THE HUNTINGTON FAMILY
John Huntington • 55 anos • dono de rede de hotéis de luxo (Liam Neeson)
Rachel Huntington • 42 anos • falecida há nove anos (Naomi Watts)
Elouise Jeane Huntington • 23 anos • estudante de moda (Sydney Sweeney)

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THE HUNTINGTON FAMILY
John Huntington • 55 anos • dono de rede de hotéis de luxo (Liam Neeson)
Rachel Huntington • 42 anos • falecida há nove anos (Naomi Watts)
Elouise Jeane Huntington • 23 anos • estudante de moda (Sydney Sweeney)

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elxguerrero:
“Como eu disse: Boa sorte.” Ainda repetiu, com a mesma expressão sacana e convencida no rosto. Não era como se Guerrero fosse uma espécie de super agente secreto treinado pelos russos ou algo do tipo; mas de fato, ele sabia o que fazia. E sim, contar com outros funcionarios para dizer quando e em qual local a garota ia no decorrer dos dias seria totalmente útil. Mas já sabia que a batalha não era garantida entre o antipático novo guarda costas dando ordens por aí, em contraponto da simpática jovem que crescera sob seus olhos e tinha um rosto tão angelical. Salvador não contava com lealdade de ninguém (mesmo de funcionários que poderiam vê-la como uma espécie de filha/irmã mais nova), mas sabia que tampouco era algo facilmente quebrável. Até conseguir fazê-lo, era bom que pudesse confiar na tecnologia. “Mas se eu fosse você, não me indisporia com nenhum funcionário atualmente porque seu pai disse que nenhum será demitido ou contratado sem um bom motivo.” O que, por exemplo, poderia ser qualquer indicação do Guerrero. O pai da jovem ainda estava um tanto desconfiado, mas com o apoio de Lincoln, o homem parecia confiar cada vez mais no latino. “Seria exatamente o que eu sugeriria.” Afirmou, sem ressalvas. Enquanto o olhar corria pelo local, foi fácil reconhecer o grupo de amigos que a jovem esperava ainda que não conhecesse nenhum deles. Para a garota que solicitou a apresentação, Guerrero apenas inclinou a cabeça lateralmente em um cumprimento. “Boa tarde.” Disse então, achando graça na maneira que ela parecia querer impedir qualquer conversa entre o segurança e os outros. O que era ótimo, já que de fato não estava minimamente interessado nisso. Recebia olhares confusos dos garçons e outros clientes, e seria melhor talvez que ficasse mais afastado – mas aquela atenção indesejada seria bom para incomodar a loira; quem sabe assim não lhe contasse na próxima vez que fizesse planos?
Com o cenho franzido, analisou a frase dele. O pai não havia lhe dito nada, mas parecia muito com alguma decisão que ele tomaria, fosse por sugestão de Salvador ou não. Ou seja, talvez fosse melhor acreditar e realmente não se indispor com algum funcionário. Seria terrível conviver com o clima ruim com qualquer um deles, a loira detestava aquilo. Elouise podia jurar que toda a energia ruim e pesada lhe causava olheiras e deixava o seu cabelo opaco. Por fim, se o senhor Huntington estivesse mesmo escutando conselhos de Guerrero, isso significava que já confiava nele e isso poderia ser péssimo para ela. ❛❛ Nem se me pagassem eu abriria mão da minha liberdade. ❜❜ Respondeu, sobre ficar trancada em casa até o problema ser resolvido. Não acreditava que isso seria possível, e lhe dava arrepios só de imaginar a possibilidade, mas certamente agiria como uma garotinha insuportável se precisasse passar por algo parecido. Os amigos retribuíram o cumprimento, de maneira amistosa, mas Megan... “Buenas tardes, señor Guerrero.” A latina cumprimentou de volta, com o sotaque mexicano em evidência e o sorriso sugestivo demais, o que fez Elouise se remexer na cadeira, claramente incomodada. Enquanto alguns amigos também olhavam o menu, outros dividiam os olhares entre o cardápio e a conversa que se instalava, curiosos e observadores. “Entonces, ¿eres responsable de cuidar a mi amiga? ¡Buena suerte!” A mulher brincou, com o sorriso no rosto. Elouise não entendeu, mas se irritou, enquanto a amiga pareceu não reparar; afinal, Salvador parecia muito mais interessante naquele momento. Megan ajeitou-se na cadeira, sua típica pose de quem estava flertando - e Elouise sabia disso. “Soy Megan. ¿De donde es?” Completou, então a loira fechou o cardápio, fazendo mais barulho do que pretendia. ❛❛ Ei! Nós estamos na América. Vamos falar o idioma que todos na mesa saibam. ❜❜ Reclamou, soando mais rabugenta do que imaginou. Soltou o ar pela boca, então virou-se para o garçom. ❛❛ Penne arrabiata e salada de espinafre, por favor. ❜❜ Disse ao homem, virando-se para frente e esperando mais alguém se pronunciar, antes que o clima pesasse por culpa dela.
elxguerrero:
Claro que era uma grande chatice ter de seguir a irresponsável e mimada jovem só porque ela achava saber mais do que todos a sua volta. E com certeza a última coisa que queria naquele dia era ficar em pé ao lado dela no restaurante cheio de gente rica de nariz em pé que o encarava como se estivesse absurdamente fora do lugar. “Te gustaría saber, no?” Provocou, mesmo que soubesse que ela não entenderia. Mas claro que não explicaria a vantagem do rastreamento de seu celular - seria entregar as cartas e implorar para mais uma tentativa de engano. E, tudo bem, ainda havia o rastreador no carro e o fato de que poderia colocar medo em seus motoristas para contarem qualquer plano da loira — mas quanto menos ela soubesse os artifícios que Guerrero utilizava para fazer seu trabalho em paz, melhor. “Eu disse que não te deixaria ir a nenhum lugar desacompanhada. Desculpe, rainha do baile, tenho um trabalho a cumprir e sou ótimo no que faço” Falou, sem um pingo de insegurança. Ainda tinha um sorriso no rosto que não deixou a expressão ao vê-la cruzar os braços daquela forma birrenta. “Que você tem um segurança contratado para te vigiar vinte e quatro horas. Não me parece difícil. Ou pode tentar inventar alguma coisa, mas não imagino nenhuma outra justificativa que funcione. Boa sorte, tho.” Com um sorriso provocador, Guerrero ainda olhou em volta mais alguns segundos antes de continuar. “Quanto menos eu precisar correr atrás de você, mais tempo posso dedicar pra achar quem está por trás disso e finalmente te livrar disso.” O tom era de conselho, mesmo que igualmente sarcastico.
Se a situação fosse outra, teria sentido cada pelinho em sua nuca se arrepiar de ouvi-lo falar em espanhol, ainda que não tivesse entendido sequer uma palavra. Mas, naquele momento, estava irritada demais para se deixar levar pelo encanto que a língua latina lhe causava. Seria mentira, é claro, dizer que não surtiu efeito positivo algum, mas sua reação foi completamente oposta, franzindo o cenho e questionando. ❛❛ What? ❜❜ Era péssima a sensação, e se ele pretendia continuar a provocá-la usando um idioma que ela não entendia, seu próximo passo seria aprender o espanhol à base do ódio. Elouise era inteligente, e se estivesse um pouco menos irritada, poderia pensar com um pouco mais de clareza e chegar à conclusão de que estava sendo rastreada. Entretanto, a ideia sequer lhe passou pela cabeça, acreditando apenas que alguém na casa havia lhe dedurado. ❛❛ Eu vou descobrir quem me entregou. Foi o Lawrence, não foi? Ele tem cara de dedo-duro. ❜❜ Culpou o pobre do motorista, que nada tinha a ver com a história. Era mais fácil arrumar outro culpado do que admitir que a irresponsabilidade era dela. ❛❛ Eu não quero preocupar meus amigos com uma história que meu pai inventou. ❜❜ Respondeu, ainda negacionista a respeito de ter alguém a perseguindo. Mais uma vez, preferindo se manter ignorante à verdade do que simplesmente seguir as ordens de Salvador e facilitar o trabalho para ambos. Puxou o ar pela boca e o soltou pesadamente, consertando a postura na cadeira. ❛❛ E o que você sugere? Que eu fique trancada todos os dias até você resolver esse ‘problema’? ❜❜ As aspas com os dedos representando sua descrença e desdém com o assunto. Observá-lo enquanto ele olhava o local, como se procurasse por algo, a fez sentir um incômodo no peito. Estava sério demais, e não conseguia enxergar aquele homem perdendo tempo com algo que não fosse verdadeiro. Despertou de seu pequeno devaneio de quase aceitar a verdade quando viu os amigos chegando. Acenou para eles de longe, o sorriso animado voltando ao seu rosto. Levantou-se para abraçar a aniversariante, pensando que talvez ignorar o homem fosse a melhor opção, mas uma de suas amigas fez questão de estragar o seu plano em dois segundos. ❛❛ Amiga, não vai nos apresentar? ❜❜ Megan disse, e a loira sorriu sem graça. ❛❛ Ah, lembram da história da bomba? Então, o meu pai achou que aquilo poderia significar alguma coisa e contratou alguém para, supostamente, me proteger. ❜❜ Novamente, a palavra dita com desdém, dessa vez para tentar irritá-lo. Com a sobrancelha erguida, sentou-se ao seu lado, na cadeira vaga, pensando em voltar ao seu plano de ignorá-lo. ❛❛ Esse é o Guerrero. Esses são meus amigos. ❜❜ Apresentou, de forma sucinta, meio de má vontade. ❛❛ Então, o que vamos pedir? ❜❜ Dizia, olhando o menu.

