Insultos e Relacionamentos
por Stéfany Gravallos
Ao ler a obra Você quer o que deseja? do psicanalista lacaniano Jorge Forbes, o autor propõe que reflitamos acerca da origem do verbo “insultar”. Segundo o mesmo, a palavra vem do latim sulto, tendo insultare a mesma origem de saltar. Desta forma, “insultar” significaria “pular em cima”, “saltar sobre” e, com isto, “fixar um nome a um objeto”. O que, quase que instantaneamente, remeteu-me a vivências de relacionamentos anteriores.
Tal, nada simples, observação provocou-me uma grande conscientização de conteúdos que há tempos já vinham em mim lançando sinais. Durante anos busquei em meus relacionamentos repetir modelos infantis, obviamente sem sucesso algum. Hoje, começo a enxergar o quanto não quero mais relacionar-me com alguém que me insulta, isto é que fixe a mim um novo nome ou até que reforce em mim um antigo nome, seja ele, vulgarmente julgado, bom ou ruim.
Mais do que qualquer coisa, desejo ter alguém ao meu lado que seja capaz de estimular minha desconstrução e construção contínua, que me permita me descobrir naquilo que eu bem entender. E, embora desta maneira eu não encontre tempo para estar em minha zona de conforto, prefiro a tempestade de pensamentos que não me deixem dormir aos sonhos que nunca se tornaram realidade.
Enfim, com isto compreendo que, antes de mais nada, estar com alguém é aprender, não se prender, e que, portanto, a verdadeira liberdade está em aprender-se. Assim, estar a dois (ou três, quatro, etc.) trata muito mais de uma escolha baseada no entendimento do real do que qualquer outra coisa. E, da mesma forma que desejo isto para mim, espero um dia atingir a maturidade para proporcionar o mesmo a com quem quer que seja que eu venha a me relacionar.
Merece, com certeza, ser repassado! Meus parabéns @steblimando














