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Eu quero ficar aqui encolhido na cama e fingir que o mundo lá fora não me pesa tanto.
Screaming in silence to anyone

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A garota que eu quero
Nunca pensei que em plena pandemia, em pleno inverno emocional em que eu estava vivendo, eu teria meu maior desejo realizado. É complicado, eu tenho uma vida na qual as coisas não costumam acontecer sabe? Então, desde novo, eu aprendi a aproveitar e valorizar minhas conquistas, já que, ninguém além de eu mesmo sei o sacrifício que faço pra obter as coisas. Isso não é uma queixa, é só uma verdade.
Mas com ela é diferente. Ela é meu gole diário de vida. Acho que se eu tivesse que definir em uma só palavra, a escolhida seria reciprocidade. É surreal ver como a gente faz muito com pouco sabe? Aquele momento em que vc para pra responder alguém? Isso significa muito pra mim, e com ela isso acontece da forma mais natural.
É natural que, após inúmeras tentativas falhas, a gente passe a desacreditar um pouco do amor. Novamente, com ela é diferente. Ela sabe que eu não tenho casa própria, nem carro, quem diria um emprego... E pra alimentar minha paranóia, ela não precisa de nada disso. É algo tão singelo, lembrar do brilho nos olhos dela, pela simples felicidade de ficar alguns instantes, estes, que eu gostaria de eternizar, abraçada comigo.
Somos todos marinheiros nesse mar da vida. Uns dias navegando em águas limpas e calmas. Outros, enfrentando tormentas. A vida é assim. Mas irmão, com ela é diferente. É como sentir que se tem um porto seguro, um refúgio. Por mais que eu insista em falar pra ela sempre, eu quero ser pra ela, a calma que ela é pra mim.
Um dos maiores desafios dos dias atuais é sempre que possível, dizer pra ela o quanto ela é importante pra mim. Já ouvi dizer que amor não enche barriga. Mas me diga uma coisa: qual o sentido em ter tudo, e não ter um amor pra dividir a vida? Mil vezes viver um amor sem luxo, do que ser milionário e não ter a felicidade de te ter ao meu lado.
O amor é isso, chega de mansinho, se acomoda, faz um furacão na sua vida. Te mostra como é bom ser cúmplice de alguém na vida. É querer fazer dela, minha, e de mim, dela. É tão lindo saber que agora os sonhos divididos com alguém, finalmente tem nome e CPF próprios. É olhar pra ela e dizer: quero passar o resto dos meus dias ao seu lado.
Problemas? Surgem aos montes e praticamente a todo instante. Mas eu lembro do conforto que eu sinto quando seguro sua mão. E como se fosse um anjo, ao me tocar, leva embora toda escuridão. É a motivação que eu preciso na vida. Eu já te falei, meu caro leitor, sobre como é a sensação de amar e ser correspondido? É uma daquelas sensações que a gente só consegue saber quando vive ela. Indescritível.
Mulher, capacitada, responsável, empática, dedicada (e como hein), as palavras fogem, sabendo que por mais adjetivos que eu conheça, nenhum deles é suficiente pra descrever como ela é incrível. Quero um dia, poder te emprestar meus olhos, pra você ver como é incrível. É sério.
Bob Marley disse uma vez, para vivermos de forma que nossa falta seja sentida, e não que nossa presença seja notada. Ela é o tipo de pessoa que faz isso sem o menor esforço. Ela é a amiga que vai estar sempre lá, pro que der e vier. É o instinto maternal em sua forma mais pura. Me arrepia a cada vez que eu lembro a quantidade de gente que deseja que ela seja feliz. É a minha reafirmação, dia após dia, de fazer ela a mulher mais feliz do mundo, algo desafiador, mas que é feito por ela de uma forma tão simples e descontraída, que me motiva.
Amar tem seus pontos fracos. Devemos confiar na pessoa, estar disposto a fazer sacrifícios em prol da companhia dela. É saber que, se vc por um instante, esquecer da presença dela, toda a história escrita por vocês até aqui pode ir por água abaixo. Eu tenho vontade de bater nela, por saber que ela não sai do meu pensamento nem por um instante. Isso tudo sem cobrar nada. Ela só deixa claro que tá ali. Simples.
Instigante, como um aglomerado de células, fez a órbita do meu mundo virar o avesso. Menina, se um dia sua alma vazar, eu quero que ela caia em mim. Quero me afogar em toda a profundidade da sua alma. Quero fazer de mim, seu. E de você, minha. O sonho de dividir um café em Paris, agora tem você como companhia. A imagem que tinha segurando a mão de alguém na sala de parto, agora é nítida, como uma lembrança. Como se já tivesse acontecido. É a sua mão que eu quero segurar, quero poder olhar pro nosso filho e dizer que ele tem a melhor mãe do mundo. Dizer que aquele pedacinho de gente, com cara de joelho. É nosso.
Nossa, dar asas pra imaginação falar de você é alçar vôo pra outro planeta. É poder passar horas falando de você sem faltar assunto, sem faltar conhecimento do assunto. Cada dia eu aprendo mais, e , como um estudante sedento por conhecimento, eu tenho você ali, como um livro aberto, pronto pra ser lido.