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elxguerrero:
Claro que Salvador não teria tranquilidade. Por que o destino lhe reservaria um pouco de paz de espírito após todos aqueles anos? Não! Colocaria-lhe em ainda mais problemas, envolvido com garotas loucas e inconsequentes. Havia lhe deixado sem supervisão por alguns minutos apenas para tomar um maldito café quando percebeu que ela tinha sumido de seu quarto. O coração acelerava em irritação, bem como preocupação — por ela, por ele. Se algo acontecesse com Elouise, estava fodido. Por sorte havia não apenas se tocado com rapidez, como feito a melhor escolha ao colocar o rastreador em seu celular após ouvi-la dizer o quanto achava absolutamente desnecessário que ele a seguisse para todo lugar. Era apenas questão de tempo até algo do tipo acontecer. ‘Boa sorte’ Ouviu do amigo em tom de provocação logo antes de sair da casa, pegando o carro para dirigir na direção em que ela ia. Aparentemente se aproximava do centro, e percebeu que ela ia até um restaurante conhecido. Em partes era algo bom por ser um local vigiado; mas também podia oferecer um prato cheio para qualquer ameaçador que quisesse chamar atenção da mídia para fomentar os burburinhos sobre o perigo daquele caso. Ela já havia chegado com dez ou quinze minutos de antecedência quando finalmente Guerrero estacionou do lado de fora e entrou no local. “Reserva para Hungtinton.” Falou, logo a atendente apontou para a garota que se sentava à mesa. Salvador respirou fundo antes de caminhar até o local. Tinha sido uma boa escolha a vestimenta toda preta naquele dia (mesmo que não social), já que o lugar era mesmo bastante fino. Parou a seu lado, com um sorriso sarcástico. “Estou atrasado?”
@elliehunt
Uma semana. Tempo suficiente para que a loira pudesse importunar o juízo do homem diversas vezes, mas não o fez. Não quando estava ocupada demais preparando o seu plano para ter alguns momentos de paz a sós com seus amigos. Haviam combinado de almoçar no restaurante favorito de Cathy para comemorar o aniversário, uma decisão tomada muito antes de conhecer Salvador. Não iria mudar os planos. Sequer precisou colocar o seu plano em ação, quando o viu sair para buscar um café percebeu que era a oportunidade perfeita. Já estava vestida, apenas tirou o robe e pegou os sapatos. Desceu as escadas com cuidado, descalço para evitar barulhos, e obrigou o motorista a levá-la sem avisar ao homem que estava ali para protegê-la. Por ter saído antes do planejado, foi a primeira a chegar, a reserva em seu nome foi feita com bastante antecedência. Mal havia se sentado, nem mesmo o garçom teve tempo de abordá-la, quando Guerrero chegou ao seu lado. O sorriso animado murchou no mesmo instante, os lábios entreabertos sem realmente conseguir dizer algo. ❛❛ Você… Como… Argh! ❜❜ Foi o que conseguiu falar, tamanha era sua frustração. Achou que realmente havia sido discreta, mas pelo visto subestimou o homem. ❛❛ Eu não acredito que você me seguiu. ❜❜ Sussurrava, porque não queria causar um escândalo naquele lugar elegante. Cruzou os braços, birrenta, como uma criança que acaba de ser proibida de fazer o que queria. Virou o rosto na direção dele. ❛❛ Você não vai mesmo me deixar aqui sozinha, não é? Meus amigos vão chegar daqui a pouco, o que vou falar para eles? ❜❜ Perguntou, de cara fechada, mau humorada.
elxguerrero:
Era verdade que ainda não havia analisado a situação como um todo para opinar com segurança, então por hora considerava o cenário mais provável. “Já pensou que isso pode ser pior?” Começou; se quisessem apenas matá-la então a garota ainda estaria na sorte, considerando uma morte breve. Se quisessem ferir o seu pai ou usá-la contra ele, então podia se preparar para cenários torturantes e prolongados se algum daqueles idiotas conseguissem colocar as mãos na loira. Mas Salvador estava ali justamente para impedir aquilo, e embora fosse necessário que a mais nova compreendesse o tamanho do problema em que estava, tampouco parecia justo encher sua mente com cenários assustadores. “Enfim” Deixou o assunto morrer - por enquanto -, talvez ela compreendesse no decorrer dos dias o tamanho do problema que enfrentavam. Semicerrou os olhos quando a mais baixa usou tamanha obviedade no tom de voz, encarando as peças de roupa que para ele não significavam nada. Além de, claro, uma lembrança da sensação incrível que fora despi-la não noite passada. Ainda mais: rasgar sua lingerie sem qualquer delicadeza. Desviou os olhos ao notar que os pensamentos saiam do trilho. Que merda, Guerrero! Xingou mentalmente; costumava ser tão centrado — não fazia o menor sentido o quanto se desequilibrava diante de Elouise. Não era mais do que uma garota, afinal. “Prefiro não ter nenhum segredo a mais” Insistiu, esperando que fosse uma indireta suficiente para que ela entendesse como o mexicano não estava minimamente interessado em engajar em qualquer situação indevida com ela. Uma grande mentira, claro. Ao entrar em seu quarto, não podia dizer que estava surpreso. Era mesmo a cara dela. O que o pegou desprevenido foi o aroma do perfume dela que parecia impregnado em cada canto do lugar. Oh, sim, ele podia ficar ali um bom tempo. Colocou as mãos nas costas, esperando que o simples gesto o colocasse de volta na realidade, e tão logo caminhou pelo espaço a fim de analisá-lo. Mal havia terminado de averiguar os possíveis locais em que um intruso poderia se esconder quando as cortinas foram fechadas, o que não pareceu um bom sinal. Guerrero quis rir diante da seriedade alheia, mas manteve o rosto fechado como de costume. “Quer falar sério? Então tudo bem” Aproximou-se dela um passo a mais. Ela descobriria eventualmente que o seu traço principal não era a gentileza, então podia muito bem ser naquele momento. “Se acha por um momento que o meu emprego dos sonhos é correr atrás da rainha do baile para todo lugar cor-de-rosa que ela vai, está enganada. Acredite quando eu digo que preferia te deixar sair por aí, ficar o dia todo na praia e ganhar um salário no final da semana, mas essa é a vida real” Certo, talvez estivesse descontando nela a irritação consigo mesmo por ter se colocado naquela situação. “Eu não estou aqui para te deixar confortável, ou feliz, ou entretida. Eu estou aqui para impedir que algum maluco tente algo contra você, e qualquer coisa além disso não me importa”
A loira limitou-se a revirar os olhos e balançar a cabeça negativamente, como se desdenhasse do fato de que alguém estaria por aí tentando fazer mal à ela ou a seu pai; ou aos dois. Preferiu manter-se em sua ignorância do que aceitar o fato de que teria de mudar toda a sua vida e rotina para se adequar a nova situação. Seguiu o fluxo da conversa, encerrando o assunto por um momento, já que algo lhe dizia que, caso ele continuasse mesmo por ali, falariam disso mais algumas vezes até que ela caísse na real. ❛❛ Eu tenho a sensação de que teremos mais alguns. ❜❜ Jogou no ar, a respeito dos segredos entre eles. Acreditava piamente no que disse, fossem eles dividir um segredo parecido com o que já dividiam, ou fosse sobre qualquer outro acontecido entre eles, sexual ou não. Bem, se ele continuasse ali depois daquela conversa, ela certamente o provocaria vezes o suficiente para acontecer alguma coisa. Mas o que a moça não poderia prever era a mudança de clima que aconteceria minutos depois de entrarem no quarto. Cruzou os braços ao escutá-lo falar, de longe a maior quantidade de palavras que saiu da boca dele desde que se conheceram, mas ela não havia gostado nem um pouco do conteúdo. Percebeu que a falta de gentileza não estava apenas em seus toques urgentes na noite anterior, ou na forma como rasgou sua lingerie favorita. Ergueu uma sobrancelha, dando mais alguns passos na sua direção enquanto falava. ❛❛ Tudo bem, então vai ser do jeito difícil? Porque acredite, a rainha do baile sabe como ser insuportável. ❜❜ Admitiu, usando o termo que ele havia usado para descrevê-la. Fosse outro o tom da conversa, ela adoraria o título - afinal, ela realmente havia sido a rainha do baile durante anos na época da escola - mas quando a chamavam assim de maneira desdenhosa como se ela se limitasse aquilo... Isso sim a irritava. Ele não teria como saber, entretanto. ❛❛ Se você não vai facilitar a minha vida, então eu também não vou facilitar o seu trabalho. ❜❜ Dizia, o sorriso doce nos lábios contrastando com a fala agressiva, os olhos azuis brilhando enquanto pensava em diversas formas de atazanar a vida do pobre homem. ❛❛ Acho que vamos nos divertir muito. ❜❜ Resumiu, a ironia em sua voz denunciando seus planos. Fitou-o por alguns segundos, antes de se virar de costas e indo até o seu closet, falando um pouco mais alto para que ele a escutasse. ❛❛ Bom, já que você decidiu que vai mesmo me seguir em todo canto, eu tenho yoga em alguns minutos. ❜❜ Anunciou, saindo com as novas peças de roupa em mãos e o sorriso ardiloso nos lábios. Retirou a camiseta, ficando apenas de sutiã. ❛❛ Preciso trocar de roupa. Vai ficar para o show ou pelo menos isso eu posso fazer sozinha? Não que eu me incomode se quiser ficar. ❜❜ Provocou, as mãos encostando no zíper da saia para que pudesse abri-la.
