“Vou te cobrar viu. E tem que ser com essa roupa, okay?” Pediu fazendo um biquinho porque a amiga estava realmente fofa, não poderia perder a oportunidade já que ela aceitou de bom grado. “Não sei? Quem sabe?” Olhou a amiga nos olhos e piscou divertida. Aquele comportamento de Nadine era engraçado para Luna, porque ela não levava a sério mas ficava atentíssima, se tem uma coisa que a fotógrafa não perdia era uma oportunidade. As vezes ela se arrependia como aconteceu na festa passada, mas não significava que não deveria continuar a viver e fazer as próprias escolhas. Que graça teria de se privar de tudo? “Eu agradeço, e percebi pela notificação no meu celular daquele blog fofoqueiro, como você faz pra ignorar quando falam da sua vida sexual?” Comentou tentando focar na câmera porque era mais fácil de ignorar o olhar direcionado a si. “São ótimas referências, adoro todos esses filmes. O quê, a minha roupa te dá a vibe de uma garota gótica com tendências homicidas? Engraçado, nunca pensei nisso.” Ponderou segurando a foto, não ficou tão ruim, captou exatamente o que elas estavam sentindo por assim dizer. “Se eu sequestrasse, pra onde eu te levaria?” Perguntou curiosa sobre aquela brincadeira, ou ideia. “Obrigada! ” Falou num tom firme, apontando novamente a câmera para as duas, se ajustando a nova pose, teve uma ideia, puxou ela para mais perto e virou o rosto para a amiga, fazendo um biquinho, encostou os lábios levemente na bochecha dela e fechou os olhos antes de apertar o botão para tirar a foto.
“Tá bem, sua golpista. Chill.” Negou com a cabeça, um sorriso de canto demonstrando o quanto achava graça na insistência de Luna, mais ainda com aquela exigência dela precisar estar com aquela exata roupa. Resolveu não perguntar o motivo daquilo. Na verdade ela não resolveu, Nadine estava prestes a perguntar, com as palavras na ponta da língua, mas ela se distraiu por um momento, pensando que poderia fazer qualquer coisa pela Sunthon quando ela pedia coisas daquele jeito. “Sim, claro.” Desdenhou sem a assertividade habitual, ocupada imaginando o quão interessante seria se Luna, de fato, tivesse se vestido para impressioná-la de modo particular. Isso mudava as coisas. Nadine nunca havia encarado a amiga daquela forma, mas agora se achava tola por não tê-lo feito antes. A próxima fala da garota a fez pensar um pouco antes de responder, o que foi bem propício, assim ela parava um pouco de pensar em besteiras. “Bom, eu fico pensando no quanto é patético uma pessoa ficar se perguntando se alguém já fez, se não fez, se fez em pé, deitado, de quatro, com o Fulano ou a Ciclana. Quem fala disso sobre a vida alheia devia se procurar se tratar. Eu sou fofoqueira, mas você não escuta essas coisas de mim.” Ela disse, e só porque Luna tocou no assunto, Nadine quis perguntar se o rumor sobre a virgindade dela era verdadeiro, mas não o fez porque seria o cúmulo do ridículo e aquilo não era da sua conta. “Gótica sim, mas estava pensando mais em tendências vampirescas, essas luvas aí dão o tom certo. Só que sou ruim de palpite, então qual foi a inspiração de verdade?” Sorriu à ela brevemente. “É um hotel bem grande, com muitas salas diferentes, além dos quartos. Eu sei que você é criativa...” Ela nem tentou se manter indiferente quando instigou, porque a malícia agora entornava quando ela umedeceu os lábios, ainda com paciência para jogar aquele jogo. Riu satisfeita com o aperto calculado concretizado, levando como sinal positivo o beijo de Luna em seu rosto, mas quando a fotógrafa fosse verificar a foto ela provavelmente ficaria decepcionada, pois veria que os olhos de Nadine mais uma vez não se concentraram na lente, e sim na garota ao lado. “Também sei que pode me beijar melhor que isso.”