Apesar de toda a burocracia envolvendo religião, eu oro, e peço a Deus saúde pra poder seguir essa caminhada ao seu lado. Sei que nem sempre vamos estar no nosso melhor. E tá tudo bem. É saber que mesmo na sua pior, entregando 1% de você, ela vai estar ali, pra entregar 99% dela em prol da gente. É saber que os problemas virão, mas te afirmar sempre que possível, que eu estou ali por você, pra você, com você. Porque metade de mim é amor, e a outra metade é você.
Dentre todas as palavras que eu poderia escrever aqui, eu me sinto na obrigação de reafirmar isso. Eu te amo, desde quando pus meus olhos em você. Obrigado por me aguentar nos piores e nos melhores momentos. Obrigado pela compreensão, por aceitar o que eu posso te oferecer por hora, e como agradecimento futuro, obrigado por me mostrar como a vida é bela ao seu lado. Gratidão.
A polêmica dos mamilos
Já parou pra pensar que existem mais mamilos que pessoas no mundo?
Esse questionamento é só uma tentativa falha de quebrar o gelo. Meu caro leitor, ou leitora, independente da sua definição: quando foi a última vez que alguém se apaixonou por você?
É algo difícil de se lembrar, eu sei, ando com isso na cabeça a dias e não consegui lembrar da resposta. Mas não é esse o ponto, e sim, qual foi a última vez que vc realmente disse pra alguém que amava a pessoa, com o simples desejo de expressar seu amor por ela, daqueles bem clichês sabe? Mas que no final acabam derretendo até mesmo o mais frio dos corações.
Apesar de mal vista, sendo um tabu em muitas rodas de amigos, expressar seus sentimentos faz um bem danado. O sentimento de libertação, de jogar pro universo que se anseia alguém. O desejo de querer que a sua vida se entrelace com a outra. Dizer o quão feliz você ficaria por ter aquela pessoa do seu lado, pra fechar todos os corres da vida. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, deve ser muito legal ter alguém assim na vida.
É importante também, como alguém cauteloso, avisar, o universo te dá as coisas, mas assim como eu, ele não tem bolas de cristal. O homem como indivíduo, é um agente de mudanças, ele tem todo o potencial requerido pra mudar algo, mas necessita ter consciência disso, para poder analisar a situação e tentar encontrar uma solução. Isso é tudo pessoal
One last breath
"Take one last breath, you're about to jump to your death"
78% nitrogênio, 21% oxigênio e 1% de outros elementos. Essa é a composição do ar que se encontra ao nosso redor. Aqui nesse mundo a composição também é a mesma. Porém, vagando por entre as casas vazias que encontro aqui, algumas parecem ter ânimo em sua composição.
Tomo fôlego, abro a porta e sinto um calor. Essa sensação não me é estranha, já havia sentido ela antes. Adentro, e começo a vasculhar o local. Encontro fotos de pessoas sem rosto, lugares os quais não consigo identificar, mas algo me diz que eu já estive aqui. Um gato aparece na janela, pelo acinzentado como se fosse uma fumaça. Ele me olha e, por mais estranho que seja, eu conheço aquele olhar. Olhos amarelos como raios de sol. Eu já estive aqui, não me restam dúvidas.
Uma chuva serena começa a cair do lado de fora, e eu encontro alguns fósforos próximos a uma lareira. Acendo o fogo, o gato se junta a mim por essa noite. Sem conseguirmos estabelecer uma comunicação, ele sai do cômodo e eu o sigo. Aos pés de uma escada, encontro um velho rádio. Música, fazia tempo que eu não ouvia algum som que não fosse fruto da respiração daquela cidade.
Encontro algumas pilhas, e ao ligar o rádio, vejo que há um disco dentro dele. De alguma forma estranha, ele sabia da existência e do paradeiro daquele rádio. No disco, escrito em letras quase apagadas, um nome. "Ouça e lembre-se de toda sua vida". Nome sugestivo pra uma ocasião onde tudo parece ser fruto do acaso, mas não é.
Eu me lembro da faixa que está tocando. Me lembro o nome dela e vejo uma ligação entre toda aquela situação. Raining in Paris. Porém, ao me recordar dos traços arquitetônicos, vejo que não estou em Paris, porém, sigo sem saber onde estou. Por uma noite, me permito uma pausa na incansável busca que sigo trilhando. O gato parece gostar do som, se aproxima e trocamos olhares. Naquele instante, eu mudo de lugar, como se o gato me fizesse voar por entre memórias, essas, as quais nem lembrava de ter vivido.
Me lembro de risadas, do calor humano, me lembro de como é revigorante sentir o ar entrando nos pulmões. Começo a ver pessoas novamente, e, ao contrário desse lugar, nas lembranças, eu vejo rostos. Vejo sorrisos, olhares, sinto como é ser humano novamente, porém, sei que aquelas são memórias e não a realidade.
