E foi exatamente o que fez. Cotovelo dobrados embaixo de si, o peso do tronco prendendo os braços abaixo. Os joelhos abertos e espalhados na cama, firmes na posição que deixava a coluna arqueada levemente para a bunda se sobressair no conjunto. Os músculos aguentavam, por enquanto, a força para mantê-los imóveis e bem obedientes distraindo da ausência dos toques. Do abandono assistido, ou melhor, do ponto em espera pelo próximo ato da apresentação no qual era uma dos personagens principais. Hojin juntou um pouco mais os joelhos, sentindo o escorregar dos mesmo pelo lençol. Ia ficar assim, inquieto e ansioso, para a vinda do calor de Namguk em forma de dedos, de língua, de mais daquele doce proibido no escuro do quarto e escondido sobre a camada grossa do moletom. O barulho plástico o assustou, engasgando no meio das respiração compassadas em busca do relaxamento. Não tinha feito isso antes, sequer tinha tocado em uma além do plástico que a envolvia, mas sabia bem o que estava sendo feito. Mesmo por trás dos olhos vendados no rosto que virava em direção ao som. Como se pudesse enxergar além do tecido aveludada e úmido com suas próprias lágrimas.
Hojin abraçou o travesseiro, o rosto afundado no material macio para se expôr mais. Prever a movimentação do mais velho e se abrindo, esticando a pele como se mostrasse: por favor, aqui. Por favor. O lábio inferior, inchado pelo beijo, era mordiscado a cada beijo. A cada sensação impulsionada e intensificado ao máximo pela ausência de visão, pela conjectura fria de que a ser consumado o que tinha negado a vida inteira. Conforme desciam os beijos, os pequenos pontos concentrados, o dançarino trazia os joelhos juntos, empinava mais, sofria com a antecipação que pingava e batia contra o abdômen pela posição que tomava. Estava perto. O aperto reverberando pelo corpo, Namguk forçando-o contra o colchão sem perceber. De abraçar-se com mais força ao travesseiro e entre abrir os lábios porque o nariz não dava conta da frenética respiração, do desespero semelhante ao de fugir dos animais no canal de televisão.
Assentiu, porque a voz o trairia da tranquilidade que queria transmitir. Gotículas de suor frio acumulando na linha marcada no meio das costas, o atraso em se ajustar ao que ele queria. Hojin estava perdendo a certeza, tendo segundos pensamentos e se desesperando, repetindo o ciclo tão conhecido e abominada. Mordeu o interior das bochechas, franziu o nariz daquele jeito adorável, e assentiu de novo. Pedindo pressa e pedindo pelo rápido, mas temendo que seus desejos fossem atendidos. — Mi- mi- miane. — Tão baixo que o sussurro se perdeu na respiração entrecortada, a tensão sentida com a dificuldade. Da estranheza que o corpo recusava ao se tensionar por inteiro e de fazer o quadril ir para frente, afastando-se do intruso ‘desconhecido’. Se não fosse pelas mãos em seus quadris, o resultado teria sido completamente diferente. O eco do que causara a briga e a separação da última vez estava lá, a invasão inicial com a fisgada da dor da abertura. Mas não parou por ali.
O grito ecoou por poucos segundos antes de Hojin perceber que podia abafar o resto nos travesseiros abaixo de sim. De que podia tê-lo feito ao invés de pedir desculpas e ficar ainda mais tenso para a invasão. Não ajudou o nervosismo, não ajudou as palavras cortadas de ‘amor’ e ‘namguk’. Não funcionou nenhuma técnica em diminuir a sensação de ser rasgado ao meio, de uma invasão tão estranha quanto traumática. Hojin levou uma mão para trás, fracamente batendo na lateral do quadril do mais velho, esperando a dor esmaecer e dar lugar para o que parecia ter saído da sua imaginação. A voz dele estava distante enquanto recuperava a compostura, começava a ver o outro lado da primeira vez que tinha pedido. E não era imaginação. O calor espalhando por dentro, a resposta que ele sentia com os pingos espalhados, grudados na barriga. Hojin não tinha gozado, mas estivera tão próximo quanto sedento por continuar. — Pode… — Não conseguia colocar em palavras o que sentia, não conseguia colocar o dedo onde tinha mudado, mas… gostou. A dor deixando o corpo entorpecido, preparando-se para o novo ataque. Escorregou os joelhos um pouco, abrindo, e aprovando o novo ângulo. — de- devagar, namguk-ah.
