Trauma de Infância
Prólogo
Prólogo
As crianças associam uma imagem ou algo de sua imaginação e relacionam a fobia, e depois de adultos sentem receio de aquilo que lhe assustavam quando crianças. Tem crianças que sentem medo de ficarem no escuro de seu quarto, até mesmo adultos que precisam acender uma luz para dormir. Algumas crianças têm medo de dormirem sozinhas e precisam da companhia de um mais velho, muitas dormem na cama com os pais, que muitos especialistas consideram isso errado e recomendam que durmam em seu próprio quarto.
Algumas figuras são assustadoras para algumas crianças, que na verdade seria para diverti-las, como por exemplo: Palhaços, Coelhinho da Páscoa, Papai Noel, Bonecos de Fantoches e alguns tipos de brinquedos. Há adultos que ficam com o receio de algo que sentia medo na infância.
Eu a autora desse texto, nunca tive medo de Palhaço, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa nem marionetes, pelo contrário eu adorava e achava divertido. Eu tinha receio de ursinhos de pelúcia musical que acendia as bochechas, eu ainda tenho um pouco desse trauma. Palhaços são sinistros, eles se escondem por trás da pintura facial.
Eu sou uma pessoa corajosa de certas coisas eu não tenho medo. Quando eu era criança eu tinha medo do escuro do quarto, da luz do rádio relógio (eu tinha que virá-lo para a parede) e de dormir sozinha, que eu ia para o meio da cama dos meus pais. Na adolescência eu já superei isso e hoje eu adoro dormir no meu quarto escuro.
Trauma de Infância
Era um fim de ano e uma garotinha estava encerrando o antigo pré-primário, pois iria ser transferida para um colégio e estudar na primeira série do Ensino Fundamental. Após sua última apresentação de final de ano na escolinha infantil, logo entrou no período de férias e chegaram seus primos. Toda entusiasmada ela foi recebê-los e os acompanhou até o quartinho dos fundos que ficava no andar de baixo da casa de sua avó. Enquanto isso a menina se encostou na janela do quarto e deparou com um chaveiro de um grilo que estava de óculos de sol, o grilo baixou os óculos e piscou para ela lhe causando uma má impressão a deixando com dor de estômago.
Mais tarde seu primo foi até o computador na casa da garota que ficava no mesmo quintal da avó e foi jogar um joguinho de um CD-ROM educativo que ela tinha. Nele continha a história do lobo guará que a garota já sabia de cor. Ela adorava sentar-se na escada da sala de sua avó e prender a atenção dos primos e dos adultos contando suas histórias de faz de conta, e ela contou todinha a história do lobo guará, as exatas palavras ditas no CD. Ela fazia farra com seu primo, ambos pareciam ter “fogo no rabo” quando estavam juntos, mas também caíam na porrada a maior parte das vezes. A menina entrou novamente no quarto, bateu o olho na janela, e o grilo pendurado lá a encarava, dessa vez ele estava sem os óculos e levantava as sobrancelhas para ela, que saiu traumatizada do quarto e contou aos avós que tinha um grilo no quarto a encarando.
Ela voltou ao quarto, aproximou-se da janela e tentou esconder o chaveiro e apareceu sua tia e disse:
— Deixa isso, é de fechar a janela.
Novamente, o grilo a encarou com um sorriso macabro e os olhos vermelhos soltando laser.
Certa manhã de sábado, a menina acordou cedo e seus pais continuavam a dormir, ela saiu no quintal por um momento. Seus avós e seu primo já tinham acordado, pois acordavam com o canto do galo (eles moravam na cidade grande, nem tinha galo, eles que tinham o costume da roça) ela entrou no quarto de baixo e o grilo piscou para ela. Ela voltou para casa entediada, os pais dormiam até tarde no sábado, ela foi para cama no meio deles, adormeceu e acordou quase meio-dia e foi fazer um programa qualquer para o fim de semana.
Ela até começou a sentir medo de entrar no quarto e sempre dar de cara com aquele bicho sinistro que sempre a encarava e ficava com os olhos vermelhões como raios de fogo. Ela correu para sua casa e colou a cara no travesseiro. Ela levantou o rosto lentamente e ficou cara a cara com o grilo, que piscou para ela e levantou as sobrancelhas. A menina pegou o chaveiro e foi jogá-lo na lata de lixo com o rosto virado para não ter que olhar de novo. A garota pediu para sua mãe encontra um chaveiro legal para substituir aquele e se desfazer do grilo.
Ela entregou a sua tia outro chaveiro do Jake de Hora de Aventura, esse por vez afastaria qualquer maldição. Jogaram o grilo fora, ele foi levado pelo caminhão de lixo, amassado “putz grila!” pensou ele, agora sim ele tinha um grilo enorme.