Como um passe de mágica, volto a encarar o gato. Me sinto grato por tê-lo encontrado. Sou grato a ele por me fazer aquele favor, por me fazer sentir como era bom estar vivo novamente, mesmo que por alguns instantes. Meu coração parece ter recebido uma dose de adrenalina. A vontade de correr é enorme, mas correr pra onde? Essa selva de pedras parece nunca ter fim. Mesmo assim eu o agradeço, por essa dose de vida que me fora dada.
O medo volta a tomar conta dos meus pensamentos, porém, ele encontra um sentimento que há muito eu não sentia. Um mix de medo e ansiedade, medo esse de continuar vivendo aqui, e ansiedade por querer voltar a vida. Abro a janela, fumo um cigarro e olho pro céu. Apesar da chuva, ao longe eu consigo ver algumas estrelas...
Não sei bem a quanto tempo estou aqui, mas sei que há muito não me permitia observar o céu. Como aconteceu com o gato, eu novamente flutuo para outro lugar. Uma casa, simples, pequena, porém aconchegante. Sinto cheiro de café sendo passado, vejo uma silhueta bailando através da janela da cozinha. Em contraste com tudo aquilo, vejo um olhar, e ao mesmo tempo, sinto que também sou observado. Olhos negros, que apesar da cor, são cheios de brilho. Vejo bondade, ternura, sinto algo se mexer dentro de mim.
Um forte vento faz com que a janela se bata, e eu volto quase que instantaneamente para a solidão. Porém, diferente das outras viagens, trago comigo borboletas no estômago. Após colocá-las para fora, sinto um vazio dentro de mim. Diferente das outras vezes, agora eu sei o que eu quero. Quero voltar a fitar aqueles olhos, sentir novamente o calor deles. Sinto sede, e sei que aquela casa, apesar da simplicidade, abriga um poço.
Um poço, que eu já conheço a entrada. Sei que ele é muito bem guardado, por uma cigana. E conforme o fogo da lareira vai consumindo o interior da casa onde estou, sinto despertar um desejo enorme de voltar a encarar aqueles olhos negros. Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sinto uma enorme vontade de morar naquele olhar, de fazer morada nos braços daquela mulher. É isso que eu quero, voltar a ver aquele sorriso, e fazer morada naquele abraço, que ainda nem senti, mas sei que é onde eu posso encontrar descanso.
Nunca foi só pelo sexo. Não sei ao certo quando me dei conta disso, mas te garanto, há muito mais envolvido, do que apenas sexo. Não sei ao certo por onde começar, e nem onde isso tudo vai acabar. Mas achei necessário tirar isso de dentro de mim, pra tentar te mostrar, mesmo que de uma forma singela, que nunca foi só pelo sexo. Não sei, é complicado quando sou eu quem falo, principalmente, porque o que eu mais fiz na vida foi sentir, o que eu menos fiz, foi expressar o que eu sinto. Uns podem dizer "nem é tanto tempo assim pra sentir tudo isso". Tempo é relativo, uma pessoa pode te fazer sentir numa tarde, o que outra levou anos pra conseguir.
Eu não sei ao certo quando começou, mas me lembro muito bem de como você sorriu naquele dia. Lembro também do frio na barriga, do nervosismo, do medo de não estar fazendo a coisa certa. Seria hipocrisia da minha parte não lembrar do sexo naquele dia, mas seria inocência minha dizer que foi só por ele. Não sei, era, e ainda é, diferente quando é com você. A forma com que você se entrega pra mim, a forma que eu vejo o poder que tenho nas mãos. O poder de te inundar com prazer, a forma com que eu te olho, e já sei certinho o que seu corpo quer. É diferente, não adianta.
Quando eu te chamo de deusa, e você ri, falando que sou bobo, é porque você não tem noção da admiração que eu tenho por você. Da mulher incrível que é. Eu seria um idiota se não te falasse o quão bem você me faz. É sério, pode não parecer, mas o simples fato de te fazer rir, já me deixa feliz. O simples fato de poder te ver dormindo, imaginando como pude ser eu o escolhido, dentro de tantos outros que vieram antes de mim. Não sei, é complicado tentar explicar uma coisa que eu só sei sentir.
Como diz uma música que eu gosto, te ver e não te ter, me dá um desespero. Pode soar super brega, mas ninguém sabe o quanto dói não poder te abraçar antes de dormir. Sou suspeito pra falar, ter chego a posição em que estou levou trabalho, muito trabalho. Foram dias e mais dias, noites e mais noites, te vendo se sentir frustrada, insuficiente, brava, e outras coisas mais, que você sabe, apesar de tudo, eu sempre estive lá.
Digo algo que amo também, e sinto falta hoje em dia. Poder te preparar um café da manhã, ouvindo você falar sobre algum sonho que teve, sobre como alguém queria te matar, ou o que era minha parte favorita, rir com você, depois de dizer como você falou algo estranho enquanto tava dormindo... Sinto falta disso sabe?