elxguerrero:
Àquele ponto, não tinha muita certeza do que esperar. Tentaria ela uma abordagem ainda mais incisiva? Isto é, sexualmente. Ou faria um escândalo, como uma garota mimada? Outras possibilidades lhe passavam pela cabeça e a única que tinha um tanto de dificuldade em acreditar era que ela compreenderia a situação e estipularia limites na relação dos dois. “Exagero?” A pergunta era quase que retórica, mas a expressão denunciava a verdadeira confusão. Uma ameaça de morte definitivamente não era um exagero, ainda mais para um membro exposto e frágil da família de um homem poderoso e influente. Restava ainda compreender quais tipos de inimigos o pai da jovem poderia ter, quem já havia irritado e o que alguém ganharia lhe assustando. Algum rival de negócios? Algum problema pessoal mal resolvido? E mais: poderia o responsável pela ameaça ter problemas diretamente com a loira, e não apenas usá-la como meios para um fim? Tantos questionamentos sem resposta deixariam qualquer um justificativamente tenso — Ellie, no entanto, parecia calma até demais. “Acho que não entende o conceito de ameaça?” Respondeu, grosseiramente, embora o tom fosse contrastante com leveza. Sentiu-se aliviado diante da constatação alheia pois aquilo eliminava certas preocupações e perigos. E no fundo, uma parte que ele preferia ignorar gostou de saber que a mais nova não repetiria o feito com qualquer um. Acompanhou-lhe enquanto finalmente deixavam aquele cômodo que parecia quase que claustrofóbico enquanto estava consciente de que havia apenas os dois (trancados!!) no local. Com as mãos atrás do corpo, Guerrero seguia a mulher. “Faz faculdade de que?” Apesar de ter soado como genuíno interesse, parecia importante que soubesse. Ficava mais fácil imaginar quais tipos de pessoa a rodeavam e em que meio ela estava inserida. “Bom, minhas instruções foram exatamente o contrário: eu não deveria te deixar sair daqui sozinha.” Explicou, o que na realidade não o incomodava. Era apenas um trabalho, certo? Um que ficava muito complicado após dormir com a filha de seu patrão, mas, um trabalho. “Certo” A desconfiança na voz era palpável, visto que ainda não apostaria no bom senso alheio. Por outro lado ela tinha razão, o homem deveria conhecer todos os cômodos e principalmente aqueles em que alguém poderia buscar invadir para alcançá-la.
❛❛ Sim, um grande exagero. Se quisessem me machucar, teriam enviado uma bomba de verdade, não é? ❜❜ Reforçou a sua fala, pensando se repetisse aquilo ele não concordaria com ela. Talvez pudesse fazê-lo enxergar que aquilo era apenas um pai preocupado com a sua filha. Ou talvez ela estivesse esperando ouvir a opinião de alguém experiente, mas definitivamente não estava pronta para ouvir a verdade e aceitar que a sua realidade, agora, precisava ser diferente se quisesse continuar viva. ❛❛ Moda! Não dá para perceber? ❜❜ Deu uma voltinha, mostrando a roupa que vestia como se isso fosse significar muito para ele. ❛❛ Mas se me deixar sozinha, eu não conto para ninguém. Esse pode ser o nosso segredinho número dois. ❜❜ Sugeriu, o sorrisinho esperto no rosto de quem sugeria algo interessante. E era, para Elouise. Para o homem, entretanto, poderia parecer nada interessante contrariar a vontade do homem que o contratou. No fundo, a loira sabia que não havia chance daquilo acontecer, mas ela jamais perderia oportunidade de tentar e, de quebra, provocá-lo um pouquinho. Simplesmente porque parecia tentador demais usar a informação que tinha para ver que reações poderia causar nele e qual era o limite de sua paciência. Apontou com a cabeça para a escadaria e começou a caminhar até o andar de cima, chegando até a porta branca e abrindo para o quarto de paredes brancas e rosa bebê. ❛❛ E esse é o meu quarto! Ali é onde estudo, ali é o meu closet... ❜❜ Mostrou rapidamente, esperando que ele entrasse e fechasse a porta. Caminhou até a enorme janela que dava para a sacada. Apertou no botão que fechava as cortinas e virou-se para ele. ❛❛ Podemos falar sério e definitivo? Eu não quero perder a minha liberdade e falo sério. Como vamos fazer isso funcionar sem prejudicar nenhum dos dois? ❜❜ Perguntava com a seriedade de alguém que achava verdadeiramente que aquilo era uma negociação, como se houvesse outra possibilidade além de apenas obedecer às ordens do senhor Huntington.
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Quase deu risada quando ela disse que eles tinham um problema - simplesmente porque parecia implicar que ela não aceitaria o seu não com alguma facilidade. O que na realidade foi confirmado logo em seguida. Guerrero já havia lidado com todos os tipos de perigo, e não seria a figura feminina de um metro e sessenta que o assustaria. Se pensasse um pouco mais, acabaria percebendo o tipo de arma que a jovem poderia ter contra ele — mas estava ocupado tentando disfarçar o fato de que realmente deveria ter negado logo de início todas as propostas absurdas que ela lhe fazia. Malditos olhos bonitos e perfume delicioso. Malditos instintos que o fizeram se envolver com a garota na noite anterior, mesmo que sua consciência tivesse enumerado os motivos para não fazê-lo. A loira estava perto e ele ainda não havia afastado. Por que não? Não sabia. Poderia fingir que era apenas para que evitasse ser exageradamente grosseiro, ainda que aquilo nunca lhe fosse uma preocupação. Assentiu quando ela finalmente aceitou, o que tampouco o tranquilizava muito. Algo lhe dizia que não teria paz. Riu pelo nariz, finalmente dando um pequeno passo para trás e cruzando os braços. “Que tal se eu for o guarda costas legal que te mantém viva? Ou você esqueceu o motivo de eu estar aqui?” Franziu o cenho, irritadiço, embora a voz permanecesse baixa. “Especialmente se a sua liberdade for ir a bares em locais afastados e sair com homens desconhecidos” Reforçou, quase tanto para ele quanto para ela. Precisaria manter aquele tipo de comportamento em mente, já que tão logo se veria arrastando-a de um estabelecimento como o da noite anterior. No contexto de sua proteção, claro. “Preciso que me fale da sua rotina e da sua agenda para os próximos dias desse mês. De preferência enquanto continua me mostrando o lugar” Era uma boa forma de manter a imagem dos dois em público o suficiente para impedir comportamentos indevidos da parte alheia. Ele esperava.
