era uma fome forte de você
tuas mãos duras à mercê
um horizente, tudo novo, de mar
como os meus sonhos saberiam sublimar
seus dedos fortes segurando corda de azol, de pipa, de berimbau
rima maldita, desejo, leme, nau...
mues dedos sangrando uma despedida
quarta-feira de cinzas, ou inda carnaval
eu olhei para o céu com todo o seu exagero de lua
não pedi, te prometi, do horizonte do sonho à flor da pele
pele corada, quente, molhada e nua
onda bravia de um desejo antigo... nivele, congele, afivele...
não... atropele, esfacele, pincele, modele...
um desejo antigo como sonho, sua estrela passando, meu pedido
caindo no mundo, terremoto, tsunami, furacão
caio no mundo, consentido
uma sutil fração
do medo
um segredo, conto
não conto, boca grande
meu sonho era um degredo
o desenho liso e reteso, uma glande
tudo misturado, medo, sonho, segredo, brinquedo...
uma tatuagem no meu braço
parecendo o pássaro que você fez no céu
antes, um céu noturno, só com promessas de estrelas
hoje, um pássaro que você risca azul com branco no horizonte de cima
por cima dos meus quadris, seus olhos de aurora
crepúsculo, me caibo entre minha escuridão e seus olhos exatos
a velocidade de uma bomba, minhas palavras que sussurma vogais
seus olhos que buscam dentro de si uma aurora mais branca
a nuvem e bruma do mar
amanhece o dia no exato momento
em que desfalecemos sobre a areia
os cabelos revoaçam no tempo
os olhos esvoaçam contra o vento
o peito desce e sobe no contento
as aves marinhas
as aves marias
a despedida
um medo
meu lenço
ter é não pertencer












