Masterlist!
Enzo vogrincic:
>>Solo una alma.
>>Distante.
>>Tus ojos.
>>Imposible.
Esteban Kukuriczka:
>>I love myself when i love you.
Fernando Cotigiani:
>>Nadie es como tĂș.
>>Reader doente.
Acquired Stardust
tumblr dot com
we're not kids anymore.

titsay
hello vonnie
Game of Thrones Daily

Kaledo Art

pixel skylines

romaâ
will byers stan first human second
styofa doing anything
ojovivo
dirt enthusiast

â

shark vs the universe
Three Goblin Art

if i look back, i am lost

â
RMH
Aqua Utopiaïœæ”·ăźćșă§èšæ¶ă玥ă
seen from United States

seen from United States
seen from Malaysia
seen from United States

seen from Australia

seen from Netherlands
seen from United States

seen from United States

seen from TĂŒrkiye
seen from United States
seen from United Kingdom

seen from United States
seen from Finland
seen from TĂŒrkiye

seen from Singapore

seen from Australia

seen from Germany

seen from Canada

seen from Malaysia

seen from Malaysia
@maryiposa
Masterlist!
Enzo vogrincic:
>>Solo una alma.
>>Distante.
>>Tus ojos.
>>Imposible.
Esteban Kukuriczka:
>>I love myself when i love you.
Fernando Cotigiani:
>>Nadie es como tĂș.
>>Reader doente.

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
gente vcs viram q o enzo vai estrear numa série amo
đ
Imposible.
Enzo Vogrincic.
Avisos: Sexo explĂcito, diferença de idade, sexo sem proteção, provocação, enzo rabugento e reader brincalhonađŁ
acho q a galera ama essa canetada só curtem ela também amo
ă € aviso importante ă €
maninhas, houve um "pequeno" probleminha. aconteceu que ontem o meu celular deu um b.o danado e eu precisei resetar como configuração de fĂĄbrica. A conta que eu usava para acessar o blog @vampgi , acabei perdendo. no mais, creio que vou continuar por aqui essa conta aqui com vocĂȘs viu? beijo e bom fds amores đ
@lilablanc @clavedelune @imninahchan @maryiposa
tambĂ©m acabei por perder os pedidos de vocĂȘs, se quiserem me mandar por aqui fiquem a vontade.
ă €

