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lost without you pt. 16
satellite images found on Apple Maps
"the last time i saw you"
A primeira vez que eu te vi, parece que eu fiquei lĂĄ.
Se alguém me perguntar hoje como a gente se conheceu, eu vou lembrar, mas não vai mais doer.
NĂŁo Ă© que nĂŁo tenha sido bonito, porque foi. Talvez pra alguĂ©m, ainda seja. Talvez pra algum eu meu que esteja enterrado dentro de mim agora, ainda haja resquĂcios de beleza quando toco no seu nome ao falar com alguĂ©m sobre vocĂȘ.
Antes tudo era sĂł sobre vocĂȘ. Eu falei tanto de vocĂȘ, eu pensei tanto em vocĂȘ, que eu acabei esquecendo de mim. Eu empurrava vocĂȘ goela abaixo no meu cafĂ© da manhĂŁ me perguntando
"em qual cĂŽmodo da casa a gente se perdeu?"
Eu atĂ© viajei, sabe? Eu fui pra diversos lugares buscando me encontrar desde a Ășltima vez que me perdi dentro de vocĂȘ. Busquei outros estilos de vida pra me encontrar, me busquei desde um novo corte de cabelo atĂ© uma visita para os meus pais. Busquei me encontrar nos avanços que eu fazia na minha vida profissional, busquei me encontrar atĂ© no vinho que eu paguei caro e ainda assim deixava na porta da geladeira todo final de tarde. Eu comecei a fazer um processo de desintoxicação, porque a droga mais pesada era vocĂȘ. E eu nem sabia. Tudo isso buscando uma reinvenção com uma busca incessante de mim mesma. Parece que todos os meus pedaços foram jogados ao vento e entrado nas valetas do universo onde a Ășnica saĂda para encontrĂĄ-los era parar de procurar. E eu parei. NĂŁo porque eu desisti, muito pelo contrĂĄrio, mas porque eu precisava me desprender de afagos alheios, risadas alheias, conversas que eu congelei nas memĂłrias - e na parede da memĂłria essa lembrança Ă© o quadro que dĂłi mais - como se tudo isso me moldasse. EntĂŁo pulei da moldura.
E pular da moldura desse quadro foi o ato mais corajoso que eu jĂĄ fiz.
eu sou mais que sĂł essa confusĂŁo
paula zawatski

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Nota de nĂșmero indeterminado
bonito mesmo Ă© quem tem a coragem de enfeitar o nosso caos.Â
Nota de nĂșmero 2.
Eu sou um completo caos romĂąntico.
Depois, sĂł depois.
Isso nĂŁo vai terminar agora. Se um dia for terminar, que termine depois que tudo que sonhamos seja concretizado. SĂł depois que eu te olhar nos olhos durante 30 minutos ouvindo vocĂȘ dizer que me ama ainda mais a cada 60 segundos. SĂł depois que minhas pupilas cobrirem seu caos por inteiro e que nossos dedos se entrelacem para dançarmos uma mĂșsica qualquer. SĂł depois que viajarmos o Brasil inteiro cantando âhĂĄ milhas e milhas e milhas de qualquer lugarâ tomando um vinho barato que nos deixe com enxaqueca na manhĂŁ seguinte. SĂł depois de irmos em pelo menos 30 shows de todas as nossas bandas favoritas em menos de 2 anos. SĂł depois que nosso livro preferido vire filme, mesmo que distintos, para que eu possa assisti-lo enquanto descanso meu caos no seu peito afetuoso. SĂł depois que esquentarmos nossos pĂ©s gelados uns nos outros enquanto assistimos âLike Crazyâ recordando o quanto a distĂąncia nos fez sofrer, nos fez feliz, nos fez nĂłs. SĂł depois que eu te amar em Toronto, depois do meio dia enquanto vocĂȘ veste teu agasalho favorito, pois seria o meu favorito tambĂ©m. SĂł depois que eu aprender a falar francĂȘs e sussurrar todas as frases que jĂĄ escrevi pra vocĂȘ ao pĂ© do ouvido. SĂł depois que o domingo deixar de ser o pior dia, pois vocĂȘ irĂĄ enfeitar ele inteirinho