ヾ ★ ፡ @hawksfield is here || 𝗍𝗁𝖾 𝗆𝖺𝗉 𝗍𝗁𝖺𝗍 𝗅𝖾𝖺𝖽𝗌 𝗍𝗈 𝗒𝗈𝗎。
bastou visitar aquele lugar uma única vez para decorar o caminho… embora aquela fosse a primeira vez que adentrava pela janela do quarto de alguém. rezava mentalmente para não ser pego, com muita sorte os prejuízos relativos ao arrombamento da janela foram mínimos. com a virilidade que possuía, não se concederia a permissão de tocar em qualquer coisa ali ou reparar muito, já estava aprontando demais para uma única noite. kirishima pigarreou, os orbes escarlates se concentrando na cama bem arrumada e ali depositou um embrulho bastante chamativo. com a missão, aparentemente concluída, ele refez o caminho até a saída improvisada, todavia o próprio corpo vacilou, estagnando-o no lugar.
estava muito bem arrumado para uma simples entrega, até aderiu ao cabelo baixo devido aos inúmeros elogios que recebera nos últimos tempos. não adiantava nada ter se preparado com tanta antecedência quando não era capaz de tomar a simples decisão de ficar ou não. o corpo tencionou-se de tal maneira, que o ruivo precisou controlar a própria respiração, dando breves socos sobre o peito, por pouco o quirk não se ativou. devia ter seguido com o plano inicial de conversar e acertar horários, mas não, era imaturo demais para saber lidar com a situação… vamos invadir uma casa, parece mais promissor.
o mundo não costumava conspirar contra o herói, mas é fato que enquanto ponderava, relutava e se imergia em confusão, o tempo estava passando. a porta fora arrastada e o som produzido pela mesma atingiu seus ouvidos, os olhos se arregalando no mesmo instante. que as reflexões até então tenham surtido algum efeito… porque não havia mais tempo para pensar. fosse por instinto ou qualquer outro fator, o corpo moveu-se numa velocidade surpreendente vindo de alguém como kirishima. o braço direito envolveu a cintura daquela que não teve tempo de adentrar no cômodo por conta própria, pois foi arrastada para dentro. ❛ shh… takada ! ❜ a voz saiu em um sussurro, o indicador da canhota pousando delicadamente sobre os lábios da menor. ❛ sou eu, kirishima. ❜ a está altura, ela com certeza já havia percebido… mas ele estava nervoso demais para dar atenção a fatores lógicos.
a medida que o rosto se tornava mais rubro o braço entorno de takada se afrouxava, até libertá-la completamente. teve o cuidado de dar apoio o suficiente, até que ela se sustentasse por si só, mesmo sendo totalmente incapaz de fitá-la nos minutos iniciais. ❛ takada… vamos sair ! ❜ teria sido melhor pedir desculpas, dar uma boa explicação sobre como entrou ali… qualquer coisa… mas se não fosse agora, não conseguiria mais.
Sabe que dia é hoje? Dia de jantar com a família inteira porque, por alguma causa do destino, a senhora Tsuha teve como sair mais cedo da delegacia e assim forçar o encontro dos dois lados da família: de um lado os Takada e do outro os Honda. A tensão estava altíssima nos olhares da senhora Honda Hiromi e o senhor Takada Ren e desta vez não era por causa de uma briguinha como acontecia na infância dos mesmos. Já fazia mais de um ano, mas ainda estavam amargos com algo que aconteceu no festival de esportes entre suas filhas que, mesmo não estando nos melhores termos, não estavam matando o clima de um bom jantar com os olhos. Por algumas vezes Tomoe olhou seu primo mais novo, Daisuke, e pensou como seria bom estar alheia à essa tensão por completo. Nem mesmo as piadas do senhor Honda e sua filha Momoka com o cair de seus dedos estavam agradando ou deixando o ambiente mais leve. Eis que a mãe de Tomoe soltou a pergunta que ninguém deveria fazer:
“O que há de errado com vocês hoje?”