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
Oi gente
nossa vey đ zero respeito da parte dele parecer um recĂ©m casadinho todo caseiro fazendo jantinha pra mulher jĂĄ que a sobremesa ela quem fornece todas as noites rs (vc pegou ele no flagra cantarolando enquanto corta uns tomatinhos na tĂĄbua, dps de ter saĂdo do banho)
â â â â
â â famĂlia, esteban kukurizcka.
esse pedido muito especial foi feito pela @clavedelune , no entanto, eu sou pouquinho descuidada para limpar a minha caixa e perdi a ask. mas eu nĂŁo poderia perder essa ilustre oportunidade de escrever sobre o kuku papai de menininho como vocĂȘ me pediu na đ ((no off eu nasci para ser mĂŁe de boys.
maninha aqui o seu pedido saindo do forno bem quentinho, o kuku bem paizinho de menino, mb. espero que vocĂȘ goste.
^áȘČnotas da autora: sessĂŁo de extrema fofura nessa ĂĄrea aqui!, lobinha e kuku papais de menininho!, kuku sendo o melhor papai e maridinho do mundo forever!, Ă© um family one, esse aqui ok?
ââââââââââââ vocĂȘ pede e a vampgi escreve.â â â
đđđđđđđ đđđđđđđđ muitas mulheres na vida, mas nenhuma foi como vocĂȘ. VocĂȘ que ensinou de pouco em pouco tudo que ele sabia, ajudou a formar o homem que ele era no atual cenĂĄrio da vida de casados. O mostrou o amor e tudo que era necessĂĄrio para, pelo menos, tentar entender o que era esse dilema tĂŁo indecifrĂĄvel que a vida nos mostra. Mas o mais importante, vocĂȘ deu o mundo a ele, um que todo dia ele chamava de "filho".
â Ele ama nos ver assim, kuku â vocĂȘ disse baixinho, um pouco da alma sorridente que o argentino conheceu ainda na Ă©poca da faculdade.
â Ele nos ama, nena. Ă semelhante, mas apenas amar Ă© muito mais bonito.
"Fly me to the moon and let me play among the stars...", o tom de Frank Sinatra tocava no rĂĄdio a merce de consertos, e durante o preparo do jantar, Brian se arrastava pela casa com as rodinhas da andador.
Os olhinhos iguais aos seus, estavam tĂŁo arregalados, e isso o denunciava um serzinho estupefato com o amor do papai e da mamĂŁe sendo tĂŁo claramente exposto ao vento assim. A risadinha era de alegria, um sentimento que infelizmente nem todos os bebĂȘs deste mundo podiam sentir na pele.
Esteban sorria de lado com a reação do filhinho a cada beijo que ele derramava nos låbio de sua tão exuberante esposa. Espremia os dedos nos fios tonalozados de um chocolate com pimenta de seus cabelos volumosos e as vezes os pegava e prendia nas mãos com cuidado.
Ele era sempre assim, tĂŁo cuidadoso.
Ele agarrava a sua cintura para a puxar mais perto e entĂŁo, dançava lentamente com vocĂȘ nos braços dele, tomando vocĂȘ para quase a erguer no ar. Um passo pra direita e para a esquerda e o bebĂȘ jĂĄ sorria aos ares querendo participar tambĂ©m. Nada vulgar, nada profano. Mas tudo tĂŁo amor. Um amor que por muito tempo ele tentou resignificar com bares, com o ĂĄlcool e com outras mulheres. Mas ainda sim, um amor que ele sĂł aprendeu a ler com vocĂȘ.
Um amor famĂlia, que ele sentia por Brian e especialmente por vocĂȘ. A mĂșsica se subsequenciava no ar da cozinha e o seu Esteban simples, nĂŁo suportou mais aquele sentimento mordaz que o comia em seu peito malhado, as mĂŁzonas bem veiĂșdas propeliram o seu corpo para cima e o tomou nos braços fortes.
â Esteban!
â Eu amo tanto vocĂȘ, nena. Tanto, tanto... tanto â ele disse em ĂȘxtase, mantendo os dedos quase cravados na carne de suas coxas. Esteban te girou no ar, rindo devido a risada que vocĂȘ deixava sair dos lĂĄbios, sorrindo com os seus olhos tĂŁo marcantes nos dele.
O pequeno Brian soltou uma gargalhada alta, batendo as suas palminhas com aquela cena tĂŁo romĂąntica diante de suas Ăris negras. Ele deu uns passinhos para a frente e as rodas do mini andador, ideal para um nenĂ©m nos seus seis meses, felizmente o levaram atĂ© bater no pĂ© do pai.
Levemente estarrecido dos giros, seu marido parou em um cambaleio, os olhos bobos se concentraram no filho. O de patria argentina sorriu grande ao notar o desejo jovem do menino de se juntar vocĂȘ e ele, e nĂŁo demorou a conceber isso a ele.
â Vem cĂĄ, meu campeĂŁo lindo â ele disse com carinho, ainda com vocĂȘ nos braços, se agarrando a ele na medida que Esteban se curvou para tirar Brianzinho do andador.
O menino arregalou os olhos e esticou as perninhas em um sinal de ansiedade. Esteban naquele exato momento, tinha nos braços o mundo dele.
A mĂșsica ainda tocava e mas agora que tinha o Brian nos braços, o giro era mais suave. Cheio de manhĂŁ e de uma delicadeza que era sĂł paterna.
â In other words, please be true â kukurizcka vozeava os versos da canção sobre amor e lua. O seu corpo agarrado no seu e o teu no do bebĂȘ. Os trĂȘs embaldinhos por um triz em um bolinho de famĂlia feliz, o homem cantava olhando para vocĂȘ â In other words, I love you.
No amparo brando dos braçÔes veiĂșdos de Esteban, fizesse a ternura de assegurar o pequeno nos seus braços, entre o seu peito e o do argentino. Brian comichava um pouco a sua gengivinha contra o ombro nu do pai, os pequenos dentes pareciam ansiosos para nascer.
VocĂȘ acabou por gargalhar em unĂssono com o do homem, girando e rodopiando, carregando contra o peito nu, as duas almas mais belas que ele tinha conhecimento. Tudo aquilo era um sonho, que se o pequeno Esteban de dois aninhos o visse ali, se sentiria realizado por conquistar tanto.
Talvez vocĂȘ nĂŁo precisasse saber, que ele ainda guardava uma certa carta que teceu no passado, um juro aos cĂ©us de que se encontrasse uma boa mulher para se casar, ele faria tudo por ela.
Um dia ele leria ela para vocĂȘ, com o pequeno argentino no colo. Mas naquele momento, ter vocĂȘ nos braços abafados pelos exercĂcios era de uma honra tamanha, que Esteban sĂł pĂŽde... sorrir.
Depois do jantar dos adultos, era hora de Brian ter a refeição tão aguardada por ele. Tão pequenininho e faminto, no auge dos seis meses e alguns dias, logo se alegrou para a hora da amamentação.
Minutos depois, os trĂȘs se encontravam no quarto que o casal dividia, o corpinho pequeno se acomodava no seu colo como uma bolinha macia, e os dedos minĂșsculos brincando com o seu seio.
Os olhinhos escuros do bebĂȘ estavam bem grandinhos na sua direção, amando o afeto e acolhimento da mamĂŁe. E Esteban, droga, talvez o homem amasse mais o momento da amamentação do que o prĂłprio filho.
Ele estava ajoelhado ao lado daquela poltrona confortĂĄvel e sorria com o momento intimamente puro entre a mamĂŁe e o filho de vocĂȘs â Eu amo vocĂȘs â recitou baixinho, um dedo longo indo deslizar pelos cabelinhos loirinhos escuros de Brian.
NĂŁo demorou muito para Brian soltar o mamilo molhado de leite da mamĂŁe, com soninho e atĂ© a boquinha abertinha de tanto conforto que sentia. E nada melhor para vocĂȘ, do que a presença de Esteban em um momento assim.
O genitor arrulhou bem baixinho para manter os olhinhos do pequeno bem fechados e sonolentos, o tomou nos braços com doçura e entĂŁo, a cama foi a o lar de vocĂȘs.
O bebĂȘ se aconchegou no peito de Kukurizcka e entĂŁo caiu em um sono profundo. VocĂȘ, seguiu para se lavar rapidinho antes de ir para cama.
PorĂ©m mesmo com a pele babada e a fim de esperar por vocĂȘ, seu marido tambĂ©m dormiu. Toda cheirosinha depois de sair do banho, foi se deitar, nĂŁo sem antes deixar o seu celular na gaveta da cabeceira.
Foi entĂŁo que, lhe ocorreu uma leve surpresa, notou um pequeno papelzinho dobrado em quatro partes ali. Mas nĂŁo se atreveu a tocar. Seu sono pesou mais que tudo e fechou a gaveta, voltando a se aconchegar com eles, a sua famĂlia.
^áȘČ đ”đșđđđđđđđđș đżđșđ đșđđœđ â maria! eu amei escrever com o kuku papai, ele me passa uma vibe melhor pai do mundo. obg pelo seu pedido, maninha.
â â â â relacionamento tĂłxico, esteban kukurizcka.
esse aqui foi um pedido divonico da @maryiposa, mas tive uns probleminhas (que jĂĄ disse đ) e acabei perdendo a ask. mas nĂŁo me esqueci de vocĂȘ mana.
^áȘČnotas da autora: linguagem imprĂłpria!, menção de açÔes mais de dezoito!, personagens maiores de idade!; menção de sexo (đ€š)!, relacionamento tĂłxico!, lobinha sendo bem mulher encrenca que faz homem chorar!, menção a bebida alcoĂłlica!'.
ââââââââââââ vocĂȘ pede e a vampgi escreve.
đđđ đđđ relação alĂ©m de complicada. TĂłxica. NinguĂ©m era exclusivamente de ninguĂ©m, vocĂȘs eram de todo mundo e todo mundo era de vocĂȘs tambĂ©m.
Kukurizcka jurava de pé junto que podia te controlar como quisesse. Que aquele par de olhos e a barbinha rala que se esfregava em sua pele poderia te fazer tudo por ele. Se ele disesse não, era não, ou sim, então vå.
Ele talvez sĂł se esqueceu, como te conheceu. VocĂȘ estava em um bar, dançava como se nĂŁo conhecesse o significado do amanhĂŁ, como se sua vida fosse parar ser vivida daquela maneira. Dava um gole no gin, uma olhada lenta no local, inspecionada e selecionava as opçÔes de quem poderiam esquentar sua noite para se livrar daquela angĂșstia.
Foi vocĂȘ quem o escolheu.
Ele sĂł nĂŁo queria acreditar nisso pois poderia ferir o ego dele. Mas a lingerie vermelha combinando que vocĂȘ usava naquela noite que vocĂȘs transaram pela primeira vez, dizia que era vocĂȘ que estava pronta ser de um homem qualquer jĂĄ hĂĄ tempos.
VocĂȘ toda curvada sobre o corpo dele, como se soubesse exatamente o que fazer para deixĂĄ-lo enlouquecido, como se fosse perita.
"TĂĄ gostosinho desse jeito, Kuku?". VocĂȘ perguntou naquela noite, enquanto ele te comia, mas era vocĂȘ o show principal.
VocĂȘ contraia a pelve e relaxava, o que fazia o pau dele ficar um pouquinho apertado dentro de vocĂȘ.
O olhava como uma diaba. Com um fogo nos olhos que nĂŁo era amor. NĂŁo era confusĂŁo nem indecisĂŁo. VocĂȘ nĂŁo tinha ninguĂ©m e ele, tambĂ©m nĂŁo. VocĂȘs dois apenas gostavam do prazer, mas nĂŁo era nada exclusivo.
Ele beijava e tocava vĂĄrias na semana, mas os sĂĄbados e as quintas feiras eram sempre suas. VocĂȘ nĂŁo ficava atrĂĄs. Se o seu celular fosse pego, demorariam horas lendo os tantos contatinhos que tinha.
Mas de repente, talvez enciumado, ele quis exclusividade da sua parte unicamente.
Foi uma noite em amigos, onde bem, vocĂȘ estava sem que ele soubesse. Tinha dito que estava doentinha, e que nĂŁo ia vĂȘ-lo naquele dia, mas a verdade Ă© que tambĂ©m se pegava com MatĂas, um cara uns aninhos mais novo que vocĂȘ, um amigo do argentino.
Esteban chegou naquela festa todo animadinho e jå com um copo de whisky na mão, imaginando quantas daquelas mulheres ali poderiam ser levadas até o caminho da cama dele. Ou talvez na pressa, só até o banheiro da casa do tal anfitrião, Pardella, mesmo.
Mas o mundo dele parou, e o ego dele pĂŽde ser ouvido se quebrando quando te viu. VocĂȘ usava um vestidinho que nĂŁo era apenas curto, era muito curto. De tecido fininho e transparĂȘncia suave, mas que mostravam a falta de um sutiĂŁ ali.
MatĂas segurava o seu corpo com uma mĂŁo, enquanto vocĂȘ estava deitada no colo dele, protagonizando o maior beijĂŁo que todos pararam para ver. Recalt descia a lĂngua contra os seus lĂĄbios mas tambĂ©m em seu pescoço.
Louco de Ăłdio com aquela cena, Esteban nĂŁo se importou com onde estava, com quem, com porra de reputação entre os amigos. Ele simplesmente deixou o copo cair e caminhou atĂ© vocĂȘ em passos que eram muitos mais que sĂł ciĂșmes.
E entĂŁo, quando vocĂȘ ia toda bobinha saindo do colo de MatĂas, Kuku a puxou pelo braço com força. "Ăh sua perra maldita! VocĂȘ nĂŁo tava doente, (seu nome)? O que caralho tĂĄ' fazendo aqui?".
Ele precisou de forças para nĂŁo agarrar seu rosto quando vocĂȘ simplesmente... riu para ele. Que abusada. Que oblĂqua e dissimulada. SĂł nĂŁo era cigana.
"Surpreso, Kuku?".
"Pega as suas coisas e dĂĄ o fora daqui agora, maldita! Eu tĂŽ mandando".
A risada ficou mais alta, e Matias, mesmo sabendo daquela situação toda, tentou se aproximar com medo da força de Esteban te machucar. Resultando só em mais gritos, porque o argentino mandou o mais novo ir para cara do caralho.
Que vocĂȘ era dele e um monte de mais baboseiras. VocĂȘ que jĂĄ estava mais altinha de ĂĄlcool, apenas olhou para o Recalt completamente plena e enviou uns beijinhos no ar.
O aperto do seu... vocĂȘs nĂŁo tinham uma relação definida em nenhum parĂąmetro, mas talvez ficante fosse a palavra que mais se encaixasse, ficou pior em seu braço, mas tudo que vocĂȘ fez foi erguer os braços, uma carinha de errei, fui muleka.
Te levando para fora da casa de Pardella, Kuku caminhava na direção do carro dele. A sua sorte Ă© que nĂŁo tinha levado nada alĂ©m do que vestia e seu celular. O loiro escuro abriu a porta do veĂculo, te empurrando para dentro sem se importar muito se aquilo feita ou nĂŁo.
"VocĂȘ vai acabar me machucando assim, seu idiota!". VocĂȘ disse, mas ele te forçou a ficar no banco e colocou o cinto em vocĂȘ.
Ele segurou seu rosto com raiva, se relutando internamente para um tapinha na sua bela face de mulher perigosa. O seu problema era esse. Ele amava esse lance de vocĂȘs por vocĂȘ ser diferente das outras que ele tinha, mas te odiava pelo mesmo motivo. VocĂȘ batia de frente com ele.
"Cala boca, cachorrinha".
"Seu burro". Retrucou. Ele segurou mais forte. "Tagarela e teimosa". O que vocĂȘ nĂŁo deixou barato ao gritar no meio da rua. "Seu cavalo! EstĂșpido".
"Gostosa! Cala essa boquinha". Ele nĂŁo tinha mais adjetivos sujos para xingar vocĂȘ. Podia ser uma cachorra, faladeira e teimosa, uma diaba, mas ainda tinha um corpo que deixava ele alucinando.
Quando ele deu partida no carro, vocĂȘ ainda tinha um bico nos lĂĄbios, nĂŁo olhava para Kuku e nem falava com ele.
Sequer o provocava. E aquilo tava matando ele. EntĂŁo ele parou o carro em uma rua mais deserta, e te olhou. "O que te deu agora, nena?". Ele sempre vinha com essa, uma voz mais calminha, de quem faria tudo para colocar um sorriso no seu rostinho lindo, mas que nĂŁo iria cumprir nenhuma das promessas. "VocĂȘ nĂŁo gosta mais da gente? Do que sente quando eu te toco..?".
"Do nosso rolo na cama eu gosto... o que eu nĂŁo suporto mais Ă© vocĂȘ".
Aquilo estava fazendo o orgulho interno de Esteban gritar, pois talvez sĂł no fundo, em um pedacinho bem pequeno e quase inexistente dele, ele te quisesse mesmo e nĂŁo sĂł como parceira de cama, de transa.
Mas aquele joguinho de maldade era tĂŁo bom.
Quando menos foram capazes de raciocinar, estavam suave suados, o ar cheirando a pele molhada de vocĂȘs roçando e com o banco do motorista mais para trĂĄs.
Era quicando contra o colo do argentino, que vocĂȘ rebolava. e gemia loucamente, o olhava como uma pantera feroz. Os braços rodeavam o pescoço do homem e uma das mĂŁos dele cravadas na sua pele.
"Ah, minha maldita, isso..". Ele sussurrava no seu ouvido, a outra mĂŁozona agarrada aos seus cabelos suados.
Ele a deixava chupar um pouco da pele do pescoço dele e te estocava como se amanhĂŁ quem sumisse fosse vocĂȘ. Para se encontrar com outro alguĂ©m.
