E se concentração era uma questão difícil para Leonard, para Levi era pior ainda. Nunca se fizera distraído, mas quando próximo a ele não era raro mais tropeçar ou derrubar coisas e sair xingando no momento seguinte, culpando-o porque, bem, era realmente culpa dele. Era culpa do encurvar de seu sorriso, das mãos que por vezes buscavam as suas e das palavras que ele insistia em lhe dizer, que ele insistia em proferir para derrubar com aquela muralha tão bem construída ao longo dos anos ao seu redor.
Ao mesmo tempo em que o estresse, de certa maneira, era sempre grande quando na presença de Leonard, ele não poderia evitar de sentir como se seus pés quisessem deixar de tocar o chão. O problema era a ansiedade, o medo de ferir-se tão grandemente por tudo aquilo que sentia segurando grande parte de suas vontades. Aos poucos, contudo, ele cedia, como naquele momento, no qual o resmungar alheio o fez revirar os olhos e, embora ainda envergonhado pelo ato em si, não afastando-se como faria normalmente. “Cala a boca, a culpa é sua, se você num viesse fazendo essas coisas do nada num tinha acontecido.” E, bem Levi não evitou se arrepender um pouco de ter dado a mão a Leonard, afinal, agora o outro estava ainda mais perto de si; difícil dar a mão e a pessoa querer o braço.
Os dedos apertaram-se aos dele com mais força involuntariamente quando sentiu estarem sobre o colo do docente, seu rosto contraindo-se em careta enquanto o coração acelerava mais do que o esperado por algo tão simples. O problema é que era íntimo, íntimo e muito mais público do que ele imaginava e muito mais importante também; estava sendo inundado de sentimentos bons e não tinha qualquer ideia de como lidar com metade deles. “Has anyone ever told you that you are a pain in the fucking ass?” Ele questionou e, enquanto as palavras deixavam a boca, veio o primeiro beijo e tão logo o segundo. Dessa vez, o rosto ganhou ares mais avermelhados quase que imediatamente enquanto um murmúrio mais longo e frustrado deixava a boca para logo transformar-se em riso, mesmo que seu cenho ainda estivesse franzido por toda a consternação. O corpo se inclinou-se para encostar ao alheio, a testa entre ombro e frente do pescoço, a mão segurando o graveto o mais firmemente que podia; na verdade, era bem provável que estivesse machucando. “Para de ficar me testando!” E, mesmo que o tom fosse tecnicamente duro, o sorriso em seus lábios não era e foi exatamente assim, dando-lhe um mais amplo, exibindo os dentes brancos e tudo, que Cole o encarou de perto. “You are really a pain in the ass.” E embora fosse apenas repetição, o que fez a seguir não era.
Levi era sim dado a atos no calor do momento, mas o que ocasionou sua reação foi cozimento em banho maria. Foi lento e gradual, a sensação da barba alheia contra sua pele lisa, fazendo formigar a região, fazendo-o desejar sentir a macies dos lábios alheios contra outras partes de seu corpo que não o rosto. Era embaraçoso, era uma vontade muito mais consciente do que normalmente lhe acontecia e, mais do que tudo, era constante. Foi inédito, portanto, o inclinar do rosto, o jeito como a boca buscou a dele e, ainda apertando os dedos entrelaçados, como os lábios se entreabriram pedindo por mais.
E que se fodessem fogueira, expectativas, expectadores e marshmallows, McCoy só queria saber de Leonard, só queria realmente beijá-lo.
Foi lutando contra um sorriso que Leonard estabeleceu-se ao lado do rapaz de fios mais acastanhados. Mesmo inquieto, a quentura da mão dele na sua servia para lhe incentivar em ficar ali paradinho, o canto dos olhos atentos à cada movimento do mesmo. Ainda que não o olhasse diretamente, a visão periférica tinha que seguir focada em Levi pois tudo o que ele fazia, o encantava.
E era assustador. Assustador porque nunca havia experimentado tais sensações. Qualquer um que o conhecesse, o julgaria como sensato e dono de um temperamento controlado. Só que, diante do musicista, nada daquilo adiantava ou se aplicava. Levi o desconcertava, deixava-o de bochechas coradas, mãos suadas e coração acelerado. Aqueles olhos de íris tão azuis que lhe passavam uma calma e inocência tão grande, haviam capturado seu coração antes mesmo de serem fixadas nos seus de cor semelhante. Todo resmungar claramente não irritado de verdade abalava a estrutura de seu corpo que, por muitos, poderia ser considerado forte demais para ser mexido daquela forma.
Mas céus, como estavam errados.
Leonard, dessa vez, não escondeu a risada baixa, apenas inclinou a cabeça para a direção do chão. “Eu acho que você é o único que diz.” murmurou, olhando-o de forma breve antes de fitar o marshmallow quase queimado. Mas não permaneceu muito tempo assim pois o nariz foi atraído para aquele tufo bagunçado de cabelos macios. O cheirinho invadindo suas narinas lhe arrancava um novo e brilhante sorriso. Somente o fato de ser o mais jovem o único a iniciar aquele meio abraço, já deixava-o em êxtase. Podia não ser muito aos olhos de estranhos, mas, tendo em vista o quão reservado Levi lhe parecia, era muito mais do que o docente poderia um dia pedir. “Mas não estou lhe testando,anjo.” disse não segurando o riso abafado pelas madeixas curtas dele.
Enquanto o rapaz usava e abusava dos apelidos mais estranhos, ele buscava aplicar os mais carinhosos que conseguia recordar. Não eram muitos já que Leonard não usava desde a adolescência, e ainda mais que, tudo, quando na presença alheia, sumia de sua mente. E como é que conseguiria um dia se concentrar com o Levi o desafiando daquela forma e o beijando assim, dona nada? Não tinha forças o suficiente para isso. Esticou o braço e, com a mão livre e sem luvas, segurou-o pelo queixo, o polegar acariciando a pele quentinha conforme a boca abria-se contra a dele em um pedido claro para que aprofundassem aquele beijo. E, como se isso já não bastasse, correu suavemente a língua ao longo do inferior alheio, tomando o gostinho para si. Ficar ali assim e deixar aqueles benditos doces para lá não lhe soava mais uma péssima ideia.