Num pedido de desculpas silente, procurou pela mão pequena de Hojin, na intenção de apertá-la e passar-lhe algum conforto, ainda esperando que o interior apertado relaxasse. Tocando-o de maneira mais suave com os lábios em suas costas agora, enquanto seus beijos faziam-se estalados na pele dele desta vez, começou a mexer os quadris, vagarosamente. Sem penetrá-lo com urgência, somente tentando acostumá-lo a seu membro, enquanto os movimentos de ida e vinda, aconteciam. Namguk chegou a mordiscar o interno de sua bochecha, reprimindo alguns gemidos ocasionados pelo aperto do interior de Hojin, ao redor de seu pênis, quase como se comprimisse-o. Se estivesse em condições de colocá-lo de quatro, certamente, o momento seria bem mais cômodo, mas cria que agora, com a maneira como conduzia seus movimentos, a situação poderia melhorar, o mínimo que fosse, para o outro.
Curvava seu corpo ao máximo que podia, de forma que encaixasse-se melhor no de Hojin, de maneira que pudesse tocá-lo em seu ponto sensível. Não retirava-se completamente do garoto, simplesmente por lembrar-se dos comentários que ouvira após fazer aquele tipo de coisa, mantendo-o ciente de que incomodava, de que não era uma situação nada agradável. Sendo assim, mais remexia-se, do que retirava-se inteiramente, por assim dizer. A destra cravou minimamente as unhas na cintura do mais novo, ainda mantendo-o no lugar, mas também sendo uma maneira de ajudar Namguk a controlar seus gemidos conforme reagia mais veementemente à permissão do melhor amigo, acatando também seu novo pedido de ir devagar. A respiração tornou-se ainda mais pesada e ele decidiu que seria bom livrar o outro da venda.
Foi isso que fez no momento seguinte. Com aquele pedaço de pano distante do rosto de Hojin, Namguk teve um pouco mais de liberdade para beijar-lhe as laterais do rosto, alcançando uma de suas bochechas úmidas. Na intenção de manter a face na posição que queria, a mão que estava na cintura do menor foi até a parte frontal de seu pescoço, fazendo com que seus dígitos envolvessem a região. Controlou-se para não apertá-la, apenas fazer com que Hojin mantivesse a cabeça no lugar, com aquela parte da face voltada para si. Em seguida, seus lábios moveram-se até o lóbulo da orelha dele, mordiscando-a. Pensava se deveria colocá-lo apoiado nos próprios joelhos, com a lombar erguida, de uma vez por todas. Isso melhoraria o ângulo da penetração e certamente o machucaria menos, mas ainda havia algo que Namguk queria fazer.
Isso que não consistia em nada além de retirar-se de Hojin e, ainda debruçado sobre o corpo alheio, voltar a marcar-lhe a pele na região das costas. Com mordidas mais agressivas, que foram perdendo seu lugar conforme Namguk descia mais com a boca, até que retornasse à altura da lombar alheia. Apoiado nos próprios cotovelos, não se poupou dos barulhos pornográficos que seus lábios faziam em contato com a tez da região em questão de Hojin, conforme a sugava. Até chegar à altura das nádegas e afastá-las minimamente, apertando-lhe a carne, podendo enfim correr a ponta da língua pela entrada do mais novo. Claro que a carícia fora um pretexto para voltar a apertar-lhe e marcar-lhe naquela região pélvica, com os dedos e dentes. Ainda assim, Namguk estava realmente disposto a causar mais algumas sensações no corpo de Hojin antes de posicioná-lo como queria: de quatro. Com o tronco ainda em contato com o colchão e apenas os quadris erguidos para si.
“Se você for um bom garoto...” Um sorriso lascivo vacilou em seus lábios antes de interromper seu novo ‘afazer’ com a língua, abandonando uma última mordida na nádega esquerda de Hojin antes de se posicionar atrás dele. Firmou os joelhos sobre a superfície macia e voltou a apoiar uma das mãos na cintura do rapaz de cabelos rosados. Com a canhota livre, voltou a se guiar para dentro dele; com mais cuidado agora, apesar da vontade de estocá-lo com toda a urgência que queimava por seu corpo. “Eu te deixo sentar e se tocar o quanto quiser.” Sabia que não era certo negociar maneiras de reprimi-lo de coisas que poderiam dar-lhe algum prazer sexual, mas Namguk era curioso sobre o nível de submissão a que algumas pessoas se submetiam. E estava realmente disposto a descobrir o de Hojin. “Mas, primeiro...” Sua respiração estava pesada, enquanto voltava a se sentir completamente dentro de Hojin. “Precisa me dizer se está bom. E se quer mais.”