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[Tradução] Entrevista de Lily-Rose Depp para W Magazine - Setembro 2019
Lily-Rose Depp, Florescendo: a nova estrela mais intrigante de Hollywood toma o comando.
Por Christopher Bagley, publicado em 03 de setembro de 2019 na W Magazine.
"Eu vou dizer agora… eu nunca fui boa em entrevistas," Lily-Rose Depp anuncia alguns minutos depois de nos encontrarmos. "Eu sou tímida nestas situações, e eu apenas fico realmente nervosa e tal."
Nós estamos em um café perto do apartamento da mãe dela em Paris, e Depp está tomando um café expresso enquanto enfrenta perguntas de um estranho com um gravador.
A melhor definição sobre a atriz de 20 anos é a que, timidez a parte, ela é infalivelmente bem educada e simpática, uma reputação que se fundamenta mesmo antes de nos encontrarmos quando ela liga no meu celular para perguntar se nós podemos atrasar meia hora de nossa entrevista. ("Eu realmente sinto muito!"). Com certeza, quando seu pai é Johnny Depp e sua mãe é Vanessa Paradis, você sabe muito bem que atrasar 30 minutos de uma entrevista não é o fim do mundo. Mas ela me agradece por ser flexível e se desculpa novamente.
Quanto ao nervosismo, qualquer entrevistador que se encontre com Depp pode se perguntar por que ela escolheu trabalhar em um campo que a prepara para uma vida inteira de escrutínio público. Enquanto ela se senta em uma banquete usando Reeboks brancos arranhados e um vestido de algodão liso que apenas acentua o esplendor de seu rosto, Depp mantém uma postura amigável e equilibrada e um olhar direto. Mas as poucas entrevistas que ela deu até agora não revelaram basicamente nada, além da crença dela na importância de manter sua privacidade. Quando começo com uma pergunta inócua sobre onde em Los Angeles ela comemorou seu aniversário, sua resposta evasiva ("Na casa de um amigo ou algo assim") deixa seus limites claros. Depois que ela relaxa um pouco, Depp reconhece que a fama em geral é algo que dá a ela muita ansiedade. Então, o que a levou a escolher uma carreira que convida a fama ainda mais? Desde que teve seu primeiro gosto de atuar há alguns anos, ela responde que não teve escolha, a não ser transformar isso em seu trabalho. O único lugar em que ela está verdadeiramente livre da autoconsciência é, de fato, em um set de filmagem, onde ela pode estar totalmente imersa em um personagem. "Quando estou atuando, não estou pensando em mim", diz ela. "Porque eu não estou lá. Entende?"
Qualquer que seja a estratégia dela, parece que está funcionando. Depois de começar em alguns papéis menores em filmes pequenos, ela está agora mostrando uma impressionante capacidade para ambos profundidade e alcance. No filme 'A Faithful Man' (Um homem fiel) de Louis Garrel, lançado nos Estados Unidos neste verão, ela pega o poderia ter sido um personagem louco e stalker e entrega um complexo retrato de uma jovem mulher descobrindo seu emocional e poder sexual. Próximo ano, no thriller 'Dreamland' de Nicholas Jarecki, sobre cartéis de drogas, ela interpreta uma viciada devastada cujo irmão (Armie Hammer) trafica opióides. E no drama histórico da Netflix, 'The King', que será lançado ainda esse ano, ela estrela ao lado de Timothée Chalamet e Robert Pattinson, interpretando a obstinada princesa Catherine de Valois.
Embora Depp tenha frequentado a escola em Los Angeles e encha sua conversa com a alegre gíria da Califórnia (sua atividade favorita quando não está trabalhando é: “'rolling super-deep' (gíria para: "passear com meus amigos”), ela ainda é um mistério para o público americano, uma esfinge silenciosa conhecida principalmente como uma modelo. Por isso, ela credita seus pais imãs-de-paparazzi, que se separaram em 2012, mas continuaram determinados "a manter meu irmão e eu o mais longe possível dos holofotes", diz Depp. "Agora, estou optando por fazer esse trabalho e sei o que vem com ele. Mas quando você é mais jovem, não tem escolha". Mesmo quando ela discute seus trabalhos de moda - ela lançou sua carreira com uma campanha de óculos da Chanel aos 16 anos - Depp ainda pode soar como uma novata. Recordando seu primeiro dia no set de filmagens da campanha da fragrância N°5 L'Eau, ela diz: "Aquele dia inteiro foi como o borrão de um devaneio".
