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O menino de ontem me plange.
Manoel de Barros em LIVRO SOBRE NADA
são paulo, dia 1
08 de junho de 2023
São Paulo, sempre monumental. Chegamos ao hotel. Como ainda não estava perto do check-in, deixamos nossas malas e fomos à Paulista. Almoçamos no restaurante “A Baianeira”, localizado na parte de baixo do MASP. Uma experiência culinária muito especial. De lá, seguimos para o MASP, no mesmo prédio, três andares pra cima.
O Museu de Arte de São Paulo é uma experiência à parte. Sua exposição conta com obras dos maiores artistas que já pisaram nesta Terra. Estar de frente para essas obras... é indescritível. Foi uma troca incrível entre nós 3: Marcos, Masp e eu. Ficamos quase 3 horas lá dentro, conversando, produzindo sentido, construindo histórias, narrativas, tecendo possibilidades e partilhando.
Como estávamos cansados por conta de uma noite de viagem bem cheia - com direito a dormir em cadeira dura de aeroporto - decidimos ir para o hotel descansar e, apesar de poder curtir uma Paulista fechada em plena quinta-feira, o cansaço falou mais alto. A vontade do banho e do breve descanso foi superior. Voltamos ao hotel.
Mais tarde, à noite, tínhamos a apresentação do Afonso Padrilha no Comedy Sampa Club. Foi uma programação minha. Já tinha visto tanto o Afonso pelo YouTube... seria muito especial poder ver ele se apresentar ali, no palco do Comedy. Chegamos cedo, pedimos rango, aguardamos a apresentação.
Queria ter força para enfrentar o cansaço físico, mas nem o mais forte de todos os seres viventes consegue ficar de pé diante do cansaço. Pesquei durante o show do Afonso. Ele estava ali, ao vivo, na minha frente, fazendo seu show. Eu estava aqui, cansado, pedindo cama e sono. E foi assim que, findado o show, saímos correndo para ir embora. Marcos estava pingando de sono também.
Fim do primeiro dia.
P.S. IMPORTANTE: nós saímos do Comedy imediatamente após o show, antes de todos, e quando estávamos lá fora, só eu e Marcos, esperando o uber, Afonso Padilha passou do nosso lado agradecendo e foi embora. rs. Isso foi engraçado.
Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar.
Bernardo Soares

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eu sinto que a gente acabou e não sei se isso tem a ver com o fim do amor.
eu já nem sei o que é viver sem você, sem planejar o futuro com você. o futuro necessariamente tem você lá e eu não sei como arrancar. eu não sei, definitivamente, o que é viver sem você. você está em tudo, em cada detalhe e passo que eu dou. em cada objeto largado no canto, em cada suspiro e respiro do dia. só estou aqui porque você está aí. ainda assim, eu sinto que a gente acabou.
é difícil assumir que algo “acabou”. é difícil principalmente porque a gente naturalmente vai associar a uma “falta de interesse” em continuar fazer dar certo. ou, é mais fácil simplesmente dizer que o amor acabou. mas, para mim, as coisas não se apresentam dessa forma, tão pragmáticas e simples.
amor é construção diária, dedicação diária. é dedicar-se ao outro. é sobrepor vontades próprias, por vezes, mas sem machucar o outro nem a si. amor é dedicar-se ao outro em momentos de tristeza, em momentos de angústia, em momentos de alegria, de felicidade. amor é pensar no outro sempre, mas não o tempo todo (consegue ver diferença entre o “sempre” e o “tempo todo”?). e nós simplesmente somos tudo isso. o amor é o que nós somos, temos e sentimos um pelo outro.
a paixão te consome e te toma os pensamentos em todo o tempo. o amor não. o amor é calmo em boa parte do tempo e fogo em algumas outras partes. é angústia e ter que lidar com opiniões e posições diferentes. o amor não é fácil, mas pode ser uma escolha. amar definitivamente não é fácil em muitos aspectos. em outros, é uma viagem eterna rumo ao desconhecido e isso pode ser massa para caralho.
mas nosso amor, em momentos específicos, tem machucado.
eu sinto que a gente acabou no dia em que cometi aquele erro. eu sinto que nossa cumplicidade não volta mais ao que era e, desde então, apesar dos diversos momentos de amor e partilha, a falta de confiança que minha atitude gerou está machucando a nós dois. cortando. conflitos mais intensos, instabilidades mais reais e recorrentes, acidez exagerada em determinados momentos. sintomas de algo gerado por uma atitude minha.
é difícil olhar para uma história tão longa e pensar que ela está acabando. é difícil olhar para um futuro tão longo e pensar que ele está sendo apagado. é muito difícil. difícil para um caralho. sinto um nó. um nó indescritível. construímos ao longo dos anos uma história, conquistamos coisas, construímos coisas. é muito difícil olhar para tudo isso do lado de cá.
e eu preciso escrever. eu preciso me entender através da escrita. eu preciso colocar para fora. quando estou diante de você não consigo dizer tudo ou pensar em tudo. não tem sido fácil conversar e nunca vai ser fácil conversar sobre isso.
ontem eu entrei no personagem para fazer meu trabalho. hoje a angústia tomou conta de mim inteiramente. um nó gigante. gigante. não sei para onde ir, o que fazer, como fazer, como seguir, por onde seguir. simplesmente não sei. mas sei que ficar aqui, apesar de ser aqui o lugar onde fizemos lar, está machucando. machucando ambos, acho. e não quero tentar curar aqui dentro, mais uma vez, essa ferida. não quero tratar aqui.
você já disse outrora que, se isso acabasse, a gente saberia que dias, semanas, meses depois teríamos seguido nossas vidas. e já estaríamos numa nova rotina. não sei se é fácil assim. não sei nem vislumbrar a possibilidade do que serão os dias, semanas e meses depois. eu me tornei quem sou hoje construindo contigo. você sabe a transformação que aquele eu de 2020 sofreu até os dias de hoje. hoje sou outro, muito diferente daquele.
hoje, só hoje, eu não quero mais ver ninguém, não quero mais fazer nada. hoje é talvez o pior de todos os outros dias. hoje eu só quero entender tudo isso.
está sendo difícil. eu sinto que a gente acabou e não sei se isso tem a ver com o fim do amor.
não tenho me encontrado, não sei onde estou, não sei para onde quero ir.
quem sou eu? por favor, me diga: quem sou eu? para onde estou indo? para onde devo ir? quem sou eu?
existe sempre um outro jeito de se poder chegar

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♥
Coador de pano
Quando eu era menino, minha mãe passava o café (e ainda passa até hoje) no coador de pano. No final ela torcia o coador com a colher para sair o restante do líquido que ficava.
Hoje que sou menino crescido, não vejo sentido em passar o café sem torcer o coador com a colher. O café sem a torcida do coador parece café sem sentimento.
Rod.
Fandoghloo forest/ Ardebil/ Iran
Photographer: mehdi hossein nejad
By Jens

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tudo o que não passa,
me devora.