Illusive Studios, Lisboa across centuries, animation, Lisboa, Portugal, 2016
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Illusive Studios, Lisboa across centuries, animation, Lisboa, Portugal, 2016
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Georges Dussaud, S.Título, Lisboa, Portugal, 2002
Quando Lisboa amanhece teu rosto resplandece Envolta em formosura das casas à rua Canta no seu fado saudade e amargura Que no silêncio da noite ecoa até à lua És Lisboa agora sem fadistas e poetas Invadida por financeiros e agiotas Cacilheiro com Lisboa ao fundo
Bolsistas cantam milhões As tuas ruas são confusão Carros e gente em turbilhões Calaram se os cantos das gaivotas Versos de poetas são letras mortas Cobrem se de branco as paredes Outrora foram telas de pintores Hoje cartazes com promessas de notas Lisboa abandonaram te sozinha no cais Nas peias do nevoeiro Esperando com ansiedade O sol e a brisa do Tejo que te ilumina Lisboa és uma gaivota ferida Esquecida no cais de partida À espera em vão da saudade perdida Que anda há séculos nos mares à deriva Princesa porque esperais? Sois alma abandonada Roubaram te para sempre os ideais És presa ferida no meio de chacais Vem menina contemplar a mansa natureza Solta a amarra dos políticos e burocratas
Alcínio Vicente, Quando Lisboa Amanhece in Vivências da cor, 2015
Alexandre Nobre, Os Críticos, Rui Mário Gonçalves(esq.) e José Augusto França(dir.), Café A Brasileira, Chiado, Lisboa, Portugal, 2010
Nikias Skapinakis, Os Críticos, 1971 Rui Mário Gonçalves(esq.) e José Augusto França(dir.)
"Desde o alto da rua Barata Salgueiro recomeço a voar. Digo «recomeço» porque no meu sonho há lembrança nítida de incursões semelhantes, iniciadas sempre nesta rua. Quando começo a correr para «levantar», a habitual sensação de não estar certo de poder fazê-lo ainda uma vez mais. Lançado no espaço, voo a baixa altura, quase entre o trânsito das ruas. Depois ganho altura, entro no espaço abstracto, sem imagens, que será para o homem o voo puro. Os meus braços abertos são os reguladores da direcção. Desço, quase a rasar o solo, sobre a avenida da República, em direcção ao Saldanha, que oferece o seu aspecto habitual num fim de tarde de verão. Vinda da avenida Fontes Pereira de Melo e voando baixo como eu, surge uma mulher magnífica, solene,com um longo fato de renda negra cujo ondear a continua no espaço. Reunimo-nos sem trocar palavra, fitando-nos apenas, e, sem desvio na direcção comum, lado a lado traçamos lentamente dois círculos concêntricos à estátua de bronze, em baixo, afligida de grande circulação automóvel. Depois tomamos pela avenida Duque de Ávila, em direcção ao Arco do Cego, e sonho que acordo em casa do José Cardoso Pires, no Largo de Arroios. O dono da casa saúda-me jovialmente, não estranhando a minha súbita presença no seu quarto de estudante. "
Mário Cesariny de Vasconcelos, passagem dos sonhos (excerto), A Phala nº1, Lisboa, Portugal, 2001

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Arqº.Marcelo Dantas, Ponte Luminosa, Lisboa, Portugal, 2015 http://habitarportugal.org/EN/projecto/ponte-luminosa-lisbon-falls-marcelo-dantas-2015-lisboa/
A BRASILEIRA, 1983 Havia mesas dos dois lados: cada uma com dezassete cadeiras voadoras — discussões teológicas, tertúlia
Agora, só dum lado, as mesas, em filas promíscuas e um balcão corrido pra beber de pé a bica e a política ao fundo já se vê
Pasolini perdido perante o espelho ressuscitado Fra Angélico e Santo pra que se faça luz em pleno génio António Barahona, in Lisboa com os seus Poetas, 2000
Fernando Conduto, S. Título, escultura, Av de Roma, Lisboa, Portugal, 2003
Inna Korneeva, S. Título, Lisboa, Portugal, 2021 https://www.nationalgeographic.pt/historia/diario-uma-ilustradora-lisboa-a-aguarela_2627
LISBOA Servem-nos sempre de consolo as viagens à memória de viagens. Sempre a alternância visionária de praças com vielas de terraços de rocha com esplanadas vitalidade vazia de gente roçada sem ruído pela luz do instante. Lisboa por exemplo onde frágeis carros eléctricos rolam até aos confins da Europa para nos levar ao velho labirinto da nossa ânsia de eternidade. Gunter Kunert, A Phala. Via Dupla, Lisboa, 1995.1996

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Augusto Cabrita, Carlos Paredes, Torre de Belém, Lisboa, Portugal, 1960
Carlos Botelho, S.Título, Lisboa, Portugal, 1950
LISBOA Os barcos-fábrica enrolam o mar como uma lata de sardinhas Mas o último sapateiro remendão de Alfama está sentado à porta da oficina encaixado no umbral como o cachimbo no lugar do dente que falta O eléctrico velho carreto matraqueante de máquina de escrever faz ouvir a campainha ao fundo da fila de casas e ao virar da esquina desaparece no século passado / nós espectadores sem bilhete de olhar cansado e almas bolorentas em segunda mão esgueiramo-nos pelo labirinto nostálgico das vielas velas enfunadas pela brisa honesta da tarde o ar condicionado disponível aqui enquanto no andar de cima os boys da NASA apagam as beatas dos seus satélites no bordo do prato do nosso sistema solar Hans Jurgen Heise, Lisboa in Via Dupla, a Phala, 1995.1996
Eduardo Gageiro, Untitled from Lisboa no Cais da Memória 1957-1974 , photobook, Alfama, Lisboa, Portugal, 1968
http://www.eduardogageiro.com/pages/biografia/
Sophia em Lisboa, ainda
A tua cidade, a minha antiga cidade, agora de muros riscados pelo indecifrável gume do graffiti, como se a luz intransparente nos tivesse queimado por dentro. Que dizer dessa mão cruel e escrevente? O tempo dos assassinos veio para estar, aqui, a nosso lado, sentado e escuro na suburbana paragem. Que dizer-te? Um silvo flecte o ar. É a tua voz distorcida, dobrada pelo eco, o da descrença. Luis Quintais, Depois da Música, 2013

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Francisco Gonçalves (fotografia ?), Brasão de D. Catarina de Bragança, Igreja/Convento (Hospital) de N. Senhora da Conceição de Arroios, Lisboa, Portugal, 1964 https://lisboadeantigamente.blogspot.com/2015/11/convento-e-igreja-hospital-de-nossa.html
CASARIO em lisboa eu prefiro o casario que se narcisa visto da outra banda no espelho às vezes turvo deste rio na limpidez do rio às vezes branda
é entre o mar da palha e o bugio que o renque das fachadas se desmanda em tons de porcelana ao desafio em cada patamar, cada varanda
e a luz de água e azul a derramar-se vem envolver-lhe o vulto reflectido, dar-lhe o contraste de uns ciprestes, dar-se como um banho lustral e desmedido
é véu de gaze leve o seu disfarce mas é tão ténue e frágil o tecido que pode acontecer que ainda o esgarce um voo de gaivotas esquecido Vasco Graça Moura, Lisboa com os seus Poetas, 2000