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Não me esqueci de você. Ontem me peguei pensando que talvez a gente nunca mais volte a se falar e quem dirá se encontrar. Dói um pouco pensar nisso, mas acho que me acostumei com a ideia. Tem acontecido muita coisa e conheci alguém. Alguém que eu posso gostar, que eu posso me apaixonar, sem medo, sem restrições, fora do quarto, fora de casa. A gente sempre brincou muito com os signos né? Mas nossa, eta signo bom esse seu. Depois de você, depois de conhecer outros taurinos e me relacionar com eles, acho que é de fato o que mais “combina” com libra, talvez porque libra é escrevo astral de touro. É fácil eu acabar me “apaixonando”, ainda mais quando se é permitido, quando se é bom, quando é recíproco da cabeça aos pés e principalmente quando se está disponível pra isso. Tenho estado bem, tem me feito bem.
Eu espero que você esteja bem depois de tanto tempo.
Eu fico pensando como foi que você se apaixonou por mim tão rápido. Me disse que soube que havia desmoronado naquele momento X que estávamos juntas na sua casa, e mesmo que já tivesse que rezar em um ou dois momentos, disse que você é o tipo de amiga que sai no meio de um temporal para se encontrar com algum amigo que você considera muito (pra mim a teoria da Verônica fazia sentido, que amigos não fazem isso, mas você disse que pra você era normal se já estava combinado, ok, não discuti). Eu já gostava de você, não me apaixonei naquele momento, eu já sabia antes, já tinha vontade de você antes disso, eu só deixava bem guardadinha dentro de uma caixinha para nunca mexer e nunca correr o risco de acontecer nada disso. Que loucura, né? A forma que as coisas aconteceram, a rapidez, a intensidade. Talvez a Ana Paula tivesse razão desde o início. Eu me sinto mal por ter causado tanta coisa, mas eu sei que a culpa não é só minha, porque ”quando um não quer, dois não fazem”. Também me sinto mal por ter me submetido a tanto, por ter acreditado tanto que as coisas iam ficar bem, por acreditar que você seria capaz de resolver o seu lado pra gente ficar junta, afinal, no primeiro momento que eu vi que eu não queria mais estar do lado de quem eu estava, eu conversei e terminei, até porque não fazia mais sentido. Não fez sentido. Talvez você realmente não quisesse terminar. Talvez o que a gente teve foi um lapso de loucura que te fez bem naquele momento, mas que talvez, lá no fundo, não quisesse de fato estar comigo, mesmo fazendo todo e qualquer plano possível. Não te culpo, não te julgo. Quando estamos há tanto tempo em um relacionamento que não nos dá aquele frio na barriga que nos dava como no início e então aparece alguém de fora te oferecendo tanta novidade, tanto sentimento novo e que não se sentia há tanto tempo, às vezes a gente confunde isso com amor mesmo. Eu fiz isso já, você sabe. E talvez você nem confiava em mim pra mudar tanto a sua vida, entendo também. Afinal, tenho só 25 anos, o que é que eu poderia te oferecer? Eu também não confio a minha vida em mim, quem dirá mudar a vida de outra pessoa que já estava tão estruturada. Mas era real pra mim, tudo foi real pra mim, eu quis, calada, gritar pro mundo ouvir que eu estava com você: com uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci. Quis gritar, quis mostrar pro mundo, quis pegar na sua mão pra andar na rua sem medo, quis elaborar um pedido de namoro que fosse páreo ao que eu estava sentindo, eu sabia que queria casar com você, sabia que era com você com quem eu queria construir uma vida. É sobre isso que eu tenho pensado, e há tempos venho ensaiando pra escrever, pois escrever me faz bem, mas fiquei com receio por saber que corria o risco de você continuar por aqui. Eu não quero que você se sinta mal. Tenho processado todas as informações, tenho processado tudo o que aconteceu, tenho visto de longe com outros olhos. Eu abri o olho, e você também. A gente enlouqueceu e estragamos tudo.