Eu também sinto muito pelas coisas que eu deixei de fazer. Sinto muito por não ter dito sempre que podia, o quanto eu amava estar com você. Sinto muito em não ter dito o quão orgulhoso eu era por estar do seu lado, por poder segurar sua mão. Sinto muito por ter sido orgulhoso, por ter pensado só em mim, e não em nós, afinal, naquele momento já éramos nós, e não só eu. Sinto muito também pelas bobagens que eu disse no calor do momento. Sinto por não ter te apoiado da forma que eu devia, de ter te feito chorar, quando você só me fez sorrir. Sinto por ter sumido, quando na verdade, o que eu deveria ter feito era ter estado ali. Sinto muito por ter sido omisso.
Eu sinto muito, seja sentir algo bom, ou ruim, eu sinto muito. Eu sinto. Sentir é algo que eu sei bem. Algo que eu faço muito bem. Mas eu sinto orgulho por tudo que me fez viver. Pelas pessoas que me apresentou, pelo mundo que me mostrou. Sinto felicidade em lembrar das risadas que demos juntos, sinto saudade de ter adormecido do seu lado. Sinto saudades de como você adorava puxar um cachinho do meu cabelo, falando que era legal. Por incrível que pareça, sinto falta até de ficar do seu lado fazendo absolutamente nada, só te olhando, te admirando. Sinto sua falta. Sinto tristeza em saber que, dificilmente eu vá repetir esses momentos com você.
Em meio a tantos sentimentos, lágrimas, saudades e tudo mais, eu sinto orgulho por todo esse tempo. Sinto gratidão por ter vivido isso tudo ao seu lado. Fui, sou e serei eternamente grato por tudo isso. Por ter me trazido de volta a vida. Pela esperança que me deu, pela força que me deu, por me fazer acordar e ter um propósito, que por mais simples que possa parecer, era acordar, e ter você pra compartilhar a vida. Pode não parecer muito, pra você e pra muita gente, mas meu amor, quando não se tem nada, o simples, vale ouro.
É isso, dominado pela chuva que cai do lado de fora, e pela que cai dos meus olhos, eu só tenho a te agradecer. Por tudo. Por ser essa pessoa incrível, e espero que você nunca deixe ninguém ofuscar esse brilho que emana de você. Um rosto lindo e um sorriso encantador, muitas pessoas têm. Agora, causar essa tormenta de sentimentos em outro ser humano, ahh isso é raro. Como eu disse ali em cima, nunca foi só pelo sexo. Acho que no fundo, foi pelo que você me causou. Pela forma com que chegou, de mansinho, como quem não queria nada. E mudou tudo. Já te disse isso. Nunca disse um "eu te amo" pra ninguém que não merecesse. E no fundo, você sabe e eu também, que você mereceu todos eles, inclusive os que não foram ditos, já que eu estava cego, tentando enxergar, o porque eu, e não outro. Acho que isso só vai ser esclarecido no meu leito de morte. Espero que isso não tarde, afinal, eu já vivi tudo que tinha pra viver. Mas acima de tudo, eu te digo, me desculpa, e muito obrigado por tudo.
A medida que os dias vão se passando, esse sentimento faz morada em mim. É como se ele fosse um parasita, se alimentando cada dia mais, do pouco de ânimo que eu ainda tenho, até que não me reste nada, além de solidão... E eu? Bom, eu vou deixando isso acontecer, na esperança que alguém me ajude a acabar com isso, porém, sem que eu saiba quando isso vai acabar (se é que vai).
Paro por um estante, como se tivesse tomando ar durante uma longa e árdua corrida. Eu não tenho rumo, estou estagnado, buscando algum vestígio que me permita achar uma saída desse lugar. Eu espero, aguardo, afinal, seria hipocrisia pensar que só eu vivo isso, só eu existo nesse plano e que só eu tenho que passar por isso.
Solidão é bom, uma vez que sem pessoas, não existem preocupações por terceiros. Sozinho, eu sei que problema nenhum vai me bater a porta pra me tirar o sono. É triste pensar que os amigos se foram (partiram, mudaram, foram deixados de lado), que os risos que antes me alegravam, hoje em dia só são dados nas memórias.
Em meio a todo caos que me rodeia, faço meu casaco e meu isqueiro, companheiros de longa data. São vícios, coisas difíceis de largar. O câncer me parece uma saída, algo pelo que valha a pena lutar. Sei que não sou santo, visto que inúmeras pessoas deixam esse mundo todos os dias, partindo para onde suas crenças enquanto vivos os levarem. E eu, bem, eu espero ter um fim pra tudo isso. Cansa sabe? Se dedicar, gastar tempo, dinheiro, e outras coisas consumíveis na esperança de um dia ter paz, porém, após todos esses anos de caminhada, eu não consigo mais ter esperança nessa paz... Não sei se ela existe, se aquele sonho cultivado durante toda uma vida, o sonho de ter paz, não sei se ele realmente é só um sonho, um delírio, uma cantiga entoada pelo meu ser, enfim, não sei o que me aguarda. Tenho medo, tanto de ir, quanto de ficar, e isso me consome a cada instante, como uma chama em meio à combustível... Eu estou queimando, me esgotando, virando brasa, até que um simples sopro dê fim ao incêndio que antes habitava em mim.

