— Uma multidĂŁo de mulheres comemorando e gritando pra vocĂŞ. Como isso pode nĂŁo ser divertido? — Falou, como se a hipĂłtese carregasse uma grande obviedade. — Ei, vocĂŞ sabe que eu nĂŁo vou sĂł pra esse tipo de lugar. — Reforçou, já que seu bar favorito era, na verdade, o Bart’z, onde podia tomar os drinks que mais gostava, arrumar alguma moça para passar a noite ou somente se distrair quando necessário. Escutou o restante das palavras do amigo, soltando o ar e assentindo em concordância. — Tudo bem, tudo bem. — Disse por fim, com um sorriso tranquilo como se nĂŁo tivesse acabado de provocar uma explosĂŁo no mĂ©dico a sua frente. Ele nĂŁo entendia como uma conversa podia ajudar sua situação, na verdade, já que para si nĂŁo era o tipo de coisa que servia. Era bem simples na cabeça de Bayrak, especialmente considerando que tratava seus prĂłprios ferimentos daquela forma há anos: se ele se sentia mal, entĂŁo buscava coisas prazeirosas. E haveria coisa mais prazeirosa - literalmente - do que sexo? Bem, drogas, talvez, mas ele ainda nĂŁo estava naquele nĂvel e certamente o amigo tambĂ©m nĂŁo. O quanto uma conversa podia realisticamente desviar sua atenção? Pelo contrario, acabariam caminhando para aquele assunto e o amigo falaria sobre a ex por horas, sofrendo e remoendo sua tristeza. Mas no fim, era Kovu quem escolhia a maneira de passar pelo tĂ©rmino, e tudo o que Dante tinha de fazer ali era apoiar o homem no que ele desejasse. — Vamos para um lugar tranquilo, entĂŁo. — Concordou por fim, buscando a amiga e entĂŁo a avisando que iria embora. Como já estipulado previamente a grande possibilidade, nĂŁo havia convencido Kovu e por isso aquela atividade ficaria pra outro dia - pelo menos de sua parte, claro. Despediu-se da moça e seguiu com Martell atĂ© o carro que os aguardava do lado de fora. “Foi rápido.” O motorista comentou, para o que Dante riu. — É, acho que vamos pra um lugar com outro clima. — Comentou, e entĂŁo passou um outro endereço. NĂŁo era para o Bart’z, embora lá fosse tambĂ©m uma boa opção. Quando chegaram em frente Ă fachada do local, pĂ´de-se observar um bar bem menor e sem muito movimento. Do lado de dentro, a mĂşsica era algo quase interiorano, num volume relativamente baixo que deixava o ambiente ideal pra o que Kovu tanto queria: cerveja e conversa. — E aĂ, O’Malley. Dois chopps, por favor — Pediu, quando o garçom já conhecido se aproximou da mesa onde estavam.
A visão do Bartz’s fez Kovu respirar completamente aliviado. Era ali que se distraia ou ia quando queria apenas fugir do proprio apartamento ou ter uma uma conversa filosofica com O’Malley ainda que talvez conversa não pudesse exatamente ser um termo bem empregado, já que o barman parecia não entender nem metade das frases proferidas pelo Martell. Assim que a bebida chegou, Kovu acabou por tomar um longo gole da mesma. Aparentemente, estava com mais sede do que poderia imaginar. Talvez estivesse mais tudo do que poderia imaginar previamente. Fitou o amigo a sua frente arregalando os olhos e então suspirando, com o nitido alivio de quem havia aprovado o ambiente. - E então...como vão as coisas no restaurante?