EntĂŁo vocĂȘ descobre que quando sente falta de uma pessoa, nĂŁo Ă© apenas dela em si. E começa a sentir como se uma parte sua, bem grande, estivesse faltando. Como se o vazio do seu coração, crescesse cada vez mais â Por mais irĂŽnico que seja, jĂĄ que seu peito, supostamente, se enche cada vez mais de angĂșstias, mĂĄgoas e gritos nĂŁo dados. Fragmentos e lembranças de alguĂ©m que quer deletar cada centĂmetro seu que ainda restar em sua memĂłria.
Por uma brincadeira qualquer do destino, vocĂȘ se pega sentindo falta desse mesmo alguĂ©m que tanto deseja te esquecer. Mas no fundo, reconhece que nada teria o poder de trazĂȘ-lo de volta (âŠ) E tambĂ©m vĂȘ que nĂŁo existe mais nada Ă perder â Por que nĂŁo tentar? Meu celular e eu finalmente paramos de nos encarar. Minha mĂŁo finalmente o alcançou, e por mais tarde que esteja, consigo comparar a velocidade em que disco seu nĂșmero Ă s batidas do meu coração. Me desculpa por ser fraca, e por ter fugido por esse tempo todo. Eu finalmente estou fazendo algo que jĂĄ deveria ter feito hĂĄ muito tempo. Procurar por respostas, junto com vocĂȘ.
â Quem⊠â Sua voz falhada acaba comigo.
â NĂŁo fala, nĂŁo fala. Te imploro. VocĂȘ sabe quem Ă©, claro que sabe. Quem Ă© a Ășnica doida capaz de te ligar Ă uma hora dessas? (âŠ) Eu sei, aquelas outras que entraram na sua vida depois de mim, tambĂ©m teriam coragem. Mas duvido que elas façam isso todos os dias, apenas para escutar uma palavra sua. Tenho certeza que jĂĄ sabe que sou eu que te acordo todas as madrugadas, com ligaçÔes anĂŽnimas, sĂł por poder ouvir alguma coisa diferente de eu nĂŁo quero saber de vocĂȘ. NĂŁo quer mesmo saber de mim? Isso Ă© sĂ©rio? Porque jĂĄ perdi a conta de quantas mil vezes vocĂȘ jĂĄ disse isso e no dia seguinte, esqueceu de toda a sua raiva.
â Eu nĂŁo tenho raiva de vocĂȘ⊠â NĂŁo continua, por favor. NĂŁo continua. Desliga na minha cara, mas nĂŁo diz isso. Todas as respostas que tanto tinha na ponta da lĂngua, foram embora. Me calou completamente.
â (âŠ) Eu sĂł preciso te deixar seguir em frente. Eu nunca fui bom o suficiente. VocĂȘ sabe que merece alguĂ©m melhor.
â Ă, realmente mereço. Supostamente, mereço alguĂ©m que sĂł me traga felicidade, e me trate perfeitamente bem. Que nĂŁo bagunce meu cabelo, muito menos meu coração e minha alma. Que elogie meu sorriso todos os dias, e saiba me tirar um Ă qualquer horaâŠ
â E eu nĂŁo soube?
â Me deixa continuar (âŠ) Eu merecia alguĂ©m que fosse isso tudo, que me desse isso tudo. Mas nĂŁo gostaria de nenhum outro alguĂ©m diferente do que eu amo. VocĂȘ realmente nĂŁo sabe tirar um sorriso meu Ă qualquer hora. Porque ele virou sinĂŽnimo do seu nome. E desde quando vocĂȘ se foi, eu desaprendi o que Ă© sorrir.
â TĂĄ jogando a culpa de tudo pra cima de mim de novo.
â NĂŁo aja como se te machucasse.
â Mas machuca.
â EntĂŁo finge que nĂŁo. Eu nĂŁo quero me ver te perdoando e cometendo os mesmos erros novamente. NĂŁo sĂł eu, nem sĂł vocĂȘ. NĂłs dois.
â Eu sempre erro, nĂŁo Ă© mesmo? Mas onde? E quando? Se souber, me diga.
â Me faço essa pergunta 24 horas por dia, 7 dias por semana. NĂŁo descubro. Mas tenho uma ideia. VocĂȘ erra na parte em que me machuca e nem tenta voltar atrĂĄs, quando eu digo que te odeio e vocĂȘ acredita. Quando eu choro e vocĂȘ finge nĂŁo saber o por quĂȘâŠ
â Vai fazer uma lista?
â (âŠ) VocĂȘ se torna um completo idiota desde o momento em que começa a duvidar de mim ou do que eu sinto, quando ironiza o que eu digo. Quando sente minha falta e nĂŁo me procura, quando tenta me esquecer procurando algumas outras parecidas comigo, que tenha um olhar radiante que faça jus aos meus.