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Quarentena
Dizem que só conhecemos a dor do outro ao se colocar em seu lugar. Uns chamam de empatia, outros, de bom senso. Já ouvi até dizerem que isso se chama responsabilidade afetiva, veja lá, um ser humano, responsável pelas emoções de outro. Isso soa poético para ouvidos destreinados e corações blindados. Meu ouvido está calejado de ouvir situações tristes, melancólicas, situações que eu deveria tomar como exemplo, como vivem me dizendo.
Mas é difícil imaginar a fome de alguém, quando o estômago que ronca implorando por alimento é o seu. É difícil chorar quando os olhos já se encontram inchados, parte pelo sódio contido nas lágrimas, parte pelo costume de viver chorando.
Eu fui criado, ouvindo que cada um possui uma missão aqui nesse planetinha. Visto isso, venho buscando preparo, estudando, buscando ser "alguém" na vida. O problema é que para ser alguém, a gente precisa saber quem quer ser, ou, pelo menos ter uma ideia disso. Eu nunca soube quem eu queria ser. Dentista, biólogo, médico, engenheiro, um soldado condecorado, um pai de família, eu queria ser isso. Ou melhor, alguém que habitou essa pele um dia quis ser tudo isso. Hoje, sinceramente, eu não sei nem o que quero comer.
Mentes pensantes tendem a ser solitárias, uma vez que, ao se pensar muito, adquire-se muito conhecimento. E esse conhecimento passa a ser necessário em conversas. E essas conversas fazem falta. É difícil ser um cara de "vários amigos", quando mesmo acompanhado, você se sente cada vez mais sozinho. Acho que é isso que um animal criado em cativeiro sente ao conhecer o mundo. Aquele sentimento de que seu lugar não é aqui, que tudo é averso a você.
Essa depressão tende a aumentar quando se pensa na falta que faria para quem convive com você. O que será que as pessoas fariam depois? Será que aquela comida que tanto lembra você, teria o mesmo sabor depois da sua partida? Será que aquele lugar onde vocês costumavam ver o pôr do sol, teria o mesmo brilho? E aquela música que te faz perder o sono quando ouve, será que as melodias tocadas no violão, seriam tocadas com o mesmo timbre?
É triste pensar nisso, afinal, somos poeiras em meio a imensidão do cosmo. Essas reflexões escritas aqui não são nada, comparadas aos problemas do mundo. Pessoas nascem e morrem todos os dias. Lágrimas mancham rostos, deixando-os marcados, seja de felicidade ao vislumbrar o nascimento, seja marcando um determinado momento como sendo o último que alguém presenciará em vida.
Quem me vê escrevendo isso, acha que perdi alguém importante. E de certa forma, não está errado. Eu perdi mesmo, perdi a mim mesmo em meio a esse labirinto de idéias. Eu não sei me achar, e por favor, se alguém souber onde eu estou, me avisa. Tá frio e sozinho aqui, e eu tô começando a gostar desse lugar (o que não deve ser bom).
"Você pode ter mil casas, mas só uma vai ser seu lar" (autor desconhecido) Não é dia de #tbt mas a saudade desse lugar ta matando viu (em Bauru) https://www.instagram.com/p/B0HebBzA9z_eUZKJi5-PnFff19yiBr7idbk5NE0/?igshid=u4tutjk29efs
Para o amor que eu ainda não vivi
Pensei muito em sobre o que escrever, sobre amor, e saiu dois projetos de textos que não me agradaram muito. Vim aqui pela terceira vez tentar escrever (vamo vê se sai), e acho que já sei sobre o que escrever.
Vou falar de amor, mas não um amor qualquer, vou falar de um amor que eu ainda não vivi, mas que, a medida que os dias se encerram, eu espero estar cada dia mais próximo de viver.
É estranho pra alguém como eu pensar nisso, eu já desisti de ser feliz nesse aspecto. Parece que serve pra todo mundo, todo mundo tem o direito de entrar num relacionamento e ser feliz, e os meus, coitados, foram sempre de mal a pior.
Meu livro favorito traz uma frase que me representa: "Meu problema, acho, vinha de eu ter passado muito tempo na solidão". Ah Marcus Zusak, o senhor escreveu isso pra mim, só pode. E apesar de tudo que me impede ou limita, vou tentar explicar o motivo dessa frase significar muito pra mim.
Começo parafraseando Zusak novamente (gente, o nome do livro é "a garota que eu quero"), trazendo ainda mais representação de quem sou pelas palavras dele. " Nada vem fácil para um ser humano como eu, não é uma queixa, é só uma verdade".
Realmente, nunca fui de ter as coisas quando bem entendia, eu sempre lutei muito pra conquistar, e com isso, adquiri um sentimento de valorização, de apreço muito grande pelo pouco que eu tinha. Eu sempre fiz questão de aproveitar meu tempo, fosse com qualquer coisa ou qualquer um.
Trazer isso pra vida afetiva não foi algo difícil. O que não consegui foi aproveitar o quanto queria, mas aproveitei o que pude. E isso me trouxe muito aprendizado, seja sobre relacionamentos, seja sobre mim mesmo. Hoje sou capaz de definir o posso oferecer, sei o que quero, e como trabalhar o que tenho e buscar prosperidade.