Assim eram encontros de vocĂȘs, na cama ou no carro, ou atĂ© em qualquer lugar que ele pudesse te usar e se deixar ser usado. Porque ele tinha algo entre as pernas que vocĂȘ gostava e vocĂȘ, uma sentada que o desgraçava.
E mais uma vez, estava bem assim, contanto que vocĂȘ nĂŁo invente de ter outros amantes. "Eu te amo, perra". As vezes saĂa.
"Eu também, seu babaca".
^áȘČ đ”đșđđđđđđđđș đżđșđ đșđđœđ â nĂŁo sei escrever sobre homem tĂłxico, acho que deixei ele babaca atĂ© demais. mas de qualquer forma espero que tenha ficado ao seu gosto @maryiposa. obg pelo pedido!
Oii diva eu fiquei completamente obcecada pelo fer policial! Poderia fazer outro smut deles casados? Bjs diva!
đđđđ đŒđșđđșđœđđ, đżđŸđ đđđ đđŒđđșđ .
đ đđđđ vocĂȘ, o dobro desses beijos. aqui estĂĄ o seu pedido e eu espero de todo o coração que esteja ao seu agrado đ
^áȘČnotas da autora: linguagem imprĂłpria!, menção de mais de dezoito!, personagens maiores de idade!; menção de sexo desprotegido(đ€š)!, age gap, fer mais velho!, lobinha mamĂŁe do filho do fer!, fer policial!, homem dominante!, penetração (fem recebe)!, leve privação do ar!
ââââââââââââ vocĂȘ pede e a vampgi escreve.
đđđđđđ meias na altura dos tornozelos, cruas da mesma cor da camisa dele que vocĂȘ se apossou. Era noite, vocĂȘ vestia um short de cor vinho e de tecido fininho, tinha o corpinho de Jorge colado no seu em um abraço confortĂĄvel depois da amamentação. O bebĂȘ estava todo encolhidinho, com a bochechinha roçando na sua pele e um sorriso involuntĂĄrio nos lĂĄbios pequeninos.
Era verdade, ser mĂŁe mudava toda a essĂȘncia da mulher. E vocĂȘ podia confirmar isso vendo o apego que criou com o seu filho de trĂȘs meses. Fernando dizia que ele parecia com vocĂȘ e jurava agradecer por isso â uma tentativa falha de fazĂȘ-la pensar que ele era menos do que vocĂȘ. NĂŁo, o seu marido nĂŁo era menos. Nem mais tambĂ©m, ele era um igual, um coração que zelava por vocĂȘ, assim como o seu por ele.
Quando Jorge estava prestes a dormir nos seus braços, o barulho rangido da porta se abrindo o fez despertar e o seu olhar virou para a porta. Fernando tinha chegado. Exausto, morto em um estado de cansaço, mas tinha chegado. E, podia-se dizer que o argentino tinha sido pego pela chuva torrencial daquela noite. Os relùmpagos e trovÔes ainda assustavam o pequeno, mas Jorge rchegou a rir todo animadinho com a aproximação do pai.
Era claro que devido a seu estado encharcado, Fernando nĂŁo tomou o filho nos braços de imediato. EntĂŁo, tocou de leve a mĂŁozinha que o menino esticou para ele e sorriu. O lar de vocĂȘs era o Ășnico lugar na terra que ele se sentia em paz. Talvez nĂŁo fosse necessĂĄrio dizer que quase foi baleado em uma missĂŁo urbana naquele dia, mas sĂł aproveitar a sua vida.
Ele te olhou uma cara que dizia, vamos arrumar essa porta maldita. Sorriu grande. "Estou de volta, minha flor". Essa era sempre a primeira coisa que Fernando dizia ao retornar do trabalho.
Quem sabe fosse uma promessa de que sempre, ele estaria de volta para vocĂȘs. E era rotina de novo. O homem deixava um beijo na sua testa com um sussurro de "eu te amo" e dizia em seguida, algo sobre ir tomar banho.
VocĂȘ quase sempre vinha e resolvia ajudar o Fernando a relaxar. "Vou ninar o pequenito. Estarei no quarto logo em seguida". O relĂłgio na parede avisava quase uma da manhĂŁ, e vocĂȘ conhecendo Contigiani, sabia que ele nĂŁo iria comer nada. SĂł deitar e aproveitar o momento ao seu lado.
E em questão de minutos, embalou Jorge e o menininho se aconchegou no berço em um sono profundo, o quartinho decorado do ursinho Pooh estava quase todo escurinho, se não fosse por uma pequena joaninha de plåstico na tomada que ascendia suavemente o cÎmodo.
VocĂȘ mal tinha saĂdo do quartinho, quando sentiu aquelas mĂŁozonas te puxarem contra o corpo ali. Fernando rodeou uma mĂŁo na sua cintura enquanto a outra te prendia entre ele e a parede. "Senti sua falta, nena".
Ambos sabiam do que ele estava falando. Ele nĂŁo sĂł sentia falta de dormir bem com vocĂȘ, de saĂrem juntinhos para um jantar, para passear como faziam antes do pequeno menino nascer. Ele sentia falta de fazer mais. Estar mais com vocĂȘ, dos momentos intensos de sexo. Claro, isso nĂŁo era para anular o amor dele pelo prĂłprio filho. Ele somente queria que alĂ©m de mĂŁe de Jorge, vocĂȘ fosse a mulher dele.
Sem contestar ou revogar a sinceridade no olhar dos dois, vocĂȘ deixou a mĂŁo dele subir, conhecedora do seu corpo e das aventuras que jĂĄ experimentaram juntos.
Para a sua inteira sorte e felicidade, Fernando era pirado no seu corpo, e mesmo com as mudanças depois da gravidez. Ele continuou pirado. E até mais talvez.
"VocĂȘ tĂĄ me olhando com aqueles olhos".
Ele se aproximou um pouco mais, os lĂĄbios quase tocando os seus. Porra, esse homem te queria e te comia sĂł com o olhar. "Que olhos?".
O queixo dele abaixou um pouco sĂł para ele poder te olhar mais, o dedo calejado subindo quase que imperceptĂvel para desabotoar a camisa dele que vocĂȘ roubou â ele adorou. Ele olhava para dentro do tecido, a outra mĂŁo subindo para tocar seu seio no interior da roupa.
E o seu marido soltou aquela bomba no seu ouvido quase que autoritĂĄrio. "Quarto agora... senhora Contigiani".
Fernando te carregou nos braços cabeludos e veiĂșdos como se vocĂȘ fosse nada mais que uma pena sobre os dedos dele. Ele fazia isso. Para aqueles homens donzelos, que erguem muito mais de cem kilos na academia, qual era o problema de carregar a mulher de vocĂȘs? Bom,
Pelo menos Fernando nĂŁo era um donzelo.
Ele se sentou na cama quase caindo no colchĂŁo, a puxando para se deitar e entĂŁo ele finalmente estar por cima de vocĂȘ, depois de uns dias cansativos, era a primeira vez na semana que vocĂȘs iriam transar. Para um homem acostumado a ter o manuseio dos mais diversos tipos de armamentos, foram trĂȘs segundos para ele se livrar do seu shortinho de cetim e levar a calcinha ao chĂŁo junto.
A mĂŁo deslizou atĂ© o meinho das suas pernas, espremendo um ou dois dedos dele para se encaixar no seu buraquinho, enquanto ele nem se deu o trabalho de tirar completamente a camisa que vocĂȘ vestia. Com uns botĂ”es desfeitos, um deles Fernando quebrou com o seu atrevimento, o homem enrolava a lĂngua densa e molhada no seu biquinho duro, girava de um lado para outro, em cĂrculos e de cima para baixo.
"Fer-". Ele te cortou do gemido altinho. A mĂŁozona foi parar na sua boca e ele introduziu dois dedos ali.
Os dedos entraram um pouco mais na sua cavidade bocal. "Es uma tagarela, mi nena. Melhor ficar de boca fechada ou gemer bem baixinho agora, nĂŁo queremos que o pequenito acorde, nĂŁo Ă©?".
VocĂȘ negou, surpresa e com os olhos arregalados pelos lĂĄbios sufocados com os dedos compridos de Fernando.
"Ătimo... agora fica bem abertinha para eu meter..."
Ele a pegou novamente, te colocando na cama de uma maneira mais espaçada e atĂ© deixou um travesseiro na sua coluna para nĂŁo doer. Entendedora de Fernando Contigiani, foi que vocĂȘ rapidamente entendeu o que ele queria. Com as pernas nos ombros do homem, vocĂȘ deixou a bucetinha bem aberta para ele.
Estando bem posicionado entre a sua perna esquerda e a direita, ele pĂŽde sentir os dedos entrando muito bem dentro de vocĂȘ. As dobras encharcadinhas, que se molhavam mais e mais a cada dedada ou forma como ele brincava com o seu clitĂłris, acelerando e esparramando aquela umidade por toda sua extensĂŁo.
"Hm, levanta esse rostinho, olha como eu te deixo. TĂĄ' toda molhadinha". VocĂȘ nĂŁo conseguiu assimilar o que ele disse, entĂŁo ele agarrou seu queixo, a puxando dali mesmo mais para perto.
"Eu disse para levantar o rostinho, nĂŁo disse, nena?".
A voz dele era uma mistura de comunicação dominante e de um homem que se preocupava demasiadamente com sua esposa, bobo. Mas era claro que independente dos fetiches dele em quatro paredes, Fernando era o homem mais amoroso do mundo com vocĂȘ.
Quando vocĂȘ estava quase lĂĄ, ele tirou. Ele negou que vocĂȘ gozasse nos dedos dele. NĂŁo, vocĂȘ ia gozar com o pau dele roçando dentro de vocĂȘ.
Ele agarrou sua perna trĂȘmula e a puxou para o centro da cama. Com vocĂȘ de ladinho, ele deu alguns tapas em uma de suas nĂĄdegas, que segundos depois ele agarrou a carne com um movimento absurdo que carregava a sua força.
VocĂȘ nĂŁo tinha chances pra gemer ou respirar direito, visto que te segurando por trĂĄs, o braço veĂudo dele embalava seu pescoço, e os dedos dele? Estavam na sua boca. O pau do argentino entrava e saĂa em tempos acelerados de dentro de vocĂȘ, dessa vez Fernando nĂŁo começou leve. E ele estava morrendo de saudades dessa movimento, dessa sua carinha implorando pela vontade dele de te dar um pouco de ar.
Do barulho que preenchia o ar. Mas entĂŁo, as vezes, a mente dele voltava ao controle, o lembrava do filho de vocĂȘs em alguns metros de distĂąncia. Era necessĂĄrio se segurar.
"Shh... nĂŁo seja barulhenta, nena. Essa semana... eu deixo ele com minha madre, e ah... aĂ sim, eu te como do jeitinho vocĂȘ merece, minha nena... perra". Ele te falou em resposta com um beijo estalado, um que suas lĂnguas dançaram juntas e se tocaram mais que seus lĂĄbios.
Quando vocĂȘ finalmente melou o pau dele com o seu gozo, ele repetiu minutos depois. Mas nĂŁo tinha acabado, ainda. Passaram-se mais alguns minutos com vocĂȘ praticando a garganta profunda nele, que tanto te mandou se calar, mas gemia guturalmente como um homem da era Viking.
Suados, ele te agarrou para subir para a cama. Ele sorriu ao te trazer para cima dele com um carinho descrito nos olhos, que mesmo nĂŁo combinando nada com o Fernando de minutos atrĂĄs, ainda era ele. O seu marido.
No banho, ele te ajudou a se erguer e atĂ© deixou o sabonete escorregar pelas suas curvas. O de nacionalidade argentina acariciava a gordurinha singela localizada na sua cintura e a enxugava antes de ir para cama como se vocĂȘ fosse o maior e mais especial tesouro dele. Bem, Fernando conhecia sua rotina de skincare noturna diĂĄria, por isso se preocupou em mantĂȘ-la antes de vocĂȘs dormirem. Adicionando cada um dos cremes e cada sĂ©rum em sua pele, que para ele jĂĄ era macia como a bunda de Jorge.
"VocĂȘ parece um quadro, minha esposa. Uma pintura como a monalisa". Ele disse no pĂ© do seu ouvidinho enquanto vocĂȘ jĂĄ dormia.
^áȘČ đ”đșđđđđđđđđș đżđșđ đșđđœđ â eu adoro escrever com meu marido, obrigada pelo seu pedido, @lorenaloveslewis. aproveito para mostrar a vocĂȘs essa mudança bem pequena na estĂ©tica do blog e das postagens.
Oi diva sou eu denovo,andei pensando em um Enzo todo submisso a mulher,com aquela cara de coitado,daqueles que choram por medo de perder a mulher,eu amo um homem com cara de coitado.
đđđđ, aqui estĂĄ! Desculpa a demora, tĂŽ tendo ideias muito mirabolantes e complicadas de se passar para a escrita đ mas acredito que consegui passar essa vibe Enzo homem pobre carente da coitadolandia que prefere morrer do que perder a mulher dele em vida, que faria de tudo por ela e deixa ela ser o mulherĂŁo que ela Ă©.
^áȘČnotas da autora: homem bobo carente pela esposa em quantidade exorbitante!, homem romĂąntico e escritor de cartinha para a lobinha dele!, 40's!, guerra com tempo encurtado!, enzo militar!, muito choro e alegria!, citação de sangue e feridas!, sexo!, sexo desprotegido (jĂĄ sabem meu aviso, nĂ© lsdnetes?)!
ââââââââââââ vocĂȘ pede e a vampgi escreve.
đ đđđ era 1944 e o mundo se desmoronava em ruĂnas. Os lares haviam sido rachados com as dores e sangramentos da Segunda Guerra Mundial. Os homens lutavam no campo de batalha, distantes de seus lares, das esposas e filhos, enquanto as mulheres tentavam manter a esperança viva nas pequenas cartas que, vez ou outra, chegavam com notĂcias de seus amados. Muitos soldados se mostravam inabalĂĄveis diante do horror, mas a maioria nĂŁo conseguia esconder as lĂĄgrimas quando encarava a iminĂȘncia da morte.
Naquela tarde, na minĂșscula base mĂ©dica no front latino -americano, lotada e onde o cheiro do sangue misturava-se ao odor forte de medicamentos e Ă fumaça que parecia impregnar cada canto; Soldados estadunidenses, brasileiros e de outros paĂses da AmĂ©rica passavam de um lado para o outro entre a vida e a morte. Enzo Vogrincic estava quase sem forças. Seu corpo estava encostado em uma parede manchada de mĂŁos ensanguentadas, provavelmente de algum outro soldado ou mĂ©dico que falhou em manter a vida. A camisa do uniforme verde camufla dele estava toda ensanguentada de batalhas passadas, mas seu ombro esquerdo estava com uma mancha de um sangue vivo e molhado.
Ele respirava ofegante, mas sua dor fĂsica era insignificante comparada ao medo que o corroĂa por dentro. Seus olhos de uma cor entre um tom de castanho mĂ©dio e o mel estavam marejados, vermelhos e vidrados no alĂ©m. A mandĂbula travada denunciava o ranger dos dentes e escancarava a dificuldade de nĂŁo soluçar tanto. Ele chorava.
De repente, um soldado chamando Fernando, muita das vezes sĂ©rio, mas bom e compreensivo, se aproximou numa tentativa de acalmar os Ăąnimos feridos em latĂȘncia de seu amigo. Ele conhecia Enzo de antes da guerra, em encontros familiares, na casa de ambos onde suas respectivas esposas riram e conversaram bastante. Sabia da força de vontade e resistĂȘncia do uruguaio, mas tambĂ©m sabia que a guerra cobrava um preço atĂ© dos mais bravos cavaleiros.
"Aguente firme, meu companheiro. JĂĄ jĂĄ vocĂȘ vai ser atendido". Fernando disse quase gentil. Preocupado, sabia que Enzo era um dos melhores homens deles em campo.
"Não é a bala...". Enzo murmurou baixinho, a voz cortando enquanto afundava a cabeça nas mãos calejadas. "Porra, não é só isso, Fernando".
Fernando o olhou meio de lado, sem entender muito do que se tratava. "EntĂŁo... o que Ă©?".
"E se eu morrer, e se eu me for sem sequer poder dizer novamente o quanto eu a amo? Minha florcita, Fernando... ela Ă© tudo para mim".
Um outro soldado, que deitado em um catre de madeira caindo aos pedaços, de perna ferida e gemidos profundos de dor, balbucionou em lamentação algo sobre ter força e coragem, sobre não deixar os seus demÎnios tomarem conta de tudo. Enzo riu em meio a tantas lågrimas.
Ele enxugou o rosto na manga comprida que cobria seu antebraço, mas logo outras mais velozes caĂram. "VocĂȘs nĂŁo entendem. Minha esposa... ela". Parou, com um fungada baixinha, se sentindo completamente despedaçado. "Ela Ă© a coisa mais linda que existe. Os olhinhos dela... tĂŁo escuros, como jabuticabas". A voz entrecortou uma vez e ele se lembrou de vocĂȘ. Da sua imagem, da sua risada. Ele se lembrou de como vocĂȘ sempre o esperava. Do sabor de seus bolos, do seu tempero tĂŁo gostoso. "E o cabelo dela... enrolado, sabe? Sempre com aqueles bobs, tĂŁo formosa, tĂŁo... minha. E se eu nunca mais viver isso?".
A frase era cheia de chamego, de dengo, da realidade do quanto Enzo era completamente devoto por vocĂȘ. Agarrado a sua beleza e sua alma como uma Ăąncora. E o silĂȘncio que se seguiu foi uma reação disso. Todos ali tinham algo ou alguĂ©m para qual voltar depois do cĂ©u nublado, mas Enzo nĂŁo se importava em transparecer esse processo com mais tristeza.
