βNΓ£o sinto tua falta. Nem falta do teu cheiro de perfume importado que me exportou de mim. NΓ£o sinto falta do teu Γ©rre puxado, nem do teu beijo gosto-de-dente que morde coraΓ§Γ£o-envenenado. NΓ£o sinto tua falta. Nem falta do teu olhar barroco, do teu gosto agressivo, da dor que tu me provocas feito extraΓ§Γ£o de siso. NΓ£o sinto tua falta. NΓO SINTO. NΓ£o lembro de vocΓͺ. Nem da tua respiraΓ§Γ£o ofegante, nem do teu andar elegante, nem da tua sorte disfarΓ§ada de porta-que-encara-bunda-de-elefante. NΓ£o sinto tua falta. Sinto Γ’nsia. DistΓ’ncia. NΓ£o sinto falta do teu deus-oriental, do teu signo-preto, do teu silΓͺncio-grito que me soa poema-lΓrico. Sinto Γ’nsia. E a provoco. E enfio meus dez-dedos na garganta pra ver se vomito teu ser da minha alma.β
β Lucas Veiga