Como ta intitulado isso, é sobre o amor que eu ainda não vivi. Confesso (to confessando muita coisa já hein) que me sinto criando uma cápsula do tempo, pra ler daqui algum tempo e comparar as expectativas e a realidade.
Do amor que eu ainda não vivi, eu espero muita coisa. Espero maturidade de ambas as partes, afinal, minha alma velha insiste em dizer que meus amores de adolescente já foram vividos. Espero paciência, afinal, somos humanos e passíveis de falha.
Desse amor, que anseio tanto, eu espero resiliência, uma palavra bonita, muito usada e que poucos sabem o significado, mas que em resumo, significa "conseguir superar e seguir". Espero atitude, sei que falta muito em mim, mas to tentando me policiar em relação a isso, além de esperar alguma, afinal, duas pessoas numa relação, o trabalho tem que vir dos dois lados não é mesmo?
Espero afeto, muito mesmo, daquele tipo que causa um mix de inveja/nojo, já que ambos se amam, e se desejam. Espero viver um relacionamento onde eu consiga suprir a carência que esse tempo todo na solidão me trouxe.
Espero aqueles relacionamentos cheio de fogo, afinal, nada melhor que o calor pra derreter um velho coração de gelo. Espero cumplicidade, afinal, o que pode ser melhor, que ter como melhor amigo o seu amor, não é mesmo galerinha dos tribalistas?
Quero aquele amor que te insere na vida sabe? Gosto de saber que a pessoa gosta de mim na vida dela igual eu gosto dela na minha, coisa minha, mas entra na receita de bolo também. Ah, se não for pedir muito, quero um amor com café viu? Aquele amor que te faz querer ficar, a cada partida, já que você descobriu seu novo lugar favorito no mundo.
Se minha mãe tivesse a oportunidade de ler isso, ia dizer que é a minha cara escrever isso, já que ela sabe o quão definido eu gosto das coisas (variáveis definidas ❤). Também quero meu espaço viu. Dizem que é coisa do horóscopo, mas vejo como uma forma de sempre reinventar o amor, saber que cada um vive uma vida além do relacionamento.
Muito ciúme também viu, já que ciúme é algo que te faz querer cuidar, te faz querer colocar a pessoa num potinho, e guardar a sete chaves. Quero malícia também, saber mesclar da melhor forma possível, a mistura alucinante de confissões, mas aquelas que você só revela num momento privado, entre quatro paredes, e que espere que fique guardado.
Quero, em contra partida, inocência. Isso gera ternura, e confesso que apesar de não saber a exata definição, parece algo que alguém iria querer num amor. Vejamos, a cabeça já falha, afinal, é complicado seguir o tema sem entregar a voz pro coração.
Quero que a cada vez que me deitar e repousar meus pensamentos ao lado da pessoa, isso sirva pra me mostrar novos planos, sonhos, metas. É bom ter isso né? Deve ser, faz tanto tempo que eu nem me lembro mais.
Quero que venha muito rápido, ah se quero, porém, depois de horas acompanhando dona Ana na cozinha, eu aprendi que cada prato, assim como cada amor, leva um tempo pra ficar pronto. E de maneira alguma eu quero um amor cru, deus me livre.
Ser uma pessoa intensa tem dessas coisas, de não se contentar com meias coisas. Meio sorriso, meio abraço, meio sentimento. Eu quero me afogar nesse amor, afinal, já sei como é sentir sede, e prefiro pecar pelo excesso, e não pela falta.
Não sei se ficou faltando pedir alguma coisa, mas por favor, tarda, mas não falta viu? De falsas esperanças a vida é cheia, e, apesar de não estar familiarizado com isso, um amor nunca chega pra te fazer alguém pior. Amar é querer bem, é cuidar, é orar, vigiar e proteger.
Desse amor, eu espero, não, eu QUERO que venha, e se quiser ficar, fica, a carcaça não é das melhores, mas como toda casinha com um toque "da gente", aos poucos a gente vai decorando como quer. Afinal, de que adianta morar no Taj Mahal, se o que você chama de lar, é um puxadinho. Então querido amor que ta por vir, chega, aos poucos eu to preparando a casa, fazendo um bolo de fubá, esperando pra prosear, esperando pra ver qual vai ser, pronto pra amar.
Botão da camisa
Certa vez, numa das tentativas de entender de onde veio essa doença (caso não saibam, e a maioria não sabe, tenho depressão diagnosticada faz uns 7 anos), uma terapeuta me propôs um exercício: encontrar, dentro do consultório, um objeto que me definisse.
Caralho, já parou pra pensar na infinidade de objetos contidos numa sala? É uma vastidão findável (estamos em uma sala né? ), pois bem, alguns minutos se passaram e com isso encontrei um objeto que se assemelhava a minha pessoa, ou quem quer que eu fôra naquele instante: um botão de camisa.
Você deve estar se perguntando: caralho peloh, tanta merda pra parecer contigo, e você me escolhe a porcaria de um botão? Sim, nada me definia melhor que um botão, e eu lhes trago aqui uma explicação.