Logo os mĂ©dicos chegaram. Revestidos com linhas, pinças e um Ășnico propĂłsito: salvar o maior nĂșmero de vidas. Um deles levou Enzo para uma sala menor. Tinha um catre pequeno no canto, pior do que o do soldado que recitou sobre força, e sentado, observou a ĂĄrea mĂ©dica.
Em uma mesinha prĂłxima, uma bacia com ĂĄgua fervente e ĂĄlcool era usada para esterelizar os utensĂlios. Ali tambĂ©m tinham um frasco Ă©ter, bandagens e mais. O mĂ©dico estava concentrado, abrindo alguns botĂ”es do uniforme de Enzo atĂ© poder tirar a manga e expor a ferida. Foi com um pedaço de gaze umidecido em algo que evitou maior infecção no ombro afetado do soldado.
Ele percebeu os olhos marejados de Vogrincic, mas nĂŁo comentou. Todos ali tinham as suas vezes de cair em prantos. E a escassez de matĂ©rias mais eficazes, levou o velho no jaleco a usar o resquĂcio de Ă©ter para dar uma anestesia geral em Enzo, visto que o estado emocional poderia comprometer a situação e piorar ainda mais a dor.
Enquanto se encarregava de tirar a bala, o senhorzinho, de cabelos brancos e muito vivido, encontrou algo que o fez repensar suas escolhas de vida. No bolso do uniforme de Enzo, uma carta intacta, não lida por ninguém a não ser a mente de seu próprio escritor. O envelope externo tinha um prólogo da mensagem.
"De um homem comum, para seu grande amor.
Eternamente seu marido,
Enzo V".
Ele pensou que talvez a pessoa destinada para ler aquele papel, nunca fosse receber essa carta. Mas provavelmente pĂŽde sentir o amor de Enzo Vogrincic durante grande parte de sua vida. E sim, vocĂȘ sentiu. Ele sorriu, e guardou a carta novamente no mesmo bolsinho.
__________
Quase trĂȘs anos de guerra depois, ele voltava. ApĂłs tanto sangue e bombardeios, o mundo tinha conseguido subir minimamente atĂ© a paz. A guerra finalmente acabou e os cĂ©us estavam limpos. Os soldados estavam animados, alguns tinham um dedo a menos, um olho ferido. Outros sequer puderam voltar vivos. Mas Enzo tinha pelo o que agradecer, depois de todo aquele tempo de agonia estava voltando para os braços de sua florcita.
Olhando para o horizonte belo atrås da janela, ele sorriu para a vida. "Me espere, pode ser na estação, ou até em nossa casinha... só me espere, minha amada. Eu voltarei hoje". E então, o trem embarcou em viagem.
Em uma manhĂŁ lĂmpida, o sol brilhava mais, como se atĂ© ele parecesse saber da chegada da paz naquele lugar. A cidade de MontevidĂ©u estava em um alvoroço. Mulheres de toda a cidade, sendo elas, filhas, mĂŁes, esposas, vestidas com a elegĂąncia da Ă©poca e com sorrisos mais que afetuosos se reuniam na estação ferroviĂĄria do centro da cidade. VocĂȘ sequer tinha conseguido dormir naquela noite, o coração quase explodindo de tanta saudade.
Colocou seu melhor vestido, um na altura dos joelhos, de um tecido de poĂĄ, muito gostoso e leve. O favorito de Enzo. Ele dizia que a florcita dele ficava mais formosa com aquele vestido. Acompanhado de um cinto fininho, Ă© claro.
Jå na estação, se podia ver muitas mulheres despedaçadas, que provavelmente jå sabiam da morte de seus homens, e só esperavam o uniforme deles como uma triste e fervorosa lembrança do que eles tinham feito para um mundo melhor. Sem respostas e apenas uma esperança guardada no peito, se sentou em um banco.
"Volte para mim, meu marido. Volte que eu te tomo em meus braços". Rezava para si.
De longe era possĂvel ouvir os cantos felizes dos soldados, as vozes roucas que ressoavam ao som de alguma mĂșsica de Frank Sinatra. Mas foi no barulho da locomotiva, que entĂŁo, anunciou a parada. O trem finalmente chegava em MontevidĂ©u e de lĂĄ de dentro, a festa parecia grande.
Os soldados estavam dançando de um lado para o outro, em fim, em paz. De repente, um ajudante do motorista começou a entrar em cada um dos vagÔes e em todos, suas palavras calmas eram as mesmas. "Peguem suas coisas rapazes, e voltem para a felicidade". Enzo tomou aquelas palavras como suas, as repetiu para os amigos próximos, as lågrimas voltando as olhos bonitos enquanto suas mãos tremiam na alça das malas.
Sem seguir ordens ou serem finos e educados, todos eles desceram, se esbarrando e atĂ© malas caindo. E de repente nĂŁo havia sequer espaço na estação. Os homens corriam e seguravam suas mulheres nos braços, beijavam suas filhas com saudades e sentiam o carinho de suas mĂŁes. Enquanto outras passavam pela dor da perda. A mala na mĂŁo de Enzo vacilou dos dedos trĂȘmulos quando te viu e as suas pernas tambĂ©m. VocĂȘ usava o vestido de poĂĄ favorito dele, vocĂȘ se lembrou. Tinha prometido que usaria exatamente aquele na volta dele.
Estava linda. Estava estonteante, como uma princesinha e as lågrimas desceram forte pelas bochechas dele. Quando estava um pouco mais perto de ti, se deixou cair. Em uns tropeços de ansiedade e o peso das bagagens trazidas, ele se deixou deslizar até os seus pés.
Com joelhos no chĂŁo, ele segurava em seu vestido, as mĂŁos fortes atĂ© demais que pareciam sĂł matar a saudade quando cravadas em seu corpo. "Florcita... minha amada e formosa florcita". O rosto vermelho do homem se enterrou nas suas mĂŁos delicadas quando vocĂȘ resolveu se ajoelhar perante dele, ele amou sentir o seu toque outra vez, sentiu falta dele. Seus lĂĄbios se arrastaram por sua pele, ele beijou ali como se tivesse encontrado um bom minĂ©rio. Com um biquinho nos lĂĄbios marcados pela demora desse reencontro, os olhos ardentes, ele sussurrou. "Eu voltei... para nĂłs. E-eu disse que voltaria".
Rindo para os ventos da cidade, vocĂȘ nĂŁo demorou em rodar as mĂŁos pelo rosto de Enzo, para beijar aqueles cabelos cheios dele. Para o levantar.
JĂĄ estando de pĂ©, o uruguaio te abraçava, te tocava com o pensamento mais leve de todos. Sabendo que ele poderia nĂŁo estar mais ali, mas estava. VocĂȘ deslizou um dedo pelos lĂĄbios de seu marido e logo deixou um beijo meio tĂmido e marejados de lĂĄgrimas ali. Manchando a boca dele, que te olhava como um bebĂȘ. "Sim! Sim, vocĂȘ voltou, meu querido". Exclamou.
Ganhando mais Ăąnimo, Enzo te ergueu no ar mesmo aos beijos, e a girou contra ele em um momento quase Ăntimo para uma demostração pĂșblica, mas ele nem sequer se importou. Um pouco tontos, perderam o equilĂbrio ali e acabaram no chĂŁo, mas aquela pequena dor nĂŁo afetou nenhum dos dois. E ao invĂ©s disso, a risada de vocĂȘs se misturou com choro e contra seus lĂĄbios, em meio a um beijo do sĂ©culo, ele respondeu.
"Eu sou e serei eternamente seu, florcita".
Mesmo estando no chão, o soldado não resistiu em ficar assim por mais um pouco, abraçados, ele te colocou para se sentar no colo dele e acariciou seu belo rostinho. "Somente seu". Tinha um tom brincante, porém choroso em sua voz. Ele com um semblante de menino perdido, admirava-te, os seus olhos de jabuticaba madura iluminando a vida dele.
Quando estavam finalmente em casa, sem uniformes ou amarras, nĂŁo demorou para cair em dengo. Em um estado de completa exaustĂŁo, o homem apenas sorriu enquanto a seguia para cada quanto da casa de vocĂȘs. Quando vocĂȘ descia para a cozinha, ele descia, quando ia ao banheiro ou para o quintal, ele ia igual. Naquele momento em questĂŁo, vocĂȘ preparava a massa do bolo favorito dele, de trigo com brigadeiro de maracujĂĄ.
Agarrado por detrĂĄs de ti, as mĂŁos fortes de Enzo na sua cintura enquanto o rosto se entregava ao bom cheiro do perfume que marcava o seu pescoço. "VocĂȘ vai fazer bolo?". Ele perguntou, olhando de mansinho para a panela.
"Vou sim, meu bem". Ele te apertou ainda mais contra ele e tudo que respondeu antes de seguir o interessante aroma de seu pescoço foi um... "Eu gosto do seu bolo".
"Todos os dias, hĂĄ treze anos, vocĂȘ diz essa mesma frase".
"Eu sei". Beijou seu ombro delicadamente e encostando a bochecha ali, ele te olhava enquanto o bolo era preparado. VocĂȘ era tĂŁo linda, a mulher mais formosa e a flor mais cheirosa de MontevidĂ©u. A mĂșsica abafada pelo rĂĄdio que precisava de consertos o animava, e ele balançava o corpo junto ao seu em meio a risadas.
Mais tarde, naquele mesmo dia ainda, Enzo adormeceu completamente no chĂŁo mesmo da sala de estar, sĂł com a brisa do ventilador e uma calça de tecido macio, e enquanto vocĂȘ dobrava as roupas que estavam separadas para ir a mĂĄquina de lavar, encontrou algo que vocĂȘ nĂŁo esperava.
A carta. Com um cuidado para não rasgå-la, desdobrou o papel para ler, mas tudo que encontrou foram as mais belas e romùnticas das palavras do mundo. Transcritas naquele pedaço de papel amarelo, em uma letra rebuscada e culta, a carta dizia:
"Minha doce esposa,
Sei que essas palavras podem nunca chegar atĂ© vocĂȘ, mas preciso escrevĂȘ-las. Preciso, pelo menos, tentar. Eu estou sentado num lugar onde a dor e o desespero tomam conta de todos. Meu ombro estĂĄ ferido, mas a maior ferida estĂĄ no meu peito. Ă o medo de nĂŁo poder voltar para vocĂȘ.
Porque vocĂȘ Ă© tudo que eu tenho de mais precioso. Sempre foi. Quando fecho os olhos, vejo seus olhinhos de jabuticaba brilhando, vejo os cachinhos que vocĂȘ enrola nos bobs com tanto cuidado... E meu coração dĂłi por saber que posso nunca mais tocar seu rosto.
Eu rezo para que Deus me permita voltar, para que eu possa segurar as tuas mĂŁos de novo. Mas, se isso nĂŁo acontecer, saiba que te amei com cada parte de mim. VocĂȘ Ă© a razĂŁo de eu estar aqui hoje, lutando. De eu ser quem sou.
Eu queria poder te abraçar agora, sentir seu cheiro, ouvir sua risada... VocĂȘ Ă© surreal, minha florcita, etĂ©rea demais. Minha mulherzinha. Se eu nĂŁo voltar, por favor, prometa que serĂĄ feliz. Viva por nĂłs dois.
Com todo o amor que cabe em meu peito,
Enzo V".
E entĂŁo, vocĂȘ chorou. Por ler o medo de Enzo de te perder, pelo sentimento tĂŁo latente que ele ainda tinha por vocĂȘ. Sempre teria. Porque soldado ou nĂŁo, Enzo Vogrincic, nĂŁo poderia em nenhuma circunstĂąncia, ser definido de outra maneira a nĂŁo ser, completamente seu.
A carta foi guardada na gaveta da cĂŽmoda, entre as suas vestes, segura e que vocĂȘ um dia, diria abertamente a ele que havia sido tocada por suas palavras.
BĂŽnus.
Quando finalmente entĂŁo, Enzo acordou, a casinha estava em um silĂȘncio confortĂĄvel. A sala de estar era iluminada apenas por um pequeno abajur, seu corpo estava coberto por um macio lençol que vocĂȘ havia deixado sobre ele ainda quando era cedo. Ele sentia sua cabeça pesada, ainda um pouco grogue graças ao sono e com alguns segundos de recobrar o equilĂbrio, se ergueu. O uruguaio te chamou uma vez, "Florcita". Te chamou outra. E vocĂȘ nada.
Com um bico do tamanho do mundo nos lĂĄbios, andou de um lado para o outro nos cĂŽmodos da casa, foi ao banheiro da ĂĄrea de baixo, na cozinha, no quintal. Logo, sĂł restava um lugar, o quarto de vocĂȘs.
"Florcita? Minha formosa florcita?". Disse ao entrar, batendo na porta baixinho para avisar da sua presença. E vocĂȘ nĂŁo estava na cama. Pensando um pouquinho onde estaria, ele se surpreendeu com o barulho do chuveiro caindo no azulejo do banheiro. Sorriu.
Vogrincic sentiu o seu pobre coração quase parar. Tirando a calça do seu pijama e a cueca junto, o homem caminhou nu atĂ© o banheiro com passos de cachorrinho, leves e que nĂŁo fossem bem ouvidos por vocĂȘ.
Assim que entrou, derreteu completamente com a visĂŁo de vocĂȘ. Com o shampoo no cabelo, os olhinhos fechados. A mente dele nĂŁo conseguia processar direito quando olhava para vocĂȘ. Seu corpo era muito, para um homem tĂŁo pouco como ele. Ele caminhou e entrou no box, tomando o seu corpo nos braços dele.
"Enzo!". VocĂȘ gritou surpresa, apertando ainda mais os seus olhos.
Ele beijou seu pescoçinho, deslizando devagar a lĂngua ali e deixando uma marquinha vermelinha, te trazendo cada vez mais contra ele. "Oi", sussurrou todo carente. "Preciso de vocĂȘ... deixa eu te comer, florcita". Pediu. Ele lhe ajudou a tirar o shampoo e suspirou quando vocĂȘ abriu um olho.
Sua cabeça encostou no peito dele, quando o uruguaio a prendeu contra a parede. Aquele seu olhar, aquela maldita transição entre a sua doçura usual e o tesĂŁo deixava ele completamente aos seus pĂ©s. Podia fazer tudo que vocĂȘ o pedisse. Ele ficou assim agarradinho por alguns minutos, mas nĂŁo demorou para sentir o pau dele roçando a parte interna de sua coxa.
"Deixa, florcita... eu preciso sentir vocĂȘ me apertando... por favor".
Acenando suavemente, vocĂȘ percebeu como os olhos dele te admiravam por completo, as sobrancelhas franzida quase como se implorasse para foder vocĂȘ depois de dois anos e nove meses longe por conta daquela miserĂĄvel guerra. VocĂȘ talvez, nĂŁo soubesse como fazia feliz a esse uruguaio, vocĂȘ ser a mulher dele. Como ele poderia morrer, mas nĂŁo viver sem vocĂȘ.
Enzo te pegou no colo com uma facilidade indescritĂvel, sem dar a mĂnima para o banho, desligou o chuveiro. Ele te guiou atĂ© a cama, a deitando com aquele carinho que foi sempre parte dos momentos quentes de vocĂȘs. A expressĂŁo amoada, de pobre coitado, denunciava o amor que residia naquele homem louco por vocĂȘ.
Ele se sentou na cama, as pernas grossonas bem abertas para que vocĂȘ pudesse encaixar a sua bucetinha no pau dele com a extrema perfeição. "Vem, senta em mim, mi florcita".
Com uma risadinha, que levou o arzinho da sua respiração para o rosto dele pela proximidade, vocĂȘ engatinhou para se sentar no colo do seu marido, uma perninha de cada lado antes de segurar o membro dele daquele jeitinho que o fazia agarrar mais forte seu quadril, e gemer baixinho e rouco no seu ouvido. Sem fazer muito alarde, vocĂȘ o encaixou no seu buraquinho carente, e sentou nele para que ele sentisse seu apertinho. O que vocĂȘ fazia com ele, a forma como vocĂȘ se movia sobre ele, como acelerava e desacelerava e encaixava o pau dele todinho dentro de vocĂȘ o deixava alucinando. VocĂȘ era a dona daquele homem.
"M-mi amor... assim- eu te amo". Ele gemia, se encostando na cabeceira da cama, como quem sabe a esposa que tem, apenas relaxando enquanto vocĂȘ montava em Enzo com o conhecimento de quem tem um homem na palma da sua mĂŁo.
Seus gemidos faziam ele gemer mais, e suas mĂŁos no peito dele faziam as dele apertar ainda mais seu quadril. VocĂȘ acelerava, cada cavalgada que carregava menos fĂŽlego, porĂ©m mais velocidade.
E no fim da noite, depois de quase trĂȘs anos de angĂșstia tenebrosa, Enzo Vogrincic se sentia realizado por estar de volta. Dormindo bem agarradinhos, o pau do homem ainda dentro de vocĂȘ, ele sabia que tinha o ouro da vida.
VocĂȘ adormeceu de conchinha com ele e ainda de olhos abertos, mas quase caindo em sono, ele deixou um beijo na sua bochecha. "AtĂ© amanhĂŁ, esposa. Irei sonhar com vocĂȘ".
^áȘČđđđđđ đđ đđđđ â Prontinho, revisado e depois de muitas lĂĄgrimas. Espero que esteja ao seu gosto, @lilablanc.

