O humor de Dongwon não podia estar melhor. Sair do teatro depois de mais um ensaio era revigorante, pois apesar de amar seus amigos, era bom falar com pessoas que realmente entendiam de entonação, oitavas, afinação e as dificuldades de se tocar violino, naqueles momentos era como se pudesse submergir completamente naquele mundo, tirando as vezes que tocava sozinho e que mesmo assim eram interrompidas ou por seus gatos ou por Jinyoung. Subia as escadas na direção do apartamento de Yesol quando viu o desastre acontecendo, um desastre digno de um replay conforme os vegetais flutuavam no ar por segundos antes de se encontrarem com o chão e se espalharem completamente. – Você tá bem? – perguntou com preocupação em seu tom de voz, abaixando-se para deixar o estojo com o violino no chão e alcançar o braço dela, o qual tocou com leveza. – Se machucou? – assim que viu que ela não parecia seriamente machucada, concordou com a cabeça e alcançou uma cenoura para ajudá-la a pegar as coisas. – Eu acredito que você seja forte, mas duas caixas dessas pra alguém do seu tamanho parece um pouco… Demais, não acha?
Toda essa situação é, no mínimo, vergonhosa.
Desde que seu pai lhe taxou como incapaz de herdar a empresa da família, Sunhee construiu um orgulho gigante, e frágil, em relação a seu potencial. Não importa o que seja, ela quer provar para todos que é capaz de realizar qualquer tarefa, por mais boba que essa "tarefa" possa ser. Por exemplo, carregar duas caixas pesadas sozinha.
- Estou bem, obrigada - responde Sunhee, dando o seu melhor para ignorar a dor em seu tornozelo. Realmente, seus 1,60 de altura não colaboram quando se trata de usar força física, mas não quer admitir. - Normalmente eu conseguiria carregar essas caixas de boa, mas estou um pouco cansada. E tropecei no carpete, então...
"Por que estou tentando me justificar?"
Sunhee sente suas bochechas e orelhas queimarem. Com a ajuda do estranho, ela termina de guardar os vegetais nas caixas e, apressada, se põe de pé para levantá-las. Ela testa, mas o peso é maior que a pouca força que lhe resta e Sunhee mal consegue tirá-las do chão. Seu tornozelo lateja e, inevitavelmente, Kang mostra uma expressão de dor.
-Desculpa, não quero incomodar, mas... - diz, em meio a um suspiro. - Será que você poderia me ajudar a carregar uma delas? Só até a porta do prédio, no resto eu me viro.