Tenho me sentido bem ultimamente. Ler sobre o fogo e sobre o cerrado tem me feito um bem danado. Venho redescobrindo o quanto eu sou apaixonada por esse bioma: forte, resiliente, que floresce depois do fogo e, mais importante ainda, que precisa do fogo pra florescer. Tenho me sentido mais leve. Tenho aceitado as coisas como estão, seguindo. As coisas vem dando certo... ou parte delas. Tenho feito planos pra mim, pensado em mim, me dado atenção. Tem surgido oportunidades. Tenho voltado a cultivar contatos que me faziam tão bem antes. Eu tenho pensado muito sobre tudo o que aconteceu, desde o comecinho, desde o momento que as coisas se concretizaram. A gente errou muito. Eu errei, você também. Foi maravilhoso, tudo, cada segundo. Mas a gente jogou fora um negócio ainda mais importante que tinha entre a gente: nossa amizade e nosso refúgio. A gente se apoiava e não tinha tempo ruim. Foi lindo tudo o que a gente teve, tudo o que a gente viveu, e não digo só desses últimos meses, digo de tudo mesmo, desde aquele café no meio da tarde pra jogar conversa fora e eu te entregar o bordado que você encomendou. Eu sempre fui apaixonada por você, mas ainda assim não precisava ter acontecido nada disso. Eu tenho pensado tanto sobre esse processo todo, sobre como as coisas se desenvolveram, sobre a proporção que elas tomaram e como saíram do controle. Eu sinto saudade. Eu espero que você encontre a paz, espero que você fique em paz, que você se perdoe, que as coisas se ajeitem, que você seja feliz. Espero que você me guarde como uma lembrança boa da mesma forma que irei te guardar. Você marcou muito a minha vida, acho que você não entende o quanto, fez parte de um marco muito importante do meu trajeto e eu te agradeço, devo muito a você. Me enxerguei com maior clareza quando eu estava do seu lado. Te guardo com carinho.
“Nosso amor morreu tão cedo Durou o tempo exato da agonia do Tancredo Foi pro espaço muito além do jardim Desafinou, quebrou o instrumento
Nosso amor não teve medo Foi fulminante como um raio em noite, violente Em tão pouco tempo e tão feliz quanto sim Um desafio a mais ao sofrimento
Foi um tempo de um brilho intenso, embriagador Justo quando eu me aclimatava o ar faltou No instante em que eu acelerava, o sinal fechou Peixe que fora d’água me escapou
No momento em que me sentava, o filme acabou Foi como um edifício novo que desabou Foi como o incontrolável fogo que se apagou Foi novamente o tapa brutal da dor”
Vou me acostumar, eu sei que vou, vai doer, todo dia um bocado e por um bom tempo ainda. Acho que não está escrita a falta que você me faz. Sinto sua falta desde o momento que eu acordo até a hora que finalmente consigo pregar os olhos. Sinto falta de tudo em você: lembro do seu sorriso bobo pra mim, da sua risada, desses seus olhos tão doces que cada vez que tropeçava nos meus, eu me apaixonava ainda mais (não sabia que dava pra me apaixonar tanto assim por alguém). Lembro do seu toque, do seu corpo contra o meu, do seu calor, do seu gosto... E de como era lindo te amar, como eu era feliz por ter o seu amor. Mas hoje eu me forço a entrar em um luto que teimei pra não entrar. Eu quis acreditar que tudo ficaria bem, abracei todo e qualquer sinal, jurei que era o universo me dizendo que você iria voltar. Eu acreditei porque eu queria acreditar nisso. Alimentei uma esperança com migalhas, eu estava em negação. Afinal, a dança estava bonita demais para ter que desligar a música. Mas a canção acabou como em um apagão: sem que chegasse ao fim e sem fade-out. Ontem eu estava conversando sobre você sem que eu pudesse citar seu nome. É estranho desabafar sobre um término sem que eu possa dizer sobre quem se trata (e não, nada que eu digo dá algum indício que é sobre você). Estávamos conversando sobre como o outro pode nos conhecer e, às vezes, até mais que nós mesmos. Acho que isso é o que torna tudo ainda mais difícil: você me conhecia dos pés a cabeça, foram todos esses anos eu me expondo e me abrindo pra você sem filtro e nem pudor. Você me conhecia tanto que acho que ninguém entrou tanto dentro de mim como você fez. O que me dói é saber que eu perdi uma amiga, a minha melhor amiga, uma das minhas almas gêmeas, antes de perder um amor. É, menina, eu te amei de um jeito que esse amor já não cabia dentro de mim, ele transbordou. Ele foi tanto, mas tanto, que jurei que uma vida seria pouca pra te mostrar tudo o que eu senti por você. Apesar de todas as limitações, quando estávamos entre quatro paredes, dentro do nosso mundinho, eu era feliz, plenamente feliz, como há tempos eu não sentia. Meu bem, eu vou sentir saudade sua, ela ainda vai doer muito, vai me fazer chorar todo dia um pouquinho, mas eu sei que uma hora ela vai se transformar na lembrança de um momento tão lindo que eu tive na minha vida. Eu vou sempre lembrar de você com todo o meu carinho e o meu amor. Você foi uma coisa linda que me aconteceu, quiçá a coisa mais linda, e te agradeço por todos os momentos que passamos juntas. Eu te amo, e acredite, isso não vai mudar, passe o tempo que passar. Te quero bem e te quero pra vida, mesmo que “talvez não seja nessa vida ainda”.