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
Imposible.
Enzo Vogrincic.
Avisos: Sexo explĂcito, diferença de idade, sexo sem proteção, provocação, enzo rabugento e reader brincalhonađŁ
Imposible.
Enzo Vogrincic.
Avisos: Sexo explĂcito, diferença de idade, sexo sem proteção, provocação, enzo rabugento e reader brincalhonađŁ
oi diva
to com uma ideia... enzo amargurado e ranzinza conhece a raio de sol mais nova
apoia?
apoio!
jĂĄ ta escrita, sĂł revisar, de hoje pra amanhĂŁ eu soltođđ
gente socorro eu encontrei meu ex na rua depois de 5 meses sem ver ele
casos ilĂcitos
Matias Recalt X f!Reader
Cap. 19
E minhas palavras atiram para matar quando estou brava. Eu me arrependo bastante disso.
Avisos: linguagem imprópria, mençÔes a hospital e lesÔes.
Palavras: 8,1 k
Primeiro capĂtulo do anoooo, aproveitem đ„łđ
ââââ
Os fatos das Ășltimas horas ainda rodavam como um disco arranhado pela sua mente, se repetindo sem parar, e te causando dĂșvidas junto com um aperto profundo no peito.Â
NĂŁo houve um Ășnico dia apĂłs o tĂ©rmino entre vocĂȘ e o garoto de cabelos castanhos que tenha sido cem por cento perfeito ou nulos de dor. Claro que tinham dias melhores que outros, Ă s vezes com sorte, atĂ© mesmo semanas melhores que outras. Mas nunca era algo duradouro. Sempre que uma centelha de felicidade parecia te preencher em um momento bom, no instante seguinte isso se extinguia. Fosse durante o dia, ou no cair da noite, quando estava sozinha, ou nos braços de seu novo namorado.
VocĂȘ poderia por uma mĂĄscara e tentar mentir o melhor que fosse para seu parceiro, amigos e atĂ© familiares de que tudo estava bem, e que vocĂȘ estava feliz com esse recomeço, mas no fundo, nĂŁo poderia mais mentir para si mesma.Â
E vocĂȘ tentou. Por muito tempo.Â
Pensando que não importava que durante o sexo os seus olhos sempre estivessem fechados e sua mente vagando para outra pessoa, ou que sempre que passava pelo parque no caminho de volta para casa, e visse garotos em cima de um skate, um nome sempre vinha a sua cabeça. Ou quando foi no mercado na semana passada, e havia comprado todos os ingredientes para preparar a refeição preferida de uma pessoa, que nem ao menos estaria lå para apreciar.
Ele sempre estava presente na sua vida, mesmo sem estar necessariamente lĂĄ. Se Ă© que isso fazia sentido.Â
Mas como vocĂȘ sempre fazia nos Ășltimos tempos, vocĂȘ somente engolia o que sentia, reprimindo tudo, e tentava ainda mais duro para fazer as coisas fluĂrem e funcionarem no seu relacionamento. VocĂȘ fez sua famĂlia e amigos se darem bem com Santi (se bem que a maior parte disso se devia a ele, e sua personalidade amigĂĄvel), começou a sair mais, e marcou programas com as pessoas de que vocĂȘ mais gostava no seu cĂrculo social. Fosse compras com as garotas, jantares com namorado e passeios ao ar livre com a famĂlia, mas sempre com o peso nos ombros da culpa da mentira, e sĂł esperando atĂ© o sentimento de vazio te alcançar novamente.Â
E Ă© claro, que bem no dia que seus pensamentos estavam mais inquietos do que o normal, com nervos Ă flor da pele, e quase arrancando os cabelos de nervosismo, ele decide aparecer e fazer tudo ficar mil vezes pior.Â
Seus instintos estavam alerta desde a sala de cinema escura, se sentindo observada e vigiada, mas como nĂŁo encontrou nada vagando os olhos brevemente pelas pessoas, vocĂȘ apenas ignorou achando que estava ficando maluca. E agora vocĂȘ sabia exatamente o motivo disso.Â
Apesar de tudo, falar com os garotos foi a parte fĂĄcil. Distribuir abraços, sorrisos verdadeiros e calorosos foi realmente bom para sua alma, e quando nĂŁo viu MatĂas com eles, sentindo um nĂł em seu estĂŽmago, pensando que ele poderia estar em outro lugar, com outro alguĂ©m, fazendo outras coisas, que te traziam um gosto amargo na boca, finalmente o avista mais a frente conversando com sua irmĂŁ.Â
E como se jĂĄ nĂŁo bastasse os olhares embaraçosos quando ficaram frente a frente, enquanto todos tentavam ignorar o grande elefante na sala, tudo ficou ainda mais intenso quando ele te pediu para conversarem a sĂłs, o que a contragosto, vocĂȘ aceitou.Â
Imagine a sua surpresa quando MatĂas te perguntou se vocĂȘ amava Santi. Foi tudo tĂŁo estranho, confuso e desesperador, pois para vocĂȘ o amor parecia algo estrangeiro e de outro mundo se direcionado a outra pessoa que nĂŁo fosse MatĂas. VocĂȘ estava confusa e com raiva. Raiva que justamente a primeira vez que ele ousasse tocar no assunto âamorâ, Ă© justamente para te perguntar a respeito de seus sentimentos por outra pessoa.Â
VocĂȘ nĂŁo tinha que se justificar para ele. Ele nĂŁo podia te perguntar a respeito de amor, se ele nem ao menos chegou a te falar as tais palavras ao menos uma vez. Nem mesmo depois de sua confissĂŁo no casamento, que parecia ter sido feita hĂĄ um milhĂŁo de anos atrĂĄs.
Ă claro que durante a briga do tĂ©rmino no apartamento dele, o mesmo tentou te dizer as trĂȘs palavras que vocĂȘ uma vez tanto sonhara em ouvir, sĂł que de maneira diferente. Te falando como o seu lugar era ao lado dele, e como vocĂȘ era importante para o mesmo. Mas naquela Ă©poca, nada do que saĂa da boca dele vocĂȘ poderia considerar sincero ou real.
Mas e agora?Â
VocĂȘ se odeia por saber bem claramente o desfecho que a conversa desta noite poderia ter tomado no estado em que vocĂȘ estava. Se ele tivesse dito o que vocĂȘ queria escutar, se declarado com honestidade, entĂŁo provavelmente vocĂȘ teria deixado tudo de lado por ele.Â
Mas ele nĂŁo disse. E ele nunca iria dizer.Â
EntĂŁo vocĂȘ mentiu, e disse que amava outra pessoa. Mas junto com a mentira, tambĂ©m veio o conhecimento e a realização de algo maior. Pois foi nesse momento que vocĂȘ soube que tinha ido longe demais. Santi era um cara incrĂvel, e nĂŁo um trofĂ©u para vocĂȘ exibir, e usar para se sentir desejada, e depois descartar quando tiver outro brinquedo. Tudo isso era injusto com ele.Â
MatĂas poderia ir se foder, mas SantĂ merecia ao menos a verdade. E depois desta noite, vocĂȘ sabia exatamente o que isso significava, e o que precisava fazer.Â
â â â â-
Depois que saem do cinema e se dirigem ao jantar tedioso, o qual vocĂȘ passou mais tempo dispersa e brincando com a comida do seu prato, enquanto esperava que um raio caĂsse em sua cabeça sĂł para vocĂȘ poder sair dali, finalmente todos terminam suas refeiçÔes e se encaminham para casa. Santi passaria a noite com vocĂȘ como de costume, e assim ambos os casais começaram o trajeto de retorno ao apartamento. Foi tudo bem tranquilo, com todos se recusando a tocar no assunto âexâ,e somente falando de vĂĄrios assuntos irrelevantes. Seu cunhado e namorado divagando sobre o jogo que aconteceria na prĂłxima semana e sua irmĂŁ tentando te introduzir no meio quando começaram a falar sobre o filme que acabaram de assistir.Â
Um olhar cortante seu Ă© o suficiente para que ela pare de tentar.
Assim que chegam em casa, vocĂȘ solta um suspiro cansado, sabendo que agora iria ser a hora chata, e que teria de ter coragem para enfrentar isso. Wagner entra com o carro no estacionamento, e assim que todos se soltam dos cintos, e saem do veĂculo com segurança, vocĂȘ aborda o rapaz:Â
- Santi, podemos conversar? - VocĂȘ pede, e pela cara dos mais velhos a sua frente, a sua tentativa de parecer tranquila sobre o motivo, foi totalmente falha.
-Claro - Ele concordou prontamente te seguindo.
Seu cunhado e irmĂŁ entram no prĂ©dio, deixando apenas os dois do lado de fora, os dando privacidade e espaço. Ambos vĂŁo para a calçada, em silĂȘncio e cautelosos, sendo saudados com a briza suave da noite nos seus rostos.
-Eu⊠- VocĂȘ começa, olhando para os prĂłprios pĂ©s com vergonha, e tentando encontrar as palavras certas para transmitir o que vocĂȘ queria dizer.Â
Mas vocĂȘ nĂŁo sabia bem o que queria dizer. VocĂȘ nunca tinha chegado nessa parte. Terminar com Matias foi rĂĄpido pois ele havia pisado na bola, mas com Santi era diferente, pois ele nĂŁo tinha sido nada senĂŁo perfeito. Como vocĂȘ poderia encontrar as frases certas para partir o coração de alguĂ©m com o mĂnimo de dano possĂvel? A resposta era simples: NĂŁo tinha como.Â
-VocĂȘ vai terminar comigo, nĂŁo Ă©? - Ele te corta, te aliviando o fardo das palavras pesadas e duras. Quando o seu olhar finalmente encontra o dele, vocĂȘ nota que a feição dele ostenta um olhar manso e resignado no rosto, como se jĂĄ suspeitasse disso o tempo todo. Â
Ele não parece bravo, confuso e muito menos irritado. Totalmente o contrårio do que o seu coração medroso esperava. Mais uma vez te mostrando o quão perfeito ele sempre é, e foi.
-Sim, eu sinto muito Santi.- VocĂȘ confirma, engolindo em seco - NĂŁo acho que esteja funcionando mais entre a gente, mas quero que saiba que o problema nĂŁo Ă© vocĂȘ, sou eu. - Tenta explicar ao garoto de olhos gentis, e sentindo lĂĄgrimas começarem a surgir conforme as palavras iam fluindo, e seu corpo começando a tremer.Â
-Calma, tĂĄ tudo bem. -Ele diz, e antes que perceba, os braços dele estĂŁo Ă sua volta te abraçando, e te consolando uma Ășltima vez.Â
A presença dele te envolve, em uma espiral de aconchego, calor e um cheiro gostoso que vocĂȘ reconhece como sendo do perfume dele. Estando assim, tĂŁo prĂłximos, vocĂȘ atĂ© consegue entender como se deixou ficar confusa romanticamente por tanto tempo. Ele era tudo o que vocĂȘ um dia idealizou, mas infelizmente, ele chegou tarde demais, e vocĂȘ jĂĄ tinha deixado esse barco para trĂĄs hĂĄ muito tempo.Â
VocĂȘs ficam assim por alguns minutos, com os corpos ainda grudados um no outro, enquanto ele esfrega suavemente carĂcias nas suas costas, e sussurra palavras doces no seu ouvido. VocĂȘ nĂŁo consegue deixar de notar a ironia da situação e se sentir ainda mais patĂ©tica e ridĂcula com isso. Foi vocĂȘ quem terminou com ele, e Ă© ele quem estĂĄ vindo te acalmar e te escutar chorando como uma criança.Â
Quando a noção de autopreservação e vergonha voltam a vocĂȘ, fazendo sua onde de frenesi e histeria passar, Santi tenta ter uma conversa de verdade, tomando cuidado com o seu bem estar, sendo atencioso e paciente como sempre.
-TĂĄ tudo bem. - Ele te garante mais uma vez - Pra ser sincero, eu meio que sabia que isso iria acontecer alguma hora, eu vejo o jeito que vocĂȘ olha pra ele toda vez que o encontra, ou quando alguĂ©m menciona o nome dele. - Santi diz, e nĂŁo Ă© preciso que ele cite nomes, pois os dois sabem de quem estĂŁo falando.Â
-Isso nĂŁo tem nada haver com ele - VocĂȘ retruca na defensiva - Eu sĂł acho que tenho que ficar sozinha e cuidar dos meus prĂłprios sentimentos antes. - Justifica com a voz ainda trĂȘmula - NĂŁo posso mais te arrastar pra essa bagunça. - Termina, deixando ainda mais Ăłbvio o quĂŁo arrependida estĂĄ por toda esta situação.Â
Ele segura a sua mĂŁo firmemente, fazendo carinho com os dedos e te transmitindo tranquilidade com o gesto simples:
-Fico feliz que queira um tempo pra vocĂȘ, pois vocĂȘ merece. Mas se vocĂȘ quer realmente resolver os seus sentimentos, talvez deva começar com o fato de ainda sentir coisas pelo seu ex- Ele aponta duramente, mas ainda sendo gentil.
E mesmo te enfurecendo o quĂŁo sincero ele estĂĄ sendo, o que mais te deixa brava, Ă© que o que ele diz realmente faz sentido. Mas vocĂȘ ainda nĂŁo estĂĄ pronta para admitir isso para ninguĂ©m, muito menos para si mesma.
-Talvez, vou pensar sobre isso. - O responde, deixando claro que Ă© o mais perto de uma concordĂąncia que ambos vĂŁo chegar esta noite.Â
Ele te solta, te deixando por si mesma agora que estĂĄ mais composta, e vocĂȘ tenta nĂŁo se deixar afetar pelo modo como jĂĄ sente falta do calor amigo do mesmo. Ambos se encaram sem saberem muito bem como prosseguirem com a conversa. VocĂȘ ainda estĂĄ pensando em como acabar com esse embaraço quando ele solta uma tosse falsa, e continua a falar:Â
- Acha que podemos ser amigos? Mesmo se vocĂȘs dois voltarem juntos? - Ele questiona, inseguro. - Eu entendo se vocĂȘ quiser distĂąncia e quiser ser apenas colegas de trabalho, nĂŁo vou ficar chateado. - Ele te assegura, colocando suas emoçÔes em primeiro lugar, e parecendo nervoso com sua resposta.
