O celular começou a tocar na mesinha de cabeceira, mas Jorge preferiu ignorar. Se fosse do trabalho, eles iam se tocar que provavelmente ele não ia atender e que era melhor deixar recado.
Trabalhara direto nas olimpíadas e nas paras, quase não tivera tempo de respirar; E estava super disposto a curtir o dia de folga da maneira mais confortável possível, em sua cama e agarrado aos seus três mascotes olímpicos de pelúcia - Tom, Vinicius e Ginga. Finalmente o telefone parou de tocar e Jorge achou que ia poder finalmente ir para os braços de Morfeu…
… Mas o celular voltou a tocar.
Grunhindo, se virou na cama e pegou o aparelho, trazendo para perto do rosto para descobrir quem era o desgraçado que estava ligando.
Não reconheceu o numero e muito menos o código de área e interpretou aquilo como um mal sinal. Lembrou que tecnicamente estava hospedando varias cidades e estados na sua capital e que tinha mesmo dito que era para eles ligarem para o seu número se precisassem de alguma coisa. Ai, por que ele tinha que dar uma de bom anfitrião, mesmo?
Atendeu a ligação, sem ligar pra como sua voz soaria.
- Alô, que que tu quer? - Perguntou sem rodeios.
Eram exatamente sete horas da manha do dia seguinte a festa de boas-vinas direcionada a chegada das cidades e os estados no Rio, quando Manuela decidiu sair do hotel para visitar a cidade. Nos primeiros passos dados para fora do Copacabana Plaza, sentiu o choque da brisa refrescante tocar-lhe a pele delicada. Fechou as pálpebras, amplificando o seu sentido da audição, escutando o som calmo do quebrar das ondas na praia em frente a ela, e ruidos de conversas em vozes estridentes das pessoas as quais passeavam pelo lugar. E era exatamente isso que faria neste momento. Ao ser convidada, transbordou em animação apenas com a ideia de visitar um local tão conhecido e comentado, agora aproveitaria a cada segundo da viagem.
Abriu os olhos com um sorriso resplandecente no rosto, dando passos enérgicos na direção em que o fluxo de pessoas andava.Agia como uma verdadeira turista. Seus olhos castanhos escuros percorriam a cada detalhe e a cada ponto que julgava interessante, tirava uma foto. Passado algum tempo, não saberia dizer ao certo quanto, por ter ficado entretida, se deu conta de algo nada legal. O problema estava em não conhecer nada por ali. Apoiou uma das mãos a cabeça, enquanto mordia seu lábio inferior. Como faria para voltar ao hotel? Se ao menos tivesse trazido consigo sua carteira, pegaria um táxi. Isso se encontrasse um, já que todos que vira estavam com passageiros. Quem sai andando sem rumo em uma cidade que não conhece? Martirizou-se mentalmente. Pediu indicação, no entanto, lhe diziam para seguir ruas especificas as quais não sabia associar o nome ao local que se remetiam.
Es que surgiu uma ideia, ligar para alguém. Pegou seu celular e a cada contato que descia, a faísca de esperança que havia brotado nela, parecia diminuir. Sua face adquiriu uma expressão de desgosto ao notar que apenas tinha o numero de uma pessoa do Rio, o próprio. Seu encontro com ele tinha a deixado com um pé atras em relação a sua personalidade, por isso não ficou muito contente ao discar o número. - Nossa, mimgula! - Franziu o cenho já arrependida de ter ligado.- É a Manuela... Hm, bom dia? - Tentou manter um tom amigável, afinal precisava de sua ajuda. - Olhe, sei que não tem obrigação, só me deu o telefone por hospitalidade, mas... - Gesticulada como se o homem estivesse em sua frente, prestes a virar as costas. - Sai do hotel e ‘tó perdida. Será que pode me ajudar?