Os movimentos de Tiffany ficavam cada vez mais lentos, como se implorasse, silenciosamente, para que ele a segurasse, a abraçasse, a pedisse para ficar. Entenda, nĂŁo que a mulher quisesse que Michele corresse atrĂĄs dela â embora isso fizesse um bem enorme para sua autoestima. Tiffany sĂł queria uma confirmação de que ele ainda gostava dela, nem que fosse um pouco. Precisava de um sinal de que algo ainda existia por trĂĄs daquela fachada dura que ele sustentava, igual a dela. E se houvesse, mesmo que fosse mĂnimo, Tiffany se jogaria de cabeça naquela relação, porque sabia que, apesar de tudo, ainda o amava incondicionalmente.
O toque fez seu coração disparar. Virou-se lentamente, sentindo o calor suave que emanava dele, e aquilo era o suficiente para fazĂȘ-la se derreter. Ela amava essa sensação. Mas, mesmo que ele a segurasse como ela tanto desejou e mentalizou, temia o que viria a seguir. Michele poderia xingĂĄ-la, brigar com ela por estar indo embora sem sequer se explicar direito â como havia feito antes. EntĂŁo, apenas esperou pelo pior. Os segundos se arrastavam, e sua mente disparava em todas as direçÔes.
De alguma forma, seu pai estivera certo ao afastĂĄ-la de Michele e de todos aqueles que a cercavam. O que Tiffany havia feito poderia afetar nĂŁo sĂł a ela, mas a ele tambĂ©m. Pior: poderia colocar Michele em perigo por causa da obsessĂŁo de Gael. E essa era a Ășltima coisa que ela queria. Preferia se machucar mil vezes a vĂȘ-lo ferido uma Ășnica vez.
Seus pensamentos eram um caos, vozes se sobrepondo como um coral desordenado, mas tudo se apagou no instante em que seus lĂĄbios encontraram os dele.
O silĂȘncio que tomou conta de sua mente era algo que sĂł ele poderia causar. Sem hesitar, Tiffany fechou os olhos e se entregou Ă sensação dos lĂĄbios de Michele contra os seus, revivendo memĂłrias, sensaçÔes, tudo o que um dia haviam compartilhado. Quando o beijo chegou ao fim, ela soltou um pequeno resmungo, abrindo os olhos lentamente, piscando algumas vezes para ter certeza do que via Ă sua frente. LĂĄgrimas. Com delicadeza, levou as mĂŁos ao rosto dele, enxugando-as com os dedos, que aproveitaram para acariciar sua pele. Olhou para Michele com ternura, doçura⊠amor.
â NĂŁo posso te dizer⊠â murmurou, apenas para ele, enquanto encostava a testa na dele e roçava seu nariz contra o dele, num gesto carinhoso. â Porque eu nĂŁo quero isso. Mas⊠nĂŁo vou te impedir de ir, se quiser.
Ela afastou o rosto para observå-lo melhor, enquanto uma de suas mãos deslizava até sua nuca, num toque suave.
Wooyoung tinha aquele momento, e apenas aquele, para demonstrar tudo o que sentia da Ășnica maneira que sabia: nĂŁo com palavras, mas com carinho.
EntĂŁo, sem hesitar, puxou Michele para um beijo.
Era profundo, intenso, como ela mesma era. Mas tambĂ©m carregava carinho, amor, devoção. Queria que ele soubesse que, mesmo depois de tantos anos, ainda o amava da mesma forma que o amara na adolescĂȘncia. Nada havia sido capaz de apagar ou diminuir esse sentimento.
Aquela era Wooyoung se entregando completamente, beijando-o com todo seu coração e todo o amor que possuĂa.