VocĂȘ solta uma risada anasalada e baixa com a timidez repentina dele. Era Ăłbvio que vocĂȘ iria querer a presença dele na sua vida, mesmo que de outra forma. Ele era um dos poucos caras que vocĂȘ conheceu que realmente valiam a pena e tinham decĂȘncia dentro de si mesmos. NĂŁo precisava nem pensar muito para responder:Â
-Claro que sim - VocĂȘ o afirma com um sorriso - Eu ainda gosto muito de vocĂȘ, sĂł que agora Ă© diferente, Ă© mais como amigo, nĂŁo no sentido de⊠vocĂȘ sabeâŠdesse jeitoâŠ- As palavras certas nĂŁo vem a sua mente.
-No sentido sexual? romùntico? - Ele oferece descaradamente, para fazer graça.
-ĂâŠacho que podemos dizer isso - O diz, e sente as bochechas corarem com o sorriso maroto do mesmo - Mas acho que podemos ser bons amigos - Termina, recebendo um aceno satisfeito dele.
E entĂŁo se lembra da segunda implicação do mesmo, e fica mais sĂ©ria:Â
-Mas nĂŁo vou voltar com o MatĂas, como eu disse, o que eu preciso Ă© pensar e ficar um tempo sozinha. - Repete suas afirmaçÔes - E de qualquer modo, eu e ele nĂŁo iriamos funcionar mais juntos. - Diz com convicção.Â
Santi solta um suspiro profundo com isso:
-NĂŁo acredito que vou dizer isso, mas⊠mesmo concordando que ele foi um idiota, eu sei que ele ainda gosta de vocĂȘ, eu consigo ver isso. - O garoto afirma, se aproximando - SĂł usa esse tempo pra pensar bem no que vai te fazer mais feliz e corra atrĂĄs disso - Ele diz, e aperta gentilmente o seu ombro, te aconselhando.
E antes que vocĂȘ possa rebater alguma coisa, ele jĂĄ estĂĄ te abraçando, e se despedindo com um beijo singelo no seu rosto. Somente quando a silhueta dele desaparece no horizonte, Ă© quando vocĂȘ se permite ir para dentro e pensar no que acabou de acontecer. Â
â â âÂ
Na volta atĂ© casa, desde que entra no elevador, ou quando passa pela porta do seu apartamento silencioso, as palavras de Santi ainda pesam em sua mente, assim como a culpa. VocĂȘ machucou e magoou um garoto bom e inocente em toda esta histĂłria, tudo por conta de uma solidĂŁo e necessidade de preencher um vazio deixado por outra pessoa. O que te conforta, Ă© que pelo menos agora Santi estĂĄ livre disso tudo, e pode encontrar alguĂ©m melhor e emocionalmente disponĂvel.
Seus ombros estĂŁo baixos em desĂąnimo e cabeça curvada em uma expressĂŁo sem emoção. Ele disse que estava tudo bem, mas ainda assim era difĂcil nĂŁo sentir um pouco de remorso e culpa.Â
Em meio a neblina de confusĂŁo, vocĂȘ consegue escutar um som do vapor saindo de uma chaleira. E assim que se aproxima da cozinha para averiguar, Ă© recebida com o cheiro de ervas doces que preenchem os seus sentidos e te acalmam quase que instantaneamente.Â
SĂł tinha uma pessoa que poderia estar tomando chĂĄ a esta hora:
-Quer tomar um chĂĄ? - Sua irmĂŁ oferece, jĂĄ pegando uma xĂcara no armĂĄrio mesmo antes de ouvir a sua resposta.Â
-Claro - VocĂȘ responde, se juntando a ela na bancada da cozinha e aceitando a xĂcara com o lĂquido quente.Â
SĂł estĂŁo as duas aqui. De frente uma para outra, enquanto ela te oferece alguns biscoitos que tinha assado mais cedo, os quais vocĂȘ nĂŁo tinha notado atĂ© agora. Pelo silĂȘncio, seu cunhado provavelmente jĂĄ tinha ido se deitar por conta do dia longo. O que era bom, pois era uma pessoa a menos para encarar depois de tudo.Â
-Noite difĂcil?- Sua versĂŁo mais velha te pergunta, te acordando de seus pensamentos.
-Ă- VocĂȘ concorda, soprando a beirada do recipiente esperando que fique mais morno antes de levar aos lĂĄbios. - Acabei de terminar com o Santi.- Solta de uma vez.Â
VocĂȘ nĂŁo sabia muito bem o motivo de estar contando isso jĂĄ que era algo recente, e o qual vocĂȘ nem teve tempo de digerir muito bem. Mas outra parte sua queria arrancar o band-aid de uma vez. Quanto mais cedo vocĂȘ falasse, mais rĂĄpido deixaria de ser novidade e logo passaria toda a comoção.Â
-Sinto muito - Ela diz, trazendo uma mĂŁo ao seu ombro em consolo - Mas foi o melhor. - Constata por fim, e volta a atenção a sua bebida.Â
-Porque vocĂȘ diz isso?- VocĂȘ questiona, confusa com a rapidez com que ela parece ter aceitado a novidade.Â
-Ele nĂŁo era o cara certo pra voce. Eu sabia disso, ele sabia disso e mesmo vocĂȘ nĂŁo querendo admitir, vocĂȘ tambĂ©m sempre soube disso - Ela responde, sem papas na lĂngua e com a sobrancelha arqueada.Â
VocĂȘs ficam em silĂȘncio por um tempo depois disso, com o espaço sendo preenchido apenas pelo som dos biscoitos sendo comidos e o barulho do chĂĄ abastecendo suas xĂcaras que ficaram vazias muito rĂĄpido. O que vocĂȘ menos queria agora, era dar abertura para ela começar a falar de seu ex (Matias), assim que vocĂȘ a informa de seu tĂ©rmino com Santi (que agora tambĂ©m era seu ex). Mas querer nĂŁo Ă© poder, e assim que o terceiro biscoito encontra sua boca, ela começa a falar novamente:Â
-Hoje no cinema, o MatĂas me falou que te ama, sabia?- Ela pergunta ironicamente, olhando no fundo dos seus olhos.Â
O QUE? COMO ASSIM?Â
Seu coração começa a bater mais rĂĄpido, e suas bochechas a corar violentamente com a confissĂŁo dela. Ele disse que te ama. Ele disse, de verdade. Suas mĂŁo estĂŁo suando e tremendo em ansiedade. A sua mente te leva de volta para o cinema, a imagem dos dois conversando e vocĂȘ tenta visualizar como foi na hora. Ele disse com essas mesmas palavras? Como surgiu o assunto? Ele estava nervoso? E o mais importante de tudo, porque drogas ele nĂŁo disse isso na sua cara?Â
Ele deveria ter dito algo, e ter feito alguma coisa. Mas quando seus devaneios ficam mais selvagens, em um cenĂĄrio que ele se declara em sua frente, e te puxa para um beijo na frente de todos, vocĂȘ decide que Ă© hora de parar. Sua mente pode te levar para lugares perigosos algumas vezes. E isso nunca acaba bem.
- Isso nĂŁo muda nada. - VocĂȘ responde voltando a si, engolindo em seco, e mentindo na cara dura.Â
-Na verdade muda tudo. - Ela retruca prontamente - Acha que eu nĂŁo vi como vocĂȘ ficou olhando pro Matias no cinema quando estava com os meninos?- Ela pergunta. Â
Isso te pega de surpresa tambĂ©m. VocĂȘ nĂŁo sabia que estava sendo tĂŁo Ăłbvia sobre isso. Mas nĂŁo Ă© porque vocĂȘ estava com saudades. Claro que nĂŁo. Deve ter sido sĂł porque fazia tempo que vocĂȘ nĂŁo o via e ficou chocado em revĂȘ-lo ali. SĂł isso. Nada demais. Totalmente sem significĂąncia.Â
-VocĂȘ tĂĄ vendo demais! - VocĂȘ afirma, fugindo do assunto.Â
-Bom, jĂĄ estĂĄ tarde e eu nĂŁo vou ficar aqui discutindo com vocĂȘ - Ela diz, começando a se levantar e a guardar as coisas.- SĂł saiba que, independente do que aconteceu hoje, eu sĂł espero que vocĂȘ nĂŁo se arrependa das suas decisĂ”es lĂĄ na frente. -Ela diz, e solta um bocejo, mostrando pela primeira vez o quĂŁo exausta ela estĂĄ - Boa noite pirralha - Ela diz, depositando um beijo em sua testa, e depois saindo da cozinha te deixando sozinha perdida em pensamentos conflitantes.Â
â â â
As duas conclusĂ”es que vocĂȘ havia chegado depois de alguns dias pensando era: vocĂȘ estava melhor sozinha para cuidar melhor de si mesma e de seus sentimentos. E a segunda, Ă© que mesmo apĂłs a conversa que teve com Santi e sua irmĂŁ, nada delas poderiam impactar na sua decisĂŁo final. Eles nĂŁo sabiam como era. Santi era muito puro, e sua irmĂŁ sempre teve um relacionamento perfeito. Como ela poderia te entender? Se sempre teve um prĂncipe encantado esperando por ela na porta?
VocĂȘ estava na ĂĄrea de piscina do condomĂnio, sentada confortavelmente em uma espreguiçadeira, com as pernas esticadas e com um copo de refrigerante ao lado para refrescar do dia infernalmente quente. Um livro estĂĄ apoiado no seu colo, enquanto vocĂȘ observa algumas das crianças dando um mergulho ou brincando perto dos pais que estĂŁo aproveitando o churrasco, e o almoço caseiro preparado por todos.Â
Um suspiro frustrado sai de seus lĂĄbios com a situação. VocĂȘ nĂŁo estĂĄ de biquini, somente trajando algumas roupas leves, pois nĂŁo queria nadar, sĂł aproveitar o ar fresco e ler um pouco. Mas era Ăłbvio que a ideia de ler o seu romance havia ido para o ralo conforme a agitação infantil, ou os outros inquilinos conversando atrapalhavam a sua leitura. Mas nĂŁo poderia culpa-los, pois foi vocĂȘ quem teve essa ideia idiota para começar, e esqueceu que hoje era o dia marcado para a confraternização dos moradores. O que estavam comemorando? Nada! Era sĂł uma desculpa para comerem bem, usarem a piscina o dia todo e beberem enquanto conversam sem parar.Â
VocĂȘ estĂĄ prestes a guardar o livro e se dirigir para dentro quando Wagner te aborda:Â
-TĂĄ indo onde? - Ele questiona.Â
Um outro suspiro quase escapa de vocĂȘ quando pensa no quĂŁo irritantemente bem ele e sua irmĂŁ se encaixam aqui. Eles passam alguns dias na sua casa e de repente se tornam os vizinhos favoritos dos outros inquilinos. Isso fica ainda mais aparente agora, quando sua irmĂŁ estĂĄ conversando animadamente com as outras mĂŁes na beira da piscina, seja sobre a comida ou sobre as crianças, e o modo como Wagner se deu bem com os outros pais aproveitando o churrasco com uma lata de cerveja gelada na mĂŁo.Â
Eles sĂŁo o casal perfeito do subĂșrbio e nem percebem isso. SĂł estĂĄ faltando realmente um filho/a para terem a imagem perfeita de uma famĂlia tradicional. Mas atĂ© que um ser pequeno e inocente entre na vida deles, vocĂȘ Ă© quem recebe essa carga por ser o mais jovem dos trĂȘs ali. Sendo tratada na maioria das vezes como a filha adolescente dos dois. O que Ă s vezes Ă© legal, sĂł que Ă s vezes ele extrapolam somente com a superproteção, e te sufocam.Â
-Tava pensando em entrar e terminar o livro - Diz, erguendo o pequeno objeto em suas mĂŁos - TĂĄ muito barulhento aqui- Esclarece, apontando com a cabeça para a multidĂŁo de pessoas.Â
-Fica mais um pouco - Ele pede - Daqui a pouco vĂŁo trazer sorvetes para as crianças e eu quero aproveitar. -Ele diz a Ășltima parte sussurrando e arrancando uma risada sua.Â
VocĂȘ concede a essa vontade dele (nĂŁo por conta dos sorvetes, Ă© claro) ficando por mais alguns minutos, e ele se senta na espreguiçadeira ao seu lado para te fazer companhia.Â
-NĂŁo fica brava, mas eu ouvi vocĂȘ conversando com sua irmĂŁ uns dias atrĂĄs - Ele comenta.- Sinto muito pelo tĂ©rmino, o rapaz era gente fina.Â
-Obrigado - VocĂȘ responde - Mas tĂĄ tudo bem, foi o melhor a se fazer. -Conclui.Â
-NĂŁo fica brava - Ele repete- com sua irmĂŁ, mas⊠ela meio que me contou o que aconteceu, no cinema - Ele diz, o que traduzindo, significa que sua irmĂŁ contou absolutamente tudo a ele.Â
-Claro que contou - VocĂȘ diz sarcasticamente. -Eu sei que vocĂȘs querem me ajudar, dando todos esses conselhos e tals, mas eu nĂŁo preciso disso. - Fala sĂ©ria para Wagner - Ele me magoou, e eu nĂŁo estou pronta para perdoĂĄ-lo ainda, ao menos Ă© o que eu acho - Termina, sussurrando a Ășltima parte acanhada.Â
-Ainda tem raiva dele? - Questiona curioso. Â
-Um pouco - VocĂȘ admite - Tenho raiva do que ele fez, raiva do que ele NĂO fez, e raiva de nĂŁo ter ele por perto. Mas nĂŁo posso deixar que esse erro dele passe em branco - Um grunhido feio escapa de sua boca - Eu quero ser como meus pais, ou como vocĂȘs dois - Aponta para sua irmĂŁ do outro lado da piscina - Quero ter um relacionamento perfeito com um cara que me dĂȘ valor. - Termina, relaxando os ombros.Â
-Eu sei que vocĂȘ pensa isso mas⊠eu e sua irmĂŁ nĂŁo temos o relacionamento perfeito - Ele diz, arrancando um olhar curioso seu - Nenhum casal tem, na verdade, sempre vai ter brigas e desentendimentos, sĂł tem que saber driblar isso - Ele finaliza.
-VocĂȘs brigarem sobre quem paga a conta do restaurante nĂŁo Ă© necessariamente uma briga sĂ©ria Wagner! - Diz revirando os olhos com o comentĂĄrio dele. - VocĂȘs saem juntos desde a faculdade, vocĂȘ foi o primeiro namorado sĂ©rio dela e um prĂncipe encantado desde o começo - Começa a listar os fatos - Literalmente, vocĂȘs sĂŁo o casal mais afinado que eu conheço.Â
Ele parece pensar bem em suas palavras, decidindo se deve ir em frente ou nĂŁo com a discussĂŁo. E depois de pensar por alguns instantes, ele prossegue:Â
-Eu nĂŁo fui necessariamente o cara mais legal de todos, muito menos a sua irmĂŁ - Ele começa - Eu sei que nĂŁo parece assim, mas Ă© a verdade.Â
