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(by kneecapss)

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Fizeram meu coração sentir algo extraordinário, para depois, ele ser deixado de lado. Como um brinquedo na infância. Sabe aqueles que você ganhava de aniversario e depois de um tempo ganhava um melhor, um “2.0”? Você deixava o velho brinquedo, que por muito tempo te fez feliz quando estava sozinho, em um canto e ele terminava ficando empoeirado e velho, depois você jogava fora ou doava para a caridade. Esquecendo totalmente dele. Nesse caso eu fui o brinquedo, mas eu sabia quem estava brincando comigo, mesmo assim, decidi acreditar. Decidi acreditar que essa pessoa iria ficar comigo para sempre, ou por um longo tempo. Mas então ele me deixar em um canto qualquer.
Kate
Ela: Lutaria por mim?
Ele: Mesmo sem forças.

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Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina.. E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar…
Tati Bernardi (via desentorte-me)
01 de janeiro. 04:23, praia deserta e fria.
— Mari.
— Que foi?
— São quatro horas do dia um já.
— Que que tem, Carol?
— Nada. Tá frio e estamos sozinhas na praia olhando pro mar a uma hora.Â
— Eu sei que não é isso.
— Como sabe?
— Eu sempre sei.
— Então errou, era isso sim.
— Eu sei que não.
IncrĂvel, ela sempre sabia. Mesmo que eu tentasse enganar. Me entendia. Sabia tudo sobre mim. Cada segredo. NĂŁo era como os caras. NĂŁo mesmo.
— Deixa pra lá.
— Hum.
Ficou silêncio por uns minutos. Fiquei observando ela. Cabelos ruivos, traços finos e meigos. O contorno de sua boca era perfeito, seus profundos despertavam um mistério que até quem a conhecia, queria descobrir. Seu queixo parecia forjado. O vento batia em seu cabelo e deixava-a mais linda ainda.
— Que foi, garota?
— Que foi o que?
— VocĂŞ me olhando assim. Parece maluca.Â
Rimos.
— Mari, o que você quer pra esse ano?
— Sei lá. Paz. Que nem tá agora.
Ela sempre me transmitia paz. Sabe, segurança. Agora não era diferente. E eu não me sentia quieta pelo mar, a hora, o frio ou o silêncio. Mas por ela. Sabe, estar ali. Se fosse sozinha, já tinha cansado a muito tempo. Odeio esse silêncio. Quer dizer, só quando tenho alguém pra olhar.
— E você?
— Eu o quê?
— O que quê?
Rimos.
— Deixa de ser lerda. O que você quer pra 2012.
— Hum. Deixa eu pensar.
Repeti pra mim mesma mil vezes: “Você, você, você, você. Será que não se toca?”
— Você.
Congelei. Nem sei porque disse aquilo. Saiu. Acho que pensei alto. Sei lá! Só sei que…foi bom. Mas senti medo. Muito medo.
— Hahaha! Você já me tem, Carol. Eu sempre vou estar contigo, você sabe?
— É. Eu sei.
Não do jeito que eu queria, afinal, éramos amigas faz quase dez anos. Temos dezessete. E isso tem atormentado minha mente. Sabe, é estranho mudar assim do nada. Ainda mais querendo entrar pra uma faculdade! É meio estranho aceitar isso. Não sei nem se já me aceitei. Que dirá os outros.
— Mariane.
— Para de falar.
— Eu não. Para você.
— VocĂŞ que me chamou.Â
— Ai, cala boca.
— Ai, voc…
Eu a beijei. Rápido, fui rápida. Agarrei seu pescoço e beijei devagar. Era bom, depois de tanto tempo sentir teus lábios molhando os meus. Ela continuou, acho que isso era bom. Eu não queria parar. Não porque era bom. Mas porque…Eu não sabia o que ia acontecer depois daquilo. Teus lábios eram tão doces quanto tua voz. Foi a primeira vez que beijei uma garota. Era pra ser estranho. Mas me senti melhor. Bem. Mais segura. Era diferente, não o diferente estranho. Mas o diferente melhor. Ninguém entenderia. Ela parou.
— Ca-ca-caroline! Porra, o que você fez!?
— Te beijei.Â
Mantive a calma.Â
— Mas que caralho. Esse é o problema! Você tava falando sério! A gente é amiga desde pequena. Isso não pode acontecer.
— Mas você gostou.
Pensei que ela ia ficar brava e me esfolar. Mas não. Me jogou areia até cansar.
— Eu sei que gostou.
Ela jogava mais.
— Para de jogar areia, caralho! Você gostou?
Ela ficou sem graça.
— Sim, mas não deveria…
Ficou mais sem graça ainda. Ficou vermelha.
— Porque não?
— A gente tá quase indo pra faculdade. Isso Ă© estranho. Digo, nĂŁo Ă© estranho. É diferente. As pessoas nĂŁo costumam aceitar. Elas olham diferente. É complicado! Isso pode atrapalhar nossa vida, Caroline.Â
Ela sempre foi cabeça aberta. Era disso que eu gostava nela. Por isso arrisquei, eu acho. Sabe, eu sabia que ela nĂŁo teria preconceito. E nĂŁo teve. Ela sĂł precisava de…tempo, eu acho.Â
— Tá, eu entendo. Vamos embora?
— Vamos…
O clima ficou um pouco estranho, entĂŁo tentei dizer alguma coisa.
— Foi o melhor beijo da minha vida.
— Que coisa mais lésbica.
NĂłs rimos.
— Mari.
— Que foi?
— Já parou pra pensar?
— Em que?
— Sabe, quem seria o homem da relação. Acho que é você.
Rimos.
— Não precisa ter um homem, eu acho.
— Credo, vocĂŞ sĂł pensa em mulher.Â
Rimos de novo. Terminamos de subir toda a areia e chegamos na calçada. A casa que estávamos passando o ano novo era ali perto. Dava pra ir a pé.
— Pronto, a gente chegou. Agora vira a Mari hétero que ninguém pode saber disso antes de passarmos pra faculdade.
Eu ri. Soou como uma indireta. Não sei. Quando chegamos em casa já eram cinco da manhã, o sol já estava lá. Fomos direto pra cama. Fiquei pensando no que aconteceu, mas logo cai no sono. Ele era maior.
Pedro Rocha — Caroline e Mariane, parte 1.
Day 236 (by crashbangsqueak)

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