcil pelo fato de eu nĂŁo querer ouvir. Demorei alguns longos minutos para digerir aquelas palavras e a forma como ele disse num tom de voz frio e rude. âVocĂȘ nĂŁo me verĂĄ mais. Eu prometoâ, continuou, com o mesmo tom de voz. âNĂŁo! Por favor, nĂŁo!â, tentei gritar, mas o nĂł que se formou em minha garganta impediu que minha voz saĂsse no tom de voz que eu queria. Disparei em sua direção, envolvendo-o em meus braços com a maior força que pude. Eu estava chorando. Ele nĂŁo disse nada, e eu daria tudo para saber o que ele estava pensando. âPor favor, nĂŁo faça issoâ, sussurrou com a voz rouca, entre soluços pesados. Eu nĂŁo tinha idĂ©ia do que ele queria dizer, mas nĂŁo me importava com quaisquer que fossem suas intençÔes. Eu nĂŁo me afastaria dele. EntĂŁo seus joelhos cederam e ele caiu ao chĂŁo, junto aos meus pĂ©s. âMe diga o que aconteceu, quero te ajudar, por favor, deixe-me ajudĂĄ-loâ, eu disse, baixo, mas ele ouviu. Ele nĂŁo me respondeu, e ainda soluçava. âEu preciso que vocĂȘ me digaâ, insisti. Ele se levantou com muito esforço, olhou em meus olhos e segurou minhas mĂŁos com força. Alguns minutos se passaram atĂ© que ele falasse. Meu coração parou por um instante, depois acelerou desesperadamente. Se um coração ao se partir emitisse algum som, acho que aquele era o som. As palavras que se seguiram, como o som de um vidro ao quebrar, ecoavam em minha mente. âEuâŠâ, hesitou por alguns segundos â⊠amo vocĂȘ. Ă por vocĂȘ que eu ainda estou vivo, mas acho que isso jĂĄ Ă© meio Ăłbvio. Eu lhe peço, que, para o seu melhor, se afaste de mimâ. JĂĄ se sentiu como se tivesse muitas coisas para falar e mesmo assim nĂŁo conseguisse dizer nada? Eu estava assim. Perplexa. Paralisada. ImĂłvel. EntĂŁo era a mim que ele amava? Desde quando? Como? Ele pareceu entender meus pensamentos, pois respondeu rapidamente. âEu nĂŁo sei como ou quando aconteceu, mas aconteceu, e agora eu estou aqui, te envolvendo cada vez mais nisso e te pedindo para se afastar de mim. SerĂĄ melhor para vocĂȘâ. Por quĂȘ? Por que ele estava dizendo aquilo? Inspirei e expirei algumas vezes, para me acalmar. NĂŁo adiantou. âVocĂȘ nĂŁo quer isso⊠Se afastar de mim. VocĂȘ nĂŁo querâŠâ, consegui, enfim, dizer. NĂŁo era uma pergunta. Ele virou o rosto, sem conseguir fitar meus olhos outra vez. âNĂŁoâŠâ, sussurrou. â⊠e talvez esse seja meu lado masoquistaâ. NĂŁo queria que ele se sentisse daquele jeito, queria fazer alguma coisa para acabar com a dor dele. Por que eu senti vontade de correr e saltar daquele prĂ©dio? Por que meu coração doĂa tanto? Por que eu estava me sentindo daquele jeito? O que eu estava sentindo, afinal? Abracei-o com força, mas ele lutava para se desprender de meus braços. Eu queria mantĂȘ-lo para sempre ali, aninhado em meu peito, para tentar acalmĂĄ-lo e desejei que ele nunca fosse embora. A idĂ©ia de sua partida me fez derramar lĂĄgrimas, novamente. âEu nunca vou te deixar, nunca! Entendeu seu idiota? NĂŁo vou deixar vocĂȘ ir assimâ. Ele nĂŁo fez piada daquilo, mas parou de lutar. Olhou em meus olhos, o que me fez tremer. Segurou meu rosto entre as mĂŁos, acariciando-o por um instante, depois aproximou seu rosto do meu. O contato de nossas peles me fez tremer. Segundos depois senti seus lĂĄbios nos meus; eram quentes e doces. O sabor mais doce entre todos os beijos. NĂŁo queria que