-Como assim? VocĂȘs nĂŁo eram bons um para o outro? O que aconteceu? - Questiona, de repente muito interessada no que ele tem a dizer.Â
-Antes da gente namorar, muita coisa aconteceu. -Ele diz - Sua irmĂŁ partiu meu coração vĂĄrias vezes, ela nĂŁo sĂł ficou com vĂĄrios outros caras, como inclusive, ficou com meu colega de quarto na Ă©poca. - Ele admite, tirando sarro da situação.Â
-O que? Mas como? - Pergunta, perplexa.Â
-Pois Ă© - Ele diz - A gente tinha saĂdo uma vez, e eu jĂĄ tinha ficado louco por ela - Ele parece pensar, como se estivesse se lembrando do momento - No nosso primeiro encontro eu sabia que ela era a pessoa certa, mas ela nĂŁo pensou assim - Ele faz uma careta com essa lembrança - E disse que tinha que ser casual, pois a gente era novo e ia conhecer muita gente ainda - Ele ergue a mĂŁo com a aliança de casamento - Obviamente, nĂŁo foi casual pra mim, e depois disso, nos desentendemos bastante.Â
-Como vocĂȘs se acertaram? - Questiona, ainda mais imersa na histĂłria.Â
-O relacionamento casual nĂŁo foi o bastante pra mim, entĂŁo terminamos tudo - Ele conta, e vocĂȘ fica ainda mais chocada, pois nunca soube que eles jĂĄ tinham terminado ou ao menos dado um tempo. Em sua cabeça eles sempre estiveram juntos e pronto. - Ela ficou com outros caras, eu com outras mulheres, mas eventualmente acabamos voltando um para o outro. - Ele te olha e suspira - Mas isso foi sĂł depois de meses, e com muita conversa e comunicação. Foi assim que eu entendi que ela tinha medo de compromisso - Ele argumenta - Mas nesse meio tempo, nos machucamos bastante, nĂŁo tem como apagar isso, o que nos resta Ă© perdoar e seguir em frente.Â
-EuâŠnĂŁo sei, estou confusa agora - Admite, encolhendo as pernas e as abraçando conforme se encolhe na espreguiçadeira.Â
-Acha que sua irmĂŁ me ama? - Wagner questiona.
-Claro que sim! - VocĂȘ responde na mesma hora.Â
-Exato! - Ele comemora- Ela cometeu um erro, mas nem por causa disso eu desisti dela. Eu a amo, vou a amar atĂ© o dia em que morrer, e mesmo tendo sido um inferno o tempo separados, eu passaria por tudo isso de novo se fosse pra ter ela no final. - Ele diz, e te dĂĄ um olhar que transmite sinceridade e verdade em suas palavras.Â
-Eu entendo que o perdĂŁo Ă© importante. Mas em relação a voltar com ele, eu ainda tenho medo de acabar me machucando e me decepcionando no final - Confessa e olha para os prĂłprios pĂ©s em desĂąnimo.Â
-O seu problema com o Matias Ă© porque vocĂȘ diz que ele nĂŁo respeitou o compromisso do relacionamento de vocĂȘs dois, masâŠvocĂȘs nĂŁo estavam juntos oficialmente. -Ele aponta.
-Eu sei. - VocĂȘ responde em um sussurro mal humorado.
-E ele te ver com outro homem tambĂ©m nĂŁo ajudou. -Wagner continua, enquanto recapitula os acontecimentos - NĂŁo estou dizendo que ele fez as coisas certas, pois Deus sabe que vocĂȘs dois tem um problema enorme de comunicação, mas se nĂŁo estĂŁo juntos, entĂŁo nĂŁo tem necessariamente que ser exclusivo. - Ele continua - Por isso que juntei as escovas com sua irmĂŁ o mais rĂĄpido que pude - Ele conclui, orgulhoso.Â
-A minha parte racional sabe disso. Mas a outra nĂŁo.- Retruca - E o pior de tudo, de todas as pessoas, porque com ela?- Fala raivosa, se lembrando do rosto de Malena. Â
-Porque era o mais fĂĄcil- Ele responde - E talvez no fundo ele soubesse que era o que iria te machucar mais. - Wagner reflete, mais profundamente.Â
-EntĂŁo ele conseguiu o que queria. - Diz emburrada.Â
-Mas vocĂȘ nunca fez isso, certo? Disse ou fez algo apenas para deixĂĄ-lo magoado. - Ele questiona, jĂĄ imaginando a sua resposta.
A primeira coisa que vem Ă sua mente do que vocĂȘ fez (talvez mais egoisticamente do que propriamente para magoar MatĂas), foi o relacionamento com o Santi. Totalmente baseado na necessidade de preencher a sua solidĂŁo e se sentir desejada novamente, e o fato dele ser quem ele Ă©, sĂł ajudou em tudo. Mas nĂŁo poderia mentir que adorava quando MatĂas ficava com ciĂșmes explĂcitos e o sentimento de poder que te trazia ao aumentar o seu ego. A segunda coisa que vem a sua mente, que com certeza vocĂȘ fez, apenas para vĂȘ-lo magoado e ferido, foi quando disse que amava Santi. Quando admitiu que seus sentimentos agora pertenciam a outro, mesmo quando nĂŁo os faziam.Â
Essa mentira nĂŁo iria fazer bem a ninguĂ©m, e vocĂȘ sabia disso mesmo quando a falou apenas para desfrutar de alguns segundos amargos de vingança e retorno. VocĂȘ quis ver ele se sentindo um bosta. VocĂȘ quis que ele se sentisse miserĂĄvel quando te visse com outro. Que se sentisse traĂdo e trocado, assim como vocĂȘ se sentiu. E pela primeira vez, vocĂȘ conseguia admitir isso, mesmo que sĂł para vocĂȘ mesma.
-Talvez. - Diz vagamente, olhando para as crianças começando a se agitar.
SĂł entĂŁo que vocĂȘ nota as moças começando a distribuir picolĂ©s e casquinhas de diversos sabores de sorvetes para os pequeninos ansiosos.
-VocĂȘs sĂŁo jovens, tem muito o que aprender ainda. - Wagner diz por fim, e se levanta, indo atrĂĄs de seu prĂłprio doce antes que os mais novos acabem com tudo, e voltando minutos depois com uma casquinha do seu sabor favorito. Â
â âÂ
Meia hora depois, mesmo contra os maiores esforços de Wagner, vocĂȘ acaba entrando em casa e se trancando no quarto. NĂŁo Ă© como se os Ășltimos dias tivessem sido muitos bons para colaborarem com a sua bateria social, entĂŁo ele entendeu e te deixou ir, prometendo te trazer a sobremesa depois (o que vocĂȘ suspeitava ser ainda mais sorvete).
Mas o que vocĂȘ sĂł queria mesmo, era assistir alguma coisa idiota, atĂ© acabar pegando no sono e capotar pelo resto do dia (jĂĄ que sua leitura jĂĄ havia sido jogada pelo ralo).
Pouco tempo depois, quando os seus olhos jĂĄ estĂŁo pesados, tendo perdido o interesse pela tela do notebook no seu colo, que passava um filme hĂĄ muito tempo esquecido, o seu telefone toca, e te acorda da sua quase bem sucedida soneca.Â
A sua mão viaja preguiçosamente pela mesa de cabeceira, apalpando todos os objetos, até encontrar finalmente o telefone vibrando e tocando alto:
-AlĂŽ - VocĂȘ responde, com a voz ainda grogue de sono e sem se dar ao trabalho de ver quem era no visor do aparelho.
-Oi - SaĂșda a voz exasperada - Graças a Deus vocĂȘ atendeu, preciso falar com vocĂȘ - Continua a voz, soando aflita e nervosa.
VocĂȘ desencosta o celular do rosto, e lĂȘ finalmente o nome na tela. Por um instante vocĂȘ pensou que pudesse ser Santi, com alguma emergĂȘncia do trabalho ou algo do tipo. Ou atĂ© mesmo alguĂ©m de sua faculdade. Mas definitivamente nĂŁo esperava que fosse ele.Â
-Fran? - VocĂȘ pergunta - Ă bom vocĂȘ ter um bom motivo pra estar me ligando, eu estava quase caindo no sono. - O repreende, ainda frustrada pelo descanso perdido.Â
-Ă o MatĂas, ele⊠- Fran começa a explicar.
-Eu nĂŁo quero saber! - VocĂȘ o interrompe rudemente, antes que ele possa dizer mais alguma coisa - Nada do que diz respeito a ele me interessa. - Fala, levando a mĂŁo atĂ© o rosto, e limpando o queixo ao notar que tinha babado um pouco.Â
Maldito MatĂas que sempre arrumava um jeito de te irritar!!! E agora estava atrapalhando o seu sono tambĂ©m. Â
-Mas⊠- Fran tenta recomeçar, sendo mais uma vez interrompido pela sua voz impaciente.
-Mas nada Fran! - Diz brava - Ele pode cair duro agora, e ir se foder sozinho na casa do caralho que eu nĂŁo me importo. Eu quero distĂąncia e voltar ao meu descanso merecido, pode ser? - Pergunta agressivamente, mas sem se importar com as consequĂȘncias.VocĂȘ tinha que admitir, a sua pessoa com sono ou com fome nĂŁo eram as melhores versĂ”es de si mesma para enfrentar.
-Ele estĂĄ no hospital, em estado grave. - Fran fala com a voz afetada - Mas beleza, bom descanso - Ele fala, e com isso desliga bem na sua cara.
O seu mundo cai com isso, conforme as palavras dele se repetem na sua mente sem parar, com vocĂȘ torcendo para que seja sĂł uma pegadinha do seu subconsciente e que tenha ouvido errado. Foi tudo tĂŁo repentinamente que vocĂȘ mal tem tempo de processar o que estĂĄ acontecendo antes que se encontre saindo da cama em um pulo, agora muito desperta, e retornando a ligação no mesmo instante, com esperança de que ele atenda no primeiro toque.Â
Por sorte ele atende e jĂĄ começa a te jorrar palavras duras, que vocĂȘ sabe muito bem que sĂŁo merecidas:
-Quer saber? Deixa quieto, eu nem sei porque te liguei, eu sĂł entrei em desespero e vocĂȘ tĂĄ certa, vocĂȘ nĂŁo tem nada haver com isso. Vou desligar. - Ele responde, agora mal humorado com o seu descaso anterior, e puto com o seu comportamento.
-Espera! - VocĂȘ diz desesperada, com a voz começando a ficar embargada - Eu nĂŁo quis dizer isso, eu sinto muito Fran - Diz verdadeiramente arrependida, e engolindo o nĂł em sua garganta, enquanto pula pelo quarto a procura de seus sapatos e sua bolsa - Mas como assim hospital? O que houve? Ele tĂĄ bem? - Começa a metralhar perguntas nele obsessivamente.Â
Sua cabeça sĂł conseguia se perguntar em que merda MatĂas havia se metido agora para ir parar no hospital. Ainda mais em estado grave. Ele tinha caĂdo de skate? Sofrido um acidente de carro? Entrado em alguma briga com alguĂ©m por pouca coisa? HĂĄ quanto tempo havia sido isso? Ele ia morrer? Eram um monte de perguntas sem respostas.Â
De repente o motivo de vocĂȘ estar brava com ele parecia tĂŁo insignificante que vocĂȘ nem se lembrava mais disso enquanto começava a se apavorar. E algo em sua voz deve ter mostrado o quĂŁo arrependida e preocupada estava, pois Fran decide dar uma trĂ©gua e deixar suas transgressĂ”es de lado, e começa a contar do ocorrido:
-Foi no jogo de Rugby, teve um acidente e ele se machucou feio. - A voz dele começa a falhar, e lĂĄgrimas começam a brotar de seus olhos, jĂĄ sentindo o pĂąnico começando a te dominar - Foi horrĂvel, o osso ficou pra fora da perna dele, tinha muito sangue, e pra piorar ele ainda bateu a cabeça. - Fran termina, dando os detalhes dos acontecimentos.
-Meu Deus! - Exclama trazendo a mĂŁo ao peito, jĂĄ sentindo ele doer fortemente conforme imagina a cena.Â
VocĂȘ sempre odiou que ele jogasse Rugby por esse motivo. Era um esporte divertido e em equipe, mas tinha vezes que era muito violento, e implacĂĄvel. O pensamento dele no gramado, com a perna machucada, com dor e sofrendo te fazem querer gritar e desabar em choro. Suas pernas neste ponto jĂĄ viraram gelatina, a forçando a se escorar na cama para se manter de pĂ©, e seu estĂŽmago começa a embrulhar com o sentimento se apossando de vocĂȘ.Â
Medo.Â
Muito medo.
Medo de perdĂȘ-lo e nĂŁo poder dizer a ele como vocĂȘ realmente se sentia em relação ao mesmo.Â
Mas vocĂȘ tem que ser forte agora, por ele e pelos rapazes. Ir ver de fato o que houve e como ele se encontra agora. E vocĂȘ nĂŁo vai encontrar essas respostas no seu apartamento.
-Me fala em qual hospital vocĂȘs estĂŁo, eu quero ver ele - Pede, terminando de calçar os sapatos, e encerrando a ligação apĂłs a confirmação de Fran do endereço.
â âÂ
VocĂȘ nĂŁo teve tempo de avisar sua irmĂŁ ou Wagner do que havia acontecido, e tambĂ©m nĂŁo queria incomodĂĄ-los quando vocĂȘ mesma nĂŁo tinha ainda muitas informaçÔes do ocorrido, e preocupĂĄ-los tambĂ©m. EntĂŁo, sĂł foi rapidamente atĂ© a sala, pegou as chaves de Wagner no molho de chaves, e seguiu atĂ© a garagem onde pegou o carro dele.Â
Tecnicamente nĂŁo seria considerado furto, jĂĄ que o carro estava na vaga de garagem do condomĂnio que VOCĂ paga, e se fosse, esperava que Wagner entendesse a situação e te perdoasse por isso. Afinal, nĂŁo Ă© como se vocĂȘ estivesse se importando muito com isso agora de qualquer maneira.
JĂĄ no volante, as suas lĂĄgrimas borram sua visĂŁo do trĂąnsito, as quais vocĂȘ limpa rapidamente com a mĂŁo, e amaldiçoa cada sinal vermelho que encontra no trajeto. Mas antes que possa ter um ataque, e acabar piorando as coisas, vocĂȘ finalmente chega ao hospital, e entra pelas portas quase correndo e nĂŁo se importando em parecer maluca com o seu desespero, e falta de controle emocional. ApĂłs rapidamente pedir informaçÔes na recepção e ser levada Ă sala de espera, vocĂȘ avista os garotos mais ao canto.Â
Todos eles. Cada um deles.
