Demasiado Humano
Por que enxergamos melhor nossa humanidade por seres não humanos? Os brinquedos de Toy Story, os robôs de Maybe Happy Ending e os imortais em Circe? Que espelho invertido é esse que temos que nos afastar das nossas maravilhas e fragilidades para encará-las de frente?
Achei que Circe seria para a Odisseia o que A Canção de Aquiles é para a Ilíada: uma roupagem moderna para uma história antiga. Mas Madeline Miller deixa sua criatividade voar mais solta em seu segundo romance e nos leva numa volta maior pela Grécia; passando pela Teogonia de Hesíodo.
Odisseu sempre foi meu herói preferido da mitologia, mas aqui ele é apresentado num lado mais bruto. Sem as tintas de herói; humano, demasiado humano.
Penélope também aparece com sua força mortal, mostrando como ela conseguiu manter seus pretendentes afastados por tanto tempo.
Com várias passagens marcantes, o livro mostra a solidão da imortalidade e como a finitude pode tornar cada instante mais valoroso. Como lidar com penas e castigos eternos, ou seja, que nunca terão fim? Por outro lado, os prazeres parecem fugazes quando se tem todo o tempo do mundo.
Madeline Miller traz temas inerentemente femininos e lhes dá peso de poema épico, tudo com muita poesia e dois pés na realidade, se é que isso é possível quando se fala dos deuses gregos.