Elouise estava acostumada a dar piti. Desde a infância, fazia o escândalo que fosse para conseguir o que queria, mas conforme chegava a adolescência e descobria outras formas de convencer as pessoas a fazerem o que ela queria, mudou as suas táticas. Por mais que abusar de sua sensualidade funcionasse com alguns rapazes, o homem a sua frente parecia bastante resistente em ceder aos seus caprichos só por ver os olhinhos azuis piscando da garota. Continuava a desenhar figuras abstratas no braço dele quando o percebeu se afastar, chegando, então, à conclusão de que precisaria de uma nova tática. Revirou os olhos com a fala dele. ❛❛ Isso é um exagero do meu pai. ❜❜ Naquele ponto, ela já não sabia mais se realmente acreditava nisso ou apenas repetia o que era melhor de acreditar. Porque se pensasse que corria perigo real, iria surtar. ❛❛ A tal bomba que me enviaram de presente nem era uma bomba de verdade. ❜❜ Não sabia se ele entenderia sua atitude como egoísta, ingênua ou ignorante; talvez fosse um pouco dos dois. Fato era que, para o bem de sua saúde mental, a loira optou por acreditar que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto. A fala seguir, entretanto, lhe arrancou um sorriso que misturava diversão e provocação. ❛❛ Ah, fique tranquilo. Eu não pretendo mais sair com homens desconhecidos que encontrei em um bar qualquer. ❜❜ Realmente não era de seu feitio. Foi a primeira vez que fazia algo assim e, agora com ele em sua cola, seria difícil acontecer novamente. Ou talvez fosse porque ela não queria que acontecesse com ninguém mais além dele. Decidiu fazer o que ele pediu, mordendo a bochecha para conter aquele sorriso que ela dava sempre que tinha algum plano. ❛❛ Tudo bem, vamos lá. ❜❜ Ela foi até a porta e a destrancou, saindo e esperando que ele viesse consigo. ❛❛ Sobre a minha rotina: eu vou para faculdade de manhã e durante a tarde eu faço algo diferente todo dia. ❜❜ Tinha a yoga, gostava de jogar tênis, dançar ou fazer compras. Dependia do seu humor e da disponibilidade das amigas. Ellie falava enquanto caminhava de volta para a mansão, disposta a mostrar alguns outros cômodos, em especial o seu quarto. Ele precisava saber, afinal. Mantinha distância considerável, haviam câmeras ali, mas ela sabia exatamente onde ficavam os pontos cegos. ❛❛ Minha rotina é bem tranquila. Você não precisa me seguir o tempo todo. Posso te chamar se tiver algum problema. ❜❜ Dizia com a naturalidade de uma garota mimada e inconsequente que não enxergava perigo na situação em que estava. Não estava disposta a perder sua liberdade, e estaria disposta a dificultar o trabalho dele ao máximo, caso ele insistisse em tirar aquilo dela. ❛❛ Vem cá, vou te mostrar o meu quarto. Só para você saber onde fica, caso eu precise de ajuda. ❜❜
elxguerrero:
Algumas das coisas que Salvador havia aprendido no decorrer dos anos sem dúvida era sobre como não podia contar com qualquer comportamento humano como algo totalmente previsível. Sim, em teoria nenhum dos outros funcionários deveria abrir portas sem pedir licença ou bater antes — mas quem garantiria aquela educação? Não podiam arriscar tamanha proximidade. Lembrou-se então das palavras de Lincoln, agora soando como uma grande piada quando sua instrução tinha sido literalmente não permitir que alguém encostasse na filha do chefe. E ainda se destacava toda a ênfase que o colega tinha dado ao dizer que a única pessoa que acreditava na inocência da garota era o homem. “Não, eu não acho” Garantiu, tentando manter o corpo o mais rígido possível, quem sabe aquilo não o ajudava a acreditar nas próprias palavras? Mas era fato que correr risco de ter as mãos cortadas não era o melhor tipo de preliminar aos olhos do latino. Ainda não havia relaxado quando ela pareceu concordar simplesmente porque parecia bom demais - e tão logo percebeu que estava certo em esperar pela pegadinha. Pedidos? O problema era que ele não tinha certeza do grau de autoridade que lhe fora disponibilizado. Sabia, sim, que o pai da moça colocava sua segurança acima de tudo e Guerrero tinha total liberdade para barrar a jovem — mas quanto a seus modos? Podia apostar que ele não aprovaria que o funcionário falasse com a loira de um jeito menos do que gracioso e respeitoso. Impaciente, colocou as mãos à frente do corpo esperando que ela dissesse de uma vez quais os malditos pedidos. Semicerrou os olhos diante do primeiro deles; recordava-se do quanto ela parecia ter apreciado o idioma estrangeiro na noite anterior. E como ela arrepiava cada vez que ele sussurrava algo hispânico em seu ouvido. Merda, Salvador, foque na situação! Apesar de se sentir quase que um brinquedo ali, ele poderia fazer aquilo. O segundo pedido, no entanto, deixou-lhe embasbacado com a audácia. Ela não tinha mesmo noção alguma. Guerrero a encarava de cima pela diferença de alturas, a testa franzida enquanto ela se aproximava. O corpo lhe traía, quase indo para frente na tentativa de encontrar o dela — mas a mente tentava permanecer firme. Ergueu o queixo, repetindo a si mesmo o quanto não deveria cair na tentação. Mesmo que experimentar os lábios doces de novo fosse uma ideia atrativa, ou sentir os seios contra seu peitoral, ou ainda apertar sua bunda… “E se eu disser não a esses pedidos?” Falou, mesmo que sua resposta devesse ser simplesmente ‘não’ sem qualquer hesitação.
O seu jeitinho inconsequente já havia lhe colocado em diversas enrascadas, mas como toda boa pobre menina rica, ela estava acostumada a se safar todas as vezes. Não era de se espantar que agisse como uma adolescente ao achar aquela situação excitante e não preocupante, simplesmente porque resultado que pudesse imaginar daquela cena era prazeroso ou divertido, jamais passando em sua mente os riscos sérios que aquela provocação poderia causar. A perda do emprego que, ela não fazia ideia, poderia ser imprescindível na vida do homem, além de não saber do que o próprio pai era capaz para defender a sua honra. Não, ela jamais pensaria em algo assim. Não quando o objeto de seu desejo estava ali, tão perto de si, em um momento tão tentadoramente atrativo. Revirou os olhos teatralmente ao ouvir a primeira negação. Genuinamente acreditava que ele dizia aquilo da boca para fora, mas preferiu não dar mais corda sobre o assunto. Os dedos continuavam a brincar nos braços do homem, parados em frente ao corpo e rígidos, provavelmente como estava todo o seu corpo. Elouise preferia acreditar que era efeito dela sobre ele, mas sabia que aquilo poderia significar que ele apenas queria se manter firme diante dela e suas insinuações e pedidos. ❛❛ Então teremos um problema, senhor Guerrero. ❜❜ Usou o pronome de tratamento formal e o sobrenome com o maior tom de ironia que poderia usar. ❛❛ Porque não gosto muito de ouvir a palavra não. ❜❜ Respondeu com sinceridade, uma das sobrancelhas erguidas enquanto o encarava de perto; o mais perto que havia conseguido chegar sem que ele a empurrasse. ❛❛ Mas se você realmente não quisesse, teria dito não de uma vez. ❜❜ Piscou com o olho direito, o sorriso tão provocativo quanto seu tom de voz. Os dedos continuavam a brincar em seu braço, desenhando agora figuras abstratas. ❛❛ Tudo vem, vamos fazer o que você disse e ignorar o que aconteceu ontem. Vamos ser apenas protetor e protegida. ❜❜ Mentiu, porque não tinha pretensão alguma de ignorar o acontecido e muito menos tratá-lo como apenas um funcionário que seu pai contratou para lhe vigiar e proteger. ❛❛ Mas você não pretende fazer o que meu pai disse e me seguir em todo canto, não é? Eu preciso da minha liberdade! Você pode ser... eu não sei... o guarda-costas legal que me deixa viver minha vida. ❜❜ Sugeriu, dizendo com naturalidade como se fosse a ideia mais aceitável do mundo. Não que tivesse desistido de conseguir um beijo dele - ou algo mais - mas teria tempo para tentar outras vezes. Antes disso, precisava garantir que ele não seria uma pedra no seu sapato em sua vida social. Teria uma festa no dia seguinte e a última coisa que queria era ter um homem atrás de si, vigiando seus passos e a impedindo de fazer as coisas erradas e imprudentes que adorava.