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Às vezes somos oceanos
Às vezes somos oceanos demais e quem a gente mais quer que mergulhe em nós, tem medo de água. Às vezes quem a gente mais quer que mergulhe, prefere molhar apenas os pés, ou ir apenas até onde a água toca o umbigo, afinal “água no umbigo, sinal de perigo”. Às vezes queremos dançar conforme a música, a gente ouve, sente, deixa que ela nos conduza e que nos leve onde quer que seja, que seja leve, mas às vezes, quem a gente mais quer tirar pra dançar, tem medo de pisar em nossos pés e não se permite tentar, não permite que a gente tente ensinar, tente conduzir. Às vezes tem medo demais, receio demais, insegurança demais, e mesmo que a gente insista em dizer que não vamos soltar a mão, que mesmo que tropece, estaremos ali segurando, ou que mesmo que esteja fundo demais, estaremos ali nadando juntas, uma braçada de cada vez, não tem coragem de sair do raso, mesmo vendo a imensidão e como ela é bonita! Eu queria que você ficasse, mesmo com todo esse turbilhão, a música estava bonita demais pra desligar. Queria que você ficasse pra ver como é o mundo ao lado de alguém que quer te ver feliz e que quer ser feliz ao seu lado! A saudade tá grande demais.
Já éramos amantes antes mesmo disso tudo acontecer. Não era físico, não trocávamos fluidos, não havia toque (esse toque), não havia tanto contato, mas já nos despíamos a alma. Já estava nua. Você já me conhecia. Hoje ainda mais, mas eu já te estava inteira. As coisas apenas se concretizaram. Não há nome, não sei nem mesmo se um dia terá, mas há um carinho e um cuidado tão grande que já me não sei o que te dizer. Eu gosto tanto de você que não sei mais se é apenas gostar, entende?
Você me tem.
Vamos deixar combinado?
Lá na frente a gente se encontra e vive tudo o que a gente quiser viver. Temos uma vida inteira ainda pela frente, mesmo que você diga o contrário. A gente foge pra qualquer canto desse Brasil, fica juntinhas, sem peso, sem ter que se esconder, sem ter que mentir. Se assume pro mundo.
Vamos deixar combinado? Você me diz que sim e eu fico por aqui, te esperando.
Temos tanto pra viver.
https://quatorzedeoutubro.tumblr.com/
O problema é que eu te amo, e o amor é tanto que dói, há uma dor física no meu peito que me atormenta toda noite, mesmo nos falando todos os dias, porque eu sei que já não é mais recíproco, eu sei que você não quer mais e que talvez mantenha um contato por consideração a mim, porque sabe que eu preciso.
Você foi firme em suas palavras, e mesmo que tenha dito muita verdade, foi também muito cruel, me colocou uma culpa, uma responsabilidade que não é minha, que não é justo me fazer carregar. Eu sei que eu errei, sei de tudo que eu fiz, e você não imagina o quanto que eu me arrependo, mas você me colocou um peso que eu não consigo carregar, porque não é meu. Sei também que é difícil de acreditar, mas eu realmente estou disposta a mudar e a fazer de tudo pra que a gente fique bem, se você nos permitir a isso.