Apesar de não parecer, um hábito fenomenal que a terapia me trouxe foi o ato de sempre observar as coisas que acontecem, sejam comigo ou ao meu redor, de diferentes pontos de vista. Prosseguindo, acho que você nunca parou pra pensar na função extraordinária que um botão tem não é mesmo?
Nos primórdios do homem moderno, o botão era um objeto cuja função era manter unido duas extremidades avessas entre si. Isso pode soar bem trivial, mas te confesso que não é. Experimente sair de casa usando uma camisa sem um botão em seu devido lugar: como resultado, temos um grau de exposição um tanto quanto "indevido" pro momento, geralmente um peitoral não depilado (há quem ache isso um charme, e há quem ache falta de higiene), outrora um umbigo aparecendo pra saudar os olhares curiosos (mesmo que o umbigo seja algo característico do ser humano, ainda é um tabu e tanto pra alguns membros da nossa sociedade).
Pois bem, conforme dito anteriormente, o botão une coisas, e, naquele ponto da minha vida, eu me sentia um botão. Poxa, eu unia meus amigos, eu formava rolês memoráveis (saudades desse tempo), eu uni casais cuja história ainda é motivo de risadas até hoje. Eu era um botão, grande, gordo e feio, mas um puta botão seguro da eficiência do seu trabalho.
Pois bem, citei o exercício, então vamos prática-lo aqui. O que você costuma fazer quando um botão cai? Pense por alguns instantes, já que eu faço esses textos pra serem lidos em cerca de 2 ou 3 minutos (uma parcela bem singela do seu dia)... E aí, pensou? Então, há 2 tipos de pessoas nessa situação: quem guarda o botão pra colocar de volta, e quem joga fora tudo.
Não consigo me lembrar de gente que "me guardou pra colocar no lugar depois", e sinceramente, assumo a culpa de não ter pensado nisso naquela época, já que o mundo é tão grande, tenho certeza que alguém fez isso, então, eu não lembro de você, mas obrigado por ter me guardado, seja lá como tenha feito isso.
O propósito desse texto é retratar algo vivido por muitas pessoas, o sentimento de ser uma pessoa descartável. Se você tem o hábito de ler bons livros ou assistir filmes incríveis, caso ainda não tenha feito, recomendo uma obra: o clube da luta, de Chuck Palahniuk. Não vou resumir a obra, veja com seus próprios olhos, é muito boa, modéstia parte. Enfim, o protagonista cita isso, que, em meio a todo o agito da sua vida, ele se vê cercado de pessoas descartáveis.
Poxa, se tem algo que uma pessoa realmente não merece, é ser descartável. Todo mundo tem problemas, todo mundo ta no mesmo barco, remando deus sabe lá pra onde, e realmente, ninguém é melhor que ninguém. E não é mesmo, não importa o quão "boa" seja sua vida, se tem um bom emprego, um carro top, o parceiro dos sonhos, a melhor galera pra sair: humildade. Ninguém é melhor que ninguém, simples assim, vamos seguir em frente.
Eu me vi descartado por todos. Se você precisasse de mim, independente da razão, eu estaria lá. Vamo roubar um banco? Vamo. Vamo ficar louco numa chácara? Vamo. Vamo conversar sob a luz da lua até o sol nascer? Vamo.
Nunca fui daqueles que tivessem tempo ruim, se tivesse uma causa nobre, e um amigo pra me acompanhar, eu estaria lá. Não me arrependo, faz parte de quem eu sou, e não envolvia fazer mal pra alguém, eu tava lá.
Mas cara, ser deixado de lado é horrível, digo isso com a mais plena noção das coisas. Pouco a pouco, sem entender a razão, eu fui sendo jogado de lado. Amigos foram se esvaindo, pessoas queridas se perderam ao longo da caminhada, e o que me resta hoje são memórias. Somos um poço de memórias, boas, medianas, ruins. Apenas memórias.
Estar vivo é isso, viver o que nos é dado, também chamado de presente, e guardar bem no fundo, onde só nós podemos alcançar. E é isso, independente de quem esteja lendo, você também já foi uma pessoa descartável pra alguém. E digo mais, aproveite, caso ainda não tenha sido, pois isso faz parte da vida. Pessoas vêm e vão, chegam, nos tocam cada qual a sua forma, e em seguida, tornam a partir.
Deixo aqui um conselho, afinal, devemos compartilhar certos truques para seguir firmes nessa caminhada. Viva, mas viva mesmo viu? Faça o que tem que fazer, pensando somente em deixar lembranças. Não faça mal aos outros, afinal, ta todo mundo fudido nessa vida. E no final do dia, antes de pegar no sono, agradeça, independente da sua crença, nem que seja pra se agradecer, mas agradeça pelas lembranças que construiu, que deixaram em você, e espere viver mais delas. "Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida". Obrigado 🙏
“Sou a favor do frio na barriga juntamente com a sensação de borboletas no estômago. Sou a favor da mensagem que se inicia com um bom dia e que vai até a hora de dar boa noite. Sou a favor do sorriso espontâneo, ligado a uma atitude simples ou a palavras simples, mas sinceras. Sou a favor do abraço apertado, do beijo demorado e do coração acelerado. Sabes de uma coisa… Eu sou a favor do amor.”
