Há dias em que a alma aprende a respirar em paz.
O coração desacelera, as feridas deixam de gritar,
e a vida, enfim, parece encontrar o próprio ritmo.
Então alguém chega.
Chega como quem promete abrigo,
como quem conhece o caminho do afeto,
como quem jura que veio para ficar.
Você abre a porta, baixa a guarda, acredita.
E, de repente, o que era esperança vira silêncio.
As promessas se espalham pelo chão
como vidro quebrado depois da tempestade.
O que antes era paz
vira lembrança.
O que antes era sorriso
vira saudade.
Nunca vou entender
como alguém consegue atravessar a tranquilidade de outra pessoa,
desfazer o que ela levou tanto tempo para reconstruir,
acordar sentimentos que estavam adormecidos
apenas para ir embora.
Porque partir já machuca.
Mas arrancar alguém da própria paz
só para deixá-la em pedaços
é uma das formas mais silenciosas de crueldade.
E ainda assim, acredito:
Quem destrói a paz de alguém
nunca conhece o valor de um coração que amou de verdade.
Mas quem sobrevive a esse caos,
mesmo recolhendo os próprios cacos com as mãos,
um dia volta a encontrar a paz.
E dessa vez, ela não abrirá a porta para quem confunde amor com tempestade.