com seu sorriso matinal entre os beijos que darei vendo suas retinas se adaptarem a luz ambiente enquanto vocĂȘ abre os olhos depois de uma noite fria. SĂł depois que eu colar teu coração no meu e dizer âsimâ para todos os altares imaginĂĄrios da vida. SĂł depois que nossos corpos estiverem feito nĂłs e eu aprender a tocar âfeito nĂłsâ do 5 a seco no violĂŁo e ver vocĂȘ sorrindo enquanto meus dedos calejam e eu erro 3 acordes seguidos. SĂł depois que nossa playlist atingir o limite de 500 mĂșsicas favoritas entre ambos e ouvirmos em apenas um fim de semana num chalĂ© bem chulo em AmsterdĂŁ. SĂł depois que eu te der todos os presentes que tenho em mente e escrever todas as frases de amor que estĂŁo entaladas nas minhas cordas vocais e mandar pendurar no mural-varal da âsalaâ do nosso trailer que ainda nĂŁo decidimos a cor. SĂł depois que as idas nĂŁo existirem mais e que o mundo aceite o nosso amor. SĂł depois que nossas vidas estejam completas a ponto de sentarmos uma de frente para outra e dizer que nĂŁo precisamos de mais nada para sermos felizes. SĂł depois. SĂł. Depois.
VocĂȘ ainda se apaixona quando me olha?Â

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Nosso amor Ă© bonito igual a fotografia que revelei
Como encarar um mundo sem poder olhar para ele atravĂ©s dos seus olhos? Nosso amor Ă© bonito igual ao filho que decide presentear a mĂŁe todos os dias com uma fotografia de ambos para que ao ver ela se recorde dele e esqueça que tem Alzheimer. Talvez eu tenha ido longe demais ao elogiar tua escrita no primeiro dia em que nos falamos, talvez atĂ© eu tenha odiado umas das bandas que vocĂȘ me indicou numa madrugada fria. Mas eu te amei. E te amo. A partir do instante em que toquei suas mĂŁos e olhei nos teus olhos, eu tive a certeza. A luz do mundo era gigante demais para as minhas retinas se adaptarem. Mas a luz da tua alma caiu como uma luva para mim. Embora nosso amor seja mastigado em bocas maldosas, vocĂȘ ainda Ă© a minha paz. Quando nosso amor resolveu crescer, ele se purificou por completo das sujeiras que a terra poderia trazer. Criou imunidade para crescer livremente, florescendo cada pĂ©tala uma a uma. E eu que sou inteiramente grata ao tempo, me pergunto: quanto tempo falta para que nosso amor seja visto como nasceu, isto Ă©, livre? VocĂȘ tampou os buracos que havia em minha epiderme, trouxe a felicidade para dentro da minha alma e uma confusĂŁo bonita para dentro do meu peito. Como alguĂ©m pode dizer que essa forma de amor nĂŁo Ă© bonita? Que tolos serĂamos se todos pensĂĄssemos do mesmo jeito. Ainda bem que cada cabeça Ă© um mundo e que o mundo Ă© a cabeça de cada um âhologramadaâ no ponto inicial da Terra. Me desculpe os impulsos e as minhas teorias bizarras sobre tudo. E eu sei que vocĂȘ rir quando eu resolvo contĂĄ-las para vocĂȘ. Mas quando eu vou dormir, Ă© o teu cheiro que eu encontro no meu edredom. E eu sempre te disse e torno a dizer, mesmo doendo, cravando uma faca no calcanhar alheio, que nĂŁo seja o meu. Mesmo que a sua mĂșsica preferida nĂŁo toque na rĂĄdio enquanto eu preparo o teu macarrĂŁo com molho. Mesmo que tudo vire ao avesso e nossas escolhas se percam no meio do caminho e eu tenha que voltar para segurar tua mĂŁo novamente. Mesmo que tudo isso nĂŁo passe de uma mera coincidĂȘncia, um mero acaso, uma mera desculpa para os nossos corpos se encontrarem, eu te amo.Â
 VocĂȘ Ă© o cais do meu caos.Â
 Bruna Irlly.
A gente leva a saudade ou a saudade leva a gente?