A gritaria entre os irmãos começou como se tivessem se esquecido do como isso seria incômodo aos vizinhos, a senhora Takada Tsuha mal desgrudava do comunicador da polícia, preparada para relatar o barulho excessivo, o senhor Honda e seus dois filhos se retiraram calmamente para a sala comum. “Tomoe-cha, não quer vir com a gente jogar alguma coisa?” ele perguntou para receber uma resposta negativa. Tomoe até desejava passar um tempo com eles, principalmente com Momoka e, quem sabe, aos poucos voltar à ter a amizade de antigamente, entretanto estava cansada. Queria simplesmente se deitar, fechar-se em posição fetal e esquecer o barulho vindo da cozinha, pois no fundo sabia que tudo isso era sua culpa. E falando em culpa, deu a desculpa que estava com dor de cabeça e iria se deitar um pouco, uma desculpa que sua mãe entendia como “por favor, não falem comigo, preciso ficar sozinha.” e seu pai como “não quero ficar perto dessa bruxa que eu chamo de tia.”, felizmente ambos resultavam em sua solidão.
Com a mão na maçaneta da porta de seu quarto, suspirou pesadamente e contou mentalmente quantas horas iria levar para eles irem embora. Para sua frustração, eles não iriam em menos de três horas. Três horas de gritaria! Agora sim que ela deseja sumir! Com a força de sua vontade de deixar de existir por alguns minutos abriu a porta apenas para ser puxada pelo que ela interpretou como uma corrente de vento ou um gancho. Não pensou em como algo pudesse passar por sua janela trancada, seu sangue só fervia com reflexos de auto-defesa e por muito, muito pouco, seu punho direito não foi de encontro ao rosto do invasor.
E esse muito pouco permaneceu assim por ter ouvido seu nome e sentido um toque delicado em seus lábios. Era só o Kirishima-san da... Kirishima?! Oh não. não não não não! Na sua mente não passou mais como ele conseguiu entrar, nem o motivo, só como ele a pegou numa péssima hora. Ela o fitou por alguns instantes, quase não o reconhecendo enquanto abaixava seu punho fechado e relaxando-o de vez, desarmando seu soco. Cabelo baixo? Piscou umas duas vezes tentando registrar esta nova imagem de um Kirishima vermelho até na face, tão vermelho que ela mentalmente observou que para alguém cuja individualidade era endurecer, estava muito... Macio? Fofo é a palavra mais indicada. Espere! Tomoe! Se foque na situação! Se foque na situação! Ele acabou de invadir seu quarto e... Te chamar para sair?
Nunca uma péssima hora foi o melhor momento possível.
Travou, estremeceu. A base em seus saltos baixos quase a fez cair, contudo seu orgulho a manteve em pé firmemente, mesmo que de forma bamba e com respiração alterada. O agarrou levemente fortemente como se seus dedos fossem uma prensa pelo braço e o puxou para a janela danificada sem dizer uma palavra sequer. Não conseguia formar uma única sílaba! Largou-o quando precisou pular por sua janela, algo que pareceu fácil, uma atividade que parecia estar acostumada o suficiente para não ter medo de fazê-la com um salto mínimo e um vestido imbecilmente claro, uma veste excelente para um jantar em família, mas não para fazer parkour. Para um local tão bem seguro, escapar dali era mais fácil que entrar. Tendo batido sua veste de volta no lugar, praticamente fingindo retirar algum pó da mesma, conseguiu responder com alguma confiança: a mesma confiança que exibiu quando o forçou comer de seu katsudon pela primeira vez: — Só estou te esperando! — Aquela voz que veio num tom incomumente alegre veio junto de algumas lágrimas que embaçavam seus óculos.
Lágrimas são incômodas. Felizmente, Tomoe estava contente pelo motivo dessas.