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Elouise estava irritantemente calma diante daquela situação, o que apenas aumentava o stress que o latino sentia. Deveria ter escutado aquela pequena parte da consciência que lhe avisara que se envolver com alguém tão mais nova não poderia ser nada além de problema. Não que tivesse como imaginar aquele tipo de enrascada, mas o que esperar de alguém com um comportamento imprudente como aquele? Problema. A justificativa para que ela não tivesse em mente a possibilidade de contar ao pai sobre eles fez com que Guerrero franzisse o cenho, especialmente depois de receber a piscada recheada de malícia. Era realmente só o que faltava: a garota não apenas se divertia com a coincidência como presumia que aquela situação seria de algum tipo de benefício. Ela se aproximou e o toque imediatamente fez com que ele relembrasse a noite anterior; não queria ter memórias para repassar nos próximos meses? Então definitivamente não conseguiria se esquecer de Hungtinton. Seu instinto deveria ter sido dar um passo para trás, mas esperou que ela se aproximasse o suficiente para inspirar o perfume tão delicioso cujo corpo já aparentava uma espécie de abstinência. Deu-se conta apenas quando os lábios da jovem estavam próximos demais dos seus. “Elouise” A voz grossa soou irritada, e finalmente afastou-se. “Se alguém passar por aqui e nos encontrar assim, o que acha que vai acontecer?” Céus, ela não pensava em consequências? E agora ele quem estava responsável por aquela bomba loira que parecia inclinada a péssimas escolhas. “Iremos ignorar o que aconteceu entre nós. Vou fazer meu trabalho, e é só isso. Não sei o que passa na sua cabeça agora, mas estou aqui para ser seu segurança e nada mais” Normalmente não seria convencido a ponto de presumir que a loira quisesse que o que aconteceu entre eles fosse algo frequente — mas os olhares e a maneira que ela insinuava o quão divertido tudo era fazia com que ele interpretasse daquela maneira. E se ela pensava que Salvador estava ali para ser brinquedo de uma jovem mimada e entediada, então estava enganada! Ha, mal sabia ele o quão errado estava.
Sem noção. Essa era apenas uma das formas de descrever o comportamento de Elouise naquele momento. Imprudente, irresponsável, mimada... Era difícil conceber a ideia de que alguém naquela situação fosse capaz de ter o mesmo pensamento que a garota. Talvez fosse a sua criação, uma pessoa que sempre teve tudo facilmente em sua vida se torna uma adulta sem limites. É claro que, apesar da malícia em seu olhar, havia certa ingenuidade em sua atitude. Não acreditava estar em real perigo, e para alguém que sempre recebeu mesada do papai e nunca precisou lidar com um emprego de verdade, não entendia a seriedade daquilo para Salvador. Sorriu ao ouvi-lo dizer o seu nome, como se aquilo tivesse muito significado; imagine se começasse a chamá-la pelo apelido? Bom, teria um longo percurso a correr até esse momento. ❛❛ Ninguém vai entrar aqui sem bater antes. E de qualquer forma, vai me dizer que não acha super tentador a sensação de quase ser pego no flagra? ❜❜ Mordeu o lábio inferior para reprimir o sorriso, aquele de quem havia acabado de confessar um desejo. Por mais fofoqueiros que os funcionários ali pudessem ser, ainda havia educação e respeito. Apesar de toda a confiança e autoestima de uma jovem que raramente recebia um não em sua vida - especialmente de rapazes - ela sabia que, se tratando de alguém experiente como ele, os seus encantos poderiam não ter o mesmo efeito. Isso não significava, entretanto, que ela estava disposta a desistir. Apenas mudaria de tática. Assentiu com a cabeça, pressionando os lábios, como se tivesse um relapso de consciência e caísse na real sobre a situação. ❛❛ Ok, vamos ignorar o que aconteceu. ❜❜ Como se fosse possível, ela pensou. ❛❛ Mas eu tenho algumas condições. Pedidos. ❜❜ Mudou a palavra para não soar autoritária. Sua intenção ali não era que ele a detestasse. Caminhou até a porta e a trancou. ❛❛ Número um: Se você vai ser formal e me tratar pelo sobrenome, eu gostaria que me chamasse de Señorita Huntington. ❜❜ Os lábios selados em um sorriso cheio de significados, lembrando do quanto gostou de ser chamada assim na noite anterior. A tentativa de reproduzir o sotaque latino havia sido falha, mas acreditava que o recado havia sido dado. Deu mais alguns passos em sua direção, antes de dizer o próximo. ❛❛ Número dois: Se eu vou ter que ficar perto de você todo esse tempo e te desejar em silêncio, eu quero um beijo. Um último beijo. De despedida. ❜❜ Não um beijinho qualquer, mas aquele cheio de desejo que ele lhe deu logo que chegaram em sua casa. O rosto perigosamente próximo ao dele, a adrenalina correndo no corpo apenas de imaginar a ideia de ser agarrada com aquelas mãos firmes. Não sabia quais eram as chances do homem ceder aquele pedido, mas não custava arriscar. Afinal, aquilo não era o que ela fazia todo o tempo? Arriscar.
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Quarenta e dois anos. Quarenta e dois anos, e muito embora Salvador tivesse experimentado os mais diferentes tipos de situações, não se lembrava de qualquer uma que aparentasse mais com uma piada de muito mal gosto do universo. Não, nem mesmo uma piada — era quase como um chute no nariz, isso sim. De todas as jovens imprudentemente e gostosas no mundo, Guerrero tinha de ter dormido justamente com aquela que teoricamente deveria impedir que qualquer um chegasse a menos de três metros? Idiota! Ele era um completo idiota. Se ao menos tivesse focado na foto recebida pelo colega, então teria evitado tudo aquilo. O coração aliviou-se miseravelmente quando percebeu que a loira pelo menos estava disposta a fingir que eles não haviam passado as últimas horas da noite anterior fodendo na casa do latino. “É um prazer, senhoria Hungtinton” Ellie. Gostaria de tê-la chamado pelo apelido, mas sabia que não deveria - não naquela posição. E por que raios gostaria de chamá-la pelo apelido? Foco, Salvador! Ergueu o queixo um pouco mais, ajustando a postura para que ficasse perfeita e impenetrável. Talvez aquilo ajudasse a fingir que não havia feito aquele erro monumental na noite passada. A loira tinha uma expressão simpática que apenas o homem sabia o que significava, e aos poucos a mente vagava por tudo que havia lido ou ouvido sobre a jovem. Princesinha mimada, que fingia-se de anjo inocente para o pai mas vivia em situações irresponsáveis e indecentes. Garota fresca e meticulosa, que sabia manipular de acordo com seus interesses, e que o pai ameaçava qualquer um que a olhasse. Ou se atrevesse a toca-la. Merda, merda! Como podia ele ter já iniciado um trabalho naquele tipo de situação? Se o pai da jovem descobrisse o que fizeram apenas há algumas horas. O interior de Guerrero era um rebuliço, os pelos eriçados enquanto tenta organizar os pensamentos para não surtar ali mesmo. Seus olhos repousaram na marca arroxeada em seu pescoço, apenas imaginando o que o rico insano poderia fazer consigo se descobrisse que Salvador era o responsável por aquela indecência. Quando o pai da jovem começou a relembra-lá a respeito do papel do guarda costas, caiu enfim a ficha do mexicano de que ele teria de estar todo o tempo com a jovem. Perdido. Estava absolutamente, totalmente e incontestavelmente perdido. “Sim senhor” Respondeu quando o homem pediu licença, engolindo em seco. Seu colega também já havia deixado a sala, precisava averiguar a segurança da casa e não teria tempo por enquanto de apresentá-lo aos cantos da propriedade. Sobrava, aparentemente, Elouise. Para a fala carregada de um significado que apenas ele saberia, Guerrero assentiu e deixou o escritório. Ainda do lado de fora não disse nada; não quando em todo canto parecia haver um funcionário curioso. As empregadas e as cozinheiras pareciam curiosas quanto ao novo segurança, e portanto Salvador se manteve quieto durante todo o trajeto na direção do lado de fora. Ali, longe de olhares curiosos, agarrou o braço da garota e a puxou para perto. “Elouise Hungtinton? Está brincando comigo?” Claro que ela não tinha culpa alguma - no mais, ele quem deveria ter verificado a foto da princesinha de Los Angeles. “Mierda. Si tu padre se entera” Murmurou, bagunçando os fios escuros. Então arrumou a postura, pigarreando, como quem buscava um resquício de autoridade. “Escute. Você não vai falar nada para seu pai. Nada aconteceu. Estamos entendidos!”