Muitas pragas estavam por trás da garota para lhe colocar mal olhado. Um dia sua avó fez dois novos travesseiros a partir de lençóis velhos, com estampa de bichinhos. À noite, ela foi deitar com esse travesseiro, tinha um cachorro sinistro amarelo de focinho vermelho com o olhar torto de lado, cabeção enorme corpo pequenino e uma mancha vermelha enorme no olho direito, uma aberração, esse mil vezes mais assustador que o grilo. Ele encarava a menina e movimentava os olhos de um lado para outro. Ela gritou por sua mãe assustada, a mãe cobriu com uma fronha escura, mas a menina pensou que tinha apenas trocado, mas um gato azul saiu debaixo da fronha e piscou para ela com laser nos olhos e perguntou:
—Mãe você não tinha trocado de travesseiro?
—Não eu embrulhei.
—Mas eu vi o bicho!
—Quem mandou você ver?
Sua mãe pegou para si o travesseiro e de manhã enquanto ela a arrumava para ir à escola, a mãe atirou o travesseiro, que caiu em cima da cama da menina e os gatos estampados que encaravam a garota com um sorriso e olhar sinistro, sua mãe ficou com ele.
Uma noite, enquanto a mãe da garota penteava o cabelo da menina, a porta do guarda roupa estava aberta e a cabeça da menina travada de frente aquele cachorro que disparou um raio de fogo através da “oréula” (palavra definida por sua avó referente à pinta ou mancha em apenas um dos olhos do cachorro) na verdade é pinta, ou mancha, tem auréola que é o círculo dourado e brilhante sobre a cabeça do anjo e olheira que é concentração de vasos sanguíneos sob a pálpebra inferior que deixa a região ocular com tom escurecido. Praticamente não têm nada a ver.
Na escuridão da noite, apesar de dividir o quarto com os pais, sua cama ficava distante da deles e com a cabeceira próxima a porta, sempre ia deitar no meio dos pais, como toda criança faz. A mãe arrumou uma fronha para encapar o travesseiro e esconder os bichos, e a menina achava que era outro, que mãe lesada, não dava logo um fim naquelas pragas. Num momento ela abriu o guarda roupa e ficou de cara com aquele cachorro sinistro que com um raio de fogo disparado da pinta vermelha do olho direito e os olhos fixados nela, lhe deixou com mau olhado, por mais que seja um raio de calor, lhe causou calafrios, arrepio na espinha e falta de ar. Durante a noite sua mãe a chamou para fazer lição de casa, que a garota morria de preguiça, sentiu uma agonia ao escrever os números de cem a duzentos, ela achava que eram muitos números, infinitos, como se estivesse contando todos os números existentes, o oceano gota por gota. O cachorro apareceu na folha do caderno e fixou seu olhar ao dela, estava pressionando-a para fazer a lição, ela estava quase chorando. Sua mãe resolveu lhe dar uma trégua e deixou-a parar nos 170 e ir descansar. Enquanto a garota dormia, os bichos do travesseiro desprenderam-se do tecido, saíram pela porta do guarda-roupa, subiram na cama da menina e a puxaram pelos pés.
A avó da menina escondeu o travesseiro e resolveu guardar na casa dela. A menina foi bisbilhotar a gaveta do quarto de sua avó e sua tia ameaçou pegar o travesseiro para assustá-la e a menina saiu correndo. Ninguém deu um fim naqueles bichos sinistros, apenas deixou fora das vistas da garota, mas sempre temia ser perseguida por eles.
Onze anos se passaram e essa menina estava com dezoito anos, praticamente uma adulta, tinha coisas assustadoras a temer sobre a realidade do mundo à sua volta, tinha seus artistas e desenhos animados favoritos que a deixava relaxada, causando um efeito de droga. Onze anos depois, a garota passava o dia de Natal na casa de sua tia, churrasco, sobremesas, música sertaneja e assistir TV a cabo, pois a garota não tinha e quebrava o galho com a internet. A tia pegou um travesseiro para deitar no sofá, e era justo aquele amaldiçoado, sua tia tinha guardado para lhe jogar uma praga, lhe deixar mal olhado. Tá legal que uma vez a garota colocou um rato de brinquedo em cima da cama de sua tia para fazer uma pegadinha. Ela decidiu mexer no travesseiro e procurar o cachorro, ela o achou, e ele lhe causou receio e os gatos ficavam com os olhos bem vermelhos como laser e até o cachorro soltou raio de fogo da “oréula”.
Muito tempo depois do Natal ela foi para um congresso à noite em sua faculdade, num lugar desconhecido, a garota saiu onze e meia da noite e pegou um ônibus deserto cuja luz piscava, ela ouvia ruídos estranhos e movimentos esquisitos. Ela pegou um ônibus que tinha o nome de um que ela costumava pegar, porém o destino era outro, não passou nem perto de sua casa, ela desceu numa viela deserta na favela e dos becos saíram os bichos da estampa do travesseiro e o cachorro de cabeça grande e corpo pequeno, que a deixou de quatro no chão, encaixou seu corpo ao dela e deu um “creu” nela a deixando toda estrangulada.
Filmes de terror, zumbis e certos jogos de vídeo game não são nem um pouco assustadores, assustadoras de verdade são as notícias de telejornais que exageram nos mostrando uma realidade trágica.



