Eu estava conversando com a minha terapeuta sobre isso (aliás, é só sobre isso que eu consigo falar já fazem algumas semanas), e há muitos pontos que ela me fez refletir. Um ponto é que todo ato é a consequência de alguma coisa, entende? Não que seja justificável tudo que eu fiz, não é isso, mas poxa, eu sofri tanto por falta de carinho, por falta de atenção, por falta de cumplicidade, por falta de uma amizade... E eu falei tantas vezes sobre essas coisas, e você nunca mudou. Você fala de mim, mas você também nunca mudou...
Outra coisa, que mais foi uma conclusão minha, é que eu sei que você não acredita mais em mim, o que é compreensível, mas aprender a falar sobre meus erros já é um passo pra mim, entende? Eu comecei a falar sobre tudo isso com todas as letras com a Ana Paula, coisa que eu não conseguia antes porque eu tinha vergonha. Você entende a relevância disso?
Ela me disse também que se não for pra ser, não vai ser, e que se for pra eu rastejar, talvez não valha a pena, e que talvez eu só esteja me machucando ainda mais, porque o amor é pra ser algo bonito, e não algo que nos faça chorar.
... e eu amo, eu amo tudo que me remete a você, e tudo em você, só me dói te ver assim, cada vez mais de longe.

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Vínculo forte, vínculo fluido, desapego, abandono
Me afastei não por querer, mas por me colocar antes de você, enfim. Essas últimas semanas eu me submetia à uma angústia que passava de maneira efêmera nas primeiras horas que estávamos juntos. Você não me quer por perto, e não fico brava por não querer, é um direito seu, é claro que é, mas me entristece sua falta de responsabilidade emocional, sabendo o quanto eu te queria por perto, sabendo o quanto eu queria estar ali com você, para ficarmos juntos, fazermos coisas juntos, você continuava a fazer um jogo que eu, sinceramente, não quero jogar. Um jogo de piadas infames sobre os anos que tivemos, sobre o quanto tudo foi ruim para você, e como é melhor não estarmos mais juntos. Sobre o me manter por perto por pura questão de rotina, afinal, se acontecer alguma coisa com você, irá pedir socorro à quem?
Conversando com a Ana Paula, ela me colocou quatro “estágios” (se é que posso assim dizer) de uma relação, seja ela amorosa ou não: há o vínculo forte entre duas pessoas, quando são ferro e fogo; há o vínculo fluido, que de certa maneira é bom, pois às vezes o primeiro pode parecer prender; em seguida, dependendo do tamanho dessa fluidez, há o desapego, que ainda há o querer; e, por fim, há o abandono, que não é, necessariamente algo proposital e nem “palpável”, mas às vezes a gente sente, quando as coisas estão liquidas demais.
Não pense que não sinto falta, não pense que não sinto saudade. Eu sinto e como sinto! Eu penso em você quase que o tempo todo dos meus dias, lembro de você com praticamente tudo, e a minha vontade de compartilhar, de ter você junto para fazermos aquilo juntos. Mas é utópico. Eu sempre fico com saudade de momentos bons com você, é assim com todo mundo, eu sei, mas se voltarmos a nos ver, não será diferente. Eu te conheço de outros carnavais. Nunca fomos uma prioridade para você, e um relacionamento não se constrói sozinho. Isso me dói. Eu sempre penso em você de maneira tão boa pra quando estivéssemos juntos, eu não me sentir querida. Isso não é justo. Não é justo fazer isso com ninguém. Prender alguém do seu lado para seu bel prazer. Percebe que é cruel? Em meio a um isolamento social, fazer alguém se sentir pior, é cruel, fazer alguém não se sentir bem em um dos momentos de escape. Se não era recíproco, não era sincero, não me chamava, me falasse a verdade. Voltei para Rio Claro porque você não estava bem, não quero ser só um “tapa ferida”.
Não é justo.
Apesar de querer
Sou uma pessoa romântica.
Gosto da paixão - talvez mais do que eu gosto do amor. Gosto de poesia, da sedução, da troca de olhares. Gosto do desejo, dos primeiros meses, dos primeiros encontros. Gosto de me encantar por alguém, ficar apaixonada, com o riso frouxo, pensar que esse alguém não tem defeito algum porque estamos só nos conhecendo.