aquele momento acabasse nunca. E quando se afastou, forçou um sorriso e disse, com a voz fina e baixa, âadeusâ. NĂŁo o vi sair, minhas pernas prenderam-me ao chĂŁo. O que estĂĄvamos fazendo? NĂŁo devĂamos ter feito aquilo, nĂŁo era certo. Eu nĂŁo deveria ter gostado daquele beijo. Nos dias que se seguiram, nĂŁo nos falamos. Quando eu telefonava, ele nĂŁo me atendia e, quando fui atĂ© sua casa, nĂŁo havia ninguĂ©m. Pouco menos de uma semana apĂłs sua confissĂŁo, uma notĂcia me abalou. Eu estava em casa, pensando em onde ele poderia estar, quando minha mĂŁe veio conversar comigo, com os olhos cheios de lĂĄgrimas e uma expressĂŁo de dor. Tentei imaginar o que era, e quando ela me disse, senti muitas coisas ao mesmo tempo. Dor, surpresa, preocupação, saudade, e mais dor. Foi um impacto muito forte. Disparei pela porta e, sem pensar duas vezes, fui direto ao Hospital, onde, segundo ela, ele estava. Quando cheguei, o desespero me dominou. Eu jĂĄ nĂŁo sabia o que pensar, ou o que deveria fazer, mesmo assim entrei. Tentando me controlar, fui atĂ© a recepção e perguntei por ele, dando Ă recepcionista seu nome. Ela me indicou o nĂșmero do quarto e disse que talvez ele nĂŁo pudesse receber visitas. NĂŁo me importava, eu precisava vĂȘ-lo. Procurei o quarto, e, assim que o encontrei, bati na porta. NinguĂ©m abriu. Bati novamente e abri a porta. Ainda sem entrar, olhei o quarto e nĂŁo havia ninguĂ©m alĂ©m dele. Entrei. Ele estava lĂĄ, de costas para mim. Esperava que ele estivesse acordado, entĂŁo ele se mexeu. Ele olhou por sobre o ombro, depois abaixou a cabeça novamente. âSabia que nĂŁo demoraria a me encontrarâ, disse, com a voz mais baixa que de costume. âPor que vocĂȘ estĂĄ aqui?â, perguntei. âMuitos motivosâŠâ, sua voz falhava. Fui atĂ© ele e me sentei a sua frente, para que conseguisse ver seu rosto. Ele me olhou por alguns segundos, depois fechou os olhos. Seu corpo estava cheio de hematomas, manchas escuras. Talvez ele nĂŁo quisesse me dizer, mas eu precisava que ele me dissesse. âVocĂȘ nĂŁo estĂĄ bem, nĂŁo Ă©?â, perguntei, sabendo que a resposta era nĂŁo. Ele abriu os olhos e sorriu. Seu sorriso acendeu uma espĂ©cie de calor em mim, como se aquilo fosse parte vital de mim. Dei a volta na cama e me deitei ao seu lado, pondo a mĂŁo em sua cintura. Ele segurou minha mĂŁo e, assim que o fez eu percebi que sua pele estava muito fria. Pude perceber, tambĂ©m, que ele respirava com dificuldade. Eu nĂŁo queria acreditar no que estava acontecendo. âEu vou morrerâ, ele disse num tom de voz totalmente frio. Eu estava chorando, de novo. âNĂŁo, vocĂȘ nĂŁo vai. NĂŁo vou deixar isso acontecerâ, tentei dizer, lutando para engolir o nĂł em minha garganta. Ele riu, o que me fez chorar ainda mais. âVocĂȘ terĂĄ que aprender a viver sem mim garotaâŠâ, percebi que ele estava sorrindo, como se achasse graça de tudo que estava acontecendo. Aquilo me irritou um pouco, mas nĂŁo disse nada. Seu corpo enrijeceu por um momento, depois tremeu, o que me assustou um pouco. âIsso Ă© normalâ, ele disse, como se tivesse lido meus pensamentos outra vez. âFoi por isso que vocĂȘ pediu que para que eu me afastasse de vocĂȘ?