Fran Ă© o primeiro que te avista, provavelmente jĂĄ esperando a sua chegada, e vocĂȘ nĂŁo espera um segundo antes de se jogar nos braços dele em um abraço bem apertado. Ele fica surpreso de primeiro instante, mas nĂŁo se afasta e nem se esquiva, rapidamente retribuindo o gesto, e te abraçando de volta.Â
-VocĂȘ veio - Ele sussurrou ao seu ouvido, com o rosto ainda enterrado no seu pescoço.Â
-Ă claro que sim - VocĂȘ diz de volta, se afastando um pouco para poder olhar bem nos olhos dele -Fran, eu sinto muito pelo o que eu disse antes no telefone. Eu nĂŁo sabia, eu⊠é Ăłbvio que eu nĂŁo queria que isso acontecesse, Ă© queâŠ- Ele te interrompe.
-Eu sei. Pelo menos vocĂȘ estĂĄ aqui agora.- Ele te acalma, e te solta para cumprimentar os outros meninos.Â
Todos estĂŁo com os rostos abatidos, preocupados e extremamente tensos com o que pode acontecer. VocĂȘ os abraça e os consola, tentando convencer a si mesma e a eles de que tudo ficaria bem, enquanto tenta entender melhor o que houve. Eles te relatam sobre o jogo, o acidente e como vieram desesperados para cĂĄ. Eles nĂŁo estĂŁo aqui hĂĄ muito tempo, assim que chegaram Fran jĂĄ te ligou e vocĂȘ veio correndo. Ou seja, eles tĂȘm quase tantas informaçÔes quanto vocĂȘ. Somente sabem que Matias teve que fazer uma cirurgia de emergĂȘncia, e que vai precisar ficar internado, por conta do estado dele que no momento Ă© grave.Â
-E a famĂlia dele? VocĂȘ conseguiu contato? - Questiona, pensando em como eles estĂŁo agora, ou se jĂĄ sabem dessa fatalidade.Â
VocĂȘ nunca conheceu a famĂlia de MatĂas pessoalmente. SĂł sabia um pouco por conta de histĂłrias e algumas fotos que o rapaz mantinha guardadas no apartamento. Fotografias dele, e do irmĂŁo mais novo, em um jogo de futebol em um dia quente, outra dele junto da mĂŁe em um evento da escola, e algumas com o falecido pai em festas de famĂlia. Nada muito profundo. O mais perto que chegou de ter contato com eles, foi quando atendeu o telefone dele uma vez, e se deparou com a mĂŁe dele do outro lado da linha.Â
MatĂas nĂŁo tinha ficado chateado com isso na Ă©poca, ele somente pegou o telefone depois, e explicou que a companhia feminina era apenas uma amiga que estava de passagem. VocĂȘs nunca conversaram sobre isso depois do ocorrido. Ele estava claramente desconfortĂĄvel com a situação, e vocĂȘ nĂŁo quis se mostrar muito apegada ou grudenta.Â
Se ele quisesse que vocĂȘ conhecesse a famĂlia dele, ele teria feito acontecer. SerĂĄ que Malena conhecia eles? Provavelmente. Mas nĂŁo valia a pena se machucar pensando no quĂŁo mais longe ela foi do que vocĂȘ, quando o rapaz em questĂŁo estava todo ferido.
-Eu liguei pra mĂŁe dele e contei para ela, entĂŁo o irmĂŁo mais novo tambĂ©m jĂĄ deve estar sabendo. - Diz Enzo, passando as mĂŁos nervosamente pelo cabelo.Â
-Eles tĂŁo vindo pra cĂĄ? - Pergunta, se sentando ao lado dele na sala de espera.Â
-VĂŁo pegar o prĂłximo aviĂŁo, mas nĂŁo sei que horas vĂŁo pousar, provavelmente amanhĂŁ pela tarde, Ă© um voo longo. - Enzo responde, vendo a hora e checando o telefone para ver se tem alguma atualização.Â
-JĂĄ tem uns quarenta minutos desde que chegamos aqui, ninguĂ©m vai vir nos avisar da cirurgia? Se deu tudo certo, ou o que tĂĄ acontecendo? - Esteban devaneia, começando a ficar irritado e bravo com a falta de notĂcias.
-Não sei - Fran responde - Eles jå deveriam ter falado alguma coisa. Vamos esperar alguém passar e pedir informaçÔes. - Ele fala, levando a mão ao ombro do amigo, o pedindo para se acalmar.
Bem nessa hora, como que por milagre, uma enfermeira em trajes neutros brota, e passa ao lado de vocĂȘs. E nĂŁo demora um segundo para decidirem abordĂĄ-la:Â
-Com licença, estamos aqui pelo pacienteâŠ- Esteban começa a falar, relatando os dados de MatĂas e outras informaçÔes para identificação.Â
-Ah sim - A enfermeira responde em reconhecimento - Ele estå saindo de cirurgia agora. - Ela informa, olhando a prancheta em suas mãos à procura dos resultados dos procedimentos médicos - Conseguimos estabilizar ele com sucesso, e estamos o enviando para o quarto para que repouse e possamos acompanhå-lo pelas próximas horas. - Diz por fim, em uma expressão calma.
O alĂvio corre pela veia de todos vocĂȘs. VocĂȘ nĂŁo nota a lufada de ar que solta em uma expiração profunda, devido a respiração que estava prendendo sem nem ao menos notar.Â
Ele nĂŁo estĂĄ totalmente bem, mas ao menos jĂĄ estĂĄ fora de risco, e Ă© isso que importa.Â
-A gente pode entrar pra ver ele entĂŁo? - Simon pergunta, antes que qualquer um de vocĂȘs tenha a chance.Â
-Eu preciso ver com o mĂ©dico e ver se ele autoriza a entrada de alguĂ©m - Ela diz, franzindo o rosto - Mas acho difĂcil, algum de vocĂȘs sĂŁo familiares dele? - Ela questiona, arqueando a sobrancelha.
Todos negam com acenos de cabeça desanimados, sabendo que isso dificultaria mais a entrada de vocĂȘs.
Ela solta um suspiro baixo com isso - Tudo bem, vou chamar o doutor e ver o que posso fazer. - Ela diz prontamente - Assim, ele tambĂ©m pode explicar melhor como o paciente estĂĄ, com licença - A enfermeira fala se despedindo, e logo em seguida, voltando Ă ĂĄrea mĂ©dica.Â
A Ășnica coisa que restou para vocĂȘs fazerem, Ă© esperar o retorno dela junto do responsĂĄvel e torcerem para que sejam liberados para entrarem. Neste meio tempo, vocĂȘ tenta imaginar como ele estĂĄ. Ele deve estar inconsciente, certo? VocĂȘ esperava que sim. Pelo menos deste jeito, ele nĂŁo sentiria dor.
Se ele estivesse acordado, ele gostaria de te ver? Ou pediria para que vocĂȘ se retirasse jĂĄ que vocĂȘ sĂł apareceu quando era quase tarde demais?Â
Antes que seus pensamentos possam te levar para mais longe, em um lugar mais sombrio e melancĂłlico , o mĂ©dico aparece, e vocĂȘs se levantam na hora para escutĂĄ-lo:Â
-OlĂĄ - O mĂ©dico, que se trata de um senhor de meia idade e Ăłculos grossos, diz os saudando - Desculpe a demora, mas peço que o paciente fique em repouso, e as visitas ocorram apenas aos familiares prĂłximos no horĂĄrio de visita - Ele responde sĂ©rio, desapontando a todos vocĂȘs.Â
VocĂȘ fica extremamente revoltada com isso. Ăbvio que isso nĂŁo era a culpa do doutor, e que para ele, isso jĂĄ era procedimento padrĂŁo, mas ainda assim, o seu cĂ©rebro a mil por hora, assustado e inconsequente nĂŁo se importava com nada disso.Â
VocĂȘ queria vĂȘ-lo, estar perto dele, e tocĂĄ-lo, pois sĂł assim vocĂȘ entenderia que ele estava realmente bem. EntĂŁo com um olhar afiado, e lĂngua mais afiada ainda, vocĂȘ o enfrenta, com ousadia e sem pensar nas consequĂȘncias:Â
-Eu sou noiva dele - VocĂȘ diz sem pensar duas vezes, fazendo os rapazes ao seu lado arregalar os olhos. - E eu quero entrar agora pra ver ele. - Diz autoritĂĄria, sem nem piscar ou falhar a voz.Â
O doutor fica surpreso com seu afrontamento repentino, e tenta remediar a situação com calma:Â
-Senhorita, entenda que Ă© complicado, vocĂȘs estĂŁo noivos, entĂŁo ainda nĂŁo sĂŁo tecnicamente âfamĂliaâ. - Ele tem a audĂĄcia de dizer, e ainda fazer aspas no ar.Â
-Isso Ă© ridĂculo! - VocĂȘ exclama alto, atraindo a atenção de todos, e decidindo ir mais longe - Eu estou carregando o filho dele em mim - Anuncia, e leva a mĂŁo dramaticamente a barriga- Tenha consideração pelo menos pelo meu bebĂȘ, o pai dele gostaria que estivĂ©ssemos perto dele neste momento. - Diz, e deixa as primeiras lĂĄgrimas escorrerem livres por seu rosto.
Os pacientes ao redor começam a olhar para a cena, lançando olhares feios ao mĂ©dico e sussurrando palavras que com certeza nĂŁo sĂŁo nada amigĂĄveis. O doutor rapidamente fica constrangido com a sua histeria, e toma a decisĂŁo de concordar com suas exigĂȘncias:
-Tudo bem. A senhorita pode entrar. - Ele diz, com a mandĂbula cerrada, obviamente a contragosto.- Só cinco minutos. - A adverte, e sinalizando para que vocĂȘ o siga.Â
Quando vocĂȘ começa o acompanhar, quase nĂŁo nota as piscadinhas discretas que os rapazes te lançam, e o sussurro mudo de Fran em um âmuito bem!â com a mĂŁo em um joinha para cima.
â â â â
O mĂ©dico te deixa na frente da sala, te permitindo ter alguns minutos a sĂłs com o seu ânoivoâ, mas te lembrando que os minutos sĂŁo contados, quase ganhando um revirar de olhos seu, o que por pouco vocĂȘ consegue controlar. E assim que vocĂȘ passa pela porta do quarto de MatĂas, Ă© como se o mundo parasse por completo, e o ar começasse a faltar em seu pulmĂ”es conforme se depara, e encara a cena avassaladora.Â
Parte de vocĂȘ esperava que os meninos tivessem exagerado e nĂŁo fosse nada demais, talvez apenas um tornozelo torcido e alguns arranhĂ”es que precisavam de cuidados maiores. E mesmo tendo escutado os relatos, e a notĂcia da cirurgia, nada poderia te preparar para isso. Talvez fosse vocĂȘ e o seu otimismo cego os culpados de nĂŁo quererem enxergar a gravidade da situação, atĂ© se encontrarem de frente com os estragos que elas causaram.
Ele estava horrĂvel, e gravemente ferido.Â
MatĂas estĂĄ, assim como vocĂȘ imaginava, inconsciente em uma cama, com os olhos pesados e fechados em um sono profundo, provocados pelos remĂ©dios circulando pelos tubos ligados ao braço dele. A perna direita (a que vocĂȘ supunha que era a que Fran tinha falado do osso para fora) estava engessada e coberta. A parte do corpo visĂvel pelo roupĂŁo do hospital, mostra os membros com escoriaçÔes, arranhĂ”es e marcas causadas pela lesĂŁo. AtrĂĄs da nuca, vocĂȘ consegue ver um pouco do curativo feito ali. E a memĂłria do Fran te falando que ele bateu a cabeça gravemente, e que nĂŁo parava de sair sangue te assusta. O rosto dele estĂĄ em uma expressĂŁo calma e serena, enquanto vocĂȘ o examina, com medo de se aproximar demais e ele quebrar.
Ele nunca pareceu tĂŁo pequeno e indefeso antes. TĂŁo sozinho e vulnerĂĄvel, que vocĂȘ nĂŁo consegue evitar as lĂĄgrimas que brotam nos seus olhos quase que instantaneamente. O arrependimento se instaura no seu peito, junto com o instinto e vontade de querer protegĂȘ-lo e cuidar dele para sempre.
VocĂȘ nĂŁo consegue evitar quando sua mĂŁo vĂĄ de encontro a testa dele, afastando as madeixas de cabelos longos que estĂŁo grudados ali, devido ao suor e atĂ© mesmo um pouco de grama que vocĂȘ apostava que era do gramado do campo. SĂł de imaginar a cena te causava dor e agonia. Seus dedos se moviam lentamente e com cuidado enquanto fazia carinho no rosto do rapaz, como se de alguma forma isso pudesse o confortar e o ajudar a passar por tudo isso.Â
Seu toque Ă© tĂŁo gentil, e cuidadoso, que por um instante Ă© como se o tempo nĂŁo tivesse passado e as duas pessoas nesta sala fossem os antigos vocĂȘs. As versĂ”es um pouco mais novas que tem medo de nomear o sentimento arrebatador que tem desde que se viram, mas que ainda assim sempre voltam e se entregam nos braços um do outro.
-Oi - VocĂȘ fala, aproximando o seu rosto bem perto do dele, e sussurrando como se estivesse contando um segredo - Eu tĂŽ aqui - VocĂȘ diz, apertando a mĂŁo dele e sem obter qualquer tipo de resposta ou estĂmulo do mesmo - E se quando vocĂȘ acordar, quiser que eu continue ao seu lado, eu vou - Promete, encostando a sua testa na dele, e engolindo um soluço devido ao pranto, querendo transbordar - Eu juro. - Fala por fim. Â
Depois disso, vocĂȘ gasta o restante dos poucos minutos que te sobram, falando como ele tinha deixado todo mundo preocupado, e que era pra ele acordar e melhorar logo para poderem ir pra casa. NĂŁo muito depois, uma enfermeira entra no quarto, anunciando o final do tempo estipulado, e te convidando educadamente a se retirar do quarto, prometendo que todos podiam vĂȘ-lo mais tarde.Â
Com um Ășltimo olhar, vocĂȘ deixa o lugar, esperando que na prĂłxima vez que entrasse ali, ele estivesse acordado, melhor, e positivamente querendo te ter ao lado dele.
ââââ
Demorou mas finalmente saiuuu, espero que tenham gostado. AtĂ© o prĂłximo đ, e feliz 2025 đđ„ł

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
feliz ano novo galerinha!đ
đđđđđđ đđđđđđ ááááá ć€Șéœ. Ah, nĂŁo tem problema se vocĂȘs se atrasarem um pouquinho, nĂŁo Ă© mesmo? [...] doll kink(?), finger sucking, corruption kink, dumbification, dirty talk, sexo sem menção Ă proteção, espelho. đ·. ÖŒ à» Ś
â â