Quando eu leio Bukowski ou quando te conheci
Quando eu te conheci eu me senti inteira. NĂŁo que isso fosse algo bonito de se dizer, mas foi muito bonito de sentir. Talvez porque nenhum outro olhar tinha a imensidĂŁo bonita que suas pupilas carregavam, talvez nenhum outro cigarro ficaria tĂŁo bonito no canto dos seus lĂĄbios enquanto vocĂȘ se concentra para construir sua opiniĂŁo. Eu poderia ter me apaixonado apenas pelo jeito que vocĂȘ segurava a xĂcara de cafĂ© ou o copo descartĂĄvel. Mas eu me apaixonei atĂ© pelo jeito que caminha e carrega a culpa do mundo nas suas costas. Minhas complicaçÔes e paranoias eram imensas antes de te conhecer, mas eu depositei em vocĂȘ todo o caos e ainda assim vocĂȘ soube onde por as mĂŁos. Acontece que a sobrecarga psĂquica foi gigante e eu nunca mais soube como me equilibrar sozinha, entende? Eu fiz de vocĂȘ um refĂșgio absoluto para os meus medos e aĂ vocĂȘ se foi. Eu nĂŁo sei se foi pelo fato de eu ter te mostrado os meus monstros ou por tentar te cuidar da forma mais bonita possĂvel. NĂŁo sei se foi porque eu nĂŁo aprendi a fazer seu cafĂ© meio doce porque âde amarga jĂĄ bastava sua vidaâ, e vocĂȘ repetia isso sempre que eu errava na quantidade de açĂșcar ou de cafĂ©. NĂŁo sei se foi porque nossos sonhos se tornaram distintos e nunca mais saberĂamos sonhar juntos. E sonhar sozinho Ă© perda de tempo quando o sonho acaba se realizando e vocĂȘ nĂŁo tem ninguĂ©m para compartilhar. Hoje eu olho os teus olhos e ainda vejo a calmaria nas suas pupilas. Mas infelizmente vocĂȘ nunca soube olhar nos meus.Â
 âE vocĂȘ me inventou e eu inventei vocĂȘ. E Ă© por isso que nĂłs nĂŁo damos mais certo.â
egoĂsmo tambĂ©m se dĂĄ entre si prĂłprio. jĂĄ pensou o quanto Ă© egoĂsta pular do penhasco sozinho?
Quando eu citei a mĂșsica do Bob Dylan e acabei chorando
Me perdoa o sentimentalismo barato. Ă que o mundo cansa demais as minhas artĂ©rias e eu nem sei mais por onde procurar apego para o meu desespero. Eu te olho e vejo todos os meus sonhos nas suas pupilas, mas eu tambĂ©m reconheço o peso que carrega nas pĂĄlpebras. Eu queria te convidar pra sair e dançar por cima dos destroços que meus problemas me causam. Queria amarrar uma linha imaginĂĄria no meu anelar esquerdo com a outra ponta no teu e cuidar pra que ninguĂ©m desate o nĂłs que atei. Ă difĂcil pressentir uma vida sem sentido na qual o Ășnico teor de felicidade se encontram em suas mĂŁos. O problema nĂŁo Ă© nem esse. Ă que atĂ© para um olho que sĂł enxerga as cores primĂĄrias o teu caos Ă© tĂŁo bonito. E eu nĂŁo sei lidar com os meus anseios e me culpo por ser assim o tempo inteiro. Fico empurrando o âvai dar tudo certoâ goela abaixo esperando que resolva mas eu sempre vĂŽmito minutos depois. E a culpa nĂŁo Ă© de ninguĂ©m, sĂł minha. E isso me cansa a epiderme tambĂ©m. Mesmo que em dois segundos do seus toques eu queira viver uma eternidade ao seu lado. Eu tambĂ©m nĂŁo sei te olhar de cima para baixo porque eu fico com medo que o peso da culpa de insistir em ser infeliz caĂa sobre vocĂȘ e eu jamais saiba te reerguer novamente. Acontece que entre todas as coisas mais lindas que eu jĂĄ vi, teu olhar se encontra no ĂĄpice, ocupando o primeiro lugar desde o vinil de Los Hermanos atĂ© a minha mĂșsica preferida do Bob Dylan. E eu sempre sangro procurando me reformar e me deixar inteira quando vou te ver, mas parece que sempre chego pela metade e vocĂȘ ainda tem a capacidade de meter as mĂŁos em toda essa sujeira e me deixar inteirinha novamente. Acho que agora eu jĂĄ entendi do que se trata. Todo mundo anda buscando uma metade que complete. Quando na verdade deveriam procurar pela metade que complementa. Eu achei a minha. E vocĂȘ? PerdĂŁo pela intensidade que assusta nosso sistema nervoso, mas sem vocĂȘ eu seria apenas o pĂł em que nasci.