❛❛ ❜❜
Nada está tão ruim que não possa piorar, é o que diz o ditado. Se a ideia de ter um segurança particular a seguindo para todo canto já era ruim, pior ainda era que esse homem fosse especificamente o dono da cama que ela havia acabado de acordar. Elouise estava acostumada a entrar em enrascadas, fossem elas bobas ou algo que precisasse da influência do papai para se livrar, mas ao lembrar-se rapidamente dos problemas em que se meteu, não conseguia pensar em nenhum tão complicado como aquele momento. Entretanto, a forma como ela caminhava sorridente ao lado de Salvador causava confusão em que assistisse a cena sabendo do acontecido. Como poderia estar tão tranquila? Simples. Porque a ideia que ela tinha do problema era um pouco diferente da que o homem parecia ter. Ignorando os olhares curiosos dos outros trabalhadores da casa, seguiram para fora da mansão e a loira abriu a porta da pequena residência onde costumava ficar o caseiro. Sentiu o puxão no braço e cobriu os lábios para impedir uma risada de sair. ❛❛ Pois é, que coincidência, não é? ❜❜ Disse com um largo sorriso no rosto. A naturalidade com que tratava o assunto era absurda, quase como se fossem apenas velhos amigos que se reencontravam. Poderia ser apenas deboche, mas aquilo só provava o quão inconsequente ela era por não perceber a gravidade de um problema que aquilo poderia causar. Franziu o cenho ao escutá-lo falando em espanhol, mas apesar de curiosa, apenas sacudiu a cabeça e desistiu de perguntar. A julgar pelo tom de voz, era alguma reclamação ou lamento e ela não queria focar naquilo. ❛❛ É claro que não vou contar! Meu pai iria te demitir e eu ia perder a chance de ficar assim pertinho de você. ❜❜ Piscou o olho direito, oferecendo um sorriso quase tão cheio de malícia quanto o da noite anterior. ❛❛ Nossa, eu estava tão irritada com a ideia de ter um cara atrás de mim vigiando meus passos, mas isso vai ser bem divertido. ❜❜ Deu alguns passos em sua direção, passando as mãos pelo peitoral por cima da camiseta, apertando os ombros dele e chegando perto o suficiente para sussurrar contra seus lábios. ❛❛ Nosso segredinho, então. ❜❜ E naquele momento, sua mente começou a calcular possibilidades para ele chegar ao seu quarto sem ser notado. Ou quem sabe ela invadir durante a noite o lugar onde ele estava. Na cabeça da Huntington, seria perfeito ter um guarda-costas que poderia transar a qualquer momento.
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Talvez precisava daquela noite mais do que havia antecipado, pois fazia muito tempo desde que o corpo relaxara de um modo que o permitisse aproveitar a noite de sono tão profundamente. Seu sono era leve, mas sequer havia percebido que a jovem já tinha acordado. Apenas quando ela lhe beijou os lábios que o latino despertou, mas antes que pudesse focar na figura feminina, ela já deixava a residência. Sentou-se na cama enquanto a observava, os olhos recaindo sobre o corpo pouco coberto pelas vestimentas atrevidas enquanto ele mantinha no rosto a sombra de um sorriso ao pensar na noite anterior. Assim que esteve sozinho decidiu que era melhor se levantar de uma vez, pois ali começava os próximos meses de dedicação à família Hungtinton. Não demorou mais do que meia hora entre tomar banho, arrumar-se e tomar o café da manhã que consistiu basicamente em uma xícara de café preto e alguns cereais açucarados que estavam praticamente no fim. A geladeira vazia era um preparo para os próximos tempos, já que ficaria em uma das casas de hóspede que havia na grande propriedade do rico homem que lhe contratava. Não estava animado com o ambiente em si, mas havia tanto tempo desde que estivera em ação que a situação nova era um tanto emocionante. Quando a enorme SUV parou em sua casa Guerrero quase revirou os olhos — podia deixar seu carro ali, o motorista avisou, já que teria um daqueles gigantescos carros blindados para dirigir todas as vezes que precisasse acompanhar a senhorita Hungtinton. O caminho demorou algum tempo, claro, o lado mais rico de Los Angeles ficava a uma certa distância dali. Apenas para conhecer todo o perímetro já precisaria de algumas horas, Guerrero notou no instante em que os portões permitiram a entrada do carro. A primeira pessoa que viu no local foi o amigo, Lincoln, que o cumprimentava e parecia prepará-lo para o encontro com ambos o homem da casa e a filha mimada - em suas palavras. ‘Eu avisei que você é um pouco… não convencional, mas que ele poderia confiar. Só não abuse.’ O amigo aconselhou, e ele podia imaginar que a combinação do jeans de lavagem escura com a camiseta acinzentada não gritava exatamente a imagem de segurança pessoal tal qual os rapazes de terno e óculos escuros como o motorista que o havia levado até ali ou o próprio colega. ‘Você só precisa garantir a segurança da princesa, e mais do que qualquer coisa: não deixar ninguém encostar nela. Olha, senhor Hungtinton acha que ela é um anjo intocado.’ Uma risada estridente soou enquanto levava a mão até o ombro do latino. ‘Não precisa de muito para saber que não é o caso, mas ele gosta de se enganar. O fato é que ele vai provavelmente te pedir para matar qualquer um que tente encostar nela’ Finalizou, ao tempo em que chegavam no escritório do homem.
‘Senhor Guerrero’ ouviu, na voz grave e poderosa que preenchia todo o local. “Senhor Hungtinton. É um prazer” Cumprimentou-lhe. O homem parecia suficientemente simpático, ainda que um tanto impaciente e bastante específico quanto às suas instruções (que mal haviam começado). ‘Ah, aí está ela. Entra, filha. Deixa eu te apresentar o seu novo segurança.’ Quando Salvador se virou na direção da porta, podia jurar ter morrido e ido direto ao inferno. Ou talvez estivesse sonhando? Porque não podia ser. Apertou as mãos uma contra as outras na frente do corpo, os músculos tensionando de imediato. “Guerrero.” Então se apresentariam, afinal. Ótimo. “Salvador Guerrero.” Estendeu uma das mãos, esperando - rezando - para que ela não mencionasse nada que indicasse que ambos já se conheciam. Merda. Deveria ter estudado mais a foto da garota do que as informações que tinha sobre ela. Se tudo estava horrível, ainda podia piorar! E assim o fizera no momento que percebeu o chupão pobremente disfarçado pelos fios loiros que ele havia adotado puxar na noite anterior.
O choque inicial durou alguns longos segundos, até a mente de Elouise perceber que o pai não deveria fazer ideia do acontecido. O latino não contaria, afinal, poderia arriscar o seu emprego ou sei lá mais o que. Ela mesma jamais diria nada, então restava agir naturalmente. Ou o mais próximo disso que conseguiria. ❛❛ Oi, senhor Guerrero. Eu sou a Elouise Huntington. ❜❜ Não sabia se o pai havia mencionado o nome, então apresentou-se com sobrenome e tudo, como ele havia feito. O sorriso simpático no rosto que apenas ele entenderia como a grande ironia que aquela cena era. ❛❛ Pode chamar de Ellie. ❜❜ Esticou a mão para cumprimentá-lo, olhando em seus olhos com aquele falso brilho de ingenuidade que o patriarca era o único que acreditava naquele conto. Recebeu um olhar reprobatório do chefe da casa, pela forma íntima como ela falava com o homem; deveriam se tratar pelo sobrenome, então? Depois de ser literalmente ser fodida por ele, agora precisaria agir de maneira impessoal? Tratar aquilo com deboche seria mais forte do que ela, e o sorriso que surgiu em seu rosto indicava aquilo. No minuto em que o pai abaixou o olhar para verificar seja lá o que fosse - ela pouco se importava - nos papéis em sua mesa, a loira manteve o contato visual com Salvador. Colocou os cabelos para trás dos ombros, e passeou com os dedos pelo pescoço, como se evidenciasse a marca do chupão que o próprio havia feito. Pressionou os lábios tentando conter a risada que quis escapar. Aquilo poderia ser divertido. Mudou drasticamente sua expressão provocativa quando percebeu o pai erguer o olhar para os dois, tentando novamente cobrir a marca que ele havia deixado. Tomada pela postura angelical que costumava ter na frente do pai, ela sorriu como uma doce menina ingênua ao escutá-lo falar. “ Elouise já sabe das instruções. O senhor Guerrero vai estar com você todo o tempo. Na faculdade, em casa, algum evento. Proteger você de pessoas possivelmente suspeitas que se aproximarem. ” A garota revirou os olhos, suspirando. O mesmo discurso de antes, que ela já havia tentado reverter diversas vezes. Bom, agora vendo de quem se tratava o seu segurança, talvez não estivesse mais odiando a ideia tanto assim. O celular do homem tocou e ele pediu licença para atender. “ Preciso resolver um problema. Ellie, pode mostrar onde o senhor Guerrero vai ficar? Logo nos falamos para acertar outros detalhes. Com licença. ” E voltou para sua ligação, sentado na cadeira atrás da mesa. ❛❛ Senhor Guerrero, pode me acompanhar, por favor? ❜❜ O tom de voz aveludado em pura ironia, acenando com a cabeça para que ele a seguisse. Abriu a porta do escritório e esperou que ele viesse.