â EntĂŁo se sabe que eu sou um idiota, pode me dizer por que vocĂȘ ainda insiste tanto nesse babaca?
(Porque eu te amo, e serĂĄ possĂvel que exista alguma pessoa no mundo que ainda duvide disso?)
â SilĂȘncio.
â NĂŁo vai me fazer decifrar seu maldito silĂȘncio mais uma vez.
â Que nĂŁo decifre. Eu nĂŁo me importo.
(Eu me importo. E muito. SĂł quero que entenda o que eu nĂŁo tenho coragem de te dizer.)
â Mudou totalmente o tomâŠ
â Ă, realmente. Ăs vezes vocĂȘ se cansa de tentar fazer as pessoas perceberem o que elas nĂŁo querem.
â Isso foi uma indireta?
â Mais pra uma direta mesmo.
â O que vocĂȘ quis dizer?
(Que ainda te amo. E nĂŁo sei viver sem vocĂȘ.)
â Nada. Eu nĂŁo quis dizerâŠ
â Quis que eu sentisse.
â SilĂȘncio.
â Eu tambĂ©m sinto sua falta.
â Mas sabe viver sem mim.
â Com o tempo, vai se aprendendo.
â EntĂŁo me diz como. SĂł me diz. Me faz aprender como se vive sem alguĂ©m que jĂĄ se transformou numa parte de vocĂȘ. Me fala como se faz isso. Sem mentir, sem se enganar.
â SilĂȘncio.
â SilĂȘncio.
â Guarde todo o seu amor. Esqueça que ele existe.
â VocĂȘ esqueceu do seu?
â Apenas guardei, para o momento certo.
â SilĂȘncio.
â Eu ainda te amo.
(Prova. Esquece todos esses desencorajamentos e oposiçÔes que o mundo nos oferece. Me chama de pequena por uma Ășltima vez, e me pega no colo como se nĂŁo houvesse amanhĂŁ.)
â E isso muda algo?
â NĂŁo â Me atingiu como um tiro certeiro.
â VocĂȘ desistiu?
â De mim, de nĂłs.
â E de mim?
â Um poucoâŠ
â SilĂȘncio.
â (âŠ) O preço que paguei por te ter no meu coração, e ter desistido de tudo que se relacione Ă mim.
â NĂŁo posso mais. Preciso acabar com isso de vez. Me diz, onde foi que nĂłs erramos? Eu sei onde eu errei, vocĂȘ sabe onde vocĂȘ errou. Mas e quanto Ă nĂłs?
â Erramos desde o momento em que nos amamos.
â SilĂȘncio.
â Eu preciso te deixar ir de vez, por mais que eu nunca te liberte dos meus pensamentos, vocĂȘ precisa seguir em frente.
â Vai me esquecer. Como fez com todas as outras.
â As outras nĂŁo sĂŁo vocĂȘ.
â SilĂȘncio.
â Pequena, Ă© isso. Acaba aqui. NĂŁo temos mais nada Ă resolver, Ă falar. Espero que o seu silĂȘncio nunca mais queira me dizer algo.
NĂŁo me tortura mais desse jeito, nĂŁo me faz pensar em tudo de novo. NĂŁo me faz pensar que poderia ter dado certo e deu errado. NĂŁo me faz querer acreditar que a sua falta de palavras, quer me dizer algo que nĂŁo vou poder te perguntar.
â NĂŁo vai embora.
â Preciso.
â E eu preciso de vocĂȘ.
â SilĂȘncio.
â Mas se nĂŁo posso ter, sĂł te peço uma coisa. NĂŁo me esqueça. Se lembre de mim, sempre como aquela que mais te amou. Nem que seja como aquela louca, masoquista que lutou por vocĂȘ durante tanto tempo. Nem que seja como aquela chorona que derramava lĂĄgrimas todos os dias por ciĂșmes. Nem que seja por aquela que vocĂȘ teve que deixar, mas nĂŁo quis. Me joga no teu passado, sĂł nĂŁo esquece que eu fui ele quase que por inteiro. Chame outras de amor, sĂł nĂŁo esquâŠ
â Seu choro baixo jĂĄ nĂŁo conseguia se controlar. Eu percebi o quanto te torturei com as minhas palavras. Fui obrigada a desligar, ou eu começaria Ă me desculpar e enrolaria um pouco mais, apenas para nĂŁo ter que te ouvir dizendo alguma coisa pela Ășltima vez â Eu tenho que te dizer adeus definitivamente. E enquanto vejo a tela do meu celular com o nosso papel de parede que ainda nĂŁo tirei, a ficha finalmente cai. NĂŁo hĂĄ mais ninguĂ©m do outro lado da linha, a ligação terminou. E o nosso nĂłs, tambĂ©m.Â