— Desconhecido.

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“Adoram a nudez do corpo, Se assustam com a nudez da alma.”
— Otávio L. Azevedo, O Buendía
O copo está meio cheio ou meio vazio?
Bem, não é de hoje que venho notando, além de relatar às poucas pessoas com quem tive a oportunidade de desabafar sobre isso. Não sei definir se é algo que eu vejo, ou se realmente está acontecendo e as pessoas estão demorando a se dar conta. Os relacionamentos estão cada vez mais superficiais. Há quem diga que isso é uma fase da vida, há outros que me dizem ser o fim do mundo, e eu, em meio a tanta coisa, vejo isso como um aspecto de perda da humanização.
Tanta informação bombardeia a gente todo santo dia, toda hora, nesse mesmo instante esse texto ta chegando até você, e a gente não se da conta disso. É grupo do facebook, tweet de famoso, foto no instagram... Sem contar as inúmeras conversas no whatsapp. O ser humano alcançou um novo patamar na escala evolutiva, ele conseguiu, apesar de algumas limitações, alcançar um status de "onipresença".
Hoje um filho pode se reunir com os amigos pra brincar, estando de posse de um dispositivo, um carregador e uma tomada. Um estudante pode frequentar qualquer sala de aula estando sentado diante de um computador. Um marido pode acompanhar sua esposa num jantar, desde que ambos tenham acesso a internet... E até mesmo o sexo pode ser feito de forma virtual, e apesar de bizarro, temos que nos vangloriar, afinal, foram anos de pesquisa e evolução pra alcançar isso.
Porém, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades, e não nos damos conta do tamanho do problema trazido com esse grau de conexão. Estamos vivendo cada vez mais no modo automático, abaixando a cabeça pra observar o mundo na palma da mão, e esquecendo que basta olhar em volta, ver que tudo isso que nos é transmitido para as mãos, está bem a nossa frente, a um toque, um passo, um olhar.
Numa das incansáveis tardes da vida, cheia de tédio e monotonia, abro o saudoso cardápio de pessoas, também conhecido por Tinder, num daqueles desejos que a gente tem, que precisa ser satisfeito o mais rápido possível. É estranho ver a quantidade de gente lá, assim como é estranho pensar na idéia de como o aplicativo é utilizado. Vejamos: cria-se um perfil com fotos (escolhendo os "melhores cliques"), há um espaço muito vago e mal preenchido por muitos, onde já me cansei de ler " quem se descreve se limita", enfim, criado o perfil, vamos pro ataque.
Deslizar para a esquerda é NÃO, e pra direita é SIM, algo bem simples não é? Além disso tudo, nos é "dado" a cada 24 horas, um SUPER LIKE, algo com a função de exclusividade, pra chamar a atenção sabe? Feito isso tudo, basta esperar a outra pessoa te curtir, e acontece a combinação, chamada de match pelos programadores. Pois bem, num clique, ou em alguns, vai de como você se "mostra", uma janela de conversação é aberta e temos a oportunidade de conversar com a pessoa com a qual sentimos algum tipo de afinidade/atração.
Como eu digo na biografia do APP (não sou hipócrita de falar de algo sem conhecimento), é bem estranho a gente usar esse aplicativo como um cardápio de pessoas, afinal, num cardápio, o que nos chama a atenção é a aparência ou a descrição do prato. Algo que não é possível ser feito por meio de um ser humano, visto a complexidade do nosso ser.
Isso contribui pro aumento desses relacionamentos superficiais vividos por tantos hoje em dia. Vamos em busca de algo sem nos dar conta de que o que queremos, são pessoas, e não objetos. Isso é algo que devemos nos policiar quando buscamos alguém.
É triste ver tanta gente frustrada com relacionamentos, e pior ainda é saber que não temos ideia de até quando ficaremos assim, vivendo de migalhas, de pessoas "vazias", de amores frios, relacionamentos rasos. Afinal, nos foi vendido uma imagem de amor quente, que acolhe, consola, motiva, aquele fogo da paixão sabe? Pois bem, eu nem me lembro quando foi a última vez que vi uma centelha capaz de me aquietar a alma.
É horrível, eu sei, mas acabo cedendo, pouco a pouco, ao recluso. Estar só é melhor que mal acompanhado. E parafraseando escritores cujo nome eu desconheço, mas dou todo o crédito às frases, "ou me arrepia a alma, ou não me toca em nada".
Apesar dos devaneios durante a escrita desse texto, tenho ainda mais certeza dos anseios que tenho. Rótulos são coisas que eu coleciono, e não me importo em nada das alcunhas que adquiri indiretamente. Prefiro ser o estranho, a ser uma pessoa cheia de vazios. Já que eu nunca me contentei com "meios", devo me certificar de estar sempre " cheio", pra que quem decida mergulhar nesse poço de conteúdo desconhecido, saia pelo menos com a sensação de saciedade daquilo que veio buscar.