Mesmo longe de sua cama e do conforto que o seu quarto lhe trazia, havia dormido estranhamente bem. O celular no silencioso não a despertou quando lhe telefonaram inúmeras vezes. As amigas preocupadas, o pai querendo saber onde estava. Elouise acordou devagar, ainda sonolenta buscando o celular para ver as horas, arregalando os olhos quando percebeu que iria se atrasar. Havia combinado de tomar café com as amigas antes de ir ao compromisso com o senhor Huntington, mas não teria mais esse tempo. Enviou um áudio, sussurrando, dizendo à amiga que explicaria depois o motivo da falta e procurou por suas roupas no chão para vestir-se rapidamente. Chamou o carro pelo aplicativo e logo que estava chegando, deu uma última olhada ao homem que dormiu na cama ao seu lado, como se despedisse-se silenciosamente. Não resistiu a se aproximar e depositar um beijo em seus lábios, o que acabou o despertando. ❛❛ Bom dia. Eu preciso ir. Mas obrigada pela noite. ❜❜ E partiu porta afora, o uber lhe esperando na porta.
Distraiu-se no próprio celular durante o caminho inteiro, e logo que chegou, correu para o quarto. Precisava de um banho e trocar aquela roupa. Teve tempo apenas de comer algumas torradas antes de seu telefone tocar; seu pai ligando mais uma vez. Pediu que fosse até o escritório dele na casa, revirou os olhos antes de ir sem nem se dar conta de que havia esquecido de passar uma base para esconder o chupão no pescoço. Quando passou em frente a um espelho já era tarde demais, então apenas tentou disfarçar jogando o cabelo para cobrir um pouco, suspirando fundo antes de abrir a porta do escritório. Nada no mundo poderia preparar Ellie para a surpresa que ela teria com a cena que viu dentro do escritório. Os olhos arregalados, a boca entreaberta e os dedos formigando de nervoso. “Entra, filha. Deixa eu te apresentar o seu novo segurança.” Foram as palavras que a fizeram despertar do pequeno transe. Engoliu em seco antes de adentrar o recinto. ❛❛ Bom dia, pai. Bom dia, senhor... ❜❜ Falou, esperando que um deles apresentasse, já que ela o conhecia muito bem mas não sabia o seu nome.
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O quarto ainda estava um tanto escuro, mas a visão acostumada permitia que visse tudo com clareza. Os olhos se distraiam então com os padrões de algumas linhas no teto conforme o corpo do mais velho se recuperava do cansaço, o fôlego retornando aos poucos e os músculos relaxados descansando. Poderia tê-la beijando seu pescoço por mais algumas horas, percebeu, mas o corpo mal tinha forças para puxar a jovem para perto se tentasse. O braço esquerdo dobrou-se atrás da cabeça do homem, apoiando-a no antebraço e assim conseguindo um melhor angulo para observar a garota que desenhava alguns traços invisíveis em seu peitoral. Sorriu de lado quando a loira perguntou seu nome, percebendo apenas naquele momento que durante todas aquelas horas haviam se envolvido sem saber o básico. Não que ele achasse aquilo minimamente indevido — na realidade, era muito mais fácil e parecia perfeito para evitar dores de cabeça. Uma noite de sexo casual sem nem saber o nome da parceira; não havia nada ali que pudesse dar errado. Mesmo assim, abriu a boca para respondê-la quando pareceu fazer questão de obter aquele detalhe sobre o latino, até que de repente já não mais fazia. “Está bem.” Concordou, achando graça no ponto de vista alheio. Não a respondeu de início pois estava ocupado demais se deliciando uma outra vez com a visão do corpo nu que agora se erguia. Era realmente uma pena que aquela fosse sua única noite com a jovem, pensou. Uma breve olhada na direção do relógio de cabeceira: pouco além das três da manhã. “Talvez seja perigoso” Comentou — não costumava se importar com aquele detalhe, mas a garota era um tanto mais nova que as mulheres com as quais ele geralmente se relacionava, o que o fazia ponderar se deveria deixá-la naquela situação. Não imploraria que ficasse, mas preferiria não ter a responsabilidade de deixá-la nas mãos de um motorista possivelmente louco. “Poderá pegar um uber pela manhã” Foi a escolha de palavras, com o tom perfeitamente calculado para parecer indiferente. Esticou o corpo na cama, enquanto a observava para aguardar uma decisão, o sono já começando a lhe trair. Sua preferência não era dormir com outras pessoas; mas não podia dizer que a ideia do calor do corpo feminino próximo do seu não o agradava.
Estaria mentindo se dissesse que era a primeira vez que tinha uma noite de sexo casual, mas nunca havia sido tão impessoal em certos níveis como agora. Os rapazes com quem já havia se envolvido eram do mesmo círculo social, de forma que eles sempre acabavam sabendo o seu nome e ela o deles. Naquela noite, o homem havia se interessado inteiramente por ela - não sabia seu nome, seu sobrenome e nem que era filha de um homem rico e importante. Não havia nenhuma outra intenção ali que não fosse o prazer, e talvez o fato de não saber o seu nome fosse uma defesa inconsciente que a jovem havia tomado. Sem saber quem ele era, não corria o risco de se tornar uma obcecada procurando-o pela internet para encontrá-lo outra vez. A proposta inicial daquela noite era ser exclusiva, ela só não sabia que gostaria tanto a ponto de querer repetir. A palavra perigoso a alertou. Era aquele justamente o motivo de que havia passado a semana inteira com raiva, o tal perigo que estava correndo que o pai fora obrigado a contratar alguém para cuidar da filha inconsequente. Ainda acreditava que aquilo era um exagero do pai, mas não podia negar que sair sozinha em um carro de um desconhecido durante a madrugada era mais do que arriscado. Além disso, não era ela que estava mentalmente buscando uma desculpa para ficar? O latino estava entregando de bandeja o motivo, então a loira simplesmente sorriu como uma criança que consegue o que quer. ❛❛ Tudo bem, já que você insiste tanto, eu fico. ❜❜ O tom divertido brincava nos lábios junto da risada enquanto voltava para a cama, deitando-se ao seu lado e virando o rosto em sua direção. ❛❛ Pode me emprestar uma camiseta? Minha roupa é um pouco desconfortável para dormir. ❜❜ Valorizava o seu corpo, definitivamente, a autoestima ia nas alturas quando estava com aquela saia de couro, mas a princesinha dormiria muito mal se ficasse com aquela roupa apertada.