Gosto de elogios, até dos mais banais sobre a cor dos meus olhos ou “como é lindo o meu sorriso”. Gosto dos elogios sobre os detalhes, sobre como é bonito o delineado do meu corpo, de “como é bom o seu beijo”, gosto dos elogios que excitam, que te deixam com gosto de “quero mais” preso na garganta.
O jogo da sedução talvez seja um dos mais bonitos, não digo o mais sincero, talvez tudo dito na hora de seduzir alguém seja verdade, mas ela só é plena naquele momento. É líquido, escorre pelas mãos.
Gosto do prazer. Sentir e dar. Sentir tesão e saber que sou o motivo do tesão de alguém. O jogo das preliminares. Um vinho barato, olhar no fundo dos olhos e sorrir desviando na tentativa de disfarçar qualquer hormônio que te faça querer gemer. O se aproximar aos poucos - olho na boca e olho no olho. Fechar os olhos e sentir a respiração, quente.
A paixão é tudo isso, é a “chama”, o fogo. O amor é o sentimento que pode vir ou não depois disso. O amor te faz amar quem a pessoa é e não quem ela era no começo, ao te conhecer. E não adianta dizer que são a mesma pessoa, pois não são. A primeira é mais interessante, em suma maioria, até porque o objetivo é de fato ser muito interessante, faz parte da corte que ocorre em todo o reino animal.
O amor te faz passar por cima de muita frustração, te faz aceitar o inaceitável, esquecer de erros, te faz simplesmente amar alguém sem nem entender o motivo.
O amor te faz ficar. A paixão vai embora, some e reaparece de uma hora para outra. Mas o amor perdura, ele vai sempre estar ali. O amor, muitas vezes, dói. É ele quem te faz chorar. Mas junto dele há o carinho, a admiração, o esmero, a preocupação e a vontade de proteger, de cuidar, o querer bem. O amor vai muito além do toque, ele pode mesmo “mover montanhas” ou te fazer voar de avião.
O amor também vai te fazer aceitar estar longe se for necessário, “cuidando de longe”, e a distância não vai fazer o amor acabar (ele acaba por outros motivos muito mais complexos, mas ele também não é eterno). A paixão vai passar com a distância. Ela passa, vai embora, é efêmera, passageira.
A paixão é intensa, mas o amor é muito mais complexo, e ainda assim “se o amor traz sofrimento, vou sofrer até o fim”.
Há uma depressão disfarçada dentro de mim. Não gosto de perder tempo deitada na cama pela manhã, não consigo deixar de retocar a raiz do meu cabelo, me faz bem passar argila verde uma vez por semana no meu rosto. Talvez por isso algumas pessoas ao meu redor não me levem tão a sério quando digo que não estou bem. Talvez eu transpareça o contrário, eu sorrio, faço piadas, mas a angústia corrói o meu peito de forma sem igual. Eu sorrio e ao mesmo tempo me vem a vontade de gritar e chorar como se não houvesse o dia de amanhã.
A ansiedade me faz querer desistir, me faz querer largar tudo e voltar pra minha cidade de origem. A ansiedade me enforca, deixa minha garganta seca, me dói o peito, me enche os olhos. Ela me faz questionar coisas que já me eram certeza há um tempo, me faz pensar num provável tempo perdido estando onde eu estou hoje. Me faz questionar sobre a faculdade que estou hoje, minha primeira, aos 24 anos, e me desespera por me lembrar que já tenho 24 anos e não tenho formação alguma. Me mostra que a sociedade é cruel e ela não espera, não aceita desculpas e não se molda para casos como o meu. A sociedade gosta dos padrões, gosta daqueles que se formam aos 23 e já estão no mercado de trabalho, daqueles que estão gerando renda, e não daqueles que ainda não têm independência financeira próximo dos 30.
Eu não estou bem. Não me sinto feliz onde até mesmo no começo desse ano me animava saber que estaria chegando o dia de voltar. Não quero mais estar aqui, não me sinto mais a vontade onde eu moro, não me sinto mais fazendo parte desse conjunto.
A ansiedade me faz querer desistir. De tudo.