â, perguntei. Ele nĂŁo respondeu. Seu silĂȘncio era constrangedor. O Ășnico barulho que podĂamos ouvir, era o dos aparelhos ao seu lado. âVou sair daqui amanhĂŁâ, disse ele, depois de tanto tempo em silĂȘncio. Quase me animei. âQuero ir para casa, ficar perto da minha famĂliaâ. Esse foi o tĂ©rmino do meu Ăąnimo, quando entendi o que ele queria dizer. NĂŁo questionei, apenas o abracei com mais força. E foi assim que aquele dia se seguiu. Fiquei com lĂĄ atĂ© um pouco depois de ele ter adormecido. Eu chorava sĂł de olhar para ele, sĂł de pensar em perdĂȘ-lo. Sua mĂŁe estava lĂĄ tambĂ©m e, por esse motivo, consegui ir para casa. Eu nĂŁo pensava em mais nada, o dia todo. Eu sĂł saĂa daquele Hospital quando ia para casa, Ă noite. NĂŁo conseguia imaginar minha vida sem ele. No dia que ele foi para casa, todos foram ao Hospital. Amigos, familiares, conhecidos, etc. Muita gente gostava dele, ele era uma pessoa muito especial. Ele teve um pouco de dificuldade para caminhar atĂ© o carro, e sua mĂŁe estava ao seu lado, como apoio. Ver aquela cena me fez perceber o quanto eu o amava, o quĂŁo importante ele era para mim e o quanto eu queria que ele ficasse. Quando ele voltou para casa, quase nada havia mudado entre nĂłs. Era quase como antes, nĂłs ainda xingĂĄvamos um ao outro, discutĂamos sobre seu gosto musical e ele ainda criticava meu cabelo cobrindo meu olho. Era bom vĂȘ-lo comigo, fazĂȘ-lo sorrir enquanto podia. Eu sentia como se tivesse um prazo de vida. NĂŁo sĂł da dele, mas da minha tambĂ©m. Parecia que nĂŁo existia vida sem ele. Acho que fomos âlevandoâ a situação. Um dia, depois de eu ter criticado bastante a mĂșsica que ele estava ouvindo, ele parou, me olhou e sorriu como na noite em que eu descobri que o amava. âO que foi?â, perguntei constrangida. âVou sentir sua falta, onde quer que eu estejaâ. RetribuĂ o sorriso e, por mais que jĂĄ estivesse me acostumando com as lĂĄgrimas, senti meu coração apertar com cada lĂĄgrima que eu derramava. Na manhĂŁ seguinte recebi um telefonema de sua mĂŁe. Ele havia piorado, e foi levado novamente para o Hospital. Fui atĂ© lĂĄ assim que soube. Quando o vi, meu coração disparou. Ele mal conseguia falar, entĂŁo nĂŁo exigi esforços dele. Fiquei sentada ao seu lado, falando com ele, sem esperar resposta. Eu estava falando com ele, sobre coisas do nosso passado, quando ele me interrompeu. âVocĂȘ fica linda quando prende o cabeloâ, disse ele, sorrindo. Sabia que ele havia reparado em meu cabelo, sĂł nĂŁo esperava que ele falasse disso. Reprimi o riso e apenas sorri para ele. Ele segurou minha mĂŁo e a apertou, usando a maior força que pĂŽde. Beijei sua testa, depois seus lĂĄbios. Ele sorriu. Ele me pediu para que eu cantasse uma mĂșsica para ele e, apesar de eu nĂŁo gostar daquele estilo de mĂșsica, sussurrei-a em seu ouvido. EntĂŁo ele fechou os olhos⊠e nunca mais os abriu. Ele faleceu naquela noite, em meus braços. Parece horrĂvel, eu sei, mas para mim nĂŁo foi. Foi como se eu o estivesse ninando durante a noite, e ele estivesse num sono profundo. Eu sei que ele estava feliz em meus braços, e eu estava feliz tambĂ©m. Foi difĂcil para mim, deixĂĄ-lo ir, mas agora Ă© como se ele nunca tivesse partido. E quando me perguntam onde Ă© que meu amor estĂĄ, eu sempre respondo a mesma coisa: âIndependente de onde ele estiver, ele estĂĄ esperando e olhando por mim, e nosso amor estarĂĄ para sempre vivo nos coraçÔes daqueles que fizeram parte dessa histĂłria. Eu sinto que ele ainda estĂĄ em mim, e para sempre estarĂĄâ.