Depp me diz que ela é uma geminiana típica, o que significa que muitas vezes se sente como duas pessoas diferentes em um único corpo. Um lado dela é o americano entusiasmado e trabalhador, a garota que leva seu grupo de amigos em seu carro para o almoço e corre para o Pinches Tacos ou Poquito Más. Mas quando ela está aqui na França, onde passou verões e as férias enquanto crescia, ela pode parecer uma versão do século XXI de sua icônica mãe francesa, a cantora-atriz-modelo que teve sua primeira música de sucesso, "Joe Le Taxi", aos 14 anos e depois estrelou várias campanhas da Chanel. (Se você não viu o comercial de Jean-Paul Goude de 1991 para a fragrância Coco, com uma Paradis de penas negras assobiando em um trapézio dentro de uma gaiola, pesquise no Google agora mesmo.) Sempre que Depp desliza para o francês, toda a estrutura de seu rosto sofre uma mudança instantânea. "Há um aspecto inteiro no idioma francês que são apenas expressões faciais e sons", diz ela, lançando uma série de caretas exageradas: o olhar cansado do mundo, os lábios flertivos, o impaciente exalar. Em termos de personalidade, ela diz, seu lado gaulês incorpora “uma certa indiferença sobre as coisas. Não que eu seja indiferente a tudo, mas há uma leveza e uma alegria de viver que os franceses têm que eu tento levar comigo. Acho que os franceses vivem muito bem, e é com isso que me sinto mais conectada."
A medida que Depp se aproxima da idade adulta, outra dicotomia é evidente no puxar e empurrar entre sua ingênua interior e sua badass interior. Ela diz que o segundo lado tem surgido com mais frequência, pois ela usa as deixas das personagens fortes e obstinadas que ela tem interpretado. Em uma cena crucial de 'A Faithful Man' (Um Homem Fiel), a adolescente Ève aparece no escritório parisiense de sua paixão, interpretado por Garrel, para proclamar na frente de seus colegas de trabalho que ela o ama - e que pensa nele enquanto se masturba. "Ela tem tanta certeza de si mesma e simplesmente vai atrás do que quer", diz Depp. Ao interpretá-la, "é meio impossível não ter isso afetando você pessoalmente". O mesmo acontece com Catherine de Valois, de 'The King', esposa de Henry V da Inglaterra e filha de Charles VI da França, e quem Depp vê como uma feminista antes de seu tempo. Devido à grave doença mental de Charles, a mãe de Catherine "meio que governou o reino a portas fechadas", diz Depp, e criou sua filha "para não deixar sua vida ser dirigida pelos homens ao seu redor".
A medida que sua carreira avança, Depp sabe que as comparações com os pais são inevitáveis, e fica claro que ela pensou bastante nos contras assim como nos prós que vem com o privilégio de dizer "meu pai" quando você quer dizer Johnny Depp. "Não vou dizer que não facilita conhecerem seu nome", diz ela. “Obviamente sim. Mas, honestamente, para mim também há algo um pouco mais difícil, porque as expectativas são insanamente altas. Meus pais são artistas incríveis por direito próprio. Então, tudo o que posso fazer é tentar ser minha própria pessoa e fazer meu próprio trabalho.”
Para Depp, parte da emoção de atuar é o mergulho emocional profundo que exige; ela diz que respeita outros atores que podem ativar e desativar seu ofício como um interruptor, mas, no caso dela, isso não funciona. "Para mim, não há outra maneira de fazer isso do que a abordagem vulnerável, deixando sua alma completamente nua", diz Depp. Ela descreve esse estado mental como uma espécie de refúgio terapêutico no qual preocupações superficiais e cotidianas são esquecidas. Sua pele e cabelo parecem horríveis? Supere isso: você está em personagem. "Quero dizer, você não pode se preocupar em ficar bonita quando está atuando", diz ela. Reconhecendo, "se você tem uma câmera em seu rosto, você vai pensar nisso primeiro. Mas quanto mais eu aprendi sobre o quão importante é conhecer seu personagem tão bem, menos eu pensava em mim como parte da equação.”
Antes de Depp voltar para a casa de sua mãe, se despedindo com um abraço muito não parisiense, ela menciona que geralmente consegue não ler histórias de revistas sobre si mesma. Finjo alívio, brincando que agora tenho licença para escrever todos os tipos de coisas ultrajantes e falsas, e ela nunca saberá. Ela sorri e adota o tsk-tsk de repreensão de uma diretora escolar francesa, acenando com o dedo ameaçadoramente. "Ah, eu vou ler essa aqui", diz ela.
Tradução: Jessica (@depphead_) e Palôma (@siriustiltskin) - Equipe LRDBR (@lilyrdeppbr)
Matéria original: https://www.wmagazine.com/story/lily-rose-depp-cover-interview-the-king
Photoshoot por Tim Walker: http://lilyrosedeppbrasil.com.br/photos/thumbnails.php?album=170