Eu sei que você não está tendo dias fáceis, eu entendo, consigo ver. Mas você se esqueceu que eu também não estou bem. Posso não estar mais a flor da pele, mas não estou bem, e não posso nem mais lhe dizer pois “eu ainda não estou bem, não quero discutir...”. Eu não estou bem, não quero precisar mendigar amor, mendigar atenção, carinho. Quero que você faça isso por querer fazer, quero que você seja presente por querer estar comigo, quero que você me inclua na sua vida por fazer sentido me incluir.
Não estou bem, não quero brigar, não quero discutir, quero que você me escute e me entenda sem me julgar, sem enxergar o pior de mim. Não acho que eu esteja errada... Não é justo eu ter que me reprimir tanto para poder me encaixar naquilo que você diz ser bom.
Eu estou chateada... não estou brava, mas está doendo bastante...
É interessante a paz que dirigir ouvindo uma música que eu gosto sempre me trouxe.
Desde que eu tirei minha carteira de motorista tenho esse amor. Sozinha é ainda melhor. Pegar a 23 de Maio, de noite, com alguma música melodramática saindo bem alta dos auto-falantes sempre me fizeram bem, sempre me trouxeram ainda mais pra perto de mim. Me trouxeram a paz de colocar alguma dor para fora, ao cantar bem alto, por saber que ninguém iria me ouvir... na verdade alguém iria, eventualmente, em algum farol, talvez eu fosse julgada por alguma pessoa do carro do lado, mas eu nunca pensei nisso. Eu nunca penso nisso. Apenas me concentro no que aquilo me traz, no que aquilo me representa ou me faz sentir.
Eventualmente eu não estou bem, e voltar para São Paulo me acalma, por mais doido que isso possa soar. São Paulo, a cidade cinza, a cidade do caos, me trazendo calma!
Aqui tem muito de mim, coisa que não consigo deixar de lado, mas na real mesmo, eu nem quero.

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É engraçado. Não me sinto triste, mas não me sinto realizada. Penso em casar, construir uma vida ao seu lado apesar de todos os pesares que nos atormentam (lê-se me atormenta). Mas me entristece lembrar que não há uma conexão como aquela que eu já vivi. Há, ainda, uma parte que falta, uma parte que não será construída como tudo o que nos pertence e que nos fez chegar até aqui, é uma parte que ela só se faria presente e pronto. Fico me perguntando se isso não é consequência de termos nos conhecido por um aplicativo de relacionamentos o que tornou todo o início um pouco mais forçado, sabe? Não nos conheceríamos se não fosse assim, não frequentamos os mesmos lugares, não temos os mesmos interesses... Não temos os mesmos interesses, as mesmas prioridades, o mesmo jeito de ver o mundo e quiçá a vida. Há insegurança, há brechas, há lacunas demais...
Eu gosto tanto de você que meu peito dói, eu gosto tanto de te ter por perto e de te incluir no meu dia-a-dia que meu olho se encontra dentro de um mar, minha cabeça dói, meu peito chora...
Saí pra fumar na intensão de confortar uma dor que não estava cabendo em mim: mais uma perda. Mas não é de hoje, hoje ela apenas teve nome, teve decreto, pois endereço já possuía durante a semana inteira.
A semana passou rápido pela ansiedade de saber o que nos iria acontecer, passou rápido pela quantidade de coisa que a faculdade nos cobra a fazer num intervalo tão pequeno de tempo, mas hoje o tempo não passa.
O término é uma coisa que dói e a gente não consegue nem reconhecer aonde, ele corrói a gente por dentro e diz que o mundo vai acabar, mesmo que não acabe verdadeiramente, mesmo que os compromissos continuem tão presente quanto antes. Mas ele faz a gente querer desistir e faz a gente não ver aonde que isso vai dar. Ele dói. Nos obrigada a ser sozinho, a contemplar nossa própria companhia, nos faz preencher um espaço na cama que nem sempre esteve ali, mas você precisa dormir, precisa colocar a cabeça no travesseiro e dormir, seja como for, precisa continuar comendo e continuar fazendo tudo o que tem que fazer. O tempo ele infelizmente não para pra você chorar, ele infelizmente não é seu amigo nessas horas.
A cabeça dói.
O coração também.
Fico na esperança de colorir cerrado ao seu lado, o nosso cerrado, mesmo sabendo que pode ser que isso não chegue mais.