Seu nome é Rivka Cohen Martha Osbourne, mas nas ruas todo mundo a chama de “LT GEN”, tem 29 anos e é chefe de segurança e professora de defesa pessoal no centro comunitário. Todos que a veem pelas ruas do Bronx dizem que ela se parece com Gal Gadot. Martha se encontra indisponível.
❝ ʙɪɢɢᴇsᴛ ᴛʜɪɴɢ ɪɴ ᴛʜᴇ ʙʀᴏɴx… ʙɪɢɢᴇsᴛ ᴛʜɪɴɢ ɪɴ ᴛʜᴇ ᴡᴏʀʟᴅ —
O povo Israelense começava a ser reconhecido por todo o mundo por sua perseverança e determinação, porque apesar de todo o sofrimento infligido aos israelitas eles continuaram lutando. Sequer tiveram a chance de comemorar o reconhecimento enquanto Estado garantido pela declaração de independência, em menos de vinte e quatro horas a Primeira Guerra Árabe-Israelense eclodia. O conflito se arrastou por meses a fio e foi em meio à essa tensão que nasceu, prematuramente, Rivka Cohen – primogênita do casal. Aquela fora a sua primeira batalha vencida, a segunda veio meses depois de seu nascimento com a vitória israelense. Rivka cresceu em um lar amoroso e cheio de cuidados, uma exceção em um cenário pós-guerra, os pais nunca deixaram transparecer, mas o medo da incerteza de o dia seguinte nunca chegar para eles sempre os acompanhava.
Guiados pelo instinto de sobrevivência os pais de Rivka, ao invés de criar a filha em uma redoma e isolar a garota do mundo lá fora, ensinaram-se a se proteger e também aos irmãos mais novos. A garota que nasceu em meio a um conflito cresceu e se tornou uma mulher forte e independente. Não foi surpresa para a família quando a Cohen ingressou se alistou nas forças armadas de Israel como instrutora. Se surpreenderam menos ainda quando a jovem iniciou uma pequena revolução em prol da igualdade entre gêneros para derrubar o decreto que removia todas as mulheres das posições de linha de frente. Os superiores pareciam inflexíveis, mas ela não estava sozinha e quando comprada uma luta Rivka Cohen seria a última a desistir. Sua fibra, resistência e a estratégia impecável impressionaram os superiores. Ela e mais algumas conseguiram subir de patente, apesar de parecer pequeno, cada passo era uma grande conquista.
Estava comandando a linha de frente que ocupava as terras libanesas quando a Guerra Civil do Líbano eclodiu e finalmente sua dedicação e seus esforços enquanto mulher nas Forças Armadas estavam sendo reconhecidos pelos colegas de trabalho. Era certo que, com sua estratégia e planos de ocupação, a guerra não se estenderia muito. Após receber o comunicado de que sua mãe havia adoecido, Rivika pediu dispensa por algumas semanas e retornou a Israel. Desde que ingressou para as Forças Armadas, imaginou vários cenários em que sua vida poderia estar em risco, mas nunca imaginou que sofreria um ataque visitando sua família no norte de Israel. Todos estavam no carro à caminho de casa quando este foi atingido.
A mulher acordou, sozinha, semanas depois em um hospital de Nova York. Horas mais tarde descobriria que o país ao qual servira com tanta devoção e que tão pouco reconhecia sua competência havia transformado seu sofrimento em objeto de barganha e por este motivo havia sido enviada para os Estados Unidos. Um otimismo incaracterístico para o momento,entretanto, tomou conta de cada fibra de seu ser e passou a enxergar naquela situação uma oportunidade. Era estressante a vida em um lugar de extremos, era inaceitável um país sequer dar justificativas sobre o atentado que sofrera. Permaneceu em Nova York por alguns meses com o visto de turista, mas precisava de um plano para fazer daquela estadia sua permanência, afinal, não restava mais nada para ela em Israel. Direcionada para o Bronx, onde disseram que ela poderia conseguir documentos falsos devido ao grande contingente de imigrantes que chegavam no distrito de tempos em tempos, Rivka Cohen assumiu a identidade de Martha Osbourne e encontrou ali mesmo, no Bronx, um novo lar. Mostrando-se competente para tal, conquistou o cargo de chefe de segurança e inclinada a ajudar os outros - independente do que for preciso - oferece aulas gratuitas de defesa pessoal para mulheres, algo essencial em um bairro tão perigoso.
Aqueles que pouco conhecem Martha, podem dizer que é apenas uma mulher de aparência forte tentando esconder todo mal que um dia passou. Ela lamenta pela morte de seus parentes sempre que encontra tempo para pensar no meio de sua vida corrida, porém antes mesmo do acontecimento a mulher era decidida, confiante e principalmente independente. Não deixou esses traços de sua personalidade para trás, apenas os aperfeiçoaram ao longo do tempo e assumiu-os como sua marca quando alguém pensa na mulher. O temperamento de Martha pode tornar difícil de conviver mais de oito horas, mas aqueles que duvidam de sua capacidade são facilmente provados do contrário. Guerreira no modo literal da palavra, ela não tem medo de iniciar uma guerra quando seus ideais são afetados e sempre toma ação como uma líder nata. A sensibilidade é conhecida por Martha apenas nas questões de empatia e relacionados a sua família, mas mesmo em momentos tomados por emoções ela não age sem pensar. Cautelosa, porém agressiva. Cuida daquilo que admira; igualdade, liberdade, promessas e respeito. Mesmo saindo como vilã de muitas histórias, a coragem de Martha pode ser muitas vezes admirada que, mesmo colocando sua vida em risco, segue seus deveres como cidadã atrás da cidade utópica.