— Aqui é um restaurante bem comum. Nada dessa coisa chique italiana, francesa, japonesa e derivados. — ele falava e Breeze olhava por todo canto conseguindo perceber que até hambúrgueres eram servidos ali. — A grande diferença é que é tudo muito bem feito. Achei uma excelente ideia te trazer aqui para você conhecer o lugar.
— É bem legal. — ela falou fitando todos os quadros, a decoração puxada ao marrom da madeira e o cheiro de limpeza misturado ao cheiro de comida que provinha de uma cozinha não muito longe deles. — Não conhecia esse lugar.
— Você não me parece ser o tipo de gente que frequenta lugares assim. — ela o encarou e um grande ponto de interrogação se formou em seu rosto fazendo Ethan sorrir. — Aposto que você geralmente frequenta restaurantes mais sofisticados. E não venha mentir. — ela sorriu pequeno.
— Sim, eu geralmente frequento esses tipos de restaurante. — ela fez uma careta arrancando um riso alto do rapaz. — Mas, se você quer saber, estou preferindo este lugar a qualquer outro restaurante. Qual o prato que eles servem aqui?
— Todo dia é uma novidade. — Ethan falou enquanto pegava um cardápio que estava posto ao lado dos guardanapos. — Vamos ver o que eles têm hoje. Pegue. — ele estirou o menu para a garota que mordeu o lábio inferior.
— Não quer ver primeiro? — ele negou.
— Vai você primeiro. Já tenho meu prato favorito.
Breeze sorriu agradecida e logo passou a ler o cardápio. Várias comidas nacionais estavam ali. Muitas delas eram fritas, hambúrgueres de todo tipo. Grande parte das comidas era de frutos do mar em vários modos, seja cozido, ao molho, assado e frito. Mas o que chamou a atenção da garota foram as Tortillas e seus diversos molhos. Reconhecia esse prato de algum restaurante mexicano, porém era bem popular entre os moradores dos Estados Unidos, quase sendo um prato oficial.
— Acho que vou pedir as Tortillas. Aqui também há um menu com os molhos que eles distribuem, isso é legal! — ela exclamou enquanto lia os ingredientes de cada molho: do mais picante ao mais suave.
Ethan riu alto e estendeu a mão para chamar um dos garçons que se aproximou do casal com um bloco de papel de uma caneta na mão. Breeze o cumprimentou e colocou o cardápio de volta à mesa.
— Pode trazer duas porções de Tortillas? — o garçom assentiu anotando o pedido.
— E para beber?
— O que você quer? — ele perguntou à Breeze.
— Um suco natural de maracujá, por favor. — ela pediu e Ethan sorriu.
— O mesmo. — o garçom assentiu.
— Os molhos vão ser quais, senhor?
Então Breeze sentiu o olhar de Ethan em cima dela, quase a despindo, da mesma forma como ele fazia desde o primeiro dia que eles haviam se visto. A garota se encolheu no lugar, um pouco intimidada.
— Pode trazer os mais picantes. — ele piscou o olho para Breeze, mas logo encarou o garçom, como se nada tivesse acontecendo. — Não gosto muito dos molhos suaves. Algum problema, Bree? — ela negou prontamente.
— Não, não. Por mim pode trazer os apimentados, sem problema algum. — ela encarou Ethan. — Não vai pedir o seu prato?
— Você é bem esperta, Vaughn. Conseguiu descobrir o meu prato preferido aqui. — Breeze sorriu animada e logo o garçom foi embora para fazer os pedidos, deixando o casal sozinho.
Ethan escorregou uma mão por cima da mesa enquanto pegava a da garota. As peles brancas tinham o mesmo tom, talvez a de Breeze fosse mais branca, ela não saberia dizer. Mas sentia uma boa positividade provir daquele toque e tudo o que ela pensava era se Ethan iria achá-la intrometida ou demasiado chata por querer saber tanto de sua vida. Ela ainda fitava as mãos juntas, mas ao morder o lábio inferior e respirar fundo, não demorou a começar o assunto que a perturbava desde a semana que se passou, desde o dia da matrícula do curso.
— Eth, você se incomoda se eu lhe perguntar algo? — o garoto sorriu e deu de ombros, dando o aval para a menina falar. — Eu não sei o quanto isso pode ser pessoal para você e se eu estiver sendo curiosa demais ou ultrapassando algo, por favor, me pare.
— Pode dizer. — ele fechou a expressão por um segundo, adotando uma careta confusa. — O que você quer saber?
Ela respirou fundo mais uma vez, os olhos se fechando com o movimento, mas logo tratou de abri-los lentamente enquanto Ethan pairava em seu foco de visão.
— Por que você nunca menciona nada sobre a sua família? — ela pigarreou. — Digo, eu nunca vejo você falar nada sobre Anabell Cresswell, sobre algo que se relacione a isso.
Ela conseguiu contemplar o choque que a expressão de Ethan tomou e o quanto o garoto havia ficado rígido e paralisado no lugar. Os olhos castanhos escuros dele tomaram um brilho opaco e seco, como se ele não tivesse mais nenhum motivo para fazer suas íris brilharem enquanto os lábios se formavam numa linha fina e reta, sem nenhuma expressão para desenhar sua face.