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Precisou controlar-se para não explodir ali mesmo no instante em que a ouviu gemendo por atingir enfim o orgasmo. Pressionou os olhos com força enquanto ela se movia tão intensamente, e logo os braços a envolveram quando o corpo inclinou-se sobre ele, cansado e suado. A maquiagem da garota estava bem mais fraca, o rosto brilhava pelo suor e os fios estavam ligeiramente emaranhadas pelos movimentos e pelos dedos do rapaz que passaram por ali; e ela estava ainda mais atraente daquele jeito. Talvez por ter nos olhos o brilho de satisfação de um intenso e maravilhoso orgasmo, ou simplesmente porque ela era mesmo alguém que ficava ridiculamente bonita em qualquer situação. Sorriu de lado ao ouvi-la não apenas por apreciar que ela realmente gostasse do que faziam ali, mas pelo instinto feminino de dizer em voz alta. Dificilmente as mulheres com quem ele se relacionava gostavam de falar durante o ato e oh, ele realmente amava o quanto a loira estava disposta a fazê-lo abertamente. Com ambas as mãos em suas nadegas, apertou o lugar, inevitavelmente a atingindo fundo uma última vez antes de observar conforme ela parecia ter uma ideia. Os dizeres o fizeram pensar que ela prosseguiria e por isso abriu a boca para protestar quando ela se levantou, mas então semicerrou os olhos curioso com o que ela pretendia fazer à partir dali. Conforme o corpo sinuoso descia por suas pernas, a ideia do que estava por vir clareava e Salvador sentia-se ansioso por sentir a boca adorável da mais nova ao redor de sua excitação já desesperada por alívio. Os primeiros movimentos foram lentos e torturantes, mas gemeu mais alto do que o planejado quando finalmente o calor de sua boca ocupou todo seu comprimento. “Joder” Xingou na primeira língua, a mão direita buscando pelos cachos claros e os apertando entre os dedos uma vez mais. Agora, com ainda menos delicadeza. “Isso” Murmurou, em comando, ocasionalmente ditando o ritmo ao segurar seus cabelos mas permitindo de modo geral que ela fizesse o que quisesse. Cada vez mais próximo do próprio final, Guerrero sabia que era questão de tempo até terminar ali. Apertou as mãos nos cabelos dela, o peito subindo com mais rapidez conforme a sensação crescia dentro dele. Jogou a cabeça para trás ao gozar, sentindo o alívio e a sensação enervante do prazer que se espalhava por seu corpo. Soltou os fios conforme o corpo relaxava, permanecendo ali deitado enquanto se recuperava.
Sentiu os dedos em seu cabelo guiarem o ritmo e o manteve, os dedos pressionados em uma das coxas enquanto a outra mão ocupava-se de massagear os testículos. Os olhos azuis presos nas expressões faciais do homem porque aquilo tornava toda a atmosfera ainda mais sensual. Levou o membro o mais fundo que conseguia em sua garganta, perto de engasgar algumas vezes mas retomando com a mesma intensidade. Aumentou um pouco mais o ritmo, a mão ajudando a masturbar as partes que a boca não alcançava mais, deliciando-se com cada gemido do homem. Sua boca foi preenchida com o líquido quente, ao qual ela fez questão de engolir ainda sem deixar de encará-lo. Mordeu o lábio inferior para conter o sorriso de satisfação ao ver o corpo dele como o dela estava segundos atrás: relaxado, cansado, suado e satisfeito. Subiu uma trilha de beijos por seu abdômen, até chegar ao pescoço e então deitou-se ao seu lado. Deu um longo suspiro sem conseguir dizer mais nada. Por um momento ficou insegura sobre o que fazer agora. Deveria se despedir e ir embora ou dormir ali seria muito arriscado? Esperar que ele a convidasse para sair seria constrangedor. Se a situação e a pessoa fosse outra, ela seria educada em se despedir, prometendo manter contato e iria embora dormir em sua cama enorme e confortável, mas ela não tinha acabado de dormir com um garoto qualquer que lhe deu uma sexo qualquer. Por Deus, sequer sabia o nome do homem que havia lhe dado um dos melhores - se não o melhor - orgasmo de sua vida. ❛❛ Essa é a hora que você me diz o seu nome? ❜❜ O sorriso brincava nos lábios, mas ela logo completou. ❛❛ Quer saber? Deixa pra lá. Vamos deixar o mistério. ❜❜ As chances dos dois se encontrarem novamente eram mínimas, considerando que agora ela teria um segurança atrás de si, então que lembrasse dele apenas pela noite que passaram juntos. ❛❛ Acho melhor eu ir. Será que consigo um uber a essa hora? ❜❜ Levantou-se, procurando por sua bolsa e seu celular, ainda sem vestir as roupas. Parte de si queria dormir ali e ficar um pouco mais na companhia dele, mesmo que ficassem em silêncio pelo resto da noite e apenas dormissem, mas estaria metida em um problema ainda maior caso não chegasse a tempo no dia seguinte.
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Não era comum o suficiente que ele tivesse alguma mulher no local e muito menos uma noite tão… barulhenta. Assim dificilmente os vizinhos poderiam reclamar de algo — e se o fizessem, bem, ele não poderia se importar menos. Não quando a visão da loira perfeitamente encaixada em seu quadril seria angelical se não tão deliciosamente suja. Alguns centímetros da pele ardiam pelos arranhões, mas ele apreciava a sensação e não teria problema em ter certas lembranças no dia seguinte de uma noite tão incrível. Pensou que iria explodir quando ela pareceu se vingar pela provocação feita há pouco, mas a loira tampouco pareceu disposta à sofrer por mais tempo. Os grunhidos e gemidos ficavam praticamente impossíveis de externalizar quando ela se movia tão bem, encaixando-se nele perfeitamente. Sustentou o olhar no dela, e embora pudesse haver muito mais o que observar ali, deliciava-se ao observar o brilho sacana nos olhos claros da garota com rostinho tão jovial e puro. Ah, sim, de pura ela não parecia ter nada. Assim que a garota diminuiu outra vez o ritmo ele mordeu o lábio com força, a canhota agarrando suas nadegas pouco antes que ela levasse a mão direita do mais velho até a sua intimidade. Salvador sorriu de lado, o corpo parecendo capaz de derreter os lençóis, e então moveu o polegar ali para estimula-la. “Gosta disso, não?” A voz gutural saía com alguma dificuldade, como se mal conseguisse pensar naquele turbilhão de sensações. A intimidada apertando e acomodando seu pau, a forma que ela se movimentava agilmente, os seios que subiam e desciam conforme ela sentava, as expressões cada vez que ele colocava mais pressão em seu toque; tudo aquilo o fazia pensar estar próximo da loucura. “Goza pra mim” Daquela vez havia um tom de pedido nas palavras, embora com a mesma força de antes. Os minutos passavam é só o que sabia era que ele a faria atingir o ápice mais de uma vez naquela noite.
As coxas começavam a latejar pelo movimento intenso e contínuo, mas nem aquilo seria capaz de fazê-la parar. Não quando a sensação de tê-lo dentro de si era tão gostosa, o dedo massageando o seu clitóris causando o nó em seu ventre. A respiração descompassada de ambos parecia estar num ritmo perfeito, combinando com os corpos suados e o colo avermelhado da garota. A pele alva brilhava com o suor, os seios balançando no mesmo ritmo em que sentava. E então a fala dele a pegou, de um jeito que foi impossível se conter. O homem que vinha agindo de maneira dominadora desde o início, de forma que ela nunca soube que gostaria tanto - talvez porque, antes dele, nenhum outro soube desenvolver esse papel tão bem - e o pedido, como se desse permissão para ela explodir. O gemido que saiu de seus lábios foi quase um grito, um suspiro de tesão e alívio por atingir o seu ápice. Queria fazer aqueles míseros segundos durarem ainda mais, mesmo que a sensação fosse de que nunca havia gozado daquela forma. O corpo pareceu ficar mais leve, as mãos apoiadas em seu ombro enquanto tentava controlar a respiração. Ergueu a cabeça para fitá-lo ao dizer. ❛❛ Meu Deus... Isso foi tão gostoso! ❜❜ A fala saiu quase como uma confissão, o sorriso no rosto mudou de satisfação para a perversão quando percebeu que poucos segundos foram o suficiente para recuperar minimamente o gás e continuar. ❛❛ Sua vez. ❜❜ Sussurrou em seu ouvido, enquanto voltava a sentar num ritmo um pouco mais lento, sua entrada mais sensível agora. ❛❛ Quero sentir o seu gosto. ❜❜ Retirou-se da cima dele, arrastando o próprio corpo para baixo. Uma das mãos estava apoiada em sua coxa, a outra segurou seu membro e deslizou com a língua por toda a sua extensão. Brincou um pouco na cabecinha, torturando-o um pouco mais - ele havia começado com isso, afinal - e só então o engoliu quase por completo. Continuou os movimentos para cima e para baixo, os olhos não desgrudavam do rosto dele, atenta para observar que reações ela conseguiria causar enquanto o chupava com tanta luxúria em seus atos e seu olhar.