this is a starter for 𝐇𝐘𝐀𝐂𝐈𝐍𝐓𝐇 𝐒𝐏𝐑𝐈𝐍𝐆𝐒𝐓𝐄𝐄𝐍 ( @koreyspring ) !!
✧ ˚ · . Por mais que tivesse engajado o cabelo comprido por pouco tempo, a sensação de não tê-lo roçando no pescoço ou nos ombros era estranha. Havia cortado ao comprimento usual no dia anterior ao jantar marcado com Hyacinth, buscando surpreendê-la com seu novo (antigo) visual. Era mais fácil de cuidar daquela forma também, e vários dos funcionários da fazenda haviam deixado claro que ele ficava bem mais bonito e elegante daquela forma, até mesmo para um fazendeiro.
Para aquela noite, havia pedido que a empregada deixasse a casa brilhando, mais do que o usual. Como terminariam o tour, ela precisava ver a casa de fazenda em seu melhor. Além disso, a sala de flores, como havia carinhosamente apelidado, que tinha criado para ela ansiava em conhecer sua dona, os mínimos detalhes pensados para a Springsteen imergir em seu mundinho, tão delicado e cheiroso. Já era final da tarde e ele escolhia na adega qual vinho tomariam naquela noite; por mais que ela tivesse dito que iria levar uns, ele queria escolher um especial. Lembrou-se de um trazido da Grécia há alguns anos, um rótulo especial de 2002, perfeito para a ocasião — ele só torcia para que não tivesse virado vinagre.
A temperatura elevada o impossibilitava de acender a lareira para favorecer o clima, mas ele fez questão de deixar a luz ambiente à meia luz. Com trajes casuais, mas arrumados, passou seu perfume característico e ficou à espera, o coração já começando a acelerar somente em pensar no quão linda ela estaria. Mantenha a calma, Victor, você se lembra do que aconteceu no último dia, quando as emoções vieram à tona… ele não queria espantá-la, não mesmo. Queria aos poucos reconstruir a relação bonita que uma vez tiveram, pois se tinha uma certeza, era de que Hyacinth era o amor da sua vida. Quando a campainha tocou, ele sorriu. Ajeitando a gola da caminha, caminhou até a porta, abrindo-a ainda mantendo o sorriso no rosto. “Boa noite, Hya. Seja bem-vinda novamente.”, e então, deu espaço para que ela entrasse, os olhos já buscando os mínimos detalhes no corpo escultural, admirando o quão linda ela estava.
Hyacinth só percebeu suas reais intenções quando estava na metade do caminho. O celular aberto nas mensagens de Victor, iluminando o rosto com a maquiagem leve, enquanto esperava o fim da corrida com o motorista de aplicativo. Uma corrida, sem volta, para um lugar que só aceitariam a volta no dia seguinte. O gato ronronando na cesta, envolto de um cobertor, e apoiado em duas garrafas de vinho e mais algumas embalagens de comida. Quem visse logo entenderia: não queria desculpas para voltar. Combinando com os botões da saia abertos além do ‘casual’, o brilho da pele pela expectativa e a animação... A antecipação de algo excitante, que estava se permitindo depois de anos presa. Hyacinth esfregava a base dos próprios dedos em ansiedade, o cantinho da unha levado a boca só para se mordiscado... Delicado, sem quebrar o esmalte... Sem ser tão importante que a fazendo que se assomava a distância.
Agradeceu da entrada, dispensando qualquer ajuda para carregar a enorme cesta até a porta. Como podia permitir? A possessividade daquele lugar, tão novo quanto não pertencente da deusa adormecida, gerando a barragem. Queria entrar naquele mundo particular sozinha, deixar aquela energia presa num nó dentro de si escapar (e fingir que não via mudanças sutis enquanto passava, frutos do poder incontido). Queria ser a primeira a tocar a companhia e sorrir para o homem que a abria. Queria ser aquela a segurar o choro de uma saudade que era descoberta e eliminada ali, de supetão. “Obrigada.” Sussurrou, a voz falhando em se impor e divertir. Hyacinth se adiantou para abraçá-lo, ficando na ponta dos pés para envolver seu pescoço e suspirar perto do ouvido alheio. “É bom te ver de novo.”
Aproveitando a deixa, Whisper pulou da cesta (90% recuperado da acne) e se esfregou aos pés de Victor, os dois visitantes claramente incapazes de serem discretos em seus sentimentos. Hyacinth se afastou para rir baixinho. “Não sei como ele sentiu, mas ficou miando irritado até eu encontrar um lugar para ele na cesta.” Ergueu para que visse, mas levantou a mão para impedi-lo de realizar a gentileza. Num rodopio elegante, ela deixou os sapatos à entrada e fez seu caminho para dentro. Dona da casa? Quase. Deslizava para a cozinha e usava o tampo para espalhar o que tinha trazido, chegando até a guardar as frutas na geladeira. “Pensei em fazermos uma sobremesa também, se estivermos capazes disso quando chegar a hora.” A garganta coçou com a negação silenciosa, e não ficou assim quando deixou escapar. “Uma sobremesa além de você, claro. Posso ganhar uma voltinha?” Talvez a beleza de Victor fosse prejudicial, cutucando a memória e amenizando o impacto, impedindo-a que fosse além daquelas barreiras invisíveis. “E um abridor.” Empurrou as duas garrafas para a promissor que já estava ali, o sorriso crescendo nos lábios.