Autor desconhecido. VocĂȘ vai chorar.    (via ecstasyhigh)
Querido John, HĂĄ tanta coisa que quero dizer para vocĂȘ, mas nĂŁo tenho certeza por onde devo começar. Devo começar dizendo que te amo? Ou que os dias que passei com vocĂȘ foram os mais felizes da minha vida? Ou que, no curto espaço de tempo que nos conhecemos, passei a acreditar que fomos feitos um para o outro? Poderia dizer todas essas coisas e tudo seria verdade, mas, enquanto releio estas palavras, a Ășnica coisa que passa pela minha cabeça Ă© que queria estar com vocĂȘ agora, segurando sua mĂŁo e olhando seu sorriso elusivo. No futuro, sei que vou reviver o tempo que passamos juntos mil vezes. Vou ouvir seu riso, ver seu rosto e sentir seus braços em torno de mim. Vou sentir falta de tudo isso, mais do que vocĂȘ pode imaginar. VocĂȘ Ă© um cavalheiro raro, John, eu estimo isso em vocĂȘ. Todo o tempo em que estivemos juntos, vocĂȘ nunca me pressionou para dormir com vocĂȘ, e eu nĂŁo posso dizer o quanto isso significou para mim. Tornou o que temos ainda mais especial, e Ă© assim que eu quero me lembrar para sempre do perĂodo que passamos juntos. Como uma luz branca e pura, cuja contemplação Ă© de tirar o fĂŽlego. Penso em vocĂȘ todos os dias e sei que, quando for te ver amanhĂŁ, dizer adeus serĂĄ a coisa mais difĂcil que jĂĄ fiz. Parte de mim teme que chegue um momento no qual vocĂȘ nĂŁo sinta mais o mesmo sentimento, que por algum motivo vocĂȘ esqueça o que nĂłs compartilhamos, entĂŁo Ă© isso que eu quero fazer. Onde quer que vocĂȘ esteja e nĂŁo importa o que esteja acontecendo em sua vida, na primeira noite de lua cheia â como na noite em que nos conhecemos â quero que vocĂȘ a encontre no cĂ©u noturno. Quero que vocĂȘ pense em mim e na semana que partilhamos, porque, seja onde for, seja o que estiver acontecendo na minha vida, Ă© exatamente isso o que vou fazer. Se nĂŁo podemos estar juntos, pelo menos podemos compartilhar isso, e talvez entre nĂłs, sejamos capazes de fazer isso durar para sempre. Eu te amo, John Tyree, e eu vou agarrar-me Ă promessa que uma vez vocĂȘ fez para mim. Se vocĂȘ voltar, vou casar com vocĂȘ. Se vocĂȘ quebrar a sua promessa, vai partir meu coração.
Com amor, Savannah.  (via inverbos)
Era lua, era estrela, se fazia de qualquer coisa para pertencer a algum céu. Nunca foi, nunca é. Sempre esteve, sempre estå.
Sarah Pedra (via relevou)

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O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diĂĄlogo. Passava manhĂŁs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerĂąnio. O girassol nĂŁo ia muito com sua cara, ou porque nĂŁo fosse homem bonito, ou porque girassĂłis sĂŁo orgulhosos de natureza. Em vĂŁo o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para nĂŁo ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as flores nĂŁo comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pĂ© de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasiĂŁo devida. O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente nĂŁo fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque nĂŁo tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que nĂŁo se conformava com a ausĂȘncia do homem. âVocĂȘ o tratava mal, agora estĂĄ arrependido?â âNĂŁo, estou triste porque agora nĂŁo posso tratĂĄ-lo mal. Ă a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava.
Carlos Drummond de Andrade. (via involuntus)
Se ao menos conseguĂssemos enxergar a infinita cadeia de consequĂȘncias que resulta das nossas pequenas decisĂ”es. Mas sĂł percebemos tarde demais, quando perceber Ă© inĂștil.
Quem Ă© vocĂȘ, Alasca? (via umagabitonunes)
As pessoas nĂŁo se apaixonam muito hoje em dia, ninguĂ©m mais oferece moletons quando vocĂȘ estĂĄ molhado. Elas preferem estudar, ganhar dinheiro e viver outras experiĂȘncias. Faça uma enquete rĂĄpida e concluirĂĄ que quase ninguĂ©m crĂȘ no amor. Quanto mais vocĂȘ sabe da vida, menos vocĂȘ se apaixona. A paixĂŁo nasce da ignorĂąncia: quanto menos sei sobre vocĂȘ, e mais eu quero saber, mais vulnerĂĄvel eu fico.â
Gabito Nunes (via quotteando)
O Oscar vai para vocĂȘ. VocĂȘ que faz de cada dia um novo começo. De cada vitĂłria um aprendizado. De cada derrota uma lição. De cada passo, um caminho.
Clarissa CorrĂȘa.  (via inverbos)

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Me engana mais que eu gosto, vai, fala umas mentirinhas que eu adoro, vai, mente mesmo
Acredito que todo mundo tem um poder. E a gente pode, sim, mudar as coisas. Me chame de idealista. De sonhadora. E de romùntica. Sou tudo isso, mas ainda acredito nas pessoas e nas mudanças. E toda mudança começa no fundinho de cada pessoa que quer realmente fazer alguma diferença.
Clarissa CorrĂȘa. (via quotteando)
Ela viu todos os meus lados obscuros e disse que preto Ă© a sua cor favorita.
BrasileirĂssimos. (via 4luas)
Aos poucos vocĂȘ percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela.
Charles Chaplin (via alinhou)

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Talvez eu estivesse mesmo destinado a viver aqueles filmes de drama onde o protagonista tenta ser feliz de todas as formas e no fim descobre que felicidade Ă© um estado de espĂrito, nĂŁo um destino a se alcançar.
Recontador.  (via esclarecer)