ㅡ Não me diga que você agora é meu roommate? ㅡ Kuhn estava tão concentrado tirando seus pertences da mala para organizá-los em cima da cama (já pensando em como reposicioná-los pelo quarto - a pasta de partituras em uma gaveta, as roupas no armário, os livros na mesinha) que não tinha dado-se conta da nova presença até ela se expressar em voz alta, fazendo com que o estudante de música virasse em sua direção de repente, olhos surpresos e curiosos imediatamente capturando os traços masculinos. ㅡ Você sabe mesmo como cumprimentar o seu colega de quarto e fazer com que ele se sinta confortável, huh?ㅡ Apesar do tom de ironia, não havia qualquer vestígio de malícia colorindo-lhe a fala ou o sorriso que abriu logo em seguida. Também percebeu a dificuldade do outro em fechar a porta atrás de si, e comumente Kuhn teria corrido para ajudar, mas algo lhe dizia que aquela pessoa a sua frente não era do tipo que gostava de assistência. Seja lá como fosse, agora que eles eram “roommates”, o Ryu com certeza teria outras oportunidades para trabalhar nas bordas afiadas do rapaz. E, considerando que eles iriam passar pelo menos um ano dormindo juntos (quer dizer, no mesmo quarto!), estava disposto a fazer com que a relação entre os dois permanecesse em bons termos. ㅡ Espero ter escolhido a cama certa. Essa aqui não parece estar sendo utilizada… ㅡ Uma pausa. ㅡA não ser que você costume ter um pouco de poeira em cima do seus lençois. ㅡ Riu um pouco, antes de se aproximar, estendendo a mão para o rapaz. ㅡ Sou Ryu Kuhn, estudante de cordas. Vamos tentar nos dar bem ao longo do ano… E, bom, sei que pode parecer da boca pra fora visto que acabamos de nos conhecer, mas se precisar de ajuda com algo, não hesite em me chamar, certo?
O rosto cansado e emburrado era somente uma resposta ao seu processo de ‘acostumação’, por mais que fosse uma criança propensa a adquirir cicatrizes, Minho não havia tido a experiência de quebrar uma parte de seu corpo e havia de afirmar: era foda estar sempre desconfortável. A porta, atrás de si, havia sido fechada, o rapaz, agora, poderia encostar tranquilamente naquela cadeira e sua atenção, mesmo que sonolento, acompanhava os movimentos alheios em toda aquela arrumação; Gostaria de ajudá-lo, mas era melhor apenas ficar na sua. ㅡ Na verdade, estava duvidando de que iam colocar alguém comigo. Por algum motivo os caras sempre vão embora - e nem é por culpa minha. ㅡ Brincou, mas no fundo era verdade: O rapaz anterior, na qual nomeara de roommate quase nunca estava presente, nem mesmo dormia ali, como alguém que somente ocupava lugar onde alguém qualquer com certeza aproveitaria bem mais - então, durante algum tempo, considerou-se sozinho, tendo todo aquele quarto para o seu único proveito, não precisaria se preocupar com nada... ninguém estava ali para lhe observar, para lhe julgar. Até o momento... ㅡ Você escolheu sim, na verdade, essa cama quase não viu um corpo deitado. Meu antigo companheiro de quarto praticamente vazou depois que começou a namorar. Eu faria o mesmo. ㅡ Deu de ombros, abrindo um sorriso cansado antes de perceber a mão masculina estendida para si, não demorando em aceitá-la. Era macia, mas aparentava calejada - assim como os pés de Minho.
No instante em que soltaram sua mãos, o moreno teve a possibilidade de girar suas rodas para perto de sua cama: repouso completo, eles disseram, e assim iria ser. ㅡ Cho Minho. ㅡ Falou de maneira simplista conforme usava da força de seus braços para transferir-se daquela cadeira para a sua cama. ㅡ Ah... Talvez eu precise mesmo. Ainda tenho dificuldade com algumas coisas. Parece que nunca vou me acostumar com essa merda aqui. ㅡ Apontou para o gesso, e logo o colocou sobre um travesseiro dobrado, elevando-o um pouco antes de se permitir deitar completamente naquela cama. ㅡ Eu faço dança contemporânea e, como pode ver, quebrei o meu pé da maneira mais idiota que é possível.