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Ă© o fim do mundo todo dia da semana
Minhas olheiras estĂŁo saturadas pelo sentir. Eu choro e sofro por N motivos inusitados achando que o mundo vai acabar sĂł porque meu coração acha que tem que ser sempre o bonzinho da histĂłria. âĂ o fim do mundo todo dia da semana.â E eu sempre vou dormir mutilada pelo meu sentimentalismo barato e de quinta, que sempre se encarrega de depositar fichas em expectativas meio bosta ao invĂ©s de gastĂĄ-las na mesa de sinuca do bar da esquina.Â
seria Ăłtimo presenciar os bĂȘbados fazendo filosofia de calçada e ouvindo brega atĂ© as 3h22 da madrugada, nĂ©?
pelo menos eles esquecem que existe.
Da bebedeira e do amor ninguém sai ileso
Ontem eu estava caminhando no meio fio da calçada do meu vizinho e eu jurei que vi vocĂȘ vindo em minha direção, fechei os olhos e quis que quando abrisse nĂŁo fosse apenas uma imaginação fĂ©rtil, mas ao abrir dei conta que sim. Teu mundo sempre foi pequeno demais para o peso que eu carregava nas olheiras e quando eu fechava os olhos vocĂȘ fugia com medo de eu nunca mais abrir. VocĂȘ sempre foi desses que tinha dores na coluna e ressaca depois de uma bebedeira ouvindo Deftones no domingo. Tinha uma marca no meio do lĂĄbio inferior e eu achava tĂŁo bonito teu engolir de saliva. Eu tinha um medo absurdo de vocĂȘ ir ao neurologista e acabar percebendo suas complicaçÔes e assim jamais querer alguĂ©m por perto. Ă que vocĂȘ sempre foi aquele tipo de pessoa que nunca quis ao seu redor alguĂ©m que sentisse pena de vocĂȘ. VocĂȘ queria ser feliz o tempo inteiro por isso sempre corria quando eu estava triste. Sempre me empurrava goela abaixo o teu jeito cĂnico de acreditar que o universo trazia as melhores coisas com a força do pensamento, enquanto eu nunca tinha visto um universo mais bonito do que aquele que vocĂȘ carregava nos seus olhos castanhos claro. VocĂȘ sempre com esse ar de durĂŁo e eu sĂł queria saber se depositei minhas fichas no amor errado, o mesmo que vocĂȘ recusava fazendo um muro maior que o de Berlim e que jamais nenhum livro de histĂłria saberia contar como alguĂ©m teve a capacidade de derruba-lo. Eu tinha uma vontade imensa de correr pra dentro de vocĂȘ quando algo ruim acontecia em minha vida. Mas vocĂȘ sempre corria para fora de si mesmo para nĂŁo enfrentar teus prĂłprios problemas. E eu sempre me culpava por nĂŁo saber ser igual a vocĂȘ. O Ășnico peso que vocĂȘ carregava eram aqueles malotes que o teu patrĂŁo fazia vocĂȘ erguer e colocar no armĂĄrio de cima lĂĄ em teu serviço todas as sexta-feiras. E eu ficava te olhando reclamar achando que vocĂȘ iria ficar super bravo depois, pois o seu queixo fazia um traço bonito quando vocĂȘ ficava com raiva. Mas vocĂȘ me olhava de canto e dizia âhoje Ă© sexta. HĂĄ uma esperança enorme que o mundo mude e o amor prevaleça na segunda-feira!â Mas quando chegava a segunda eu sempre perdia as esperanças sobre o mundo e sobre nĂłs.