Na segunda passada, na hora que vocĂȘ foi embora....eu estava disposta a te contar o quanto eu ainda te amava, e o que eu estava pretendo fazer no maldito dia 04 de junho, quando vocĂȘ iria realizar um dos teus pequenos sonhos. Eu pensava em te contar toda uma tal histĂłria que vocĂȘ me conta todas as vezes, e mesmo assim eu nĂŁo me canso de ouvir, sĂł para ouvir tua voz. Eu pensava em te contar como eu adoro mexer no seu cabelo, em todas as vezes que deitamos na sua cama pequena e confortĂĄvel, com uma coberta nos enlaçando, e aquele seu abajur fraco, mas com a luz nos cobrindo.
Eu ia te fazer tudo isso, eu ia te dizer tudo isso. Mas vocĂȘ jĂĄ nĂŁo estava mais aqui, vocĂȘ estava por obrigação, por dĂł ou pena, nĂŁo sei ao certo, mas vocĂȘ nĂŁo estava mais aqui. E eu? Eu ri, eu ri porque lembrei que dias atrĂĄs vocĂȘ me falava palavras bonitas, voltava a fazer juras. Eu ri porque lembrei como vocĂȘ tem a capacidade de me fazer tĂŁo bem e depois me descartar tĂŁo facilmente. Eu ri porque lembrei de vocĂȘ na minha vida, lembrei de vocĂȘ nos meus melhores momentos, lembrei de vocĂȘ na minha cama, lembrei de vocĂȘ na minha casa. Porque eu abri morada pra vocĂȘ, a minha cama que tanto jĂĄ rolamos e minhas memĂłrias, nĂŁo posso negar, vocĂȘ deixou impecĂĄvel. Mas aqui, no meu coração vocĂȘ deixou uma bagunça, vocĂȘ tirou tudo do lugar, vocĂȘ destruĂ, vocĂȘ cortou. Mais uma vez.....sendo que eu tinha acabado de arrumar.
Eu naquele dia desejei muito que eu nunca tivesse te conhecido, nunca tivesse te tocado, que  a gente nunca tivesse conversado, eu desejei que eu nunca tivesse te conhecido. , Mas no final, no final desse mesmo dia  eu desejei fortemente, com muita força, que vocĂȘ nunca tivesse ido embora, mas vocĂȘ foi. No momento em que eu finalmente tinha entendido que vocĂȘ finalmente tinha ido embora da minha vida, e que nĂŁo era esses rĂĄpidos ââlancesââ que te traria de volta, eu fui pro banheiro, fechei o box, sentei no chĂŁo chorando e deixei que toda aquela ĂĄgua quente caĂsse sobre o meu corpo nu, e limpasse toda digital tua que ainda pudesse permanecer ali. Coloquei âânossas mĂșsicasââ, lembrei de todos as coisas que vocĂȘ fez e falou pra mim nesses Ășltimos 2 anos, de todas as mentiras que vocĂȘ me contou e eu sempre descobria a verdade, eu cutuquei todas as feridas atĂ© que elas ficassem em carne viva, pois eu precisava sentir essa dor, eu precisava sentir tudo de uma vez. Eu resolvi conversar com uma amiga a respeito, e ela disse ââela Ă© sĂł mais uma, segue sua vida, Biancaââ, e entĂŁo eu parei, e pensei. NinguĂ©m Ă© sĂł mais um na vida de alguĂ©m. E vocĂȘ definitivamente nĂŁo foi sĂł mais uma pra mim.
Nesse final de semana eu viajei, e segui o conselho de umas amigas que me disseram pra sair e conhecer gente, entĂŁo eu fui. Passei aquele batom vermelho escuro que vocĂȘ amava, coloquei um vestido meu que vocĂȘ sempre gostou, e fui. Infelizmente eu te procurei nos copos que eu bebi, nos corpos que eu conheci, sĂł que eu nĂŁo te achei, nesse mesmo dia eu descobri que o gosto de um beijo nĂŁo Ă© o gosto de um lĂĄbio, nĂŁo Ă© gosto de uma boca, nĂŁo Ă© o gosto de uma Ășltima coisa que vocĂȘ comeu. O gosto do beijo Ă© o gosto do amor. E o teu beijo tinha gosto de sentimento bom, o nosso beijo tinha gosto de certeza, eu diria. Tinha, nĂ©. E naquela mesma noite, quando eu aceitei que vocĂȘ tinha ido embora, eu tinha entendido que vocĂȘ era outra, e eu entendi que eu jĂĄ era outra tambĂ©m. E talvez, o que eu refletia na minha cabeça nessas Ășltimas semanas era carinho, era medo de me entender como pessoa sem vocĂȘ. Medo. Medo. E no dia que eu me despedi de vocĂȘ eu dei tchau pro cabelo loiro, eu dei tchau pro tal ââsunshineââ, eu dei tchau para o ââ para tu amorââ, eu dei tchau para o abajur que sempre nos iluminou quando dormĂamos, dei tchau para sua mĂŁe, dei tchau pro seu irmĂŁo, eu dei tchau pra vocĂȘ, eu dei tchau pra sua vida. E quando eu consegui dar tchau pro nosso beijo eu me reconheci, e vi o quanto eu preciso viver e seguir em frente, sem vocĂȘ.